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Comissão Europeia avisa Portugal: Mais professores? Só se “melhorarem os resultados”.

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Sinto uma indignação profunda quando se compara uma escola a uma qualquer fábrica de produção maciça, comparando os alunos a um mero produto e os professores a uns empregados que devem trabalhar por objetivos.

Quem pisa diariamente uma sala de aula sabe, que os resultados escolares dependem de inúmeros fatores que vão desde a estabilidade familiar, a estabilidade financeira, as infraestruturas, as metodologias de ensino, a direção de uma escola, o número de alunos por turma, a reforma educativa vigente, a indisciplina, etc, etc, etc…

A ignorância com que estes senhores, que lembro já terem assumido a sua cota de responsabilidade pela recessão económica que Portugal atravessou no período da TROIKA, falam sobre a educação de um país a milhares de km de distância, para mim vale “zerinho”.

Esta lógica que lamentavelmente o nosso Ministério de Educação subscreve, dando a entender que nos estão a fazer um favor de contratarem professores nos últimos dois anos, esquecendo-se que desde 2010 foram reduzidos mais de 37 mil professores em Portugal, prova uma desonestidade intelectual e o desconhecimento total do significado da palavra investimento.

Senhores da Comissão Europeia, Senhores do Ministério de Educação, entendam de uma vez por todas. É preciso investir primeiro para atingir os devidos objetivos. Tal como no tempo de Nuno Crato, onde o crédito escolar dependia dos resultados escolares, a Comissão Europeia vai agora na mesma onda. É como dizer a um paciente que só terá o medicamento quando ele estiver melhor, é como dizer a uma criança que só terá explicações depois de melhorar os resultados escolares, é como dizer às diferentes economias que as taxas de juro só irão baixar quando a economia estiver em alta.

Isto é estúpido! Querem fazer de nós estúpidos! Mas nós não somos estúpidos!!!

E a prova está aqui, com dados oficiais da PORDATA

Bruxelas avisa: mais professores obriga a melhores resultados

(Pedro Sousa Tavares – DN)

 

1 COMENTÁRIO

  1. Não sou professora, mas mãe de um aluno com deficiência de aprendizagem, que há 20 anos veio da Alemanha com 2 anos de escolaridade como aluno de integração numa escola de ensino primário. Chegados a Lisboa, a única solução para o meu filho foi uma escola de ensino especial em Algés. Sei por amigos professores, que o ensino de integração se está começando em Portugal agora – 20 anos mais tarde!!! E que não são dados nenhuns cursos de especialização aos docentes “atingidos” por essa fatalidade de terem que os apoiar. As turmas continuam com o mesmo número de alunos. Com esta status quo, como pode melhorar o ensino em Portugal?!?! Que tal investir um pouco – o suficiente – nessa formação, antes de exigir resultados?

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