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CNE Alerta Para Uma Previsível Rutura Do Sistema Por Falta De Professores

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O Conselho Nacional de Educação faz um alerta muito sério ao que se está a passar no sistema de ensino português. Significa que está atento e conhece a realidade, só por isso merece credibilidade. Recentemente escrevi um artigo que mostra exatamente que no prazo de 10/15 anos haverá uma enorme falta professores.

A Realidade Daqui A 10/15 Anos | “Não Temos Professores Que Cheguem!”

Fica a notícia.


Nos próximos anos vão faltar professores nas escolas se o Governo não planear, urgentemente, o rejuvenescimento da classe.

O alerta é feito pelo Conselho Nacional de Educação no relatório Estado da Educação 2017, que esta quarta-feira será aprovado, e também defende a eliminação do 2.º ciclo para se reduzir os níveis de retenção.

Desde 2010, ano de publicação do primeiro Estado da Educação, que o CNE sublinha o “envelhecimento acentuado e progressivo” dos professores mas é a primeira vez que os conselheiros pedem um estudo ao Governo sobre o envelhecimento e projeção de aposentações e alertam para a falta de docentes nos próximos anos.

“Tendo em conta o envelhecimento da população docente e a redução na procura dos cursos de formação de professores, urge fazer e divulgar rapidamente um estudo da necessidade de novos professores ara os diversos grupos de recrutamento”, lê-se no documento que será hoje aprovado pelos conselheiros.

A quebra na natalidade que determinou uma redução de 17,6% de alunos desde 2008 e perspetiva menos seis mil alunos a entrar, por ano, no 1.º ciclo até 2020, a diminuição nos professores, especialmente no ensino público, é superior. Num contexto em que o peso orçamental dos salários e a recuperação do tempo de serviço congelado dos professores isola o Governo no Parlamento, que não exclui uma revisão da carreira docente na próxima legislatura, o CNE alerta para uma previsível rutura do sistema.

“O que mais me preocupa é se esse planeamento está ou não a ser feito”, assume Maria Emília Brederode Santos, presidente do CNE.

No ano letivo 2016/2017, 38,5% dos professores tinham entre 50 e 59 anos; 8,3% tinham mais de 60, sendo que destes, 1164 (0,8%) tinham mesmo 65 ou mais, quase o dobro dos que tinham menos de 30 (582). Os educadores de infância são os mais envelhecidos: 74,2% tinham mais de 50 anos. No 1.º ciclo essa percentagem é de 35,6%, no 2.º é de 50% e no 3.º ciclo e secundário é de 45,2%. Comparativamente com os outros estados membros da União Europeia só a Grécia tem menos professores com menos de 30 anos do que Portugal. A somar a este cenário nunca houve tão poucos candidatos a cursos de Educação Básica. Este ano letivo, após as três fases do concurso nacional de acesso, num total de 21 licenciaturas em 12 ingressaram menos de dez estudantes. O Politécnico da Guarda não recebeu nenhum aluno e no de Portalegre apenas entrou um.

Fonte: JN

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4 COMENTÁRIOS

  1. Porque será?!
    Metam a mão na consciência!
    Denegriram a classe durante as últimas 2 décadas; Atulharam os professores de papéis que em nada melhorou os resultados; exigiram horas, dias, semanas, fins de semana, de trabalho extra sem incentivos; exigiram formação fora do horário laboral e sem retribuição, como acontece noutros ministérios; cortaram nos vencimentos e aumentaram nas contribuições; aumentaram a idade da reforma em mais de 10 anos; aumentaram o número de alunos por turma; inventaram mais horas letivas e deram-lhe outro nome; retiraram horas na atribuição de cargos (muito mais trabalho com muito menos tempo contabilizado); Fecharam mais de metade das vagas de quadro, não permitindo que os professores contratados entrem nem que os efetivos se movam; alteraram os escalões de forma a que os professores fiquem eternamente sem progressão; roubaram mais de 9 anos de serviço para a progressão na carreira; incentivaram os professores a emigrar ou a rescindir contratos… Agora lamentem-se ou encontrem os culpados!

      • Falta acrescentar a falta de oferta formativa, que só agora recomeçou, e o “aliciamento” para pagar a formação que a entidade patronal, através dos canais proprios, não facultou… Só faltava agora, vir a terreiro, dizer que o tempo de serviço não poderá ser retribuído por falta daquilo.

  2. Há 35 anos atrás ser professor não era exatamente uma vocação mas sim ter um emprego relativamente bem pago e com algumas comodidades. Nessa altura muitos engenheiros, licenciados em direito, economia, arquitetura entre outros entraram para o ensino e fizeram a profissionalização em serviço quando já muitas universidades estavam a formar professores. O que é que os sindicatos fizeram? Nada.

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