Sociedade


Aqui está a solução para a reforma dos professores e população em geral… 1

Aceitam reservas?

Cientistas mais perto de descobrir droga anti-envelhecimento

(SAPO)

Num estudo publicado hoje na revista Science, aponta-se o metabolito NAD+, que está presente em todas as células do corpo, como regulador do processo que controla a reparação do ADN, a composição genética dos seres vivos.

Usando ratos, os investigadores reforçaram a capacidade deste metabolito e melhoraram a capacidade de as células repararem os estragos feitos ao ADN por exposição a radiação ou envelhecimento.

“Nunca estivemos tão perto de uma droga anti-envelhecimento segura e eficaz, que talvez esteja a três ou cinco anos de distância do mercado, se os testes correrem bem” afirmou o principal autor do estudo, David Sinclair, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Nova Gales do Sul e da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos.

Se calhar teríamos professores contratados com 150 anos de serviço… mas mesmo assim era fantástico não acham?


Reformas sem cortes ao 60 anos de idade e… 48 anos de serviço. 6

48? 48 anos de serviço??? aos 60 anos de idade??? Isso significa que a pessoa começou a descontar aos 12 anos!!! Então o Estado considera como válidos, descontos realizados em idade ilegal??? E era possível descontar aos 12 anos de idade???

Já chegou o 1 de abril e não me apercebi, só pode…

De positivo e mais realista temos:

O Governo propôs ainda que os trabalhadores com menos de 48 anos de carreira contributiva possam reformar-se antecipadamente sem dupla penalização, ou seja, quem se reformar antes da idade legal (que atualmente é de 66 anos e três meses) deixa de ter a penalização relativa ao fator de sustentabilidade, ficando só com a que corresponde ao número de anos de antecipação da reforma.

Quando leio estas notícias não consigo deixar de pensar, com que idade é que me vou poder reformar, quando ainda nem sequer cheguei aos “entas”…

Reformas antecipadas com 48 anos de descontos sem penalizações

(JN)

Escolas autorizam professores e funcionários armados 1

A violência gera violência! Uma sociedade que aceita a existência de armas em recinto escolar, perdeu completamente a noção que o sentido de proteção não se conquista com a política do bang bang. Os Estados Unidos, tão “virgens” em algumas coisas, são incapazes de fazer frente ao lóbi do armamento.

Será que a avaliação de professores e funcionários, contempla a rapidez do saque ou a pontaria à melancia???

Duas escolas do Colorado, nos Estados Unidos da América, decidiram na quarta-feira autorizar professores e outros funcionários a andarem armados no trabalho para protegerem os estudantes.

As duas escolas integram um distrito escolar localizado numa zona rural e recebem cerca de 270 estudantes.

Professores e outros funcionários que estejam disponíveis para andar armados no recinto das escolas serão sujeitos a um treino.

Michael Lawson, da direção do distrito escolar, disse que o objetivo é proteger os estudantes de um eventual tiroteio e de outros tipos de violência relacionada com o aumento do consumo de canábis nas redondezas das escolas.

No entanto, outro membro da mesma direção Mark McPherson, disse que um inquérito revelou que a comunidade está dividida em relação a esta questão e disse ter dúvidas sobre a medida.

“Temos de deixar isso para os profissionais”, afirmou.

Outros distritos escolares nos estados norte-americanos do Colorado, Texas, Oklahoma e Califórnia já autorizaram professores com armas nas escolas, depois de um ataque no Conecticut em 2012.

O problema é que a causa da maluqueira já chegou à Europa…

Aluno de 17 anos detido após tiroteio em liceu em França

(JN)

Não queiras ficar doente!! 3

Quem ouve algumas direções de Agrupamento, alguns pais e encarregados de educação, fica com a sensação incómoda de que um professor, não deveria ter corpo físico, sangue, linfa, coração… Os professores teriam que ser só alma- amor, dedicação, preocupação, gentileza… uma alma forte e sadia até à idade em que “quem manda” entendesse que chegara a hora de sair do Ensino.
Lá está “o homem/a mulher”(forma respeitosa de se tratar os professores) doente! E agora? Ficam as crianças sem aulas, a atrasar-se, distribuídas, sem aulas! Têm razão, na preocupação com as crianças. Os planos de ocupação em caso de falta de docente funcionam só nos documentos que se mostram à Inspeção. Mas, os professores têm corpo que adoece, têm filhos que adoecem, têm pais e outros familiares que adoecem.

Nos casos em que o professor só leciona uma disciplina, o “estrago” não é tão acentuado. E na monodocência, em que toda uma turma depende do mesmo professor? Por uns dias, uma semana, tudo se resolve. Por períodos longos, de doenças graves ou de incapacidade de lecionação, por motivos vários- nestes professores, a “alma” adoece com maior frequência por terem um horário letivo muito pesado e quando o corpo esgota as suas reservas e deixa de lhes obedecer, pobre da sua alma– a situação torna-se crítica.

Faltar uns dias, ser substituído, voltar à escola sem haver uma recuperação sólida, está fora de questão para quem é um profissional consciente. Não se retiram professores substitutos para se experimentar se já se é capaz. São crianças a “matéria prima” e não se trabalha COM elas, mas PARA elas.

O Código de Trabalho, em vários artigos, dos quais destaco o Artigo 84.º, refere:

“1 – O empregador deve facilitar o emprego a trabalhador com capacidade de trabalho reduzida, proporcionando-lhe adequadas condições de trabalho, nomeadamente a adaptação do posto de trabalho, retribuição e promovendo ou auxiliando ações de formação e aperfeiçoamento profissional apropriadas …”
Na sequência desta orientação, a Lei 35/2014(LTFP), dispõe no Artigo 38.º:

“ 1 – O trabalhador que for considerado, pela junta médica a que se refere o artigo 33.º, incapaz para o exercício das suas funções, mas apto para o desempenho de outras às quais não possa ser afeto através de mobilidade interna, tem o dever de se candidatar a todos os procedimentos concursais para ocupação de postos de trabalho previstos nos mapas de pessoal dos órgãos ou serviços…”

Mais uma vez, tudo ‘supimpa’. No papel. Na prática, há quanto tempo não se realizam Juntas Médicas do Ministério da Educação? Desde Julho de 2016, quando se tentaram resolver “casos pendentes de 2014”. A partir daí, não há notícia de novo funcionamento. Nem as Resoluções 172 e 173 da Assembleia da República, de Julho de 2016, publicadas a 4 de Agosto, nem a Recomendação 4/A/2016 do Senhor Provedor de Justiça. Nada veio inverter a situação!!
Nas citadas Resoluções, a Comissão de Educação e Ciência recomenda ao Governo que agilize os mecanismos de proteção na doença para os docentes do ensino público não superior que não necessitem de se deslocar para outro agrupamento… estude a forma legal que permita definir um regime aplicável aos portadores de doença incapacitante, que preveja a possibilidade de o docente nesta situação beneficiar de redução da componente letiva do horário de trabalho ou desempenhar atividade não docente que lhe for indicada pelo órgão de direção do respetivo estabelecimento de educação ou ensino, de acordo com as condições assinaladas pela junta médica…”

O conteúdo destas Resoluções nada mais é do que a aplicação do conteúdo anteriormente citado do Código do Trabalho e da Constituição da República Portuguesa que consagra entre os seus direitos fundamentais, o direito ao trabalho (Artigo 58.º) e o direito à proteção da saúde (Artigo 64.º).

Preocupado com a situação da inexistência de Juntas Médicas, o Senhor Provedor de Justiça alertou o Ministério, na pessoa da Senhora Secretária de Estado Adjunta e da Educação, para a urgência da realização  da “verificação de doença”, cuja omissão, para além de ilegal, produz danos no plano da economia e eficiência dos serviços devido à carência de recursos humanos (recordem-se as escolas cujo funcionamento tem estado comprometido por falta de Assistentes Operacionais) e ao aumento de encargos na substituição de trabalhadores indispensáveis. Prossegue o Provedor de Justiça(citação):

“ Assim, impor ao trabalhador afetado por doença prolongada que realize a opção prevista no artigo 34.º da Lei n.º 35/2014, de 20 de junho*, ao fim de 18 meses, terá por efeito a cessação antecipada do aludido regime de proteção remuneratória da ausência ao trabalho por motivo de doença, qualquer que seja o sentido da opção que o trabalhador venha a tomar: se optar pela licença sem remuneração, mas também se escolher a submissão a junta médica da CGA, I.P., o trabalhador deixará de beneficiar do regime que a lei expressamente lhe confere. Caso opte pela submissão a junta da CGA, I.P. e se esta o considerar absoluta e definitivamente incapaz, aposentar-se-á com menor tempo de serviço do que se tal ocorresse ao fim de 36 meses; ao invés, se a junta considerar que a doença não é causa de incapacidade absoluta e permanente para o exercício das suas funções (o que não prejudica que ainda seja causa de incapacidade temporária, juízo que, como se referiu, a junta não fará), o trabalhador deixará de estar abrangido pelo regime de faltas por doença, ficando obrigado, sob pena de passagem à situação de licença sem remuneração, à prestação de, pelo menos, 30 dias consecutivos de trabalho.”

 

Concluindo:
O não funcionamento das Juntas Médicas da DGEstE viola o regime de proteção na doença dos trabalhadores do Ministério da Educação, quer os do regime de incapacidade temporária, que não podem ter funções adaptadas conforme se prevê nos Diplomas acima referidos, quer os que sofrem de doenças prolongadas e incapacitantes – Despacho Conjunto n.º A-179/89‑ que têm direito a uma licença de 36 meses- obrigando todos a requerer Junta Médica para Aposentação, aos 18 meses de ausência  por doença.

Se alguém perceber qual o intuito desta gestão de recursos humanos e materiais por parte do Estado, entidade patronal, em relação aos seus trabalhadores, e o exemplo que lhe compete dar a todos os cidadãos, enquanto tal, que nos explique.


* Requerer Junta Médica da Caixa Geral de Aposentações
Nota: a Recomendação completa encontra-se em http://www.provedor-jus.pt/?idc=67&idi=16645

 

Fátima Ventura Brás


A Mariana foi encontrada. Algumas nunca são… Pais, mostrem estes vídeos aos vossos filhos.

Sou pai e o caso da Mariana que hoje foi encontrada em Ílhavo não me deixou indiferente. Por muito que se avise as crianças e jovens dos perigos das redes sociais, nem todas ouvem os “chatos” dos pais e até professores. Por vezes, o melhor mesmo é mostrar o que pode acontecer…

Os vídeos que se seguem são experiências sociais.

E repare como é fácil levar uma criança num jardim, centro comercial ou outro sítio “vigiado”…


O Dia da Mulher 1

Por acreditar que as mulheres merecem mais e também elas precisam de agir de forma diferente, republico um artigo da minha amiga Elisabete Fiel, no qual me identifico a 100%.

O Dia da Mulher

fotografiaA profissão de professora é muito comum no universo da educação. Ao entrar em qualquer escola, em qualquer sala de professores e também professoras, até o visitante mais distraído consegue perceber que as mulheres estão em maior número. No entanto, ainda são poucas as mulheres que chegam a diretoras, a reitoras de universidades e talvez o que me assuste mais: é preciso uma quota para que algumas mulheres integrem as listas de partidos, dominados por gravatas e fatos escuros. Nem sempre fiquei contente com a atuação das mulheres na política ou na educação, muitas vezes os homens até defenderam ideias mais interessantes e que beneficiaram as mulheres mais, que as próprias mulheres. No mínimo é estranho, muito estranho, mas verdadeiro.

O meu espanto é grande, quando as mulheres podem mudar as mentalidades e não o fazem, porque também elas têm pensamentos machistas, se não, porque é que a educação dominada por mulheres não consegue chegar à igualdade? Para mim este é o desafio, o verdadeiro desafio que enfrento todos os dias que entro na minha sala de aula.

As diferenças de género sempre me inquietaram, porque não as entendo. Assim, decidi incluí-las nos meus estudos de doutoramento e constatei que o rendimento escolar é superior em todas as áreas nas raparigas, mesmo na matemática. Crescemos a ouvir dizer que as mulheres têm mais jeito para as letras e os homens para as ciências e são estas “verdades” distorcidas que vão moldando a personalidade, a autoestima e a capacidade de luta das mulheres. Temos que começar por algum lado e eu começaria por mudar o estigma dos contos, das cores na infância…as dicotomias da beleza e da inteligência, da boa disposição e da seriedade, da estética e da leviandade.
Nunca pretendi superioridade, domínio, apenas equilíbrio, igualdade e respeito pela multiplicidade. Aprendi desde cedo a vantagem da igualdade, com os meus pais…pasmem…porque são pessoas de 75 e 80 anos. Mais, aprendi com eles a respeitar todas as mulheres, de todos os credos, de todas as áreas políticas, de todos os estratos sociais, desde a professora à prostituta. Portanto, mudar está nas mãos de quem educa.

Agradeço a todas as mulheres e homens que se cruzam no meu caminho e me mostram a essência do caminho.

Elisabete Fiel


Vítimas de violência no namoro aumentaram 60% em três anos.

Os sinais de uma juventude mais indisciplinada, violenta e que ainda por cima considera aceitável o inaceitável, deviam fazer soar todos os alarmes e mais alguns… Há quem diga que estamos perante uma maior consciencialização por parte das vítimas e consequente denúncia. Talvez, mas essa consciencialização já não existia há 3 anos ou no ano passado???

O número de vítimas de violência no namoro sinalizadas pelo Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) aumentou quase 60% em três anos, entre 2014 e 2016, culminando com 767 vítimas no ano passado.

De acordo com os dados estatísticos do INMLCF sobre violência no namoro, a que a Lusa teve acesso, 2016 terminou com 767 pessoas vítimas de violência no namoro, o que representa um aumento de quase 10% em relação às 699 de 2015, mas significa um crescimento no número de casos de quase 60% quando comparando com as 484 vítimas de 2014.

Em declarações à agência Lusa, o responsável pelo estudo confirmou que, ao longo dos últimos três anos, tem constatado uma evolução de aumento do número de casos reportados ao INMLCF em que as vítimas identificam como sendo uma relação de namoro.

Já no que diz respeito aos agressores, há uma evolução nos últimos dois anos, já que em 2015 eram maioritariamente ex-namorados (52,9%), enquanto em 2016 foram sobretudo os namorados (51,8%).

As formas de agressão mais frequentemente reportadas são variadas e vão desde facadas (16), unhadas (56), puxão de cabelos (104), pontapés (142), empurrões (166), apertões (176) ou bofetadas (230), mas também murros (258) ou estrangulamento (59).

Vítimas de violência no namoro aumentaram 60% em três anos

(DN via LUSA)

Um em cada quatro jovens acredita que a violência no namoro é normal

(Público)

E para quem não viu, veja este episódio do E se Fosse Consigo da SIC.

P.S – E numa sociedade de contrastes…

Mais casos de violência contra idosos

(TVI24)

MAI espera “descida significativa” de crime violento

(TSF)

Disparam crimes contra animais

(Correio da Manhã)

Acham os professores caros, experimentem a ignorância!!! 1

Este espaço diário devia falar das notícias com relevância sobre educação, mas hoje a referência a notícias do dia vai ser curta.

Porque as notícias em destaque são velhas e não são de hoje.

O meu sentimento do dia também justificava algumas bojardas, como alguns andam a dizer, alegadamente inspirados no passado.

Porque, bem espremida a minha indignação, acho que só vale a pena cansar-vos com a referência a 2 notícias das últimas 24 horas, que merecem ser lidas com detalhe e muito refletidas. E serem tomadas como base para se fazer alguma coisa.

Como não sou profissional das notícias, têm de entender a minha fúria, que resultou da leitura conjugada das duas em causa.

Havia outras mais, a merecer dignidade de destaque equivalente. Por exemplo, a notícia sobre o número alarmante de gravidezes adolescentes que ocorrem no país.

Calculo que algumas das pessoas mais solidárias e ativas no apoio e acompanhamento a essas (e outros jovens) a necessitar de ajuda sejam os seus professores. E não o farão para ser reconhecidos ou ganhar suplementos.

Simplesmente, com a consciência dos deveres morais da profissão, sabem que isso faz parte da missão. Mas, porque acho que os professores não lhes falharão, também acho que não é preciso, hoje, dar aqui destaque a esse tema. Nas escolas ninguém precisa que lhes lembrem o problema: vivem-no. Diria mesmo que, com a proximidade: sofrem-no.

Chamem-se demagogo, populista, chamem-me o que quiserem…

Podem até chamar-me, perante os temas que destaco, oportunista e interesseiro por dinheiro. Essas bocas seriam insultos injustos de quem não vê que esta fúria não é só minha e é só o homem e a sua circunstância.

Devo ser muito burro porque não consigo entender que, quase em simultâneo, tenha de ler uma notícia a dizer que quem trabalha para o Estado não vai recuperar qualquer perspetiva de carreira (vide Público de hoje), depois de mais de 10 anos de congelamento e leia, no mesmo dia, que um ex-deputado escreveu um livro em que refere que alguns deputados, além do seu salário, abonado pela função para que os elegemos, recebem mais uns 100 mil euros/ ano para desempenhar (com pouco trabalho efetivo) funções que resultam da inerência de já serem deputados.

100 mil euros é quase 5 vezes o que o patrão deles me paga anualmente após 22 anos de serviço (que presto mesmo).

5 vezes menos dinheiro para mim, por uma atividade que exige qualificação superior especializada. Mas isso não interessa nada, porque o meu patrão me usa para preencher quilómetros de papel inútil e encher “dossiers” de dados redundantes. (Doutora Leitão Marques, quando se volta para as escolas?).

Para ser insultado e desvalorizado ou ignorado por pais ou alunos (e até, em dias maus, agredido ou sovado).

Para trabalhar dezenas de horas, além do horário, e tratar dos milhentos projetos e projetinhos, concursos e “iniciativas” que tantos desocupados, da sociedade civil e do Estado, descarregam a destempo nas escolas.

Para me adaptar e entender os perfis, metas, reformas, mudanças, revisões, avaliações, supervisões, trabalhos colaborativos, planos de promoção, implementação, mobilização ou monitorização e outras ideias abstrusas de diversa designação que são vertidas em cascata asfixiante da fonte rota da burocracia central.

Para fazer as vezes de assistente social, psicólogo, agente de viagens, secretário administrativo, vigilante, mediador, instrutor de processos disciplinares, faz-tudo (outro nome para diretor de turma) e, depois de tudo isso, fazer aquilo para que me “alistei”: ensinar e educar com foco na docência.

E, não contente com a forma como organiza caoticamente o trabalho, gerindo-me com gente razoavelmente pouco qualificada e pouco apta a gerir melhor, o patrão fez, pelo meio do meu caminho, cortes ao que tinha contratado comigo como salário (quer no que realmente recebo, quer no que já deveria estar a receber, que, se o contrato de carreira, que fiz em 1995, estivesse a ser cumprido, resultaria em mais uns 10 a 15%, uns 150 euros mensais).

E ainda há umas cabecinhas de boys, sem vida laboral prévia e com estudos só residuais, na dita administração educativa e na política (ou trolls cibernéticos ignorantes) que acham que devia estar feliz porque “estou na carreira e tenho estabilidade” e “ganho bem”….

Realmente, os contratados temporários do ME fazem a exata mesma lista de coisas e ganham menos e não sabem se, no dia seguinte, as poderão estar a fazer.

A injustiça é diferente em grau (pior para eles) mas, haver gente em pior caso, não anula a injustiça geral.

Ou será que, por absurdo, não haver prisão perpétua em Portugal, justificaria moralmente que houvesse tortura?

O homem e a sua circunstância neste texto ficariam expostos se mostrasse os recibos de vencimento deste mês e os 1212 euros mensais líquidos (incluindo neles a parte de subsídio de natal que é paga mensalmente).

“Isto” é a fortuna que ganha um professor (qualificado e, neste caso, com 20 anos de docência).

Os que acham que ganhamos muito gostava que fossem dar uma aula de uma hora (e não digo sequer fazer o resto tudo).

Se estivessem disponíveis a receber o custo hora líquido de 8 euros e meio (que é o meu), depois de experimentarem, talvez tivéssemos negócio para troca.

PS: Como veriam, se mostrasse os pdf do recibo do vencimento, ao líquido descontaria ainda mensalmente uma quota sindical de 17,10 euros, que me faz baixar da barreira psicológica dos 1200 euros mensais líquidos.

Dos que recebem esses 17 euros, estou à espera que saiam da clandestinidade e de os ver em ação!!! Mesmo!!! E não jogos florais!!! E não devo ser o único.


Estamos sempre ligados e gostamos disso(?).

Costuma ter o telemóvel ligado à Internet quando está em casa? Provavelmente a resposta é sim, mas não se assuste, estar ligado é apenas o novo “eu” e somos cada vez mais os que permanecemos ligados, seja no trabalho seja em casa.

Apesar de criticarmos os nossos filhos por estarem vidrados nos telemóveis, nós adultos não somos muito diferentes… Apesar de já termos sido ultrapassados pela geração mais tecnológica de todos os tempos, convém lembrar que essa ultrapassagem só aconteceu pois a permitimos.

Os adultos estão viciados nas redes sociais e respetivos joguinhos associados a essas mesmas redes sociais. Quando existe uma pausa kitkat, surge um ato quase instintivo de pegar no “gingarelho” e surfar pela net fora. Também o sinto, acreditem, e por isso não julguem que escrevo em tom moralista mas sim em tom de purgatório…

Há quem defensa que a Internet deve passar a ser um direito fundamental, não só pelo prazer que nos traz, mas pelo conhecimento que nela vive. Em tom de brincadeira costumo dizer que vou perguntar a Deus quando tenho alguma dúvida, esse Deus não passa do motor de busca da Google…

As nossas ligações laborais expandiram-se para o horário de descanso. Quem é professor sabe, que a sua profissão sempre esteve conectada a uma forte carga laboral em ambiente doméstico, mas a partir do momento que a Internet dominou os nossos lares,  essa ligação fortaleceu-se e é quase banal receber emails de trabalho a horas impróprias. Juro que me faz confusão constatar de manhã quando ligo o telemóvel, que há quem envie emails às duas e três da manhã…

O problema é que estamos a abdicar de muito tempo em família pelo prazer tecnológico. Ou esse prazer tecnológico será apenas um upgrade familiar? Estará a família a evoluir para um novo conceito, como foi com o aparecimento da rádio e da televisão? Quantas vezes já não brinquei com a minha filha a jogar bowling, ténis ou a descer uma montanha a alta velocidade na PlayStation… Podia fazer ao ar livre? Claro e também o faço, mas dantes só o podia fazer ao ar livre…

O ser humano precisa de comunicar e precisa de estímulos constantes para se sentir motivado, a Internet veio colmatar essa necessidade de uma forma tão acessível e prática que contaminou o mundo inteiro…

Se a banalização tecnológica chegou a todos nós e se todos nós gostamos dela, será algo assim tão mau, algo tão errado?

Cada um dará a sua resposta, alicerçada no grau de felicidade que habita dentro de portas, uma família tecnológica pode sentir-se feliz assim. Há seguramente quem critique, quem aponte o dedo e lamente o destino desta “nova” família, mas esta “nova” família também pode apontar esse mesmo dedo e dizer que a família “tradicional” está a perder experiências nunca antes possíveis…

Afinal, o que é a felicidade? O que é comunicar? O que é a harmonia familiar?

Que os nossos juízos não se tornem leis e respeite-se as decisões de cada um em se ser feliz à sua maneira. Haja bom senso e equilíbrio, seja esse tecnológico ou não…

Alexandre Henriques


Humberto Bernardo, para o ano apresentas tu os Óscares!

É ao sábado de manhã que partilho convosco um momento de descontração para vos desejar um bom descanso, mas desta vez a atualidade impõe que seja novamente sábado de manhã…

O que aconteceu ontem nos Óscares ficará para sempre registado como uma das maiores gafes de todos os tempos, maior, só mesmo a eleição de Donald Trump… É caso para dizer, volta Humberto, estás perdoado!

As reações ao erro: “O quê, esperem, oh meu Deus!”

(Observador)

Recordando…

Mas isto das Miss até é rotina…


Assistentes operacionais: salário mínimo em troca de uma facada?

Fui diretor 6 anos de uma escola que não era fácil. Um dia, andava a circular na escola um conhecido pequeno traficante, que já tinha sido nosso aluno. Tive de, pessoalmente e com ajuda de outras pessoas (assistentes operacionais), o retirar do recinto escolar, o que me valeu uns quantos pontapés e ameaças sobre o meu futuro por parte do pequeno meliante (pequeno em categoria, que não em tamanho).

Quando fui apurar responsabilidades, consideravelmente irritado (e, quem me conhece, sabe como me transfiguro na minha face colérica), por não o terem barrado à porta, umas das então auxiliares (hoje assistentes operacionais) respondeu-me, muito calma, com graça e ironia certeira:

“mas acha que o salário mínimo, vale o risco de levar uma facada?”

E o risco da naifada era real e não meramente abstrato. Percebi o toque.

Realmente o desgaste, e até o risco, desses profissionais merece mais compensação. Muitas vezes, eles próprios caem nas armadilhas de pequenas lutas pontuais sobre coisas laterais (o horariozinho; a escalazinha de serviço, nas interrupções letivas, para dar algum descanso; a trica para trocar de local de trabalho, mudando para melhor, em prejuízo do colega, etc.). São condicionantes do quotidiano que, muitas vezes, prevalecem sobre questões mais profundas de solidariedade, dignidade salarial e valorização profissional.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o “patrão” cada vez menos dinheiro ? (ganhar o mesmo, ano a ano, é ganhar menos, pelo menos, por causa da inflação).

Valorização implica esforço de quem dirige

Quem já geriu escolas, sabe como é complexo gerir essas relações laborais. É um grupo cheio de diversidade e que, com risco de desagradar a muitos diretores, se tem de afirmar que exige aos gestores muito mais formação (que genericamente existe pouco, até porque elevado número de diretores, eleitos e reeleitos com base na “experiência” de bons burocratas, nunca realmente estudaram para o ser e para alargar horizontes em relação à “escolinha”, onde lhes calhou serem dirigentes).

E saliento que os “cursos de aviário” ou “vão de escada” e os mestrados por reconhecimento de experiência não resolvem isso, mesmo se, quem dirige o sistema possa achar o contrário, e se deixe iludir (até porque “bons burocratas” são mais conformistas).

E tal exigência de mais formação a quem gere é tanto mais forte, quanto o grupo do pessoal não docente tem baixa escolaridade, em média (mas inclui contingentes com formação muito desigual, incluindo até licenciados) e sofre de precariedade e baixos salários. Gerir a insatisfação e o desânimo é sempre difícil, especialmente para quem acredite em teorias de gestão mitológicas, falsas mas populares, como a “motivação” ou “a unidade para vestir a camisola”.

Em muitas escolas, a oferta de soluções para os problemas, por parte dos órgãos de gestão, limita-se a lógicas de compadrio e de quase feudalismo de vassalagem (aliás, a relação entre a durabilidade de alguns diretores, em mandatos sucessivos, e a forma como gerem estas relações laborais, merecia ser estudada e o retrato entrevê-se pouco abonatório).

Assistentes operacionais: a primeira linha de ação e resposta aos alunos

Mas estes profissionais são essenciais. Num tempo em que se fala tanto de indisciplina e bullying e outras formas de violência, eles são a primeira linha nesses combates. Muitas vezes são os que os alunos procuram primeiro, sendo os primeiros a conhecer a sua raiva, desilusão, tristeza ou depressão.

Mal pagos, têm, muitas vezes, de confiar apenas no instinto natural para resolver e ouvir os alunos, até pela falta de esforço público em dar-lhes formação (e um dos motivos parece ser a vontade, não assumida, pois claro, de manter as lógicas de subordinação e de dominação de que são vítimas).

Podia contar-vos a história da senhora, a quem se propôs formação, que ela queria fazer. Tinha problemas em aceitar o horário e, só à terceira conversa, confessou que era porque o marido não a deixava sair à noite, ou, a outra, que queria trocar de horário porque o “seu menino” precisava que ela lhe fizesse a sandes para comer ao jantar e ir trabalhar. Imaginem a surpresa quando se apurou que o menino era um marmanjão, antigo aluno nosso, com 17 anos, mas que parasitava a mãe e não tinha habilidade para abrir um pão e meter lá dentro alguma coisa comestível.

Parece uma imagem miserabilista e a realidade é que existem histórias de vida tocantes de comoventes entre estas pessoas de biografia dura.

O poder que subordina e a injustiça salarial

Um dos momentos mais marcantes da minha experiência profissional e de aumento do meu conhecimento do que é estrutural numa escola foi obtido junto de um grupo destes profissionais a quem dei formação há 15 anos (na verdade destas, porque o grupo eram só mulheres).

O que fiquei a saber sobre redes informais de poder nas escolas, sobre o que os “outros” pensam dos professores e qual a imagem e ações que valorizam nos professores e o que criticam, foi-me muito útil. Valeu-me para perceber que a visão de professores sobre a escola é realmente limitada e pouco abrangente de todas as subtilezas do que se passa.

Nas eleições para os órgãos das escolas fala-se muito em “corpos eleitorais”. Portugal, felizmente, não teve um corporativismo pleno como se tentou na Itália Fascista, mas somos um povo muito corporativo na sua prática política e de administração. Daí esta obsessão com a representação dos corpos (que está bem distante de uma democracia plena).

No caso das escolas, esse corporativismo que, no caso dos professores, por vezes encerra um lado elitista (em que os professores agem como suposta elite), faz com que o contributo dos assistentes operacionais não seja realmente valorizado, sejam pouco ouvidos, pouco considerados e até desrespeitados (por exemplo, por alunos, à vista de professores, que, tantas vezes, se abstêm de ajudar).

Isto, apesar de tantos discursos a proclamar gongoricamente a sua importância, numa contradição que deve chocar e desanimar, quem é tão mal pago e, há quase uma década, com salários congelados, perdeu o direito a uma ideia de carreira e progresso na profissão.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o patrão cada vez menos dinheiro ?


Notícias de resistência no ensino da história….

A notícia do dia é hoje uma só. Nem vale a pena tentarmos desfocar do ponto de fuga único da atenção noticiosa.

Nos momentos emocionais é normal em Portugal cair-se no carpir e no exagero.

Mário Soares foi o tema do dia numa monocultura noticiosa que resulta do excesso barroco do direto, em que se tem sempre de falar, mesmo que nada haja para dizer.

Ou, em que não se entende que o simbolismo cénico silencioso das imagens vale mais, sem comentários desconexos.

E este comentário às notícias do dia fica aqui, sem desvalorizar. Antes pelo contrário merecia mais qualidade das notícias a pessoa, o democrata e o político com sentido da História e apaixonado pela sua leitura e estudo.

Histórias de resistente

Da sua biografia, aliás, escolho aqui referências aos pontos de maior risco e maior rasgo, destacando das notícias de hoje os temas que o próprio mais valorizava com orgulho.

Ser resistente e político num tempo, antes da Democracia, em que, sê-lo, só dava como prémio a cadeia. Ou a alternativa do perigo físico e, até, da vida, para si e para a família.

Fica assim só a remissão para uma notícia do DN em que se recorda o percurso de resistência. Mário Soares chegou a ser prisioneiro de consciência adoptado a nível mundial pela Amnistia Internacional (estatuto que a organização só atribui a alguém que resiste à opressão sem violência e é perseguido por isso). A notícia relata com detalhes o que foram o exílio e a deportação e essa coragem vale, sem mais nada, as honras de Estado.

E, nesse percurso de ativismo pela liberdade, foi reconhecido também pela sua luta pela defesa de outros, como advogado, e pela divulgação internacional arriscada das violações de Direitos Humanos no país e nas atuais ex-colónias, nos anos 60 e inícios de 70.

No final dos 90, foi, em Portugal, já depois de ser chefe de Estado,  Presidente da Comissão de comemorações dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Década da educação para os Direitos Humanos da ONU. Nessa sua função contribuiu para um impulso forte (e que agora bem precisava de ser renovado) para se produzirem materiais e elementos curriculares nesse campo que, ainda hoje, quase 20 anos depois, são úteis.

O lugar na História ensinada

Curiosamente um assunto (a educação cívica e da memória democrática) que teve hoje destaque nas notícias sobre a sua morte. Destaque para uma muito interessante notícia do Público sobre o que se ensina (ou devia ensinar) de Mário Soares nas escolas. Jerónimo de Sousa falou disso também ao queixar-se da História dos vencedores (leia-se, a história que desvaloriza o papel do PCP).

A TSF fez uma peça engraçadíssima, com crianças de visita ao seu estúdio, a quem perguntaram sobre a figura do dia.

Vale a pena ler e ouvir as notícias, como pistas para um problema que é mais vasto: serão os nossos programas e tempos destinados à História ao longo da escolaridade, suficientes para se fazer alguma coisa de impacto na educação de democratas?

A notícia do Público conclui que não. O meu quotidiano de professor de História leva-me a dizer que as perspectivas futuras de melhoria são pessimistas.

Mas, como Mário Soares era realmente um optimista, talvez valha a pena, neste dia, ir ao básico mais fundamental e reler António Sérgio, que tanto estimava, e a sua obra Educação Cívica.

Talvez se ganhe ânimo, bebendo dessas utopias sobre o que “educar para a democracia” tem de prático, que não se realizarão, mas que estão muito longe do atual e paralisado estado de coisas.

Num tempo em que até já há eleições de associações de estudantes a serem convocadas pelos diretores das escolas (e não por auto-organização dos alunos) ou leio, com mágoa, pela estima à pessoa, a posição dos “diretor dos diretores” (presidente do conselho das escolas), no Público de hoje, sobre o manifesto para a democratização da gestão escolar, publicitado há uns dias, o tema da educação para a cidadania devia ser mais debatido nas discussões sobre escola.

Mário Soares acharia isso uma homenagem.

PS: No último caso, do presidente do Conselho de Escolas (melhor dito “dos diretores”), texto a que só tive acesso na edição em papel, mas que imaginam o que seja, a releitura de António Sérgio seria mesmo proveitosa para não soar tão mal, a desconversar sobre Democracia, mas havemos de voltar ao assunto.