Sociedade


Assistentes operacionais: salário mínimo em troca de uma facada?

Fui diretor 6 anos de uma escola que não era fácil. Um dia, andava a circular na escola um conhecido pequeno traficante, que já tinha sido nosso aluno. Tive de, pessoalmente e com ajuda de outras pessoas (assistentes operacionais), o retirar do recinto escolar, o que me valeu uns quantos pontapés e ameaças sobre o meu futuro por parte do pequeno meliante (pequeno em categoria, que não em tamanho).

Quando fui apurar responsabilidades, consideravelmente irritado (e, quem me conhece, sabe como me transfiguro na minha face colérica), por não o terem barrado à porta, umas das então auxiliares (hoje assistentes operacionais) respondeu-me, muito calma, com graça e ironia certeira:

“mas acha que o salário mínimo, vale o risco de levar uma facada?”

E o risco da naifada era real e não meramente abstrato. Percebi o toque.

Realmente o desgaste, e até o risco, desses profissionais merece mais compensação. Muitas vezes, eles próprios caem nas armadilhas de pequenas lutas pontuais sobre coisas laterais (o horariozinho; a escalazinha de serviço, nas interrupções letivas, para dar algum descanso; a trica para trocar de local de trabalho, mudando para melhor, em prejuízo do colega, etc.). São condicionantes do quotidiano que, muitas vezes, prevalecem sobre questões mais profundas de solidariedade, dignidade salarial e valorização profissional.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o “patrão” cada vez menos dinheiro ? (ganhar o mesmo, ano a ano, é ganhar menos, pelo menos, por causa da inflação).

Valorização implica esforço de quem dirige

Quem já geriu escolas, sabe como é complexo gerir essas relações laborais. É um grupo cheio de diversidade e que, com risco de desagradar a muitos diretores, se tem de afirmar que exige aos gestores muito mais formação (que genericamente existe pouco, até porque elevado número de diretores, eleitos e reeleitos com base na “experiência” de bons burocratas, nunca realmente estudaram para o ser e para alargar horizontes em relação à “escolinha”, onde lhes calhou serem dirigentes).

E saliento que os “cursos de aviário” ou “vão de escada” e os mestrados por reconhecimento de experiência não resolvem isso, mesmo se, quem dirige o sistema possa achar o contrário, e se deixe iludir (até porque “bons burocratas” são mais conformistas).

E tal exigência de mais formação a quem gere é tanto mais forte, quanto o grupo do pessoal não docente tem baixa escolaridade, em média (mas inclui contingentes com formação muito desigual, incluindo até licenciados) e sofre de precariedade e baixos salários. Gerir a insatisfação e o desânimo é sempre difícil, especialmente para quem acredite em teorias de gestão mitológicas, falsas mas populares, como a “motivação” ou “a unidade para vestir a camisola”.

Em muitas escolas, a oferta de soluções para os problemas, por parte dos órgãos de gestão, limita-se a lógicas de compadrio e de quase feudalismo de vassalagem (aliás, a relação entre a durabilidade de alguns diretores, em mandatos sucessivos, e a forma como gerem estas relações laborais, merecia ser estudada e o retrato entrevê-se pouco abonatório).

Assistentes operacionais: a primeira linha de ação e resposta aos alunos

Mas estes profissionais são essenciais. Num tempo em que se fala tanto de indisciplina e bullying e outras formas de violência, eles são a primeira linha nesses combates. Muitas vezes são os que os alunos procuram primeiro, sendo os primeiros a conhecer a sua raiva, desilusão, tristeza ou depressão.

Mal pagos, têm, muitas vezes, de confiar apenas no instinto natural para resolver e ouvir os alunos, até pela falta de esforço público em dar-lhes formação (e um dos motivos parece ser a vontade, não assumida, pois claro, de manter as lógicas de subordinação e de dominação de que são vítimas).

Podia contar-vos a história da senhora, a quem se propôs formação, que ela queria fazer. Tinha problemas em aceitar o horário e, só à terceira conversa, confessou que era porque o marido não a deixava sair à noite, ou, a outra, que queria trocar de horário porque o “seu menino” precisava que ela lhe fizesse a sandes para comer ao jantar e ir trabalhar. Imaginem a surpresa quando se apurou que o menino era um marmanjão, antigo aluno nosso, com 17 anos, mas que parasitava a mãe e não tinha habilidade para abrir um pão e meter lá dentro alguma coisa comestível.

Parece uma imagem miserabilista e a realidade é que existem histórias de vida tocantes de comoventes entre estas pessoas de biografia dura.

O poder que subordina e a injustiça salarial

Um dos momentos mais marcantes da minha experiência profissional e de aumento do meu conhecimento do que é estrutural numa escola foi obtido junto de um grupo destes profissionais a quem dei formação há 15 anos (na verdade destas, porque o grupo eram só mulheres).

O que fiquei a saber sobre redes informais de poder nas escolas, sobre o que os “outros” pensam dos professores e qual a imagem e ações que valorizam nos professores e o que criticam, foi-me muito útil. Valeu-me para perceber que a visão de professores sobre a escola é realmente limitada e pouco abrangente de todas as subtilezas do que se passa.

Nas eleições para os órgãos das escolas fala-se muito em “corpos eleitorais”. Portugal, felizmente, não teve um corporativismo pleno como se tentou na Itália Fascista, mas somos um povo muito corporativo na sua prática política e de administração. Daí esta obsessão com a representação dos corpos (que está bem distante de uma democracia plena).

No caso das escolas, esse corporativismo que, no caso dos professores, por vezes encerra um lado elitista (em que os professores agem como suposta elite), faz com que o contributo dos assistentes operacionais não seja realmente valorizado, sejam pouco ouvidos, pouco considerados e até desrespeitados (por exemplo, por alunos, à vista de professores, que, tantas vezes, se abstêm de ajudar).

Isto, apesar de tantos discursos a proclamar gongoricamente a sua importância, numa contradição que deve chocar e desanimar, quem é tão mal pago e, há quase uma década, com salários congelados, perdeu o direito a uma ideia de carreira e progresso na profissão.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o patrão cada vez menos dinheiro ?


Notícias de resistência no ensino da história….

A notícia do dia é hoje uma só. Nem vale a pena tentarmos desfocar do ponto de fuga único da atenção noticiosa.

Nos momentos emocionais é normal em Portugal cair-se no carpir e no exagero.

Mário Soares foi o tema do dia numa monocultura noticiosa que resulta do excesso barroco do direto, em que se tem sempre de falar, mesmo que nada haja para dizer.

Ou, em que não se entende que o simbolismo cénico silencioso das imagens vale mais, sem comentários desconexos.

E este comentário às notícias do dia fica aqui, sem desvalorizar. Antes pelo contrário merecia mais qualidade das notícias a pessoa, o democrata e o político com sentido da História e apaixonado pela sua leitura e estudo.

Histórias de resistente

Da sua biografia, aliás, escolho aqui referências aos pontos de maior risco e maior rasgo, destacando das notícias de hoje os temas que o próprio mais valorizava com orgulho.

Ser resistente e político num tempo, antes da Democracia, em que, sê-lo, só dava como prémio a cadeia. Ou a alternativa do perigo físico e, até, da vida, para si e para a família.

Fica assim só a remissão para uma notícia do DN em que se recorda o percurso de resistência. Mário Soares chegou a ser prisioneiro de consciência adoptado a nível mundial pela Amnistia Internacional (estatuto que a organização só atribui a alguém que resiste à opressão sem violência e é perseguido por isso). A notícia relata com detalhes o que foram o exílio e a deportação e essa coragem vale, sem mais nada, as honras de Estado.

E, nesse percurso de ativismo pela liberdade, foi reconhecido também pela sua luta pela defesa de outros, como advogado, e pela divulgação internacional arriscada das violações de Direitos Humanos no país e nas atuais ex-colónias, nos anos 60 e inícios de 70.

No final dos 90, foi, em Portugal, já depois de ser chefe de Estado,  Presidente da Comissão de comemorações dos 50 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e da Década da educação para os Direitos Humanos da ONU. Nessa sua função contribuiu para um impulso forte (e que agora bem precisava de ser renovado) para se produzirem materiais e elementos curriculares nesse campo que, ainda hoje, quase 20 anos depois, são úteis.

O lugar na História ensinada

Curiosamente um assunto (a educação cívica e da memória democrática) que teve hoje destaque nas notícias sobre a sua morte. Destaque para uma muito interessante notícia do Público sobre o que se ensina (ou devia ensinar) de Mário Soares nas escolas. Jerónimo de Sousa falou disso também ao queixar-se da História dos vencedores (leia-se, a história que desvaloriza o papel do PCP).

A TSF fez uma peça engraçadíssima, com crianças de visita ao seu estúdio, a quem perguntaram sobre a figura do dia.

Vale a pena ler e ouvir as notícias, como pistas para um problema que é mais vasto: serão os nossos programas e tempos destinados à História ao longo da escolaridade, suficientes para se fazer alguma coisa de impacto na educação de democratas?

A notícia do Público conclui que não. O meu quotidiano de professor de História leva-me a dizer que as perspectivas futuras de melhoria são pessimistas.

Mas, como Mário Soares era realmente um optimista, talvez valha a pena, neste dia, ir ao básico mais fundamental e reler António Sérgio, que tanto estimava, e a sua obra Educação Cívica.

Talvez se ganhe ânimo, bebendo dessas utopias sobre o que “educar para a democracia” tem de prático, que não se realizarão, mas que estão muito longe do atual e paralisado estado de coisas.

Num tempo em que até já há eleições de associações de estudantes a serem convocadas pelos diretores das escolas (e não por auto-organização dos alunos) ou leio, com mágoa, pela estima à pessoa, a posição dos “diretor dos diretores” (presidente do conselho das escolas), no Público de hoje, sobre o manifesto para a democratização da gestão escolar, publicitado há uns dias, o tema da educação para a cidadania devia ser mais debatido nas discussões sobre escola.

Mário Soares acharia isso uma homenagem.

PS: No último caso, do presidente do Conselho de Escolas (melhor dito “dos diretores”), texto a que só tive acesso na edição em papel, mas que imaginam o que seja, a releitura de António Sérgio seria mesmo proveitosa para não soar tão mal, a desconversar sobre Democracia, mas havemos de voltar ao assunto.


Falta contraditório ao “argumento” do pontapé na cabeça…

Hoje circula um vídeo que até teve “honra” de abertura nos telejornais. Em resumo, por uma questão de namoricos um jovem foi barbaramente agredido por uns quantos cobardes, onde a sua cabeça foi pontapeada por inúmeras vezes com uma força que nem a uma bola se aplica, é CHOCANTE!!!

Seguramente que esta não é uma prática diária, e violência desde calibre não é comum nas nossas escolas. A questão é saber se estes fenómenos estão a ser mais recorrentes ou não.

O problema é que este diálogo com os punhos começa em tenra idade. E se ficamos chocados com estas imagens, parece que não sentimos o mesmo quando vimos alunos de palmo e meio a fazerem a mesma coisa, mas à escala do “portugal dos pequeninos”. A expressão “deixa lá isso, são coisas de miúdos” é das frases mais batidas nas escolas e em casa. “Deixa lá isso, nós também éramos assim”, mas a marca dos dentes, as nódoas negras na barriga, nas costas, os galos na cabeça não aparecem por acaso e marcam, não só o corpo, como deixam uma impressão digital no consciente e subconsciente… Mas deixem lá, faz parte do crescimento dizem alguns…

É que a violência não é como o iogurte, não é por terem 12 ou 13 anos que de repente, às 12 badaladas, os jovens passam a meninos de coro. A violência gera violência, a impunidade, a falta de censura parental/escolar, o NÃO a seu tempo, tudo isto somado, alimenta o comportamento desviante como algo aceitável, que na cabeça dos mais novos torna-se legítimo até.

Portugal está com um problema nas mãos, os dados da escola segura têm vindo a piorar, os números de violência doméstica estão a seguir o mesmo caminho e os dados que irei apresentar a seu tempo mostram, que nas escolas, a situação também não é melhor.

E quem sabe qual é a dimensão real da indisciplina em meio escolar? Não existe uma entidade que faça o levantamento dos dados disciplinares, houve um observatório mas o governo fechou-o. Além disso, muitas escolas optam por não divulgar/registar situações de indisciplina pois sabem que se o fizerem e se os dados forem públicos, estão a dar um tiro nos pés, pois a sociedade irá acusá-la de incompetência, tenha ou  não condições para lidar com a indisciplina escolar.

Talvez se começássemos a valorizar mais as questões da cidadania e não nos focássemos tanto nas questões programáticas, exames e rankings escolares, fosse possível inverter este rumo, apostando numa sociedade mais respeitadora e harmoniosa.

Tenhamos a consciência que temos criminosos sentados dentro da sala, sim criminosos… pois quem chuta a cabeça de alguém, quem incentiva a agressão, quem filma, quem ri, quem assisti ao espetáculo, não é aluno, não é cidadão, não é digno de pertencer a uma sociedade que deve cooperar entre si.

Por fim, o mais importante… E os pais? Onde andam os pais destes jovens? E a escola? Que condições tem a escola e seus professores para lidar com a indisciplina?

Somos todos responsáveis e seremos ainda mais se não optarmos por um contraditório a curto, médio e longo prazo…

PSP e Ministério Público investigam agressões brutais entre menores

Menores agressores do jovem em Almada sujeitos a medidas educativas

(Observador)

E se ganhássemos o direito de ignorar email profissionais fora do horário laboral… 1

Em França já é possível e chama-se o direito à desconexão.

Os trabalhadores franceses vão poder desligar-se do seu email profissional, fora do horário de trabalho, ao abrigo de uma lei que entra este domingo em vigor em França.

As empresas com mais de 50 trabalhadores vão ser obrigadas a ter um quadro de boa conduta que define o período a partir do qual não é obrigatório enviar ou responder a mensagens de correio electrónico.

(…)

Os defensores da lei argumentam que essa disponibilidade para ver o email não está a ser paga de forma justa, além de que pode contribuir para agravar o stress, burnout (distúrbio psíquico precedido por esgotamento físico e mental intenso) e problemas em dormir.

Trabalhadores franceses ganham direito a ignorar email fora do horário

(Público)

Deste a introdução das mensagens digitais que a ligação laboral com os colegas de profissão e respetivas chefias, entrou na hora da pantufa/chinelo sem apelo nem agrado. Mesmo que não queiramos, ao ligarmos a internet somos muitas vezes bombardeados com emails do serviço. Contra mim falo, já que domingo à noite é normalmente a altura em que envio os emails relacionados com as questões disciplinares… desculpem lá colegas 😉

É verdade que podemos ignorar, mas a pressão da responsabilidade e de sabermos que algo importante pode estar escrito e ao alcance de um toque, é muitas vezes o suficiente para calçar os sapatos do serviço.

A própria tutela é perita em desrespeitar as férias dos professores, basta falar no concurso de professores e não preciso de dizer mais nada…

Os franceses e não só, deram um passo importante na valorização da família, Portugal continua a ignorar a importância da família, ajustando-a ao horário laboral em vez de fazer o oposto. Lembrem-se da escola a tempo inteiro, onde se considera aceitável deixar crianças até às 19:30 na escola…

Trata-se de uma questão ideológica mas também de falta de bom senso, é preciso perceber que um trabalhador é muito mais eficiente se estiver feliz e para estar feliz, nada melhor que usufruir tempo de qualidade com a sua família ou para simplesmente fazer o que lhe der na real gana…

Senhores políticos, aproveitem a ideia e copiem o que de bom se faz lá fora!!!


2017… mais do mesmo ou um ano de viragem? 2

Hora de regressos, do até breve, de algumas lágrimas de quem não consegue conter a saudade que o preço da distância impõe, hora do regresso às rotinas, do regresso ao trabalho, com mais ou menos vontade…

2017 afigura-se um ano com muitos pontos de interrogação. O mundo vive em suspenso com a entrada do imprevisível e polémico Donald Trump, a Coreia ameaça com novo teste de míssil nuclear intercontinental, a sangria no mediterrânico continua, a ameaça do terrorismo que persiste como vimos ontem em Istambul, o planeta continua a sofrer com a nossa irresponsabilidade e alheamento do inevitável, refugiados aqui e ali, guerras por ali e por acolá, António Guterres terá de estar ao seu melhor nível numa missão que parece impossível…

Por cá, um Presidente da República que transpira confiança por todos os poros, um Primeiro-Ministro especialista em consensos, uma direita desorientada com o sucesso da “geringonça” e a esquerda mais à esquerda com vontade de estar fora mas sabe que tem de estar dentro…

Na Educação, teremos um ano marcado pelo sempre polémico concurso de professores, algo que infelizmente continua a ser demasiado relevante no panorama educativo e o facto de o ser, só revela que ainda tempos um longo caminho a percorrer…

Em 2017 poderemos assistir a alterações que a concretizarem-se poderão mudar muita coisa, algumas delas já são uma certeza, outras são apenas promessas, a saber:

  • alargamento da municipalização escolar;
  • a média de educação física voltará a contar para a média de acesso ao ensino superior;
  • redução da carga letiva, tudo aponta para o 1º ciclo e consequente valorização das expressões;
  • manuais gratuitos para todo o 1º ciclo;
  • definição do que é essencial nos programas curriculares e permitir uma maior flexibilização;
  • escola a tempo inteiro.

Mas 2017 também poderá/deveria ser o ano:

  • da alteração do modelo de eleição do diretor;
  • da redução do número de alunos por turma, dando liberdade às escolas para gerirem a sua dimensão;
  • de uma aposta séria na criação de equipas multidisciplinares para combater o problema da indisciplina;
  • da valorização da formação contínua dos professores, do fim dos congelamentos e na aposta de uma avaliação que permitisse corrigir vícios antigos;
  • da alteração/estabilização do calendário escolar;
  • da melhoria do ensino profissional;
  • da melhoria das infraestruturas escolares;
  • da reforma aos 40 anos de serviço sem penalizações;
  • da valorização, estabilização e qualidade/quantidade do corpo não docente.

E podia continuar, mas não quero vos maçar logo no primeiro artigo de 2017.

Pelo ComRegras, algumas novidades irão surgir e mais dados relevantes serão publicados ao longo de 2017.

Espero sinceramente que 2017 seja melhor que 2016, depende apenas de nós, de cada uma das nossas ações, individuais e coletivas. Não peço o impossível, peço apenas que possamos ser melhores pessoas do que fomos em 2016, afinal, são as nossas ações que nos definem…

Desejo-vos um excelente ano e deixo-vos com uma música de uma das melhores bandas de todos os tempos, com uma mensagem que todos devíamos ouvir…

(…)

One love
One blood
One life you got
To do what you should
One life
With each other
Sisters, brothers

One life
But we’re not the same
We get to carry each other
Carry each other

One… one

(…)


Não lêem e depois dá nisto… | Petição contra falar sobre aborto no 5.º ano com mais de 6 mil assinaturas.

Corre uma petição online com mais de 6000 assinaturas contra a abordagem da temática do aborto no 5º ano, no âmbito do referencial de educação para a saúde que já abordei aqui Prazer e Sexualidade… no Pré-Escolar???

Como é típico de muita gente, assinam documentos sem analisar o conteúdo do referencial, baseando-se em juízos de intenção como:

Até ao final da manhã de hoje, a petição ‘Aborto’ como ‘Educação Sexual’ em Portugal? Diga não!” já tinha reunido 6.304 assinaturas de pessoas que defendem que “é um verdadeiro absurdo ensinar crianças que é legítimo e justo matar bebés no ventre materno” e que “o Estado não pode tomar o lugar dos educadores”.

“Qual é a necessidade educativa subjacente à apresentação do conceito de aborto e das técnicas abortivas a crianças de tenra idade?“, questionam os subscritores.

Vejamos então o que diz o referencial.

Agora digam-me lá se estão implícitas as barbaridades proferidas por uma das cidadãs promotoras da petição. Devíamos era preocupar-nos se serão técnicos especializados a abordar estes assuntos, em vez de despejarem tudo para cima dos professores.

Dá-me a sensação é que querem aproveitar este referencial para reativarem a luta contra o aborto…

Petição contra falar sobre aborto no 5.º ano com mais de 6 mi assinaturas

(Notícias ao Minuto)

5051 Crimes nas Escolas em 2015/2016. Mas afinal, o que é a escola? 1

crimeOs anos vão passando e a criminalidade escolar vai aumentando!

O que é a escola? Para que serve a escola?

Qualquer pessoa racional diria que a escola é um local de aprendizagem, que prepara os alunos para a sociedade. Para muitos alunos, a escola é um espaço onde se cometem crimes, onde se propaga o seu negócio paralelo e onde os professores são o empecilho à anarquia pretendida.

Na escola não devia haver crimes, na escola é suposto frequentarem crianças e jovens e estas não deveriam ser criminosas. A escola é por isso, para muitos jovens, o berço da criminalidade. E se a escola é o berço da criminalidade, até que ponto estamos a lidar com ela da melhor forma? Devíamos ser mais ou menos tolerantes? Devíamos aceitar ou não que estes jovens frequentem o mesmo espaço de outros que encaram a escola como A ESCOLA? Deverá a imputabilidade começar aos 16 anos? Serão estes dados avisos para o que aí vem?

Mas a pré-criminalidade surge no formato de indisciplina escolar e continuo a afirmar que não se conhece a sua dimensão. Os dados hoje publicados são da PSP (faltam os da GNR), são elevados e pior é que estão a aumentar pelo segundo ano consecutivo.

O ComRegras fez o primeiro estudo sobre indisciplina escolar, a indisciplina dentro da sala de aula, mas foi apenas a ponta do icebergue, daqui a algumas semanas serão publicados os dados referentes ao ano letivo 2015/2016 e a ver vamos como estão as coisas…

O governo diz que vai reativar o grupo coordenador da Escola Segura, faz bem, mas não chega. É imperativo obrigar as escolas a registarem e enviarem para um observatório próprio as situações de indisciplina que ocorrem dentro das salas de aula e (re)conhecer qual a sua tipologia. Estes dados devem ser públicos, salvaguardando a identidade das escolas. A sociedade merece saber o que se passa nas escolas públicas e  merece saber se a indisciplina escolar está a aumentar ou a diminuir.

Continuamos a assobiar para o lado, sem conhecer a dimensão do maior problema escolar da atualidade.

E já que o governo afirmou que vai assegurar a vídeovigilância por mais 3 anos nas escolas, por que não colocar as câmaras também dentro da sala de aula? Podem começar pela minha…

Mais de 5.000 ocorrências criminais nas escolas durante o ano letivo de 2015/2016

(LUSA via RTP)

Governo vai reativar grupo coordenador da Escola Segura

(LUSA via RTP)

Ministério garante videovigilância nas escolas pelos próximos três anos

(Natália Faria e Clara Viana – Público)

 


Divulgando | SOS Estudante passa a ter apoio via Skype

Uma iniciativa de louvar e que deve ser partilhada pelos nossos alunos/filhos.

sos_estudante

SOS Estudante é uma linha de apoio para todos e agora também se liga por ‘skype’

A linha de apoio SOS Estudante foi pensada para os alunos, mas atende chamadas de pessoas de todas as faixas etárias e agora passa também a estar disponível por ‘skype’, à procura de ouvir a geração mais jovem.

Em vésperas de completar 20 anos, a SOS Estudante criou em outubro uma conta no ‘skype’ (software que permite comunicação através da internet por voz, texto ou vídeo), à procura de chegar aos mais jovens, disse à agência Lusa a direção da única linha de apoio emocional do país composta apenas por estudantes.

A opção de criar a conta no ‘skype’ não está relacionada com a gratuitidade das chamadas, mas por a direção constatar que «os jovens preferem falar por mensagens» do que através de uma conversa telefónica, explica a tesoureira da SOS Estudante, Diana Callebaut.

Diário Digital / Lusa


Uma Greve do faz de conta… 2

teatroNão vou entrar na guerra dos números e se a greve foi ou não um sucesso. Sou da opinião que o dia de hoje foi mais um grito de “presença” de que outra coisa qualquer. Os sindicatos precisam de mostrar serviço e mostrar a sua utilidade em tempos de sintonia sindical e governamental. Todos sabemos que esta greve não irá ter qualquer impacto no orçamento de estado de 2017, todos sabemos que as carreiras vão permanecer congeladas até 2018, todos sabemos que a Frente Comum é uma das vozes do PCP e todos sabemos que o PCP vai viabilizar este orçamento.

Portanto, este jogo do faz de conta que estamos chateados mas não vamos fazer muito barulho para não criar grandes confusões no arco governativo, cumpre o objetivo de fazer honras de abertura de telejornal e calar aqueles que dizem que os sindicatos estão amordaçados pelos acordos parlamentares. Mas esta greve, mais não é que um “desfile” para quem nos governa ficar bem atento do que pode surgir em 2018, caso não se cumpram as promessas feitas.

Ou acham que foi por acaso que várias pessoas nem sequer sabiam que havia uma greve da função pública no dia de hoje…

Função Pública manifestou-se por respostas já em 2017

(TVI 24)

Marktest (2016) | Professores são a 2ª profissão mais valorizada pela sociedade portuguesa.

medalha-de-prataAo ver este estudo fiquei com uma sensação agridoce… Se por um lado um 2º lugar é sempre um 2º lugar e estar à frente de Enfermeiros, Polícias, Engenheiros, Juízes, Bombeiros, etc, é motivo de orgulho, se é que se pode ter orgulho numa situação destas, a percentagem de 6,7% parece-me curta, ainda para mais quando de 2004 para 2016 houve uma diminuição de 0,8%. Além disso são os inquiridos com mais idade (55 a 64 anos) que mais valorizam os professores, o que não deixa de ser preocupante tendo em conta as novas gerações pós 25 de abril…

Curiosa, para não dizer preocupante, é esta obsessão pelos médicos – 1ª profissão mais valorizada. o Sr. Doutor tem um estatuto ímpar na sociedade portuguesa e sem querer menosprezar o seu trabalho, parece-me claramente exagerada tendo em conta o contributo dos restantes serviços. Eu sei que salvam vidas e tal, e até aceito o seu topo na classificação, mas não fica bem a todos nós colocá-los em tão alto pedestal (26%).

E sim… estou a sentir umas protuberâncias anormais nos cotovelos…

Médicos são profissionais mais valorizados

(Marktest)

Para 26.0% dos inquiridos na sondagem da Marktest, a profissão de médico é a mais valorizada. A uma distância muito grande surge a de professor em segundo lugar, referida por 6.7% dos inquiridos.

A ocupação de agricultor é referida em terceiro lugar, por 3.4% dos entrevistados. Polícia surge em quarto lugar, com 3.1% das referências e a ocupação de bombeiro é a quinta mais citada, por 3.0% dos entrevistados.

Numa análise por targets, verificam-se algumas diferenças. A profissão de médico como a mais valorizada é unânime em todos os targets, tendo obtido respostas mais enfáticas junto dos residentes na Grande Lisboa (37.1%) e dos indivíduos dos 25 aos 34 anos (32.6%).

A segunda profissão mais valorizada é também largamente consensual, tendo sido mais valorizada do que na média por mulheres (7.8%), inquiridos com idades compreendidas entre os 55 e os 64 anos (10.8%), residentes no Interior Norte (9.5%) e classe média alta (17.8%). A exceção vai para os jovens dos 18 aos 24 anos, que colocam na 2ª posição a profissão de engenheiro (6.4% de referências), assim como os indivíduos dos 25 aos 34 anos, para quem a ocupação de polícia é a segunda mais valorizada (por 7.8%).

Relativamente a idêntica sondagem realizada em 2004, vemos que as três primeiras posições se mantêm inalteradas, mas depois dessa posição encontramos diferenças, com a saída em 2016 de profissões como Advogado/Juiz, Doméstica, Motorista, Pedreiro, Bombeiro, Mecânico, Informático, Político e Engenheiro e a entrada de profissões como Polícia, Auxiliar de saúde/ação social, Empregada doméstica e Operário.

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Ninguém gosta de ti… faz um favor a todos… mata-te…

Em memória a todos os que partiram cedo demais e a todos os que lutam diariamente contra este flagelo…

DIA MUNDIAL DO COMBATE AO BULLYING | 20 OUTUBRO

O que é o bullying? In wikipedia

O bullying e a lei In Educare

Sinais de alarme In PortalBullying

Esteja atento ao bullying escolar In PortalBullying por Tânia Pais e Ana Almeida

Formas de bullying In APAV (Apoio à vítima)

Lidar com o bullying In Punpkin

Cyberbullying In Portalbullying, por Tânia Paias

Auto-abuso online In Jornal Público, por Cláudia Bancaleiro

Explicador sobre Bullying, In Observador

Bullying, procedimentos reais para situações reais. – exclusivo ComRegras

O falso bullying – exclusivo ComRegras

Bullying e os iogurtes – (sobre o bullying laboral) exclusivo ComRegras

Acabar com o bullying! – exclusivo ComRegras

Um vídeo que devia ser visto por todos os alunos… In dailymotion