Rubricas


Não é escassez de produção, mas sim falta de gorgulho!

Os alicerces estão montados e a estrutura é mais que conhecida, ano após ano os andares tomam proporções gigantescas e não cessam o seu descontrolado crescimento.

Terá sido cavado um orifício suficientemente confiável para este empilhamento?

Reparem que, com o passar do tempo torna-se cada vez mais complicado alcancar a base deste edifício e, é isso que nos é exigido todo o santo dia! É nos depositada a responsabilidade de fixar material velho, para que assim, este consiga suportar os andares que também nós temos de continuar a construir.

Através de técnicas arcaicas que falham na segurança de todos os que lá vivem, através de vidros escuros que nos tapam constantemente a visibilidade de uma natureza a pedir socorro e, de vícios e prazeres que nos impedem de deixar o comum, sob pena de exclusão social. É perigoso olhar o mundo lá fora, e proibido saber mais do que nos é lecionado lá dentro. Caímos no ridículo de acreditar que a decoração interior é o unico objetivo e pior, incutimos essa noção a todos os seres que mal acabaram de deixar a maternidade, ignorando a sustentabilidade e privilegiando o lucro.

Torna-se de tal maneira confuso que ocupamos o nosso tempo a jogar, para outra classe qualquer, a culpa da conhecida queda, em vez de unirmos esforços para remodelar a técnica que forma futuros educadores.

Deixemos de lado o jogo da batata quente e cortemos de vez com a imagem que se infiltra e distorce informação, que nos torna diferentes na capacidade de realização do mesmo ofício, acabemos com essa praga que acredita na qualidade do grão pela menor quantidade de dentadas deste e não pela melhor consistência e sabor que atrai o gorgulho!

Martha Freitas, Aluna.


Regresso à fábrica

Convergence, 1952 – Jackson Pollock

Começou há pouco mais um período letivo, e vindos de duas semanas de bem merecido descanso, regressámos, alunos, professores e não-docentes para mais 13 semanas de trabalho. Regressámos à fábrica.

Aulas, explicações, treinos, atividades, projetos, textos, trabalhos, fichas, TPCs, testes, apresentações… Estudar, estudar, estudar. Tudo isto é importante, dizem, mas também é importante dormir, rir, respirar, amar, viver… Aliás, não fazer nada de vez em quando também é essencial. Somos pessoas, não máquinas, ainda assim, o regresso às aulas sabe a voltar a uma fábrica, em que se labora friamente em busca de algo por um caminho caminhado por quem não o escolheu, guiados por mapas que nos deixam ainda mais perdidos na busca de um sentido.

Um sistema em que ou se é cientista ou músico, médico ou historiador, não cria cidadãos, cria instrumentos. Gostos, interesses e aptidões unidimensionais dão jeito a quem quer pintar tudo da mesma cor, ou melhor, de quatro cores diferentes e mais um par delas que são apelidadas “profissionais”. No entanto, a realidade não é um quadro feito a régua e esquadro, muito pelo contrário, mais parece um quadro de Jackson Pollock: um desorganizado salpicado de diferentes cores.

Mas tal como nos quadros de Jackson Pollock se encontra significado no meio do caos, também no ensino e na pluralidade e diversidade dos alunos se encontram sistemas que funcionam, tal só é impossível na mente de alguns senhores (e senhoras) que, sabe Deus como, chegaram a ser considerados os mais aptos para dirigir a nossa Educação. Não é uma utopia, é uma discussão, uma reflexão e, acima de tudo, um diálogo que é fundamental e necessário para realmente melhorar o Ensino português.

Não se chega lá com programas quilométricos nem com avaliações e avaliaçõezinhas. É ouvindo-nos a nós, todos os que trabalhamos diariamente na Escola, quando chega a hora de tomar decisões que nos afetam mais do que ninguém e quando chega a hora de decidir a melhor maneira de ensinar e de aprender. Só assim ficamos mais perto de uma educação melhor.

António Bezerra, Aluno.


Divulgando | Movimento- Vinculei durante 13 dias. 2

Como tenho dito… os professores não são números…

*Negritos de minha autoria

 


Movimento- Vinculei durante 13 dias

Caros colegas,

É hora de fazer o ponto da situação e de explicar as razões que levaram à criação deste Movimento.

Como todos sabemos, está a decorrer um processo negocial entre o Ministério da Educação e os Sindicatos que representam a nossa classe, sobre os concursos que se avizinham, onde um dos pontos mais importantes e polémicos se prende com a Vinculação Extraordinária de Professores Contratados. Esta vinculação permitirá que alguns milhares de professores possam finalmente ingressar no quadro, após muitos anos se encontrarem como contratados. Estes professores são necessários ao sistema educativo e finalmente temos um Ministério que compreende esta evidência. Porém, se estamos no caminho correto para acabar com a precariedade na nossa classe, o processo encontrado está ferido por injustiças que não podemos aceitar.

Não vamos perder tempo em explicar todo o processo desde a sua origem onde, por exemplo, se exigiam 20 anos de serviço para almejar à tão desejada vinculação, vamos sim centrar a nossa atenção nas duas últimas propostas do Ministério da Educação.

No dia 30 de Dezembro, o Ministério da Educação propunha estas condições para vincular professores:

  1. Ter 4380 dias de serviço após a profissionalização até 31 de agosto de 2016;
  2. Ter 5 contratos em escolas públicas nos últimos 6 anos, independentemente da tipologia do contrato, contudo, esses contratos tinham de ser no mesmo grupo de recrutamento.

Esta proposta era injusta e insuficiente. Por um lado, deixava de fora colegas com imensos anos de serviço feitos antes da profissionalização e, por outro, afastava colegas de grupos como o 300, 320 e 330 que sempre concorreram a dois grupos.

No passado dia 13 de janeiro chegou nova proposta que deixou a maioria dos professores perplexos. Por um lado, os 4380 dias já podiam ser contabilizados antes e após a profissionalização e os 5 contratos nos últimos 6 anos já não tinham de ser realizados no mesmo grupo de recrutamento. Estas alterações minimizavam algumas injustiças. Mas eis que o Ministério da Educação introduz uma nova condição que provocou uma enorme surpresa: para estar em condições de vincular, os docentes tinham de ter sido colocados em horários completos e anuais no presente ano letivo.

Como já referi, foi com enorme incredibilidade que assistimos a esta situação. Se por um lado vários colegas, que ficavam excluídos com a primeira proposta, podiam reunir então as condições para vincular, agora, com esta última proposta, muitos colegas seriam excluídos dessa possibilidade. Ou seja, trocaram-se umas pessoas por outras, como se de objectos se tratassem. Mais surpreendidos ficámos quando uma federação sindical fez saber que horários de 20 e 21 horas poderiam contar como completos. Assinalamos com agrado que após reflexão, essa mesma federação considerou ser injusto este critério para vincular.

Mais preocupante ainda, este ano um elevado número de horários completos só saiu nas RR1 e RR2 devido ao atraso das colocações da mobilidade por doença. Muitos dos colegas melhor graduados ficaram colocados na Contratação Inicial com horários de 13, 14, 15 ou 16 horas e os colegas pior graduados ficaram com os horários completos devido ao referido atraso.

Devia saber o Ministério da Educação que somos obrigados a concorrer sempre, primeiro, aos horários completos e só depois aos intervalos seguintes. Se esses horários completos só apareceram numa fase mais tardia do concurso, como é possível utilizar esse critério? E como é possível propor que os horários de 20 e 21 horas possam ser considerados completos se não existe um intervalo com esse número de horas? O intervalo é de 15 a 21 horas e é impossível saber qual o número de horas que nos cabe, em sorte, dentro desse intervalo. É uma questão de sorte ou azar e a nossa vida não é um jogo. Um colega muito pior graduado poderia ficar num horário de 21 horas e vincular. Por outro lado, um colega muito melhor graduado, por ter ficado num horário de 17 horas, já não vincularia. É evidente que não pode ser assim.

Face às situações expostas, resolvemos intervir e dar voz a este movimento.

Em cerca de três dias, quase 350 colegas aderiram ao mesmo. Vários órgãos de comunicação social (RTP, TVI, Correio da Manhã, Público, JN) revelaram interesse no nosso movimento e nas causas que defendemos. Nós só queremos um concurso justo onde os melhor graduados, e com mais tempo de serviço no ENSINO PÚBLICO, SEJAM OS PRIMEIROS A VINCULAR, MESMO QUE NÃO SEJAMOS NÓS.

Exigimos a eliminação da condição do horário completo neste ano letivo. Não tem qualquer razão de existir, como já demonstrámos.

Sabemos que nunca existirá um processo de vinculação totalmente justo mas, a graduação profissional e o tempo de serviço no Ensino Público, devem ser os únicos requisitos exigidos.

Os sindicatos devem solicitar uma negociação suplementar para defenderem os interesses de todos.

O Ministério da Educação pode e deve abrir vagas por grupo de recrutamento e nós devemos poder concorrer a essas vagas, sem critérios discriminatórios e injustos.

Após 4 anos negros sob a tutela de Nuno Crato onde sofremos enormes injustiças, temos esperança nesta equipa ministerial que, entre vários pontos positivos, acabou com a terrível BCE. Temos a certeza que, mais uma vez, irão tomar a decisão correta.

O nosso Obrigado a Todos os que lutam por existir justiça neste processo!

 

Vítor Manuel Almeida Vieira Agostinho


Esquecemos o que é o Inverno? Queixamo-nos de alterações climáticas? E nem pensamos?

Parece estarmos num tempo que “aprontamos” notícias por mais nada ter que fazer e mais nada saber fazer. Não há muito tempo na Europa, e como apesar de tudo ainda desta fazemos parte – ainda não estamos fisicamente no Norte de África, só em mentalidades e desenvolvimento – os Invernos eram frios e chuvosos e os Verões muito quentes.

Este Inverno está a ser Inverno, tem tido períodos de chuva intensa, e tem e está, numa vaga de frio “forte”. Pronto, parece que é algo de extraordinário, nunca visto e que tem que estar a ser noticiado a todo o momento. Se calhar, teríamos que ter provas constantes de que alterámos de tal forma a atmosfera que nos envolve, que já teríamos conseguido derreter todo o gelo nos Trópicos e fazer ferver a água dos mares. Mas não. De facto estamos no Inverno, pronto não devíamos estar, dado que nos habituámos a que o Inverno tivesse que não ser frio, e, é frio, está mal. Se fosse não frio estava mal à mesma. Estamos “numa” de arranjar subterfúgios para criar alarmismos, para criar desconforto, para achar que temos que mudar tudo, não pela mudança em si, mas para termos como encher as redes sociais, as notícias de meio minuto, o sensacionalismo. O que disse que disse! E como não nos apetece “pensar”, dado estar fora de moda, temos que nos fazer preencher o tempo com o “tempo”. Até sendo o tempo próprio de cada estação.

Torna-se uma maçada, não devia ser, logo como é, passa a ser uma notícia a explorar sem mais acabar. Deveria ser o contrário, que era para se noticiar os estragos que fizemos ao clima. Assim é para mostrar que está frio no Inverno – o que é próprio -, dado que esperávamos que devesse, afinal, estar calor. E claro há gripes, sempre as houve. E claro morrem muitas pessoas com mais de 65 anos do que antes acontecia, mas antes de facto as pessoas morriam “naturalmente” aos 65 anos, mas como hoje vive-se mais, e evidentemente são sempre as idades mais velhas que têm – temos – propensão a ter mais desgaste de vidas vividas, mais doenças e a morrer.  Mas morre-se mais tarde do que antes e parece que ainda é normal que se morra e não se fique cá para todo o sempre. E parece que se criam notícias, e quanto piores/ melhor, para evitar pensar e fazer pensar. Para evitar ter agendas próprias, e não todas iguais e em simultâneo. Talvez fosse tempo de não andarmos todos na mesmíssima onda, a dizer rapidamente o mesmo, e antes, como diferentes que felizmente todos somos, aproveitar esta diferença para ousar pensar, e falar de coisas diferentes e normais ou anormais, conforme o parâmetro  em que se possam “encaixar”! Ou nem por isso e deixemo-nos apalermar!

Augusto Küttner de Magalhães


O regresso de Luís Costa (ex-Bravio) | Os Eucaliptos 7

Hoje é um dia especial, quem segue o ComRegras sabe da admiração que tenho pelo Luís Costa, autor do blogue Bravio que teve o seu fim não há muito tempo. Insisti muito para que o Luís não abandonasse a blogosfera, mas o seu espírito livre teimava em manter-se afastado.

Hoje é o dia em que o Luís se junta ao ComRegras, e conforme lhe disse “não é por escreveres no ComRegras que a tua liberdade será condicionada ou irá condicionar terceiros”. Nesta casa cada um escreve por si e só a si o responsabiliza. Liberdade e pluralidade são valores que não abdico e existirão sempre enquanto por aqui andar.

Sê bem vindo Luís 😉


Os Eucaliptos

Muitos são os temas que, por vias diversas, estão a ser colocados na agenda do grande fórum docente. Seja por geração espontânea, seja com intuito pirotécnico, a verdade é que esta surpreendente proliferação temática está a cortinar aquele que, no meu entender, deveria ser o ponto de convergência de todas as atenções: o regime de gestão das escolas.

Paulatinamente, o debate desta questão fulcral tem sofrido uma perigosa simplificação: o almejado regresso à gestão democrática das escolas está a ser reduzido, no verbo e nas intenções, à mera alteração do processo de eleição do Diretor. Uns fá-lo-ão intencionalmente, outros sem intenção, mas, na verdade, todos os que marcam presença nesta ala discursiva estão a contribuir para a perpetuação da dita figura. É a velha e bem conhecida estratégia de mudar o suficiente para que tudo (o que é “essencial”) fique na mesma. Só por ingenuidade ou insídia se pode crer, ou fazer crer, que algo de substancial vai mudar apenas com essa alteração. O instalado halo (de prepotência, de intimidação e de cumplicidades) que os diretores têm anafado só se dissipará com o desaparecimento do cargo, recolocando no seu lugar uma referência com muito mais e melhores conotações democráticas: o Presidente.

Recentemente, alguns dos mais conhecidos paladinos da “diretoria” aproveitaram a onda eufórica da divulgação dos resultados do TIMMS e do PISA para virem a terreiro defender a sua dama, recomendando, a quem de direito, um sensato conservadorismo, um prudente comedimento nas anunciadas reformas… Enfim, quiseram, com a sua típica astúcia, fazer crer que essas aparentes melhorias podem estar umbilicalmente associadas ao atual regime de gestão, ou seja, ao jugo que os diretores representam, ao facto de haver nas escolas a tal figura criada por Maria de Lurdes Rodrigues para “pôr os professores na linha”. A ser assim, ou seja, se devemos endossar aos diretores a boa parcela do que são hoje as escolas portuguesas, então façam lá o favor de receber, por inerência, em correio registado e com aviso de receção, o aumento da indisciplina e até da criminalidade. Também têm de fazer parte dos dividendos, não é verdade?

Em bom abono da verdade, tenho de tirar o chapéu à referida ministra (por ter criado “o milagre”) e aos seus sucessores (por terem sabido alimentá-lo). Depois de vergada a espinha dos professores, depois de cilindrada a sua objeção de consciência e depois de amordaçada a sua livre palavra, tem sido muito fácil a manipulação dos pensamentos, das ações e dos resultados. Tal como um eucalipto, a autoridade do Diretor parece crescer, vigorosa e assombrosamente, à custa da autoridade dos professores, que se esvai de forma inversamente proporcional. E tem sido tão célere este processo de decomposição, que alunos e encarregados de educação (em geral, claro) têm hoje a perceção de que os professores são meros verbos de encher, meros ensinadores e “propositores” de notas condicionadas. E não andam muito longe da verdade: nas escolas reina a desautorização, a demissão, a omissão, o medo. Em todos os órgãos impera a vontade do Diretor. Já não há genuínas discussões, já não há genuínas críticas, já não há verdadeiro contraditório, já não há verdadeiros sufrágios: a discussão é entendida como obstáculo; a crítica é recebida como afronta, como declaração de oposição ao regime; o contraditório é mera “perda de tempo”, pois já todos sabem que tudo está previamente orquestrado e decidido; o mesmo acontece com os sufrágios, que ocorrem quando um diretor se lembra de fingir que não nomeia (prefiro os que assumem a sua própria escolha). Estranhamente, muito estranhamente, a superautoridade dos diretores parece não estar a produzir nem superdisciplina nem superempenho discente. Bem pelo contrário. Porquê?

É este o estado a que chegaram as dinâmicas nas nossas escolas. O caso não seria muito dramático, se se tratasse de fábricas de pregos. Contudo, como é nesses espaços que formamos não só os profissionais mas também os cidadãos, os homens e as mulheres do futuro; como é nesses espaços que ensinamos o respeito ou deixamos crescer na brutalidade; como é nesses viveiros que cultivamos a liberdade ou a submissão; como é nesses ovos que chocamos a democracia ou o veneno que a poderá aniquilar, então o caso muda radicalmente de figura.

É por estas simples miudezas que urge abrir todas as portas, desmantelar todas as gaiolas, estirar as asas, beber pluralismos, enfim, devolver a democracia às nossas escolas, antes que esta silenciosa e cinzenta anemia evolua para leucemia letal.

 

Luís Costa


A moda dos “bad boys” (fofinhos)

Sentada no bar da escola observo alguns alunos: os encontrões, os gritos, a linguagem, a inquietação, a força do grupo. Só apetece berrar-lhes: “Animais! Calem-se!”. Mas, inevitavelmente, sobe-nos toda a pedagogia e com muita calma tentamos resolver a situação apelando ao bom senso. Ao senso que não é comum e onde o bom é relativo.

O senso não é igual quando as vivências são tão diferentes e o senso é tão diferente quando estou sozinho ou quando estou em grupo.

Um amigo meu disse-me uma vez: “Agora estamos na moda do ser diferente, ser “bad boy”. Qualquer  dia ser “certinho” é que vai estar na moda.” A moda define comportamentos que na maior parte das vezes nada tem a ver com a nossa individualidade. Assumimos comportamentos e apropriamo-nos de maneirismos, roupas e atitudes para sentir que pertencemos a um grupo.

Já todos passámos pela adolescência e sabemos hoje que os nossos limites pessoais são traçados por aquilo que vivemos. Gerimos os comportamentos dos jovens com os quais lidamos, ou que simplesmente observamos, pelos nossos enquanto mais novos. E é por isso que os mesmos comportamentos são geridos de maneira diferente por diferentes professores. Ainda que exista um regulamento interno na escola, em última instância é o nosso “regulamento interno”, e absolutamente individual, que traça o limite.

Os “bad boys” físicos ou verbais andam aí. Os professores lidam com eles todos os dias e todos os dias é mais um dia de gestão de emoções e gestão de conflitos. Para uns é uma tarefa menos difícil do que para outros, porque a descrição que fazemos de um aluno é diferente aos olhos de cada interveniente.

Já passaram por mim muitos “bad boys”. Recordo-me de ouvir, quando trabalhei com uma turma PIEF: “O segredo é encontrar o líder e criar uma relação com ele para ter a turma na mão” Não é de todo incorreto. O ênfase não está no encontrar o líder, mas sim na relação que se estabelece com ele individualmente e acima de tudo, com cada um.

Creio que para conseguir gerir turmas difíceis, do ponto de vista comportamental, é preciso direcionar o comportamento do grupo através de cada aluno. A máscara dos “bad boys” cede quando estão sozinhos e quando se perde (ganha) tempo a conversar e a desconstruir egos.

O grupo tem uma força poderosíssima, mas é no trabalho individual que se pode fazer a diferença.

Não há milagres, não há receitas e muitas vezes não há resultados para gerir turmas complicadas, mas penso que existem três fatores essenciais: agir sobre o indivíduo; ter uma liderança forte; não ceder nas regras nivelando por baixo. E, claro, persistência.

 

Há “bad boys” “fofinhos” à espera de ser resgatados. De alguém que lhes saiba tirar a máscara e que lhes permita um olhar crítico sobre o “grupo”. Até lá pode ser que a moda do certinho chegue.

Maria Joana Almeida

 


Vinculação extraordinária ou concurso externo? 5

Depois de várias propostas para a Vinculação Extraordinária de professores, chegamos a uma altura em que se vão tomar decisões, pois o tempo da negociação está a terminar.

A última proposta do Ministério da Educação, continua envolta em polémica, devido à condição do horário anual e completo. Depois de vários protestos dos professores , a Fenprof apresentou uma alternativa, na qual o apuramento de vagas para vinculação seja feito pelo número de candidatos que reúnem  as condições da proposta do ME, mas que estas sejam ocupados segundo a lista de graduação profissional, pelos candidatos que têm mais de doze anos de serviço e 5 contratos em escolas públicas nos últimos seis anos. Embora,  esta seja, sem dúvida, uma solução muito mais justa do que a proposta pelo ME, a grande questão é que desta forma não se resolve a precariedade docente, fazendo perdurar a condição de contratados, a muitos professores que possuem,até mais do que os 12 anos de serviço no ensino público.  Reparem que o apuramento de vagas por grupo de recrutamento, feito desta forma traz algumas incongruências. Como por exemplo, o de muitos colegas provenientes do ensino privado, com muitos anos de serviço e maior graduação, que ocuparam horários completos e anuais, mas que não têm os 5 contratos com o ME, não abrindo assim a vaga correspondente ao horário . Ironia das ironias, são os colegas oriundos do privado que “impedem” a vinculação dos professores que fizeram maioritariamente a sua carreira no público.  Muitos horários completos, devido ao atraso no destacamento por condições específicas, não são considerados anuais. Por estas razões as vagas a abrir em determinados grupos serão exíguas. Por outro lado, alguns colegas que têm os 5 anos de contrato, mas pouco tempo de serviço no ensino público e muito anos no privado, e por isso estão muito bem colocados na lista de graduação para assim poderem vincular nas poucas vagas existentes.

A única maneira justa , que resolveria a precariedade docente seria através do tempo de serviço e do número de contratos no ensino público. O intuito de se realizar uma Vinculação Extraordinária foi sempre para resolver a precariedade de longa duração, e entende-se que esta ideia surgiu da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2010. Esta Resolução privilegiava, precisamente, o tempo de serviço e os contratos no ensino público  e recomendava a  integração  nos quadros dos professores com “funções há mais de 10 anos lectivos, com a duração mínima de seis meses em cada um.” A própria Fenprof apresentou uma proposta para a VE, que vai neste sentido, e deveria assim insistir na sua defesa, pois é bastante adequada e justa.

Com esta última proposta do ME, não se resolve o grande problema da precariedade docente ( professores que têm sido contratados repetidamente pela mesma entidade ) e mesmo que se altere a colocação pela graduação profissional, ficaremos com uma VE que mais parece um concurso externo, com poucas vagas em alguns grupos.

Parece que neste momento, estamos todos a esquecer-nos que uma Vinculação Extraordinária não é um concurso externo para ingresso nos quadros.

 

Álvaro Vasconcelos, professor contratado.


Os professores e os kinder surpresa. 4

As melhores turmas são para os professores da casa. Esta é a minha opinião baseada na constatação de 15 anos de docência, confirmada por inúmeras conversas com colegas de profissão e vários comentários que vou lendo pelo mundo digital. E quando digo melhores turmas, refiro-me naturalmente a alunos que estão mais focados/motivados para o ensino tradicional.

Ano após ano chegam novos professores às escolas, rodando entre si como se isto fosse benéfico para alguém… mas isso é outra conversa…

Nesta altura do “campeonato” já todos sabemos – e quando digo todos, incluo mesmo todos: professores, funcionários, alunos, diretores e pais – quais os professores que foram uma boa “aquisição” e quais aqueles que esperamos que se fiquem por outros lados num futuro próximo. Cada professor é um individuo que como qualquer cidadão, tem as suas qualidades e defeitos. Daí a minha associação ao efeito surpresa do tão conhecido ovo kinder.

Qualquer treinador que se preze sabe que um defesa joga na defesa e que um avançado joga no ataque, tal acontece pelas suas características específicas. Na escola, as características dos professores deveriam ser conhecidas previamente para que quem de direito (diretores) colocasse os seus “jogadores” nas devidas posições, otimizando recursos, potenciando resultados. Talvez assim fosse mais fácil julgar rankings e afins…

Mas infelizmente os relatos de professores que ficam com as piores turmas são comuns e provam que existe uma “panelinha” dissimulada em muitas escolas.

Surge assim uma clivagem interna que corrói a escola, bem visível nas ligações laborais e sociais dos seus profissionais. Além da diferença salarial (algo a abordar em futuro artigo), há aquele sentimento que alguns carregam a escola e outros permanecem sentados nas suas poltronas douradas, adquiridas pelo estatuto do tempo de serviço… Mas que estatuto?

Podemos colocar as coisas numa questão de competência, e sim, concordo que há uns que são melhores do que outros, é assim em todo o lado… mas gostaria de colocar a questão nas características de cada um. Existem professores com maior propensão para turmas de ensino secundário, outros para lidar com alunos mais novos, outros para lidar com turmas de ensino profissional, outros para lidarem com situações disciplinares e outros para coordenarem colegas de profissão.

O estabelecimento de hierarquias na sociedade existe pois esta funciona melhor assim. Na escola, tais hierarquias são meras fachadas e a imposição hierárquica assume-se não pelo cargo que se ocupa mas pelo estatuto adquirido. Novamente… mas que estatuto?

O equilíbrio de forças de um regime democrático deve persistir e ser fomentado, mas a disposição das peças cabe sempre a quem o gere. Se este não conseguir ir contra os “estatutos” instalados, então significa que não está à altura do cargo, salvaguardando o interesse de todos, salvaguardando o interesse da escola pública.

A escola deve ser um espaço onde o coletivo deve ser a sua principal força e se este funcionar, todas as suas estrelas brilharão, sejam eles alunos, professores ou funcionários. Num coletivo eficiente não precisamos de nos preocupar com quem fica com as melhores ou piores turmas, pois numa escola cooperativa, quem está à frente dos alunos não é o individuo, é a força do coletivo.

Isto é ser bom colega! Isto é pensar nos alunos! Isto é liderar uma escola! Isto é ser escola!

Alexandre Henriques


Sentidos e sentimentos 2

Não represento nada nem ninguém que não seja a minha pessoa, o que penso por aquilo que vejo. Isto para nesta escrita de hoje destacar um qualquer sentido ou sentimentos que perpassam pela escola. Já pensei que fosse apenas pela minha escola. Depois comecei por pensar que se circunscrevia a esta minha região. Falei com colegas, troquei teclas com aqueles que conheço e que estão espalhados um pouco por todo o país. Percebo que aquilo que sinto não sou eu apenas a sentir e não é só pela minha escola, nem sequer por esta minha região.

Sinto que há sentimentos que se afirmam e que marcam contextos, realidades, situações. Não consigo traduzir de forma clara, mas direi que é algo entre o desalento e o desencanto, entrecortado por um certo cansaço que não passa mesmo depois de uma pausa, menos ainda depois de um sempre curto fim de semana. São sentimentos onde dou conta do modo como soçobramos perante a realidade, nos sentimos esmagados pelo quotidiano. É um qualquer estado de espírito que nos consome a paciência, esgota os últimos fios de tolerância, veda sentimentos de empatia e faz com que nos isolemos mais ainda.

Sinto, e há já algum tempo, sentimentos de cansaço, de impaciência, de desalento e de  desencanto que fazem com que consideremos, como último reduto, a sala de aula. Esta surge, nas retóricas de muitos docentes, como o último espaço onde se sente algum privilégio, reconhecimento, alegria, prazer. Mas é também aí, na sala de aula, que acabamos por repercutir estados de espírito, tensões, ansiedade. Angustias.

Será, estou quase certo, fruto das medidas de políticas que têm criado elementos de stresse, cansaço e desalento – a redução de benefícios de carreira, o aumento do número de turmas, o aumento do número de alunos por turma, os casos e situações cada vez mais complexos no seio de cada turma (desde os comportamentos às situações pessoais que decorrem da crise social). Invariavelmente surgem fruto da incapacidade de resolvermos tudo o que se nos depara em contexto letivo e profissional. Cada vez mais assoberbados por solicitações – tantas e tantas parvas como nunca.

Agravou-se também por via das agregação que desbaratam culturas, isolou elementos antes unidos. Situação caricata esta, das agregações que, ao juntar diferentes realidades escolares e educativas, separou culturas, pessoas, isolou outras e tem desencadeados os mais diversos fenómenos de rejeição e oposição.

Queremos estabilidade. Que as políticas educativas estabilizem e proporcionem algum descanso aos professores. Gostaríamos que a paz, o sossego e que a tranquilidade regressasse. Gostaríamos, de igual modo, que se retomasse um tempo que ficou, inexoravelmente, para trás. Contudo, estou certo que os tempos irão continuar algo intranquilos, para ser simpático. Que o que passou não mais regressa.

A solução, a alternativa a este estado de situação só é possível localmente. Desde que localmente se identifiquem e promovam formas de cooperação, que aliviem o trabalho coletivo. Formas e medidas que façam com que possamos partilhar soluções (e não os problemas).

Estou certo que não existirá poção mágica que ultrapasse, resolva, de um dia para o outro a situação em que nos encontramos. Mas terá de ser o local, os mais diretamente interessados em reencontrar novos equilíbrios, novos pontos de consenso. Inclusivamente em romper com situações que hoje causam mal estar e desalento. É ao local que compete isso e não a medidas de política que tardam em se afirmar.

Manuel Dinis P. Cabeça

Coisas das aulas

16 de janeiro, 2017


Vinculação – “Faraway, so Close”. 1

“Faraway, so Close” – Recordei o título deste filme, quando vi o programa da SIC sobre as longas distâncias que os professores contratados percorrem em busca da almejada vinculação. Na procura de estabilidade profissional , percorrem quilómetros, afastados das suas famílias, percorrem anos de instabilidade, com a única certeza que se num ano letivo não obtiverem um horário completo, tudo foi em vão – Isto é a chamada norma- travão. “Faraway, so Close”.

Anteriormente, alguns  professores concorriam para longe da sua residência, para ter acesso direto aos quadros. Hoje em dia, são obrigados a concorrer para todo o país, para tentar garantir um horário completo mas na condição de contratados. Podem no entanto, concorrer para todo o país para garantir um horário , mas se num “azar” , que é mais do que natural, dada a especificidade do concurso de docentes, e na alternativa de não ficarem colocados, poderão conseguir apenas um horário de 21 horas, temporário, ou outro que não seja completo e anual, e de repente de um ano para o outro já não são uma necessidade permanente, e não têm acesso à vinculação– Isto é a a última versão da Vinculação  Extraordinária. “Faraway, so Close”.

Por esta razão é que não faz sentido o requisito de um horário completo ou um de 20 horas, o princípio de injustiça  continua, e com a agravante desta regra ter sido definida à posterior, deixando muitos candidatos neste momento sem possibilidades de fazer qualquer opção.

Ora este absurdo, é uma subversão completa do que está inscrito na Diretiva Europeia e no próprio Código de trabalho – qualquer relação de trabalho que se estende a mais do que seis contratos, independentemente da sua natureza, deve passar a ser um contrato a tempo indeterminado . Assim, o critério  eliminatório da Vinculação Extraordinária, de ter um último contrato com horário completo  e anual é naturalmente ilegal. Para poder respeitar a Diretiva e o Código de Trabalho é que o tempo de serviço, obtido no público, para a mesma entidade, que neste caso é o ME , deveria ser o critério primordial para uma Vinculação Extraordinária.

Com a condição do tempo de serviço  no público , nesta vinculação, com 13 anos de serviço, e os 5 contratos,  obtidos nos últimos 6 anos,  vinculariam à volta de 4000 professores ( pelos vistos é o número máximo de vinculações autorizado para este ano), sem precisarem de utilizar mais nenhum critério discriminatório ou ilegal. Para termos uma vinculação justa, e como aparentemente o ME pretende prolongar a VE para os próximos anos, deveria faseadamente  baixar o número de anos exigido, até um mínimo e fixar essa condição. Assim, os professores contratados sempre que atingissem o requisito do  limite mínimo de anos de serviço no ensino público, passariam a ser integrados no quadro.

Teríamos assim regras justas, definidas antecipadamente  e estáveis com que todos os professores podiam contar, permitindo alguma estabilidade e projeção de futuro, mesmo enquanto contratados.

 

Álvaro Vasconcelos,  professor contratado


Aprendizagem da leitura de alunos com dificuldades de aprendizagem 7

O tempo excessivo que leva a introdução da leitura da língua portuguesa, em todos os métodos de  leitura é a causa para que alguns alunos com dificuldades de aprendizagem graves, baralhem as aprendizagens no tempo, e falhem o objetivo.

O aspeto lúdico é muito importante. Os métodos globais são em geral os mais indicados para estes alunos.

Os animais são figuras simpáticas para as crianças e por isso escolhi uma dúzia  de  nomes  que abrangem a maioria dos sons de leitura: abelha, antílope, cavalo, macaco, carneiro, porco, cachorro, galinha, peixe, cão, caracol e esquilo.

O jogo consoante vogal pode inicialmente ser trabalhado de modo semelhante ao método das 28 palavras, nas palavras “macaco” e “cavalo”. Permitindo ao aluno descobrir outras palavras com estas silabas. Mais para a frente acrescenta-se “antílope”, acrescentando o som nasalado ao jogo. Nessa altura pode apresentar-se a palavra  “cão”, que ensina outra forma de nasalar as palavras e mostrar silabas compostas com um ditongo.

Nesta altura já temos um conjunto significativo de palavras, que entusiasmam e dão esperança ao aluno.

Numa segunda fase apresento as restantes palavras de forma gradual, mas rápida, com a ajuda de programas do “jclic”. O aluno depois de globalizar as palavras  e relacionar com a imagem, deve decompor em sílabas muitas vezes e registar no caderno. Escreve-as por fim com o teclado e depois no caderno. Por fim incentivo o aluno à construção de frases, com as palavras globalizadas ligadas por outras, que vai aprendendo.  Ex: A abelha voa. O antílope corre. O cavalo salta. Etc…

De referir que evito inicialmente os casos de leitura mais complexos, como o “ce”, “ci”, “gue”, “gui”, “gi”, “ge”, o “s” com valor de “z” os dois “ss” ou o som de duas consoante, como “zebra”.

A construção e leitura de frases com as palavras globalizadas podem mostrar sucesso. Quando os métodos tradicionais falham porque não tentar métodos alternativos?

Duilio Coelho

Professor do 1º Ciclo


A falta de civismo generalizou-se! E é grave!

Estamos a viver um tempo, em que se “vive um dia de cada vez”, e em que hoje estamos com mais falta de civismo que ontem, e amanhã, ainda pior estaremos.

Estamos não-felizes e não-contentes o que se nota no semblante de cada um, na agressividade de todos e cada um, seja em que local público possa ser, sendo que no privado é mais difícil de tal enxergar.

No supermercado até os empregados são mal-tratados pelos clientes, e nas filas todos e amontam para estar na frente mesmo que pressa não tenham. No trânsito a balbúrdia é tal que se tornou inqualificável e tudo o que seja cumprir o código está fora de questão. O palavrão fácil e o gesto de erguer o dedo do meio da mão, é rotineiro por homens e por mulheres, por tudo e por nada é “o uso e o costume”.

A falta de respeito entre gerações de baixo para cima, e de cima para baixo “vulgarizou-se”, os velhos já não só deixarem de querer “educar “ os mais jovens, como têm comportamentos que roçam a total deseducação. Sendo exemplos negativos que são imitados e com gosto, pelos mais novos.

Não ter respeito pelo próximo é o que “está a dar”!

O individualismo, o egoísmo o “eu, eu, eu” é o que conta com a agravante de todos e cada um actuarmos desta mesma forma, totalmente desautorizada.

Berra-se por tudo e por nada, insulta-se, e chega-se à agressão com toda a agilidade.

E já não vai ser necessário “esperar” pelo crescimento de filhos e netos, para ver a sua selvageria em pleno, dado que todos, hoje e agora já entramos nesta desordenação total em que vale tudo desde que o “eu” esteja bem, mesmo que seja só por um minuto, e que o futuro seja previsivelmente pior.

E aqui, nem são os aspectos económicos que têm um factor mais relevante, é a educação base, que já nem instrução, são os comportamentos base em sociedade!

Como em tudo destruir é fácil, construir será muito difícil. Perder princípios e valores, e até códigos de conduta tem sido tão fácil e tão rápido que quando dermos por “ela”, já nem nos lembraremos do que foi ser educado, e vai ser dificílimo voltar a sê-lo.

E viver sem regras ou quando estas disputam no nosso individualismo como vem a acontecer, evidentemente que não augura bom futuro. E como vivemos “um dia de cada vez”, parece que não nos lembrarmos que amanhã viveremos também um dia de cada vez mais destruído que o hoje.

E como não temos princípios, uma vez que os vamos progressivamente aniquilando, achamos – já com dificuldade pensamos, hoje – normal viver nesta selva, se bem que, mais que não seja o egoísmo, o individualismo do outro nos incomode dado que “bate” no nosso egoísmo/individualismo.

E se assim continuarmos como é o mais plausível, daqui a 5 anos vai ser difícil sabermos em grupo conviver, dado que palavras como respeito, princípios, valores, ficaram sem significado e sem valor.

Mas de facto por muito que acenemos ser “moderno e fixe”, viver cada um para seu lado, torna-se difícil e complicado, quando que temos que viver em sociedade e por muito que nos custe com algumas regras.

E pais e mães não se educando/contendo na selva em que se vive deseducam os filhos/filhas, se alguma vez os chegaram a educar. E estamos “nesta “ de vale tudo desde que o “eu” ache que “estou bem”, mesmo não estando, mas para tal não permitindo que o “tu” possas estar menos mal.

Vai acabar em desastre, mas todos estamos a ajudar para que assim venha a ser.

Augusto Küttner de Magalhães


Da profunda estupidez humana e da escola no meio…

[Um Valor:] A solidariedade voluntária, na medida em que é a marca do amor pelos outros; pelos que não conhecemos nem julgamos, pelos de quem não esperamos nada, principalmente qualquer agradecimento; a solidariedade com direito a notícia no jornal e entrevista na televisão, essa é um anti-valor e só exprime a insuportável vaidade dos ricos que são tolos.

Daniel Serrão

 

Reparo nas notícias que surgem com o espanto que já não sinto. Num tempo em que a sociedade dá mais valor ao não estar do que à presença sabemos a razão da emergência de uma violência animalesca entre alguns grupos de jovens. É o resultado do abandono. Tememos dizer isto porque não queremos assumir as culpas.

Enchem-se os meios de comunicação, virtuais ou não, de comentadores e especialistas para dizer que a culpa é de todos menos sua ou de ninguém e menos dos miúdos que são vítimas de tudo ou que é dos miúdos e de todos menos de quem devia olhar por eles. A violência é resultado sempre do abandono. Não do acto de abandonar mas da desistência da imposição de regras e de se ensinar aquilo que não é natural no ser humano. Se formos pensadores que assentam na ideia que a sociedade é o resultado de uma evolução humana que permite a civilidade dos comuns num lugar comum então percebemos que a relação entre as duas coisas é evidente. Não é o conhecimento, de per si, que cria cidadãos. É a aprendizagem de vida em comum. E uma palavra que caiu em desuso e tanta falta faz ser recuperada pela escola: respeito. E não me digam que não se ensina o respeito pelo outro, por nós mesmos, pela comunidade e acima de tudo pelos valores universais de não-violência e dignidade. Estas palavras já não se usam, eu sei. Mas como pai sei que é isso que quero que os meus filhos saibam. As palavras e os sentidos, mas acima de tudo, as acções que elevam o espírito e o ser humano a uma condição de civilidade. O abandono que hoje se vive de tudo isto dá no que hoje nos chega a casa por via de mais um vídeo ou de uma manifestação de barbárie entre jovens. A verdade é que há uma mancha imensa de miúdos que aprenderam a viver sobre estas regras. Mas também é verdade que há muitos que perderam esse caminho porque, aos poucos, alguém, algum momento, desistiu deles colocando num papelinho qualquer a indicação: sinalizado – e descansou com isto sem mais nada fazer. Somos frutos destes tempos. Mas somos também nós os conceptores deste tempo. A violência que assistimos e que dissecamos até ao momento seguinte surgir não desaparece porque outra notícia emerge. Continua lá. Até deixarmos de desistir e ir resolver a coisa com a força dos valores que um dia nos fizeram mais humanos…

João Lima

Pai


Vox adultorum

Por alto, através de trocas de palavras entre “adultos”, repito “adultos” veio à tona a suposta teoria da “geração mais bem preparada” de sempre!

Ponhamos isto em pratos limpos de uma vez por todas! O que aconteceria se porventura a humanidade, não sei… Resolvesse desenvolver-se ? Descobrir mais sobre o mundo que a rodeia? é óbvio e, atrevo-me a dizer, inevitável a absorção desses conteúdos pela parte mais jovem e, com eles, toda a experiência e lições retiradas de erros da geração mais antiga.
Por isso sim!É necessário lidar não com facto desta geração ter uma mina de ouro em termos de utensílios, mas sim com a precariedade, escassez e falta de diversidade das munições entregues pelos cabecilhas da armada!
Tão repetidas as vezes que nos é entoada a frase: ” Tu tens tudo! Tu não fazes nada!” 
Pedimos perdão pelas horas mal aproveitadas, pelo encanto pelos ecrãs e pelas notas baixas, perdão por não sermos o próximo génio capaz de inventar mais uma maquineta qualquer que em troca de capital causa alergia à sociedade. Perdão se somos diferentes! Porém diversidade é o conceito que explica toda essa “rebeldia” face à informação que nos é transmitida que, só assim por acaso, é tudo menos diversa! É que chega ao ponto de ser introduzida a mentira de só existirem X de cursos e X de áreas devidamente remuneradas! Em pleno século XXI e com tanta modernice por aí, ainda se incumbe nos jovens que os empregos socialmente corretos são relacionados com o poder jurídico, medicinal e, aí está, com a educação! 
Existem alturas específicas em que o cérebro decide cortar aquilo que não usa e, uma das alturas em que o faz é, precisamente aquela em que nos é oferecida de bandeja a escolha da área em que queremos depositar o nosso tempo e energia, sendo também a altura em que nos é ordenado o “foco”.
“Foco” para não perder ou gastar as energias em atividades que realmente nos interessam, porque é demasiado importante que as nossas ideias estejam viradas para algo que para além de fornecer editoras, ajuda a manter a fachada de uma realidade que se nos é mostrada é deitada abaixo, processo que iria causar inúmeros prejuízos monetários.
Reparem que, na altura da conhecida como “geração rasca”, também essa faixa etária era conhecida como a mais bem preparada, resultado? bem, os factos falam por si. Para além de uma oferta louca de emprego, uma carga de afazeres bem mais leves dos que os de agora. Pobreza? Dificuldades? Informo-vos que os jovens de hoje em dia também por isso passam!
Remato ainda que, a educação não se baseia apenas no passeio diário de livros a um edifício, nem na quantidade louca de tempo desperdiçado à frente de papéis! Trata-se da combinação de informação cultural, científica e moral, e não existe nada que não nos molde ou que não deixe um rasto em nós.
O pior? É que acreditam mesmo que uma geração careca de  receber tudo de mão beijada, uma geração materialista e consumista vai conseguir educar e passar valores segundo a canção do “faz o que eu digo não faças o que eu faço!”
Como é possível então a geração mais bem preparada de sempre ter capacidade de retirar os seus antecessores desse conforto estático e conformado para salvar o mundo?
Martha Freitas
Aluna do Ensino Secundário

Escolas Premium vs Escolas a Cair…

Imagem retirada de http://desblogueadordeconversa.blogspot.pt/

A notícia partilhada hoje pelo Jornal i, da autoria de Ana Petronilho, intitulada “Pais lançam petição a reclamar obras “urgentes” na Escola Secundária José Falcão em Coimbra” vem, pela milésima vez, deixar a nu uma situação herdada do tempo de Maria de Lurdes Rodrigues e que se materializou num desequilíbrio absurdo e incompreensível entre escolas intervencionadas pela Parque Escolar, intervenção esta que a antiga ministra da Educação considerou, com uma lucidez rara para a senhora em questão, ter sido “Uma Festa” e escolas não intervencionadas pela Parque Escolar que viram passar ao seu lado a “Festa” sem nela participarem.

Assim, o país conta hoje com um espólio de edificações destinadas à Educação tão diverso quanto absurdo pois neste país coexistem, às vezes quase  lado a lado, escolas intervencionadas em obras de orçamentos multimilionários de doze, catorze, dezasseis milhões de euros e escolas que, literalmente, foram deixadas entregues à sua sorte e a sua sorte, ou melhor, a sua pouca sorte é terem salas de aula onde chove, isolamentos que são tudo menos isso deixando entrar o frio e o calor a rodos, consoante as estações, coberturas de amianto, impossibilidade de impedir as entradas de luz que arruínam qualquer projecção e que arruínam qualquer escrita no quadro, instalações eléctricas mais do que obsoletas, tubagens de esgotos tão velhas que libertam perfumes estranhos empestando o ambiente com cheiros horrendos, infiltrações que vão colorindo paredes e tectos com fungos nocivos à saúde de qualquer pessoa, canalizações de água que abertas libertam águas de cor alaranjada devido à ferrugem das mesmas… e… e… e podia continuar a apontar o absurdo criado por políticos disfuncionais que não souberam, ou não quiseram!, usar recursos monetários pertença dos portugueses para uma intervenção generalizada e cuidada que contemplasse quiçá todos os edifícios escolares do país naquilo que eles necessitavam.

E assim estamos. Escolas xpto, que mais parecem hotéis de cinco estrelas de luxo, terminadas coexistem com escolas que ficaram a meio das intervenções previstas e coexistem com escolas centenárias que nunca viram qualquer intervenção de fundo desde a sua fundação.

É o caso desta antiquíssima Escola Secundária José Falcão de Coimbra, criada a 19 de Novembro de 1836 e que nunca conheceu obra de vulto.

Assim, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da ESJF lançou uma petição electrónica no sentido de conseguir 4 mil assinaturas e obrigar a que este assunto seja discutido na Assembleia da República.

Aqui a deixo para que, se concordarem, a possam assinar:

Intervenção urgente e de fundo na Escola Secundária José Falcão – Coimbra 


E é ainda de hoje uma notícia da Sapo que identifica a saúde mental dos alunos como uma das prioridades de intervenção escolar.

Nós dissemos em devido tempo que a crise económica potencia desequilíbrios mentais. Alguém teve o cuidado de escutar os professores no terreno, entre os decisores políticos que cortaram rendimentos a tantos e tantos portugueses, que despediram trabalhadores, muitos com filhos pequenos, e que, ao mesmo tempo, o foram canalizando para o salvamento de bancos com práticas pouco sérias e mesmo corruptas?

Pois. E depois, aqui d` El Rei! Pena que se lixem, pelo meio, também as crianças que são o futuro deste país.

Jornal i

Pais lançam petição a reclamar obras “urgentes” na Escola Secundária José Falcão em Coimbra

Sapo

Saúde mental dos alunos torna-se prioritária na intervenção escolar

Anabela Magalhães, professora e autora do blogue Anabela Magalhães