Família


Pais e professores são aliados eternos e inimigos constantes.

Depois das reações que li na página do facebook do ComRegras ao artigo E que tal Ritalina a pedais? Sinto-me na obrigação de acrescentar algo mais.

Em primeiro lugar referir que não considero os pais os principais responsáveis pelo excesso de Ritalina nas crianças. Os principais responsáveis são naturalmente os que a prescrevem. E quando falo em excesso, suporto-me nos números avassaladores de mais de 5 milhões de doses anuais, na opinião de pediatras, psicólogos e no relatório da DGS.

Relatório da Direção Geral da Saúde alerta para consumo excessivo de medicamento usado para tratar a hiperatividade o défice de atenção das crianças

Um relatório da Direção Geral de Saúde, de 2015 e recentemente publicado, indica que as crianças portuguesas até aos 14 anos estão a consumir mais de 5 milhões de doses por ano de metilfenidato, um psicofármaco usado para tratar a hiperatividade e o défice de atenção, segundo notícia de hoje do Correio da Manhã.

Ao grupo etário dos 0 aos 4 anos foram dadas 2900 doses diárias de “calmantes”; o grupo dos 5 aos 9 anos tomou 1261 933 doses; e dos 10 aos 14 anos 3 873751 doses. No conjunto, chegou-se a um total de 5 138584 doses, conclui a notícia.

Não foi por acaso que escolhi o título “E que tal Ritalina a pedais?”, considero que o caminho da medicação em muitos casos pode ser substituído por algo diferente e a imagem escolhida não foi inocente.

A nossa realidade pessoal leva-nos muitas vezes a juízos de valores generalizados – mais uma vez me incluo – mas tenho a certeza que quem lê estas linhas não é o alvo das críticas, quem aqui “perde” o seu tempo é a prova que se preocupa e manifesta a sua vontade em refletir, opinar e permitam-me dizer… aprender, como eu também tenho aprendido.

Estas “tricas” entre pais e professores não nos levam a lado nenhum, o problema da PHDA é muito complexo e precisa de ser trabalhado em conjunto. Pais e professores são aliados eternos e inimigos constantes. O desgaste desta relação oscilante afeta invariavelmente os caminhos educativos.

Os nossos alunos e os nossos filhos precisam de ser “empurrados” para o sucesso e não a causa de eternas discórdias. Lembro que muitos professores também são pais e muitos pais têm na sua família alguém professor… Somos mais parecidos do que aparentamos…

É possível fazermos melhor, é possível sermos melhores e é possível ter a capacidade para aceitar que não somos perfeitos. Cada um de nós não é advogado de defesa de ninguém e não precisa, nem deve sentir, as dores de quem não as merece…

Que a nossa realidade seja a fonte das nossas opiniões, mas que essa mesma realidade seja trabalhada em conjunto e em prol do que mais interessa – as crianças.


Árbitros deviam expulsar pais perturbadores.

Já todos sabemos que alguns pais ao assistirem aos jogos dos seus filhos passam-se literalmente, transformando-se em maquinas “debitadoras” de insultos para tudo aquilo que pode na teoria ou na prática, perturbar o desempenho do seu filho. Estes muitas vezes chegam às ameaças e em alguns casos a vias de facto.

Para combater esta situação, vai ser criado um documento onde enuncia os deveres dos pais no desporto. Terá tanto efeito como os deveres dos pais em âmbito escolar… ninguém os vai ler e ninguém vai querer saber disso.

A ideia não passa de uma tentativa teórica de moldar comportamentos, como se os pais prevaricadores fossem “domados” por uma cartilha de orientações.

Estes senhores que poluem a essência do desporto e fair play, não podem assistir às atividades desportivas dos seus filhos, ponto. Caso o façam e não cumpram com as regras mais básicas do civismo, deve o árbitro interromper o jogo e solicitar às forças de segurança para expulsar o progenitor, aguardando este no exterior pelo final do jogo. Outra alternativa passa por multar os pais quando estes apresentarem uma conduta imprópria continuada.

Os próprios clubes deviam ter um papel interventivo nesta matéria, impedindo em último caso a inscrição de filhos de pais perturbadores. Polémica esta proposta, concordo, mas só com medidas mais gravosas podemos terminar com a pouca vergonha que é assistir a determinados comportamentos parentais.

Ficam alguns dos deveres citados hoje no jornal Público:

  • A escolha dos desportos a praticar pelos filhos deverá ser da sua responsabilidade e iniciativa sem qualquer imposição por parte dos pais
  • É dever dos pais acautelar os excessos de carga no treino em competição durante o período infanto-juvenil, em particular na puberdade (…)
  • É dever dos pais acompanhar as actividades dos filhos com discrição (…)
  • É dever dos pais respeitar as competências próprias dos treinadores, limitando-se a questioná-los sobre a forma como os seus filhos se integram na vida da equipa e do clube e sobre as perspectivas de evolução académica
  • É dever dos pais esclarecer os filhos que para serem bons desportistas, para se sentirem felizes e estarem de bem consigo próprios, não é necessário serem campeões
  • É dever dos pais lembrar-lhes que os insucessos terão de ajudar à sua evolução e torná-los mais sábios

No desporto, os pais são muitas vezes um problema para os filhos

Há uma carta que vai a caminho para disciplinar comportamentos

(Público – Clara Viana)

Para muitos jovens, insultar, proibir, ameaçar e perseguir, não é percepcionado como violência numa relação

A União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), apresentou dados preocupantes sobre a violência no namoro. O número de casos aumentou e a percentagem de jovens que considera aceitável, insultar, proibir, ameaçar e perseguir é “assustadora” diz a secretária de Estado. Estamos perante uma falência das famílias que não conseguem ensinar aos seus filhos a simples diferença entre o que é certo e o que é errado. Recentemente tive conhecimento de um caso de exposição sexual e o mais grave nem o foi o ato em si, mas o desconhecimento que o que tinha feito era incorreto.

Lembro os dados que apresentei sobre indisciplina escolar que mostraram um agravamento em toda a linha, lembro os dados da Escola Segura que também apontam para um agravamento da criminalidade juvenil e lembro que o problema de indisciplina/violência ainda não foi reconhecido publicamente como algo grave e prioritário.

Ao ponto que chegámos, não basta trabalharmos com os alunos, tentando fazer aquilo que a família não foi capaz, é urgente trabalhar com as famílias e responsabilizá-las pela sua incompetência e negligência.

O quadro que se segue é da autoria do jornal Público.

Insultar a namorada é violência? Não, respondem 30% dos rapazes

(Público)

1ª Associação de Pais “ComRegras” | AMOGAPE

Recebi um email da Associação Mogadourense de Pais e Encarregados de Educação (AMOGAPE) a perguntar se as escolas “ComRegras” era um exclusivo para escolas. Nada disso, o ComRegras é um blogue global, dedicado à (in)disciplina e educação em geral e para toda a comunidade educativa.

Por isso, é com muita satisfação que anuncio a 1ª associação de pais “ComRegras”. Todas as associações de pais que queiram juntar-se a nós basta enviarem um email para [email protected]. As condições e vantagens são semelhantes às escolas e podem consultar aqui.

(carregue na imagem para aceder)

“Educação severa pode levar a maus resultados escolares” E a falta dela? 3

Não tenho dúvidas que pais que educam os seus filhos pelo método do “chicote” mais cedo ou mais tarde vão receber o mesmo tratamento por parte destes. Como um pequeno vulcão que vai crescendo, ao atingir a força necessária para se impor, este explode estabelecendo as novas regras de convivência. Antes disso, já os estragos são visíveis na escola, onde o aproveitamento e comportamento são normalmente os primeiros sinais de que algo vai mal no seio familiar.

Porém, o oposto pode ser tão ou mais perigoso. O sentimento de impunidade, leva a que a criança se torne num pequeno rei, mimado, egocêntrico, indisciplinado e mal educado.

Dureza q.b, tolerância q.b, amor constante e coerência, são normalmente bons princípios para uma educação equilibrada e salutar.

Fica o link para a notícia.

 

Educação severa pode levar a maus resultados escolares

O estudo mostrou que uma educação parental severa está relacionada com piores resultados na escola “através de um conjunto de complexos processos em cascata que enfatizam comportamentos atuais à custa de objetivos educacionais futuros”.

A investigação definiu como parentalidade severa gritar, bater ou outro tipo de comportamento coercivo, além de ameaças físicas e verbais como forma de punição.


Eduardo Sá | Os professores são “esquisitos”.

Muito esquisitos….

É verdade que, em muitos momentos, eu afirmo que os professores são pessoas “esquisitas”. É claro que considerá-los dessa forma não pretende desconsiderá-los. Muito pelo contrário. Será, simplesmente, uma forma um bocadinho provocatória de enaltecer a dedicação de inúmeros professores em relação ao ensino, à escola e aos seus alunos. Por outras palavras, será um modo de chamar a atenção para a forma como os professores parecem tornear, dum jeito quase infatigável, todos os obstáculos porque gostam – simplesmente; e inacreditavelmente – de ser professores. Vão as dificuldades desde as regalias salariais às condições de trabalho. Desde as limitações de recursos à escassez de materiais. Desde a climatização inexistente à irracionalidade de inúmeros processos de gestão do ensino e da escola. Desde a estruturação de programas e dos métodos de avaliação à burocratização e à tecnocracia educativas que atropelam, a torto e a direito, a alma, a paixão e a singularidade educativas que colocam ao serviço dos seus alunos. Desde o tempo de trabalho semanal à deslocalização sucessiva a que estão submetidos. Desde a desconsideração social de que são alvo à exposição, desamparada, às exigências esdrúxulas de muitos pais e às necessidades educativas de todas as crianças, diante das quais ficam num inacreditável e quase interminável desamparo. E desde a inacreditável discrepância entre a formação inicial e a absoluta ausência de planos de formação e de atualização que os capacitem ao nível dos conhecimentos, dos métodos pedagógicos, das novas tecnologias, da gestão de grupos e das relações e dos temas “sensíveis” que o mundo lhes traz, todos os dias, para dentro das aulas.

Que outra profissão passa pelas provações a que os professores estão expostos e reage com a generosidade que os professores colocam na sua missão? Que outra profissão paga a sua formação, prejudicando a sua vida familiar, e a coloca ao serviço de quem usufrui dela sem a pagar nem a facilitar? Que outra profissão faz da sua paixão o argumento com o qual parece sobreviver a quase tudo? É verdade que em inúmeras profissões as limitações e as injustiças não deixam, também, de ser inequívocas. Mas haverá muitas outras profissões onde o desnível entre a exigência dos desempenhos e a negligência dos cuidados atinja tamanha dimensão? Acredito que não! E é por isso que, com admiração e respeito, não me canso de reafirmar que os professores são “esquisitos”.


O resto do artigo fala dos outros “esquisitos”, as associações de pais e o desaproveitar de tantas pessoas “esquisitas”.

Nem tudo é assim tão cor de rosa como quer pintar Eduardo Sá, mas fica a intenção…

O Futuro é dos Esquisitos

(Leya Educação – Eduardo Sá)

O que é ensinar?

Aquelas perguntas tão simples e tão óbvias são as que têm as respostas mais difíceis e complexas. Sem nos apercebermos estamos constantemente a ensinar, a passar pequenos truques e segredos que permitem facilitar a nossa vida. Toda a vida aprendemos e conseguimos ter o múltiplo papel de professor e aluno. Quem disser o contrário é porque não sabe fazer a análise concreta do mundo que o rodeia.
Quando nascemos somos tão incompletos que precisamos de todos para nos orientarmos na vida. Estamos a aprender continuamente. Cada dia que passa é uma nova aprendizagem e, sem dar por isso, num instante, sabemos imenso. Só que não temos a noção desse conhecimento.
Quando uma mãe dá de comer a um filho está a ensinar que o alimento é importante e lhe dá energia para continuar a viver. Quando um pai muda uma fralda a uma filha ela percebe que ele a cuida e que quer o melhor para ela. São aprendizagens básicas mas importantes. A sua continuidade permite que seja assimilada a ideia principal.

Talvez o primeiro gesto de socialização seja a colocação da fralda no recém-nascido. Ele ainda não sabe o que significa mas entende o desconforto quando a mesma necessita de ser mudada. A alimentação também é entendida com a maior das facilidades. O choro assinala algo que tem de ser resolvido de imediato.

Assim sendo, aprender é contínuo e urgente. Suponhamos que temos um cesto que precisa de ser cheio com frutos. Enquanto lhe faltar alguma tarefa não pode estar concluída.  Os conhecimentos são os frutos que devem chegar ao cesto. Um a um, devagar, fazem a totalidade, sem pressa e com proveito.

O primeiro cesto fica completo e depois há sempre mais outro e outro que espreitam, ansiosos por terem a sua oportunidade. Tudo com vagar para ficar bem assimilado. Não se comem duas peças de fruta ao mesmo tempo, pois não? Um conhecimento vem na sequência do outro.

Se o pai ensina o filho ( quando refiro filho estou a falar no geral, quer seja filha ou filho ) a jogar à bola, é um saber que se passa. Existe uma bola, que é redonda e que pode ser jogada de vários modos. Simples. Porque não o fazer com outros ensinamentos?

Uma mãe explica que se devem sentar de certo modo à mesa, que se devem comportar conforme entende ( e na maior parte dos casos conforme a sociedade exige ), é uma professora em potência que se exprime. Estipula as regras e zela para que as mesmas sejam cumpridas.

Tudo é tão óbvio e eficiente quando existe a boa vontade e o interesse. Para isso muito contribui o querer e o saber. Os educadores querem que os seus educandos sejam pessoas bem formadas e determinadas. Os educandos terão de possuir a capacidade de não se satisfazerem com pouco. Devem querer sempre mais.

No final, quando abrirem a gaveta do saber, verificam que está tão cheia de pequeninas coisas e todas elas tão potentes. São como bilhetinhos que existem para lembrar tudo aquilo que se aprendeu e que parece estar arrumado. Tudo certinho, nos locais correctos e pronto para ser consultado.

Afinal o que é ensinar? É o dia-a-dia, é o saber viver, é tirar o melhor partido das  pequenas coisas, são os pequenos gestos e os pedacinhos de nós que queremos deixar ficar com os outros. Ensinar é um acto de muito amor e, como se sabe, o amor é elástico.
Margarida Vale.

Comentário da Semana | “Se precisarmos de saber os órgãos do peixe, ou a data de uma revolução, vamos ao Google. É o que os adultos fazem.”

Nova rubrica dedicada aos nossos leitores. Ao fim de semana (espero ter tempo…), publicarei o comentário que me chamou mais a atenção. Não existem critérios nem temas, apenas vou lendo o que vocês comentam e depois publico.


O desabafo que publiquei na semana passada “Chega meninos, estou farto! Se não vai a bem vai a mal…”, teve um impacto significativo (mais de 25 mil pessoas viram o artigo no seu mural do facebook). Da parte dos professores houve uma natural identificação, o que infelizmente prova que a “pequena” indisciplina está um pouco por todo o lado. Porém, várias foram as pessoas que apontaram o dedo às metodologias de ensino.

Mais do que centrar a questão no meu caso pessoal, até porque a minha disciplina (Educação Física) tem muito do que se pretende num ensino “moderno”: liberdade, movimento, prática, ensino personalizado. Importa abordar a questão na generalidade. A mãe Sara Rodi fez isso mesmo. O seu comentário na página de facebook do ComRegras merece ser lido por muita gente, por isso partilho convosco.

* os negritos e imagem são de minha autoria.

Não sou professora, sou apenas mãe de 4 filhos, que tem procurado entender porque é que os alunos acham a escola uma seca, estão desmotivados e, das duas uma, ou estão distraídos, ou perturbam a sala de aula. Estou solidária com os professores – porque é realmente insano tentar dar aulas nestas condições – mas não consigo concordar com a solução apresentada. Firmeza e limites são sempre importantes (eu também sou obrigada a recorrer a eles em minha casa), mas aquilo de que os meus filhos mais se queixam, é exatamente da falta de relação entre os professores e os alunos. Queixam-se que muitos professores chegam à sala de aula e “debitam” a matéria – muita matéria, sem tempo para reflexão, debate, sempre com a preocupação do teste e do exame… quando, como eles me dizem, aquilo não lhes vai servir de nada. Primeiro, porque vão repetir aquela matéria mais algumas vezes ao longo do percurso escolar. Depois, porque “se precisarmos de saber os órgãos do peixe, ou a data de uma revolução, vamos ao Google. É o que os adultos fazem.” Queixam-se de que as novas ferramentas de trabalho e comunicação, usadas no meio laboral, não estão nas escolas. Que as aulas são extensas (quando têm aulas expositivas durante um dia inteiro, chegam a casa de rastos), e que lhes falta muito tempo para brincar, passear, aprofundar outros interesses a que a escola não dá resposta. Eu, enquanto mãe, queixo-me do mesmo. A escola invade a nossa vida familiar com uma sobrecarga de trabalhos, trabalhos de grupo, testes e mais testes… E o tempo que deveria servir para o diálogo, para a transmissão das boas práticas, é passado a mandá-los trabalhar. Quem não consegue dar resposta a isto, coloca-os em explicações… e os miúdos ficam literalmente sem tempo para eles. Se não têm tempo para descansar ao final do dia e ao fim de semana, como esperar que eles estejam concentrados durante as 6 a 8 horas que passam nas aulas? Os meus filhos até não apresentam problemas de comportamento, mas estão saturadíssimos da escola. E eu pergunto: a escola deve ser isto? É este modelo de escola que vai transformar esta geração em bons profissionais, empenhados, críticos, criativos, bons cidadãos, respeitadores, pessoas felizes e que geram felicidade à sua volta? Não deve a escola ser repensada? Atualizada? Refletir-se sobre o que se quer, exatamente, dos alunos, em que é que queremos que eles se transformem, e como podemos lá chegar? Acho que é urgente esta reflexão, e precisamos, como nunca, de professores motivados para levarem a cabo esta transformação. Professores que desistiram de tentar criar relação com os alunos, que desistiram de sorrir, de os motivar, não vão transformar os nossos alunos em melhores pessoas, no futuro. Nós, pais, temos também muito que refletir. Muito que aprender e muito que mudar (políticas da família que nos permitissem mais tempo para acompanhar os nossos filhos, seria também algo fundamental). Mas a verdade é que é na escola que depositamos os nossos filhos, 8 horas por dia. Eles estão, muitas vezes, mais tempo convosco do que connosco. Precisamos de estar unidos e trabalhar em conjunto para voltar a “ter mão” (no melhor sentido da palavra) nesta geração, que será o futuro do país.

Sara Rodi

 


Divulgando | Que perceções têm os portugueses sobre o valor da educação? (Edulog)

Quando cheguei a casa após a interrupção natalícia, tinha na minha caixa do correio um livro da Edulog, da Fundação Belmiro de Azevedo.  O livro baseia-se num estudo efetuado a 1201 indivíduos com mais de 18 anos e por entrevistas telefónicas.

Fica a partilha para quem estiver interessado. Obrigado Edulog 😉


Alunos que faltam aos testes, porque estão de férias com os pais… 3

O direito às férias é um direito laboral e transversal a todos. A maioria da população portuguesa tem a possibilidade de tirar uns dias de férias sem ser em agosto, algo que os professores infelizmente não podem fazer. As vantagens são bastante significativas principalmente a nível financeiro. Nada contra, apenas pura inveja…

Passar uns dias com a família é algo que deve ser fomentado, mas aqueles que são intitulados de encarregados de educação, deviam estar mais cientes que ao levar o(s) seu(s) filho(s) de férias na penúltima semana de aulas de um qualquer período, corre o sério risco de este(s) estar(em) a faltar a momentos de avaliação.

Pior ainda, é quando ficamos a saber pelos colegas de turma que o “Zé”, o “Manel”, ou a “Maria” estão a faltar porque estão na Madeira, nos Açores, ou do outro lado do Atlântico.

Bonito, sim senhor…

E agora? Virá uma qualquer justificação de faltas a dizer que o menino(a) esteve doente para pressionar os professores a repetir a dita avaliação. Chato, pois, quem não sabe da verdade sente-se na obrigação de repetir a dita, o pior é se o educando aparecer na escola “torradinho” do sol a contar aos colegas/professores os maravilhosos mergulhos nas águas calientes que usufruiu no feriado e respetiva ponte…

O aluno poderá ficar com um zero bem redondinho e colocar em causa o seu aproveitamento para este período, mas a tão apregoada avaliação contínua também se aplica nestes casos, e aquele zero vai “torrar” o pobre coitado e não adianta de nada colocar o after sun que a marca permanecerá até junho…

Não tem mal, foi só um teste, não é isso que impedirá o aluno de se formar e ser um profissional de sucesso. Não, claro que não… Mas os princípios que os pais devem conhecer e transmitir aos seus educandos, são os pilares para o seu caráter. Desvalorizar a escola, mesmo que seja apenas um só dia, é um mau princípio, e ainda por cima escolhido numa altura onde muito se decide.

Ser pai e mãe é uma chatice, eu sei que também o sou, mas ninguém nos obrigou, é um compromisso para a vida e haverá muito tempo para colocar o protetor solar… É uma questão de prioridades…


Eis as 9 características dos pais que levam os seus filhos ao sucesso. 2

Existem estudos para tudo, alguns devem ser levados mais a sério, outros nem tanto, até pelo tamanho da amostragem… A revista Visão publicou o resultado de vários estudos internacionais que concluem 9 características comuns entre os pais que foram bem sucedidos.

As 9 características que todos os pais de miúdos com sucesso têm em comum

caracteristicasColocar os miúdos a fazer tarefas

Acho muito bem, a “preguicite aguda” é um vírus que depois de absorvido dificilmente sai do corpo e eu que até sou das “cambalhotas” tenho verificado uma aumento significativo do síndrome “ó professor deixe-me estar aqui sentado(a) sem fazer nada…”

Manter as expectativas altas

Sim, sim e sim! Mas cuidado, como já escrevi no artigo “Mãe, tirei um 18 no teste de Matemática”. Resposta “Não fizeste mais do que a tua obrigação…, se apertarmos demasiado vamos assistir ao burnout estudantil, sim, também existe… quantos alunos do ensino básico já não assisti a “passarem-se da cabeça” pois os pais obrigavam a ter tudo 5, ou por não entrarem no quadro de mérito. Exigir sim, mas com noção das capacidades/limitações dos filhos/alunos.

Ensinar-lhes capacidades sociais

PlayStation, telemóvel, tablet, televisão, os miúdos hoje são vegetais sociais, que preferem um ecrã ao convívio com os seus pares. A socialização permite um relacionamento mais eficaz que nos dias que correm é fundamental para atingir o sucesso pessoal e profissional.

Ter relações saudáveis com os filhos e parceiros

Independentemente das características do agregado familiar, viver num ambiente harmonioso, calmo, com amor, é essencial para um equilíbrio emocional das crianças e jovens. Pais separados, famílias monoparentais, também elas podem ser boas famílias e até melhores que muitos casais que passam o tempo a discutir. Uma boa retaguarda permite aos filhos/alunos focarem-se no seu “trabalho” – a escola.

Ter um nível educacional elevado

Os pais são os modelos dos filhos e os pais desejam o melhor para os seus filhos. Quem fez a escola toda, em situações normais, sabe bem as portas que se abriram e por causa disso tem tendência a exigir aos seus filhos que sigam o seu caminho. Tal como os filhos ao verem o sucesso dos pais, assimilam rapidamente que completar os estudos facilita um futuro mais risonho. Eis a tão falada valorização da escola…

Ser pais menos stressados

Quem já não disse, “olha, até parece a minha mãe a falar”. Se aos nossos pais saltar-lhes rapidamente a “tampa”, vamos assimilar esse comportamento como algo normal, algo dentro do padrão. No futuro, esse padrão virá ao de cima pois foi aquilo que assimilámos e aceitámos como natural.

Ensinar matemática aos filhos desde cedo

A matemática é a base de um sem número de profissões de sucesso. Vários estudos apontam que uma abordagem desde tenra idade à matemática pode facilitar um futuro de sucesso.

Valorizar o esforço dos seus filhos

Todos gostamos de ver reconhecido o nosso esforço, os nossos filhos e já agora os nossos alunos, também. É importante valorizar o seu esforço, incentiva à sua continuidade e todos sabemos que a persistência e o esforço são determinantes para a obtenção de bons resultados.

Mães que trabalham

Um estudo indica que em casa de mães que trabalham, as raparigas estudam até mais tarde e os rapazes colaboram mais nas tarefas domésticas. Mas na minha opinião, pais que trabalham são acima de tudo um exemplo que se pode ter sucesso familiar e profissional sem abdicar um ou de outro.


Estudo FERLAP – Pais Preferem ser a Escola a Tempo Inteiro dos seus Filhos

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E bem, muito bem!

A Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais, fez um estudo onde aborda uma série de assuntos sobre a escola. Um dos resultados que me chamou mais a atenção foi este:

Mais de 88% das inquiridas considera que devem ser aplicadas Políticas Sociais que permitam aos Pais um acompanhamento efectivo dos Filhos.

Vai exatamente ao encontro do que penso sobre o nosso modelo social. Este não é family friendly e em vez de procurar os pais como os educadores dos seus filhos, procura-se a escola como depósito para os seus filhos.

Realço também os resultados sobre o que os pais pensam sobre alguns assuntos da profissão docente.

  • Os Professores devem auferir de uma formação contínua que lhes permita acompanhar a os Alunos do séc. XXI (98%).
  • A precariedade laboral dos professores contribui para a desmotivação dos mesmos (85%), contribuindo este estado de espírito para o insucesso escolar dos Alunos (89%).
  • Consideramos necessário haver uma avaliação à competência e desempenho dos Professores (87%).

Subscrevo as três.

Fica o estudo completo.