Escola


QZP ficam do mesmo tamanho | No Concurso Interno QA ficam acima dos QZP | Na Mobilidade Interna QA ficam abaixo dos QZP

Fica um resumo mais aprofundado das negociações de hoje, de autoria da FENPROF. Sobre a posição dos QA e QZP, podem ouvir no vídeo em baixo, logo no primeiro ponto anunciado pelo Mário Nogueira.


FENPROF não dá acordo a documento final do ME

A FENPROF não deu acordo à proposta final negocial apresentada pelo Ministério da Educação. As principais razões foram:

– A não alteração das prioridades em que concorrem os docentes dos quadros (QE/QA e QZP), no âmbito do concurso interno e de mobilidade interna;

– A manutenção de uma “norma-travão” em termos que não concretizam a aplicação da diretiva comunitária que obriga a impedir abusos no âmbito da contratação a termo, razão por que esta proposta do ME já merecera a forte crítica do Senhor Provedor de Justiça;

– A manutenção de uma norma de vinculação extraordinária que deixa de fora muitos professores, mesmo com 12 ou mais anos de serviço, apesar de a injustiça na sua aplicação ter sido atenuada com a adoção do critério “graduação profissional” para efeitos de vinculação;

– A falta de garantias quanto à abertura de novos processos de vinculação em 2018 e 2019, não dando continuidade ao que será agora concretizado;

– A alteração da 2.ª prioridade à contratação e ingresso em quadro, sendo comunicado que se aplicará uma norma que contraria o que fora consensualizado em sede negocial (inclusão nesta prioridade de docentes que não exercem funções em escolas públicas);

– A não criação, este ano, de um grupo de recrutamento para a Língua Gestual Portuguesa (LGP), manifestando o ME, apenas, disponibilidade para, em 2017/18, criar um grupo para discutir o tema, com a criação do grupo de recrutamento a ser novamente adiada;

– A ausência de qualquer referência à criação de outros grupos de recrutamento, tais como os de Teatro, Dança e Intervenção Precoce;

– A não aplicação, este ano, de qualquer norma de vinculação aos docentes das escolas públicas de ensino artístico especializado e de técnicas especiais, podendo esta aplicar-se, apenas, em 2018/19 e, caso o ME, nesse ano, abra novos processos de vinculação extraordinária;

– A falta de clareza quanto à redução da área geográfica dos QZP, ficando apenas a vaga possibilidade de uma avaliação da situação para uma eventual redução no futuro;

– A ausência de qualquer referência na ata negocial final à indispensável e urgente definição dos conteúdos das componentes letiva e não letiva do horário dos professores.

Avanços

Deste processo negocial, como a FENPROF tem referido, resultaram também avanços relativamente ao regime que ainda vigora. A FENPROF valoriza a consolidação da extinção das BCE, a existência de critérios para abertura de lugares no concurso interno e externo a realizar este ano (abertura de lugares nos QE/QA, sempre que, nos últimos 4 anos, tenha sido necessário recorrer a docentes exteriores ao quadro da escola/agrupamento), consideração, em ata, da criação, já este ano, de um regime de permutas, recuperação de tempo de serviço perdido por razões de doença (artigo 103.º do ECD), para além de outros aspetos que foram incluídos na proposta final ao longo do processo negocial, por intervenção da FENPROF.

A FENPROF também não desvaloriza o facto de poderem entrar nos quadros, no próximo ano, para já, mais de 3000 professores e educadores, número que poderá crescer com a realização do concurso externo ordinário que deverá realizar-se nos finais de março, início de abril.

Todavia, por haver questões essenciais que ficam por resolver, não permitindo que se limpe a enorme mancha de precariedade que continuará a afetar os profissionais docentes, com penalização acrescida para os que têm exercido funções em escolas públicas, sempre em situação de grande instabilidade de emprego e profissional, e por não conferir justiça a docentes dos quadros que, há muitos anos, lutam pelo legítimo anseio de aproximação à sua área de residência, a FENPROF recusou dar o seu acordo à proposta final do Ministério da Educação, afirmando-o, não de uma forma abstrata, mas tornando públicas as razões por que não deu esse acordo.

Face a esta posição, a FENPROF vai, de novo, colocar a matéria em discussão junto dos professores; irá solicitar aos grupos parlamentares que requeiram a apreciação parlamentar do diploma a aprovar, no sentido de corrigirem os seus aspetos mais negativos; solicitará reunião ao Senhor Provedor de Justiça, com vista a obter uma apreciação sobre a versão final do diploma; irá fundamentar, junto da Comissão Europeia, as razões por que entende não estar a ser cumprida uma diretiva de transposição obrigatória, requerendo que esta inste o Estado Português a aplicá-la de forma adequada.

O Secretariado Nacional da FENPROf
20/01/2017 


O ponto final nas negociações dos concursos. Professores do privado voltam a concorrer em igualdade com os do público.

Esta é a surpresa que o ME tinha guardada para a negociação suplementar. Um alívio para os professores do privado, um pesadelo para os professores do público. Já referi que esta questão deixa-me dividido, por um lado a entrada no privado não contempla as regras gerais do ensino público, o que por isso devia levar à criação de carreiras distintas, mas por outro lado estamos a falar de professores, e professores são professores.

Sobre os números disparatados que fizeram capa no Correio da Manhã, onde se falava em 20 mil professores para os quadros, o número final é de 3000 a 3200.

Quanto ao resto, tudo parece ter ficado na mesma:

SIPE

 

Vinculação extraordinária: segundo o ME, vão abrir entre 3019 a 3200 vagas que serão ocupados por docentes que cumprem os requisitos, que serão colocados por graduação profissional.
Nos próximos 3 anos abrirão vagas para vincular os restantes professores que reúnam os requisitos.
No diploma dos concursos o Ministério não abdica das prioridades alegando sempre questões técnicas mas compromete-se a abrir lugares de quadro de agrupamento desde que, num agrupamento, exista durante 4 anos, horários anuais e completos no mesmo grupo de recrutamento.
Mantém-se a norma travão.

A FENPROF e a FNE não assinaram o acordo.

Entre 3000 e 3200 professores contratados vão mesmo entrar nos quadros

(Público)

Em declarações aos jornalistas, Alexandra Leitão, justificou a reviravolta com o facto de outras estruturas sindicais terem insistido nesta mudança. É o caso da Federação Nacional da Educação (FNE).

Anteriormente, a secretária de Estado assumira publicamente que os professores do ensino público e do ensino particular deveriam ser tratados de forma diferente, em sede dos concursos de colocação em escolas públicas.


Assistentes operacionais: salário mínimo em troca de uma facada?

Fui diretor 6 anos de uma escola que não era fácil. Um dia, andava a circular na escola um conhecido pequeno traficante, que já tinha sido nosso aluno. Tive de, pessoalmente e com ajuda de outras pessoas (assistentes operacionais), o retirar do recinto escolar, o que me valeu uns quantos pontapés e ameaças sobre o meu futuro por parte do pequeno meliante (pequeno em categoria, que não em tamanho).

Quando fui apurar responsabilidades, consideravelmente irritado (e, quem me conhece, sabe como me transfiguro na minha face colérica), por não o terem barrado à porta, umas das então auxiliares (hoje assistentes operacionais) respondeu-me, muito calma, com graça e ironia certeira:

“mas acha que o salário mínimo, vale o risco de levar uma facada?”

E o risco da naifada era real e não meramente abstrato. Percebi o toque.

Realmente o desgaste, e até o risco, desses profissionais merece mais compensação. Muitas vezes, eles próprios caem nas armadilhas de pequenas lutas pontuais sobre coisas laterais (o horariozinho; a escalazinha de serviço, nas interrupções letivas, para dar algum descanso; a trica para trocar de local de trabalho, mudando para melhor, em prejuízo do colega, etc.). São condicionantes do quotidiano que, muitas vezes, prevalecem sobre questões mais profundas de solidariedade, dignidade salarial e valorização profissional.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o “patrão” cada vez menos dinheiro ? (ganhar o mesmo, ano a ano, é ganhar menos, pelo menos, por causa da inflação).

Valorização implica esforço de quem dirige

Quem já geriu escolas, sabe como é complexo gerir essas relações laborais. É um grupo cheio de diversidade e que, com risco de desagradar a muitos diretores, se tem de afirmar que exige aos gestores muito mais formação (que genericamente existe pouco, até porque elevado número de diretores, eleitos e reeleitos com base na “experiência” de bons burocratas, nunca realmente estudaram para o ser e para alargar horizontes em relação à “escolinha”, onde lhes calhou serem dirigentes).

E saliento que os “cursos de aviário” ou “vão de escada” e os mestrados por reconhecimento de experiência não resolvem isso, mesmo se, quem dirige o sistema possa achar o contrário, e se deixe iludir (até porque “bons burocratas” são mais conformistas).

E tal exigência de mais formação a quem gere é tanto mais forte, quanto o grupo do pessoal não docente tem baixa escolaridade, em média (mas inclui contingentes com formação muito desigual, incluindo até licenciados) e sofre de precariedade e baixos salários. Gerir a insatisfação e o desânimo é sempre difícil, especialmente para quem acredite em teorias de gestão mitológicas, falsas mas populares, como a “motivação” ou “a unidade para vestir a camisola”.

Em muitas escolas, a oferta de soluções para os problemas, por parte dos órgãos de gestão, limita-se a lógicas de compadrio e de quase feudalismo de vassalagem (aliás, a relação entre a durabilidade de alguns diretores, em mandatos sucessivos, e a forma como gerem estas relações laborais, merecia ser estudada e o retrato entrevê-se pouco abonatório).

Assistentes operacionais: a primeira linha de ação e resposta aos alunos

Mas estes profissionais são essenciais. Num tempo em que se fala tanto de indisciplina e bullying e outras formas de violência, eles são a primeira linha nesses combates. Muitas vezes são os que os alunos procuram primeiro, sendo os primeiros a conhecer a sua raiva, desilusão, tristeza ou depressão.

Mal pagos, têm, muitas vezes, de confiar apenas no instinto natural para resolver e ouvir os alunos, até pela falta de esforço público em dar-lhes formação (e um dos motivos parece ser a vontade, não assumida, pois claro, de manter as lógicas de subordinação e de dominação de que são vítimas).

Podia contar-vos a história da senhora, a quem se propôs formação, que ela queria fazer. Tinha problemas em aceitar o horário e, só à terceira conversa, confessou que era porque o marido não a deixava sair à noite, ou, a outra, que queria trocar de horário porque o “seu menino” precisava que ela lhe fizesse a sandes para comer ao jantar e ir trabalhar. Imaginem a surpresa quando se apurou que o menino era um marmanjão, antigo aluno nosso, com 17 anos, mas que parasitava a mãe e não tinha habilidade para abrir um pão e meter lá dentro alguma coisa comestível.

Parece uma imagem miserabilista e a realidade é que existem histórias de vida tocantes de comoventes entre estas pessoas de biografia dura.

O poder que subordina e a injustiça salarial

Um dos momentos mais marcantes da minha experiência profissional e de aumento do meu conhecimento do que é estrutural numa escola foi obtido junto de um grupo destes profissionais a quem dei formação há 15 anos (na verdade destas, porque o grupo eram só mulheres).

O que fiquei a saber sobre redes informais de poder nas escolas, sobre o que os “outros” pensam dos professores e qual a imagem e ações que valorizam nos professores e o que criticam, foi-me muito útil. Valeu-me para perceber que a visão de professores sobre a escola é realmente limitada e pouco abrangente de todas as subtilezas do que se passa.

Nas eleições para os órgãos das escolas fala-se muito em “corpos eleitorais”. Portugal, felizmente, não teve um corporativismo pleno como se tentou na Itália Fascista, mas somos um povo muito corporativo na sua prática política e de administração. Daí esta obsessão com a representação dos corpos (que está bem distante de uma democracia plena).

No caso das escolas, esse corporativismo que, no caso dos professores, por vezes encerra um lado elitista (em que os professores agem como suposta elite), faz com que o contributo dos assistentes operacionais não seja realmente valorizado, sejam pouco ouvidos, pouco considerados e até desrespeitados (por exemplo, por alunos, à vista de professores, que, tantas vezes, se abstêm de ajudar).

Isto, apesar de tantos discursos a proclamar gongoricamente a sua importância, numa contradição que deve chocar e desanimar, quem é tão mal pago e, há quase uma década, com salários congelados, perdeu o direito a uma ideia de carreira e progresso na profissão.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o patrão cada vez menos dinheiro ?


Tinha mais formação no Pingo Doce do que tenho enquanto professor… 1

O “despachar” primeiro e formar depois (ou durante), é muito típico na escola. Como sabem as escolas têm um novo sistema de tutorias, onde os professores podem ter até 10 alunos. O Ministério de Educação vem agora dizer que já foi dada formação a mais de 1200 tutores. Faz bem, é esse o seu papel enquanto patrão, o de atribuir formação específica aos seus funcionários quando surgem alterações relevantes.

O problema é que estas formações deviam ser dadas antes da sua entrada em vigor, o que raramente acontece. Assim de cabeça, lembro-me dos quadros interativos, da educação sexual, de diferentes programas informáticos de gestão/organização escolar, etc, etc…

Sentimos nas escolas que tudo está sempre a mudar, fica a sensação que existe uma qualquer equipa numa cave obscura, que tem o prazer sádico de constantemente alterar procedimentos, nomenclaturas e legislação, impedindo qualquer professor de estar a par da mais recente “moda” ou “capricho”. A última que ouvi, embora insignificante mas que serve de exemplo, é que nos discursos, depois de referirmos as “celebridades” devemos referirmo-nos aos restantes como “todas e todos” em vez de senhores e senhoras… “mariquices” do eduquês.

Os professores, ou qualquer outra profissão, precisa de estabilidade para assimilar leis, procedimentos e nomenclaturas. Os antigos cursos vocacionais, não tiveram a hipótese de upgrade, foram rapidamente abolidos e substituídos por tutorias com dimensões questionáveis, onde a falta de assiduidade dos alunos é uma realidade presente.

O que é dado como uma boa notícia, mais não é que uma notícia reveladora da política preferencial da tutela, aplico primeiro formo depois. A escola anda sempre atrasada, seja nos pequenos procedimentos, seja a nível tecnológico, seja nas metodologias de ensino ou a nível disciplinar…

Eu quando trabalhei no Pingo e Doce e depois no Continente, senti uma real preocupação com a minha formação, até porque era caixa de supermercado e por breves momentos era a cara da empresa. E sempre que havia alterações nos procedimentos, havia uma formação prévia (gratuita), era testado e só depois me lançavam às “feras”. Preparar, formar, esclarecer, testar primeiro e depois sim, aplicar e massificar. A escola não é uma empresa, mas devia aprender algumas coisas com ela, a formação contínua é seguramente uma das grandes lacunas da escola atual. E quem sofre são os nossos clientes (alunos)…

Organização… é tudo uma questão de organização…

Mais de mil professores já receberam formação para serem tutores

(Público – Clara Viana)

Escola Básica 2+3 de Marvila | Casal espanca dois professores. 7

Quando eu pensei que o jornalismo não podia chegar mais baixo, a CMTV dá um passo em frente na podridão jornalística. Esta resolveu dar voz ao pai agressor, justificando as suas agressões com o facto dos alunos lhe terem contado que o professor de matemática tinha batido na sua filha…

Mas pior ainda é que a entrevista decorre com a filha (menor) ao lado, chegando ao ponto do pai pedir à jornalista para entrevistar a criança, pois segundo ele, as crianças não mentem…

Juro que me lembrei do antigo Gato Fedorento, quando o pai diz com todas as letras…

dei-lhe duas ou três chapadas e ele ficou para lá estendido…

é que isto é tão mau, tão mau, tão mau, que só pode encaixar num daqueles momentos caricatos de televisão, com reposição no final de cada ano.

Cabe agora à justiça aturar esta gente…

(carregue na imagem para ver a entrevista)

Um professor de 60 anos e uma colega, de 55, da Escola Básica 2+3 de Marvila, em Lisboa, foram espancados por um casal que invadiu o recinto da escola, na quarta-feira.  As vítimas foram atacadas a soco e pontapé, tendo o CM apurado que os agressores serão pais de alunos.

Ao que o CM apurou, segundo a escola, as aulas decorriam com normalidade quando os pais de uma aluna entraram pela sala e agrediram o professor. A outra professora foi agredida quando tentava separar os pais do professor espancado. A CMTV falou com o pai da aluna, Nelson Pinto, que admitiu as agressões ao professor. “Dei-lhe umas duas ou três chapadas e ele ficou ali caído”. O encarregado de educação diz que quando foi buscar a filha à escola os alunos disseram-lhe que a menor tinha sido agredida ” com chapadas e murros” e “agarrada pelo pescoço”. “Vi a minha filha em pânico. Mas admiti logo à polícia”, afirma o agressor. No entanto, o pai da aluna conta uma versão diferente da da escola e diz que o professor pediu aos alunos para sairem da sala antes de alegadamente agredir a aluna.


Verbas para a programa Promoção do Sucesso Escolar chegam em… janeiro

Já tinha alertado no início do ano letivo, que muitas escolas não tinham tido acesso aos meios que constavam nos seus projetos para a promoção do sucesso escolar. Não será coincidência que o novo ano, com novo orçamento, venha finalmente desbloquear alguns milhões para ajudar as escolas a cumprirem com os seus projetos.

Pena é que estamos quase a meio do ano letivo, o que vai comprometer qualquer avaliação que seja feita no futuro ao programa do governo. A facilidade com que em Portugal se “vende” iniciativas ao público sem os devidos meios, revela bem o quanto é importante fazer marketing político.

Há 32 milhões de euros para o ministério contratar mais de 500 professores

(Clara Viana – Público)

A contratação dos mais de 500 professores em falta para o plano de promoção do sucesso escolar será feita por via de dois procedimentos concursais. Os 29 milhões de euros oriundos do POCH serão distribuídos através de uma candidatura liderada pela Direcção-Geral da Educação. Os restantes três milhões chegarão por via de concursos que já estão a ser abertos pelas comunidades intermunicipais, especificou ainda o ME.


Sr. Ministro, diga lá até onde pode ir e fechamos negócio. Pode ser?

Começou nos 20 mil… depois foram 10 mil, há dias era 4 mil e agora vai nos 3 mil professores a vincular. Isto até o Arlindo dizer o real número da coisa…

Este filme do concurso de professores já chateia e começa a ser completamente ridículo. O Ministério de Educação tem um orçamento definido para 2017 e o concurso de professores não será responsável pelo seu incumprimento. Talvez seja a minha ingénua maneira de ser, mas em vez de andarem em reuniões de “charuto” na boca, onde cada um a faz a sua cara de “poker”, tentando antecipar a jogada do adversário, seria tudo mais simples, honesto e transparente se colocassem as cartas na mesa de uma vez e dissessem para o que vinham.

É que estes números de que se fala são pessoas, que têm expectativas legítimas de um dia vincular. A ansiedade que estão a criar, o tira regra, põe regra, não valoriza, nem credibiliza ninguém.

Vá… Sr. Ministro, diga lá até onde pode ir e fechamos negócio. Pode ser?

Ministério diz que vinculação extraordinária abrange mais de 3000 professores

(Lusa via Público)

 


Quero uma defesa digna! Quero uma Ordem de professores! Quem está comigo? 8

Estou farto de ver ataques aos professores e não ver nenhuma associação defendê-los condignamente e a tempo e horas. Os sindicatos passam a vida preocupados com o concurso de professores. Mas o concurso de professores, apesar de ser importante não é o centro do universo, aliás, muitos professores já nem sequer concorrem, mas também são professores. Compreendo o papel negocial dos sindicatos, é para isso que estes existem, e não seria a Ordem a castrar a sua principal função. Precisamos de uma Ordem de professores, precisamos de uma alternativa centralizada e não partidarizada, precisamos de uma entidade que aumente o prestígio social do professor, que o defenda quando este é atacado como foi na questão dos manuais escolares. Precisamos de algo com peso político, algo que seja visto pela sociedade como uma mais valia e que esteja acima dos sindicatos, que não tenha os anticorpos dos sindicatos. Precisamos de uma entidade moral que filtre professores que não são dignos desse nome. Precisamos de um farol e não de quezílias constantes, precisamos de Ordem!!!

E agora pergunto, que raio anda a fazer a pró-ordem? Para que serve a pró-ordem? O que é a pró-ordem?

Tenho esperança de um dia pertencer a uma ordem, não que esta vá resolver todos os problemas, mas esta é precisa, é necessária e mais estranho ainda, muitos professores anseiam por ela. Porém, continuam anestesiados, lamentando-se na sala dos professores e descarregando lamurias e frustrações nas redes sociais…

Então por que não se faz? Por que não avançamos? Somos tantos mas afinal somos tão poucos? Não haverá quem queira pegar nisto pelos “cornos”, desculpem-me a expressão, e fazer o que ainda não foi feito (já dizia o outro). Estou disponível e o ComRegras entrará nessa luta, se for essa a vontade dos professores. Mas não é dizer “sim, senhor… estou contigo”, mas depois ficar com o “rabinho” no sofá a ver a bola ou a novela. Preciso de ajuda pois estou bem ciente das minhas limitações, preciso de um coletivo que se queira mexer, preciso acima de tudo de gente com vontade em fazer algo por todos nós…

Esta questão da ordem dos professores é uma pedra que sinto no sapato há demasiado tempo, está na altura de fazer alguma coisa… Estou farto que me digam, “não vás por aí”, “não adianta”, “olha que vais chatear os sindicatos…” Querem saber??? é para o lado que durmo melhor… Chega de avisos e façam alguma coisa caramba!!!

E agora pergunto-vos… Quem está comigo? ([email protected])


Tenho 45 anos… vivo num quarto… vejo a família 2 dias por semana… Quem sou eu? Sou professor contratado… 8

“Tenho o mundo suspenso em caixas”

“eu concorro de forma a poder dormir em casa”

“se ficas a chorar não vou…”

São apenas algumas das frases que foram proferidas por professores contratados na reportagem da SIC, intitulada “Longe de Casa”.

A faceta pessoal dos professores é muitas vezes esquecida. Se calhar esquecida não é a melhor palavra, ignorada, sim… ignorada, as escolas, os alunos, os pais, o Ministério de Educação ignoram sistematicamente a vertente pessoal do professor e quando digo vertente pessoal, refiro-me à estrutura emocional do professor.

Já aqui referi a máscara do professor, a que todos os dias é colocada a fim de cumprir a sua função. Quantas vezes não temos pessoas “partidas” por dentro em frente aos alunos? Ainda há pouco tempo soube de uma colega que estava grávida e que perdeu o bebé… um mês depois já estava a dar aulas…

Quando se fala no burnout docente, falta referir que este também surge pelo desequilibro emocional do professor. Podemos comparar a saudade a um vírus que afeta o sistema imunológico do professor, ficando este mais suscetível a outras bactérias: indisciplina, excesso de trabalho, burocracia, etc…

A vacina existe, mas muitos que a procuram encontram sempre a mesma resposta… está esgotada!

Sei bem o que é andar de um lado para o outro, procurar casa, galgar kms e regressar ao fim de semana. Lembro-me do dia em que a minha esposa me deixou em Moura e regressou para a norte, gajo que é gajo não chora, mas nesse dia não fui gajo… fui homem…

Não é justo porra! Não é justo uma pessoa ter 35, 40, 45, 50 anos e não ter direito a viver todos os dias com a sua família, a ter uma estabilidade geográfica e não passar o tempo a fazer planos, a ponderar entre a profissão e a família. A Constituição Portuguesa tem montes de direitos, mas falta lá um… o direito a ter família, a ser família e a usufruir da família.

Por muito que seja engraçado conhecer diferentes realidades e diferentes pontos do país, essa graça perde-se com o galgar da idade.

Ser professor é tão digno como qualquer outra profissão, verdade, mas a responsabilidade e complexidade da profissão deveria dar a este outro tipo de estabilidade, outro tipo de dignidade.

Pensar nesta dignidade teria sido a seu tempo fechar as vagas para se ser professor. Era mais digno dizer, “não! não há espaço para ti” do que aceitar tudo e todos, mas a propina… a mensalidade… falou sempre mais alto. Quem faz frente ao lobby das faculdades?

Infelizmente em muitas escolas, as próprias direções e colegas residentes esquecem-se do que é estar do outro lado, provavelmente porque nunca estiveram do outro lado, a sua primeira escolha foi e é, a sua atual escola. Não tem preço esta estabilidade e é triste quando assistimos a quem é de longe ser “rebaixado” com os piores horários ou as piores turmas. São os tapa buracos… descartáveis, substitutos, indivíduos como o Ministério de Educação lhes apelidou.

Se queremos uma escola humana, com princípios, ética, valores e direitos, deveríamos também pensar em todos esses aspetos quando recebemos um professor de longe. Lembrem-se… estão perante alguém que está amputado emocionalmente, que tem o corpo aqui mas a sua cabeça está a 200, 300, 400 km, ano após ano… ano após ano…

Ao professor resta a saudade que se confunde com a esperança de um dia poder dizer “Finalmente vou ser pai/mãe/filho/filha/marido/mulher… já não vou mais embora, hoje, amanhã e depois de amanhã, estarei aqui, sempre aqui…”

Mas hoje (ou amanhã bem cedinho)… resta a despedida e fazer mais uma viagem pois é preciso voltar a colocar a máscara.

Foi isto que imaginaram para as vossas vidas?

Professores contratados, sois o verdadeiro exemplo de amor à profissão! Obrigado pela vossa dedicação.

Alexandre Henriques

(carreguem na imagem para ver a reportagem)

Comentário da Semana | “Se precisarmos de saber os órgãos do peixe, ou a data de uma revolução, vamos ao Google. É o que os adultos fazem.”

Nova rubrica dedicada aos nossos leitores. Ao fim de semana (espero ter tempo…), publicarei o comentário que me chamou mais a atenção. Não existem critérios nem temas, apenas vou lendo o que vocês comentam e depois publico.


O desabafo que publiquei na semana passada “Chega meninos, estou farto! Se não vai a bem vai a mal…”, teve um impacto significativo (mais de 25 mil pessoas viram o artigo no seu mural do facebook). Da parte dos professores houve uma natural identificação, o que infelizmente prova que a “pequena” indisciplina está um pouco por todo o lado. Porém, várias foram as pessoas que apontaram o dedo às metodologias de ensino.

Mais do que centrar a questão no meu caso pessoal, até porque a minha disciplina (Educação Física) tem muito do que se pretende num ensino “moderno”: liberdade, movimento, prática, ensino personalizado. Importa abordar a questão na generalidade. A mãe Sara Rodi fez isso mesmo. O seu comentário na página de facebook do ComRegras merece ser lido por muita gente, por isso partilho convosco.

* os negritos e imagem são de minha autoria.

Não sou professora, sou apenas mãe de 4 filhos, que tem procurado entender porque é que os alunos acham a escola uma seca, estão desmotivados e, das duas uma, ou estão distraídos, ou perturbam a sala de aula. Estou solidária com os professores – porque é realmente insano tentar dar aulas nestas condições – mas não consigo concordar com a solução apresentada. Firmeza e limites são sempre importantes (eu também sou obrigada a recorrer a eles em minha casa), mas aquilo de que os meus filhos mais se queixam, é exatamente da falta de relação entre os professores e os alunos. Queixam-se que muitos professores chegam à sala de aula e “debitam” a matéria – muita matéria, sem tempo para reflexão, debate, sempre com a preocupação do teste e do exame… quando, como eles me dizem, aquilo não lhes vai servir de nada. Primeiro, porque vão repetir aquela matéria mais algumas vezes ao longo do percurso escolar. Depois, porque “se precisarmos de saber os órgãos do peixe, ou a data de uma revolução, vamos ao Google. É o que os adultos fazem.” Queixam-se de que as novas ferramentas de trabalho e comunicação, usadas no meio laboral, não estão nas escolas. Que as aulas são extensas (quando têm aulas expositivas durante um dia inteiro, chegam a casa de rastos), e que lhes falta muito tempo para brincar, passear, aprofundar outros interesses a que a escola não dá resposta. Eu, enquanto mãe, queixo-me do mesmo. A escola invade a nossa vida familiar com uma sobrecarga de trabalhos, trabalhos de grupo, testes e mais testes… E o tempo que deveria servir para o diálogo, para a transmissão das boas práticas, é passado a mandá-los trabalhar. Quem não consegue dar resposta a isto, coloca-os em explicações… e os miúdos ficam literalmente sem tempo para eles. Se não têm tempo para descansar ao final do dia e ao fim de semana, como esperar que eles estejam concentrados durante as 6 a 8 horas que passam nas aulas? Os meus filhos até não apresentam problemas de comportamento, mas estão saturadíssimos da escola. E eu pergunto: a escola deve ser isto? É este modelo de escola que vai transformar esta geração em bons profissionais, empenhados, críticos, criativos, bons cidadãos, respeitadores, pessoas felizes e que geram felicidade à sua volta? Não deve a escola ser repensada? Atualizada? Refletir-se sobre o que se quer, exatamente, dos alunos, em que é que queremos que eles se transformem, e como podemos lá chegar? Acho que é urgente esta reflexão, e precisamos, como nunca, de professores motivados para levarem a cabo esta transformação. Professores que desistiram de tentar criar relação com os alunos, que desistiram de sorrir, de os motivar, não vão transformar os nossos alunos em melhores pessoas, no futuro. Nós, pais, temos também muito que refletir. Muito que aprender e muito que mudar (políticas da família que nos permitissem mais tempo para acompanhar os nossos filhos, seria também algo fundamental). Mas a verdade é que é na escola que depositamos os nossos filhos, 8 horas por dia. Eles estão, muitas vezes, mais tempo convosco do que connosco. Precisamos de estar unidos e trabalhar em conjunto para voltar a “ter mão” (no melhor sentido da palavra) nesta geração, que será o futuro do país.

Sara Rodi

 


FENPROF | Quatro mil professores vão entrar no quadro. (Entre outras promessas e novidades…) 3

Não… já não são 20 mil (será que é desta que acertam?)… mesmo assim o discurso de Mário Nogueira mostra contida satisfação, algo que não me recordo de ver. Por seu lado, o líder da FNE, demonstra uma clara insatisfação. Os papeis inverteram-se, estou habituado a ver a FNE com um papel mais próximo de consensos e a FENPROF com um discurso claramente de oposição. Conjunturas políticas…

Avanços novamente verificados ainda longe de permitir acordo

(FENPROF)

VINCULAÇÃO EXTRAORDINÁRIA DE DOCENTES

O ME alterou a sua proposta que, agora, passou a ser a seguinte: ingresso em QZP de todos os docentes com 12 ou mais anos de serviço, prestados com ou sem profissionalização, que tenham celebrado contrato, independentemente do grupo de recrutamento, em 5 dos últimos 6 anos, desde que, no presente ano letivo, se encontrem colocados em horário anual e completo.

(…)

Do desenvolvimento da reunião, contudo, o ME aceitou incluir em ata negocial que este será o primeiro momento de vinculação extraordinária, a qual terá desenvolvimentos nos anos de 2018 e 2019. O ME admitiu ainda considerar, para este efeito, “horário completo” aquele que tiver 20 ou mais horas. Para a FENPROF, esta não é matéria encerrada, aguardando-se uma resposta, na próxima segunda-feira, à questão do horário e também aos termos em que a progressividade deste processo terá lugar nos próximos anos.

(…)

“NORMA-TRAVÃO”

A FENPROF propôs que os 4 anos exigidos não tenham de ser cumpridos no mesmo grupo de recrutamento. Assim, a vaga a abrir seria para o grupo em que o docente tivesse lecionado durante mais tempo ou, em caso de igualdade, naquele em que se encontrasse.

A FENPROF propôs ainda que as normas de vinculação a aplicar à generalidade dos docentes abranjam os de técnicas especiais, bem como os das escolas públicas de ensino artístico especializado, incluindo conservatórios.

Também em relação a estas duas questões, o ME responderá na segunda-feira, ainda que já tenha demonstrado abertura para responder positivamente.

CRITÉRIOS PARA A ABERTURA DE VAGAS NOS QUADROS DE ESCOLA E AGRUPAMENTO, JÁ NO CONCURSO A REALIZAR ESTE ANO

O ME aceitou a proposta da FENPROF de abrir vagas nos QE / QA correspondentes ao número de lugares que tenham sido ocupados, para além da respetiva dotação, por docentes de outros quadros (QZP ou mobilidade interna) e contratados, nos últimos 3 anos.

“HORÁRIOS-ZERO”: ME RECUA NA SUA PROPOSTA

O ME aceitou as propostas da FENPROF de: retomar as 6 horas como dimensão mínima do horário para o docente não ser considerado “horário-zero” (até agora, a proposta era de 8 horas); manter a possibilidade destes docentes candidatarem-se a um segundo grupo de recrutamento; permitir que o docente retorne à escola de origem no caso de, nesta, voltar a haver disponibilidade de horário; possibilitar a manutenção dos docentes em plurianualidade, incluindo os que tenham sido colocados em reserva de recrutamento.

INCLUSÃO NA 2.ª PRIORIDADE DO CONCURSO EXTERNO

O ME aceitou a integração nesta prioridade dos docentes que tenham prestado 365 dias de serviço nos últimos 6 anos. Recorda-se que a proposta inicial era de 730 dias nos últimos 5 anos e, mais recentemente, 365 dias nos últimos 4.

PERIODICIDADE DO CONCURSO

O ME não aceitou a proposta de concurso anual, apresentada pela FENPROF. Porém, admitirá, bienalmente, avaliar da necessidade de realizar o concurso interno, podendo este ter lugar, como tem acontecido, em momento intermédio da abertura quadrienal.

PRIORIDADES EM CONCURSO INTERNO E DE MOBILIDADE INTERNA

A FENPROF insistiu na necessidade de ordenar numa só prioridade os docentes dos QZP e os de QE/QA, tanto no âmbito do concurso interno, como de mobilidade interna, não hierarquizando os docentes dos quadros em função da sua natureza. Em relação a esta matéria, o ME afirmou não aceitar a proposta em relação ao concurso interno, não fechando, no entanto, essa possibilidade no âmbito da mobilidade interna.


ATA NEGOCIAL FINAL

À margem dos diplomas em negociação, mas conexos com estes, há aspetos que mereceram, mais uma vez, a insistência da FENPROF. A saber:

. Regime de permutas: a ata consagrará a aprovação de uma portaria que regulará este regime que se aplicará já no próximo ano letivo;

. Tempo de serviço descontado, ilegalmente, por razões de doença: na sequência das ações desenvolvidas pela FENPROF, o ME aceitou que o tempo ilegalmente descontado em concursos anteriores, por não aplicação do artigo 103.º do ECD, será considerado nos concursos futuros, já a partir deste ano, a concretizar por circular que será, em breve, emitida;

. Novos grupos de recrutamento: o ME admitiu incluir na ata o compromisso de criar novos grupos de recrutamento, na sequência das propostas da FENPROF que contemplam a criação dos grupos de Língua Gestual Portuguesa, Intervenção Precoce, Teatro e Dança. A FENPROF aguarda os termos em que o compromisso será assumido, mantendo, para já, as ações que anunciou com docentes destes grupos (ver abaixo);

. Redução da área geográfica dos QZP: face à proposta da FENPROF, o ME reiterou disponibilidade para rever estas áreas geográficas, reduzindo as de maior dimensão.

. Definição dos conteúdos das componentes letiva e não letiva de estabelecimento: O ME admitiu incluir na ata, conforme propôs a FENPROF, o compromisso de definir com clareza o conteúdo destas duas componentes, a concretizar no âmbito de despacho de organização do próximo ano letivo.

Carreguem no link em baixo para ouvirem as declarações de Mário Nogueira onde fala na entrada de 4000 professores para os quadros.

 Quatro mil professores entram no quadro

(Bernardo Esteves – Correio da Manhã)

Os professores não se vendem por um “livrinho”…

A reportagem que ontem a RTP emitiu no programa Sexta às 11 sobre os manuais escolares, foi deveras importante, há muito que as editoras enriquecem à custa da escola pública. Culpados? As próprias e também a própria tutela com as frequentes alterações curriculares, algo que felizmente este governo quer combater.

Não gostei das insinuações que foram feitas que os professores também estão metidos neste esquema, insinuando que eram “pagos” com “livrinhos” e “fichinhas” a troco das escolhas do livro “A” ou “B”.

Tal como disse Paulo Guinote, os manuais escolares são escolhidos pela sua qualidade e a pensar nos alunos.

Nunca vi, nunca ouvi, e não imagino que um professor se “venda” por um livro, capa ou mala da respetiva editora. As ofertas, se é que ainda existem (?), estão ao nível das saquetas à entrada das praias, ou tapa sois para os carritos. Fazer sequer a insinuação é insultuoso e falso, haja mais respeito e não se confunda a exceção com a regra.

Termino com um agradecimento ao Paulo Guinote, por mais uma vez nos ter defendido com dignidade, elevação e argumentação convincente e verdadeira.

Recomendo a leitura da sua análise.

E as Provas?

Um programa da RTP sobre o mercado dos manuais escolares foi derrapando para uma tentativa de culpabilização dos professores por “obrigarem” os pais a comprar manuais com um par de páginas alteradas, como se isso fosse responsabilidade sua. Uma ex.ministra e um ex-ministro apareceram, em forma de pilatos, a fingir que não foram eles os primeiros a desrespeitar as regras com micro ou meso-reformas de conteúdos, programas e metas conforme a brisa. Uma associação de pais desapareceu do ecrã por ter parcerias e patrocínios que poderiam desaparecer, os grandes grupos editoriais alegaram um complot para fazer o mesmo.

(carregar na imagem para ver o programa)

75ª Escola “ComRegras” | Agrupamento de Escolas de Santa Catarina (Oeiras)

Dou as boas vindas a mais uma escola “ComRegras”, o Agrupamento de Escolas de Santa Catarina, em Oeiras.

(carregar na imagem para entrar no site da escola)

Se pretende ser uma escola “ComRegras”, basta solicitar para [email protected] . Conheça as condições e vantagens aqui.


Vinculação adiada para 2018 1

Mais uma proposta do Ministério da Educação para a vinculação  extraordinária  e mais injustiças criadas. Após  ter eliminado os critérios acoplados ao tempo de serviço, e muito bem, cria uma nova condição, horário completo e anual no ano letivo de 2016/ 2017, que por sua vez é também bastante perversa. Apesar de diminuir as graves distorções anteriores na graduação profissional, estas no entanto continuam. Não deixa de ser uma nova restrição, que certamente  alteraria as opções de muitos candidatos aquando do concurso para contratação do ano anterior. Ora exigida esta condição à posterior, não  permitiu que os candidatos fizessem as suas opções concursais na legítima perspetiva de poderem ter acesso à vinculação. Assim muitos candidatos mais graduados, com mais anos de serviço, ficam fora da vinculação, e que certamente teriam arriscado mais nas suas opções no concurso anterior para terem um horário completo e anual. Esta vinculação extraordinária, permite assim uma aleatoriedade  absurda nas condições  de acesso, e alguns candidatos poderão ficar excluídos por terem ficado colocados num ano, por exemplo com um horário de 21 horas. Também neste último concurso existiram as renovações, algumas contaminadas pela BCE e os horários completos que só surgiram mais tarde devido aos destacamentos por condições específicas.

Por estas razões, a continuar com esta restrição, pelo menos deveriam adiar a vinculação extraordinária para setembro de 2017 e aí sim,  segundo as colocações do próximo ano, quem reunisse as condições,  seria vinculado – 12 anos de serviço, 5 contratos no últimos seis e horário completo e anual em 2017/2018.

Assim teríamos um concurso mais justo, com as regras bem claras e definidas para que cada candidato fizesse as suas opções com consciência.

No entanto, penso que esta restrição não faz de todo sentido, pelas razões acima descritas, e que quem acumulou 12 anos de serviço e 5 contratos com o ME, certamente que é uma necessidade permanente do sistemae existem muitos professores que reúnem estas exigências, e até as ultrapassam por largos anos, que ficarão fora da vinculação e com a sua condição de precários adiada ainda por mais tempo.

 

Álvaro Vasconcelos, professor contratado