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Carreiras | A prenda dos professores será carvão?

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(Este artigo trata-se de uma reflexão meramente especulativa)

Depois do compromisso assumido e dos parabéns atribuídos a Sindicatos e Ministério de Educação, levantou-se uma onda de indignação e calúnia que nos fez regressar aos tempos de Maria de Lurdes Rodrigues. A onda de protesto foi tão alta, que até chegou ao senhor dos afetos. Rapidamente surgiram os que tentaram aproveitar-se do compromisso de professores e tutela, para também eles exigir o mesmo tratamento. Porém, para se ter o mesmo tipo de tratamento é necessário partir da mesma premissa, a premissa de que não existiram progressões e aumentos durante o congelamento, o que (in)felizmente não aconteceu (ver gráfico).

O dia de ontem foi um dia importante, foi um dia para verificar até que ponto o Ministério de Educação está “macio” o suficiente para ir ao encontro das pretensões legítimas dos professores. Ficámos a saber que o impacto da greve/manifestação está a perder o seu efeito, e o Ministério de Educação voltou à mesa das negociações com muralhas erguidas e esquecendo-se do que aí virá caso o caminho seja este. Os professores não vão recuar, pois depois dos ataques à sua honra estão no ponto para GRANDES LUTAS.

O Ministério da Educação, até podia seguir a sua política de flexibilização e aplicá-la na carreira docente, mas o estilo da barra de ferro, firme e hirta, continua a persistir…

Não auguro nada de bom para as negociações de dia 15, se tivesse que arriscar um prognóstico, diria que o Ministério de Educação irá dividir para reinar. Do ponto de vista estratégico e financeiro é o melhor caminho, mas do ponto de vista do cumprimento da Constituição Portuguesa, não me parece nada uma boa ideia…

E esqueçam as negociações sobre a avaliação de professores, enquanto a política for do garrote obrigatório, nenhuma avaliação pode ser séria e se é para brincarmos ao faz de conta, então que fique tudo como está e é verdade que não está bem, nada bem.

A data de 15 de dezembro para as próximas negociações, não me parece ter sido bem escolhida, se fosse uns dias antes dava para preparar uma grande greve às avaliações de 1º período, algo que foi apontado por mais de 2500 professores como a sua forma de luta preferencial.

Acredito que houve uns puxões de orelhas ao compromisso alcançado, acredito que houve insatisfação por se ter dado a entender que todo o tempo de serviço será recuperado, e acredito que o Ministro Tiago Rodrigues foi sincero quando disse “irei defender radicalmente os professores”, não tendo porém terminado a  frase, “até onde me deixarem…”.

Sejamos pragmáticos, o problema da 5 de outubro é a falta de peso político de Tiago Rodrigues, mas o verdadeiro problema está em António Costa que escolheu dar o nosso dinheiro a bancas e afins.

Convém não esquecer, que não é apenas o FMI e outros fundos que são credores do Estado, os professores e restantes funcionários públicos também o são, com a diferença de que não cobramos juros e até fazemos alguma coisa por este país.

Só isso já devia ser suficiente para nos darem uma prenda, é que de carvão já estamos cheios…

Alexandre Henriques

7 COMENTÁRIOS

  1. Para começar, é bom dizer, pela verdade, que, quando o primeiro ministro António Costa diz que, relativamente à carreira dos professores, à sua forma avaliação, etc, sabe do que fala, se refere à sua mulher, que FOI educadora de infância. Contudo, aceitou a rescisão do contrato (quando tal, há alguns anos, foi permitido a alguns professores), e, atualmente trabalha na Camâra de Lisboa (ou algo semelhante. Por JÁ NÃO É docente de educação. Ora, muitos dos que foram, mas já não são docente de ensino básico e secundário, são, por incrível que (me) pareça (ou não!!!!), dos que mais contribuem para desgastar e agastar os professores, com comentários: “eu sei muito bem, os professores não querem ser avaliados”; “os professores fazem os mínimos, ou nem isso, não se atualizam, e querem progredir só pelos anos de serviço”; e outros exemplos poderia dar. Onde quero chegar, António Costa, nosso 1º ministro, que NÃO QUEIRA ENGANAR-NOS, A SUA MULHER JÁ NÃO TEM NADA A VER COM A PROBLEMÁTICA ATUAL DOS PROFESSORES,
    Quanto à contagem do tempo de serviço, que o governo pretende que fique “em águas de bacalhau”, “não há nada para ninguém”, também os sindicatos não me parecem interessados em “fazer muitas ondas” (é o que, lamentavelmente, sinto. Espero vir a verificar que estou enganada), penso que não vou ser politicamente correta (como agora se diz). Considero que um caminho a seguir passaria por: analisar quem fez as avalições de desempenho exigidas para a mudança de escalão. Por exemplo, em 2011 (mesmo já “congelada”, sujeitei-me à avaliação de desempenho (aulas assistidas, etc, etc), pois sabia que com os 56 anos de idade, teria que a fazer para poder mudar para o 10º escalão da atual carreira docente, e, ficar no topo da mesma (atualmente VAZIA ….. facto que nunca ouvi ninguém esclarecer!!!). Nos anos de congelamento, continuei a frequentar, pagando, ações de formação, tendo, por isso créditos mais que necessários. Dei o meu exemplo, mas muitos mais professores haverá em situações idênticas (além disso temos mestrado, alguns fomos professoras titulares (de má memória …). Outros há, que não se quiseram sujeitar a avaliações (aulas assistidas, etc, …) e nada fizeram, contando com a progressão, durante os 9 anos e tal que nos querem roubar. Considero que avaliar os diferentes casos, poderia ser um crítério para saír do impasse. Não é um critério popular?? Ai, isso sei que não é!!!! No entanto, seria também uma forma de mostrar à sociedade (que tão pouco ou nada nos considera), que afinal há crítérios e condições para a progressão na carreira docente!!! Penso também que tem que se mostrar que há critérios para a progressão dos professores, desfazendo mitos e injustiças.
    Gostava de obter reações ao que propus!

      • mas a (i)legitimidade técnica de quem avalia, os critérios de avaliação subjetivos permeáveis à influência dos ‘humores’ pessoais, a arbitrariedade das quotas para as classificações, tornam esse processo um potencial antro de injustiças e de retaliação pessoal.

  2. Só se pode mostrar se houver quem queira ver; quem quiser , de facto, saber como se faz a progressão na carreira docente, não lhe faltarão testemunhos nem documentação. Insistir na avaliação de aulas assistidas (com marcação prévia ), além de inútil, parece -me que só serviria para alimentar umas quantas coisas feias que todos nós conhecemos.

  3. A nossa ex-colega, mulher de António Costa, quando teria à volta de 55 anos, afirmou numa entrevista, que rescindia o contrato a troco de uma indemnização, porque os alunos não apreciavam professores velhos, ou qualquer coisa do género, não me recordo dos termos exatos. Ainda bem que a ex-colega teve condições para fazer essa opção, pois acho que tinha toda a razão. Acrescente-se ainda o desgaste e o sofrimento de pessoas com idade avançada e mazelas inerentes, terem de enfrentar, diariamente, turmas de crianças e adolescentes que têm as características que nós bem conhecemos. E querem que o façamos até… que idade? 67, 70, 72 anos? Mais? Por favor, alguém que ponha juízo na cabeça destes governantes! É que, atualmente, quem quiser aposentar-se com 60 anos, por exemplo, e 36 anos de serviço, fica a receber talvez o equivalente ao salário mínimo! Isto brada aos céus!
    Mais: lembro que o governo do marido da nossa ex-colega nem nos apresenta uma proposta de rescisão como a que o anterior governo apresentou. Ou qualquer outra que nos permita viver mais uns anos com dignidade. Mas eu e mais alguns já apresentámos. Colega Amália Lobo, cada um é, ou devia ser, livre de fazer opções: eu não preciso de chegar ao 10º escalão. Paciência. Estou no 8º, fico por aqui, prescindo do descongelamento e, em troca, permitam-me ir para a aposentação sem penalização.
    Espero que os nossos sindicatos apresentem esta proposta nas negociações.
    Cumprimentos a todos.

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