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Burnout e Depressão uma ameaça à ação!

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Burnout e Depressão uma ameaça à açãoFoi hoje revelado um estudo que apresenta dados sobre o bem-estar dos professores, assim como a sua realização profissional, e que faz soar o alarme para o nosso sistema educativo. Um terço dos professores do básico e do secundário sofrem de Burnout (exaustão emocional e ausência de sentimento de realização profissional) e entre 20 a 25% sofrem de stress, ansiedade e depressão.

Para se perceber a dimensão do problema é importante comparar as realidades. As outras profissões em Portugal apresentam uma taxa de cerca de 15%, por comparação com os 30% dos professores. E nos outros países esta taxa, na educação, varia entre os 15 e os 25%, de acordo com o estudo, colocando Portugal no topo das preocupações e afirmando a profissão docente como uma das de desgaste mais rápido.

Podemos num primeiro impulso dizer que estes professores não podem lidar com os alunos até estarem bem. Sim, admito que poderia ser uma abordagem, mas que sistema sobrevive se lhe retirarmos de um dia para o outro 30% dos seus efetivos, 30% daqueles que mais se esforçam para o fazer andar? Nenhum!

Penso que estes números nos obrigam a pensar de uma forma bem mais profunda e estruturada sobre este problema. É preciso identificar as causas e implementar as soluções adequadas.

Verifica-se que os professores com mais tempo de carreira são também os mais afetados. Esta realidade levanta, necessariamente, a questão da idade da reforma. Será positivo para o sistema de ensino obrigar a que os professores se mantenham em funções até aos 66 anos? Assumindo que sim, que condições terão estes profissionais para continuarem um trabalho tão exigente e desgastante durante tantos anos e de que forma podem continuar a ser uma mais-valia para os alunos? E o currículo? E a avaliação? E o número de alunos por turma? E a indisciplina? E a carga burocrática? E os docentes que não estão no quadro? Será que estamos a desenvolver um sistema de ensino estável e forte obrigando os professores a mudar de escola todos os anos, sem que consigam estabilizar familiar e profissionalmente?

No início da carreira até poderá ser positivo para o docente ter a possibilidade de estar um ano no norte, outro no algarve ou ainda nas ilhas. É um acumular de experiências de vida que servem para enriquecer a nossa prática e para nos tornar mais aptos a lidar com o dia-a-dia, mas ao fim de 15 ou 20 anos de serviço continuar sem saber como vai ser a vida no ano letivo seguinte apenas serve para promover a instabilidade na pessoa.

É comumente aceite que a estabilidade emocional do docente é fundamental para um bom processo de ensino/ aprendizagem. O professor tem o dever de lidar com a multiplicidade de situações com que é confrontado diariamente na sala de aula e manter a clareza de espírito necessária para tomar as decisões corretas. É imprescindível que o professor consiga gerir as emoções e atitudes dos alunos canalizando-as para as dinâmicas do ensino, mas para tal e em primeiro lugar, o docente tem que ter a capacidade de lidar de forma positiva com as suas próprias emoções.

Quantos pais não se questionaram já sobre se a sua atitude com o filho foi a mais correta, se não terão sido demasiado bruscos ou desadequados, só porque estavam chateados ou mais cansados. Olhemos então para a mesma situação, em que é necessário agir, mas multiplicada por 30 crianças ou jovens, ao mesmo tempo, perante um professor que sofra de Burnout ou de depressão.

Variadas são as causas que nos trouxeram até este ponto, e múltiplas serão as possibilidades de resposta. Precisamos de olhar de frente para o problema, de forma séria e descomplexada e dizer de inequivocamente qual o caminho que queremos para o ensino e, verdadeiramente, o que é que se quer dos professores.

Consulte aqui o artigo:

Quase um terço dos professores do básico e secundário estão em burnout

 

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