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Bonificação de 2 anos, 9 meses e 18 dias não será atribuída em janeiro

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Coerência… Tenho de reconhecer a coerência deste governo no que diz respeito aos professores e à recuperação do seu tempo de serviço congelado. Coerência no “jogo” de palavras que sistematicamente adia a recuperação de, ou parte do tempo de serviço devido.

Estamos quase a fazer 1 ano de compromisso assinado, onde esta equipa ministerial comprometeu-se em devolver todo o tempo de serviço, faltando apenas acertar o “como” e o “quando”. Como todos sabemos, nem “como” nem “quando”, ficámos com umas migalhas depois de negociações que nada serviram e onde uns ingénuos (ou talvez não…) sindicatos foram eliminados pela estratégia governamental.

Convém também recordar, que este governo “premiou” os professores que já subiram de escalão ou estão prestes a subir, com um pagamento faseado da sua promoção salarial. Imaginem um patrão dizer a um empregado, que este tinha sido promovido mas demoraria 2 anos a receber pelo respetivo escalão… Poucos falam disto, mormente a comunicação social, mas a realidade é que o que foi feito aos professores, foi uma sacanice de todo o tamanho, justificada com uma crise que só afeta alguns… os mesmos do costume.

Voltando aos 2-9-18, vamos ler o que consta no comunicado do Ministério da Educação e que pode ter passado despercebido a muita gente…

O governo irá aprovar um decreto-lei no sentido de permitir que a partir de 1 de janeiro de 2019, aos docentes do ensino básico e secundário cuja contagem do tempo de serviço esteve congelada entre 2011 e 2017, seja atribuída uma bonificação de 2 anos, 9 meses e 18 dias a repercutir no escalão para o qual progridam a partir daquela data.

Fantástico, não é? Para milhares de professores significa que vão ter de esperar mais 1,2,3 ou mesmo 4 anos, para receber as migalhas dadas por este governo. Isto se depois não surgirem as cotas do 4º e 6º escalão, que podem levar ao caricato de impedir a progressão de alguns professores, pois as vagas são escassas e muitas vezes seletivas…

Tudo isto é triste, tudo isto é fado (já dizia o outro), mas a verdade é que tudo isto foi pensado.

Ao analisarmos as notícias da comunicação social, constatamos que a perceção que ficou é que em janeiro de 2019, os professores vão receber 2 anos, 9 meses e 18 dias. Tal como temos visto nos últimos dias, com uma cortina de fumo que impede a população em geral de perceber e constatar a realidade. Afinal, de que se queixam os professores? São dos mais bem pagos da Europa e em janeiro levam um “upgrade” de quase 3 anos… Mentira e mentira!!!

Sempre disse que as boas ideias que esta equipa do ME implementou ou tenta implementar, poderiam ser ofuscadas por questões financeiras, infelizmente não me enganei, como não me irei enganar ao afirmar que a maioria dos professores não irá votar PS nas próximas eleições.

A sensação que fica, é que perdeu-se uma oportunidade de ver, talvez pela 1ª vez, uma união entre professores e Ministério da Educação.

Fica para uma próxima… Pelo menos os professores cá estarão…

Alexandre Henriques

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6 COMENTÁRIOS

  1. E ainda mais.
    Os professores que transitarem para o 9º escalão depois de publicado o tal decreto terão direito à bonificação. Por sua vez, os que transitarem um ou dois dias antes já não terão direito a nada. Quer isto dizer que os mais “velhos” serão ultrapassados pelos mais “novos” num abrir e fechar de olhos.
    E esta, ah?

    • Os professores que estiverem no 4º ou 6º escalões ( nalguns casos com mais de 30 anos de serviço) ,por via dos crivos talvez nunca sairão destes escalões. Ou seja,estes 2a,9m,18d nunca serão usufruídos.Trabalho igual,mas remuneração bem diferente.
      Na minha opinião ,após as ultimas reformas a tabela de remunerações deveria ser alterada,pois o leque salarial é grande e injusto,diria mesmo revoltante, para os professores situados nos primeiros escalões.

  2. Também é triste não dizer tudo.
    Por exemplo, os professores que estão no 9º escalão não terão qualquer bonificação. Nem os do 10º. Mas é muito bem feito. Quem os mandou subir tanto?

  3. O circo continua; ou seja um docente que subiu do 7º para o 8º em setembro de 2018 só verá a bonificação refletida no 9º escalão, ou seja, quando completar o módulo de tempo a que está obrigado no 8º escalão; um docente que transite para o 8º escalão em abril de 2019, terá a bonificação no mesmo módulo de tempo e atingirá mais rapidamente o 9º escalão do que o colega que tem mais tempo de serviço. É de génio!
    A carreira foi revista, foi legislada, a contagem do tempo foi congelada por causa da crise, não foi sonegada por decreto, se todas as carreiras tem descongelamento, tem de haver equidade, se o tempo é para sonegar, anular outro sinónimo de roubo, então isso de ser também equitativo, o tribunal constitucional que seja chamado a pronunciar-se. Os professores não são filhos de um Deus menor, respeitem os direitos dos professores. Na mesa de voto darei a minha resposta a esta gente sem escrúpulos.

    • já houve ultrapassagens com a portaria que regulamentou a norma transitória do ECD de 2007, portanto, mais uma ou menos uma já não faz diferença…

  4. Os dados revelados pela OCDE mostram a falta de escrúpulos da entidade governamental que os forneceu e a falta de rigor de quem os publicou (ou melhor dizendo, cozinhou!). Mais ainda: um “prato tão bem cozinhado e temperado” não podia deixar de seduzir alguns jornalistas e comentadores (melhor dizendo, os “comensais do costume”!) a aprimorarem os seus (re)conhecidos dotes em intoxicar em a opinião pública com as suas (des) orientações publicadas. Uso as metáforas gastronómicas para não enjoar com toda esta “salada russa”, quiçá com o perfume politiqueiro costumeiro.

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