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Banalidades ministeriais e lata de alguns deputados…

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Isto até vai parecer um daqueles noticiários da RTP antes do 25 de Abril (nem no dia em que o homem foi à Lua deixaram de abrir com notícias de uma Excelência Governamental).O ministro da educação, hoje, decidiu falar de ensino profissional numa visita à Guarda. Não saiu das banalidades mais redondas e habituais: “importante ver como o ensino profissional é um dos pilares mais importantes da qualificação dos portugueses” ou “Nós temos um objetivo básico e fundamental: chegar a 2020 com 50% dos nossos alunos que concluem o ensino secundário através de vias profissionalizantes”. Falta saber se o valor do ensino profissional é só proclamado nestes momentos solenes, em banalidades, ou passa por real valorização dos profissionais, dos alunos e do conhecimento que lá se produz.

O ministro diz frases vagas, com que toda a gente concorda e, dos assuntos importantes, vem outros falar. Por exemplo, Carlos César fala da entrada de precários na função pública, lá para Outubro do próximo ano (assunto que muito interessa às escolas como todos sabemos).

Com uma lata desproporcionada e despudorada, uma deputada do CDS, diz o Correio da Manhã, quer reposicionar professores na carreira. O texto só se lê na edição em papel mas a imagem merece ser guardada para a posterioridade, com o riso largo da senhora deputada, que julga que nos faz de parvos (a proposta é só um rodriguinho parlamentar).

reposicionar-professores

Não sei porquê, lembrei-me de um aluno de uma escola onde dei aulas que partia retrovisores e amassava para-lamas de carros de professores, no parque na escola, porque candidamente queria ajudá-los, depois, encaminhando-os para o pai que era batechapas numa chafarrica vizinha.

Médias ou dissonâncias nos alunos por turma e na desvalorização

Outro assunto importante é a questão do número de alunos por turma, sobre o qual o Diário da República de sexta-feira publicou oficialmente um interessante documento do Conselho Nacional de Educação que vale a pena ler.

Quem for à página 34474, nas tabelas que lá estão, pode ficar, por exemplo, a saber dos desvios (contra o hábito geral de falar disto usando médias): no 1º ciclo, 17,5% das turmas tinham, em 2015/16, mais alunos que o máximo permitido (por exemplo, nas situações com alunos com necessidades educativas especiais). Sendo os limites máximos já excessivos, isto mostra como usar médias para decidir dá mau resultado. No 2º ciclo, 15,4% das turmas tinham alunos a mais. 12,9% no 3º ciclo. Cerca de 11% no ensino vocacional e 7,5% no Secundário.

Se a média é aparentemente baixa no todo nacional, desvios, com estas percentagens do total de turmas (e face a limites de número de alunos, que já são excessivos e deviam baixar), merecem atenção. Mas parece que a esquerda engavetou isto para Janeiro. Ou então vai ser como o reposicionamento da outra parlamentar de taxa arreganhada….

brinquinhoPela Madeira, hoje protestou-se com um concerto dissonante contra a “desvalorização e discriminação profissionais”.

Os docentes do Conservatório Regional, numa nota distribuída à população, afirmam que “não aceitam a desvalorização e discriminação profissionais a que estão a ser sujeitos por parte da Secretaria Regional da Educação [da Madeira]” e exigem “que a sua carreira e tabela remuneratória sejam as do Estatuto da Carreira Docente da Região, como acontece com os demais professores da rede pública” do arquipélago.

O “concerto dissonante” teve como programa a interpretação do 1.º andamento de ‘Eine Kleine Nachtmusik’, de Mozart, em três partes.

Condenações, campos de refugiados e violência

Por Braga, o Tribunal decidiu condenar diretores de um jardim de infância a penas de prisão (suspensas) por burla tributária. Podem ler aqui, no Público, e ficar a saber que ainda estão em dívida à Segurança Social 15.127 euros:

“A suspensão das penas de prisão fica condicionada à restituição daqueles 15.127 euros à Segurança Social.” Ponto importante e exemplar da notícia é que “A mulher foi ainda condenada por seis crimes de coacção, por causa da “pressão psicológica” que exerceria sobre funcionários e educadoras” que espoletaram o processo através de denúncias.

Por Viseu, uma escola e o Exército vão fazer uma atividade sobre qual não sei o que pensar (mas o instinto faz-me ter algumas dúvidas…. mas com o benefício nelas pela intenção): reconstituir com um grupo de alunos “um campo de refugiados” para eles experimentarem a situação.

O texto da agência Ecclesia – a atividade é da disciplina de EMRC – explica: com a atividade “Refugiados para a Paz” pretende-se “simular um Campo de Refugiados”, proporcionando aos alunos uma “experiência única que complemente o seu percurso escolar e que lhes dê a possibilidade de “refletir sobre a condição humana e a dignidade da pessoa” e “formar consciências esclarecidas, fomentando o desenvolvimento do sentido crítico”, revela a nota.

Pela UTAD, divulga-se uma ferramenta que podia dar jeito em muitas escolas. Chamam-lhe violentómetro e serve para medir  e caracterizar a violência nos comportamentos dos alunos da Universidade. Vale a pena ver e talvez quem sabe importar a ideia para algumas escolas.

Crianças a viajar de graça e velhos em escolas abandonadas

pic004Entre as outras notícias do dia deixem-me ser ronhoso e provinciano e fazer uma pergunta sobre uma delas. Na cerimónia de entrega da Carris ao município de Lisboa, o presidente Fernando Medina anunciou passes de graça para crianças até 12 anos.

Mas a medida é só para os utilizadores da Carris (e o resto do país em que os padrões de mobilidade até são piores?).

O centralismo está assim. Já nem se preocupa em esconder os benefícios localizados no centro que todos pagam sem beneficiarem também (sendo que o Estado fica com a dívida histórica e ciclópica da nova empresa municipal que nasce limpa desses encargos).

E, por isso, é que o interior e a “província” estão como estão. As escolas fecharam e a solução é fazer lares de idosos (e não pensem que acho mal, mas acho triste). Aconteceu em Alfândega da Fé em que uma escola, fechada há 10 anos, foi assim reconvertida como mostra a reportagem da RTP.

E, para terminar, remeto-vos para um texto publicado num jornal de Braga sobre autonomia e sobre municipalização. Rui Rio veio no fim de semana falar de como renega a campanha que fez contra a regionalização no referendo de há quase 2 décadas (lágrimas tão retardadas que devia estar calado e só voltar a falar quando estiver a liderar o PSD e decida concordar com nova tentativa).

Mas, mesmo com estes regionalistas penitentes serôdios a alternativa tosca da municipalização continua a ser receitada como panaceia ou como emplastros para dores articulares do Estado sem ver outras alternativas.

No domínio das escolas há quem pense esses temas e fale claro e com conhecimento como faz o Jorge Saleiro neste texto objetivo que podia ser Autonomia? Existe mesmo? Ou é um mito do género unicórnio?

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