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Avaliação da Semana – Mais jovens na universidade; escolas em dificuldades.

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Sucessora do “Topo e Fundo”, esta Avaliação da Semana será uma presença semanal a no ComRegras. Num formato renovado, aqui se continuarão a passar em revista, semana após semana, os assuntos marcantes no mundo da Educação portuguesa.

Mais jovens a entrar no ensino superior.

Embora o “canudo” por si só seja cada vez menos uma garantia de uma carreira profissional à medida dos sonhos e ambições de cada estudante, a verdade é que tanto a concretização das expectativas dos jovens que terminam o secundário como o desenvolvimento económico e social do país dependem de uma aposta clara no aumento de qualificações das novas gerações.

Sabe-se que são, anualmente, cerca de 100 mil os estudantes que concluem o secundário. Entrando nas universidades e politécnicos, só nesta primeira fase, mais de 50 mil alunos ( além dos que acederão através das outras fases e modalidades de acesso) há uma conclusão óbvia a retirar: mais de metade dos nascidos neste milénio frequentam já, ou irão frequentar em breve, uma instituição de ensino superior. Resta saber se o país aproveitará o potencial destes jovens ou se, pelo contrário, serão forçados a emigrar para se verem reconhecidos profissionalmente: esta é a grande incógnita a que só o futuro poderá responder.

 O logro da autonomia

Foi anunciado em Julho, com pompa e circunstância, que a autonomia das escolas iria ser reforçada, bem para além do que se encontra previsto no âmbito da flexibilidade curricular. Os directores foram exortados a elaborar projectos de inovação pedagógica onde, indo além da mera reorganização curricular, poderiam redefinir o calendário lectivo e os momentos de avaliação. Em muitas escolas se trabalhou afanosamente nestes projectos. Contudo, grande parte deles foram liminarmente rejeitados pela tutela.

O que sucedeu não é difícil de explicar: a avaliação semestral, vista em muitos lados como uma forma de simplificar os procedimentos avaliativos, foi usada como isco para levar as escolas a promover o que verdadeiramente interessa a este ME: que “aprofundem” a flexibilidade curricular, indo além do limite de 25% inicialmente definido. Ficou finalmente claro que a autonomia de que tanto se fala não é para as escolas desenvolverem os projectos que verdadeiramente interessam à comunidade educativa, mas sim para cumprirem localmente, sem questionar, os desígnios de políticas educativas centralmente definidas. E cujas vantagens continuam, no essencial, por demonstrar.

 A eterna falta de pessoal nas escolas

Fica como um dos grandes falhanços da política educativa deste governo: a incapacidade de garantir uma adequada dotação de assistentes operacionais em todas as escolas. Todos os anos – e nem o ano eleitoral está a ser excepção – há escolas que iniciam o ano lectivo com o quadro de pessoal fortemente desfalcado. Em casos extremos, vêem-se mesmo forçadas a adiar a abertura por não conseguirem garantir minimamente as condições de higiene e segurança do espaço escolar. A isto somam-se as dificuldades que surgem ao longo do ano, devido a baixas por doença dos profissionais ao serviço e à ausência de mecanismos céleres para os substituir.

Por trás desta política que compromete fortemente o bom funcionamento das escolas não está, percebe-se, apenas desorganização e incompetência. Houve sempre objectivos claros de corte de despesa e cativação de verbas no orçamento da Educação. E tudo o que permita ao ministro das Finanças cumprir as suas metas orçamentais tem óbvia prioridade em relação ao respeito dos direitos dos alunos e dos profissionais da Educação.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Tenho muitas dúvidas sobre a existência de uma política educativa deste ME. Partilho as dúvidas.
    Nunca vi tanta dificuldade em responder a perguntas concretas, o que revela, no mínimo, impreparaçao. A educação está entregue ao debate ideológico que, de forma arrogante, despreza o trabalho de recolha de evidências científicas e estatísticas.
    Todos se lembram do discurso apologético do ensino finlandês,mas o que é que lhe está a acontecer e porquê? Por que razão foi superado por outros? Isto já não interessa assim como, por exemplo, a defesa da escola a tempo inteiro que iria melhorar a escola… Alguém acredita nisto? Parece que os mais bem sucedidos passam muito menos tempo na escola!
    A educação deverá ser o único domínio em que todos os partidos se permitem experimentalismos… Como os resultados só chegam muito depois a apetência é reforçada!
    Pobres crianças!

    • O que me parece é que nunca houve um desfasamento tão grande entre os delírios intelectuais dos teóricos e dos decisores educativos e a realidade que conhecem e percebem os professores e outros profissionais que, nas escolas, prestam o serviço educativo.

      Adoptam-se algumas directrizes da OCDE, recupera-se a cassete eduquesa dos anos 90, retoca-se o discurso com a converseta da educação do século XXI e a isto, no fundo, se resume o arremedo de política educativa deste governo.

      Nas escolas reina a descrença mas também, infelizmente, a passividade. Basta haver uma “liderança forte” a querer ficar bem vista junto do ministério e logo aparecem voluntários para todas as flexibilidades, projectos, formações e tudo o mais que se lembrem de inventar.

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