Início Rubricas Avaliação da semana | Avaliação burocrática e (não) recuperação do tempo de...

Avaliação da semana | Avaliação burocrática e (não) recuperação do tempo de serviço

690
1

A avaliação burocrática

As avaliações do final de período deixaram nos professores, além do natural cansaço, a convicção de que existe um excesso notório de burocracia avaliativa. Nem é preciso ter uma turma muito complicada a seu cargo para que um director de turma se veja obrigado a gastar 20, 30 ou até mais horas na preparação do conselho de turma. Tempo este que se destina, no essencial, a garantir um mínimo de fluidez no decorrer da reunião, permitindo a sua conclusão dentro do tempo regulamentar.

Quanto à reunião propriamente dita, ela consiste sobretudo em verificar se a informação previamente lançada nos documentos e plataformas está correcta, na leitura de fichas e relatórios referentes aos alunos ou às actividades com eles desenvolvidas e na recolha de informação complementar ainda não registada. Tudo termina, claro, na elaboração de uma acta detalhada, com as suas inúmeras tabelas e anexos, mais a restante burocracia deixada ao critério de cada escola ou agrupamento.

No meio disto tudo, o que falha? Além da exaustão que provoca, o maior problema da burocracia kafkiana erguida em torno da avaliação é a falta de tempo para aquilo que deveria ser o mais importante sempre que os professores de uma turma se reúnem: conversar sobre os seus alunos – as suas dificuldades, mas também as suas realizações -, as estratégias de aprendizagem que melhor resultam e a articulação do trabalho a desenvolver. Focado nos papéis a preencher e nos registos que constarão da acta, escasseia quase sempre o tempo para dialogar, reflectir e decidir sobre o que é realmente importante.

Recuperação do tempo de serviço novamente rejeitada

Os cerca de seis anos e meio de tempo de serviço não recuperado pelos professores voltaram esta semana à discussão pública. O pretexto foi a apreciação parlamentar de uma petição nesse sentido, à qual se juntaram dois projectos de lei do PCP e do BE com idêntico objectivo.

As expectativas de aprovação eram, claro, muito reduzidas. Embora só o PS assuma, coerentemente, que considera o assunto encerrado, nos partidos politicamente à direita a causa dos professores também não colhe simpatias. E foi assim que o CDS deu uma mãozinha ao PS na rejeição das duas propostas de lei, enquanto o PSD, votando favoravelmente uma delas, permitiu umas quantas ausências estratégicas de deputados, de forma a inviabilizar a aprovação.

Contra as aspirações dos professores, o arco da governação continua vivo e a mostrar a sua força sempre que é preciso…

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

A Avaliação da Semana fica suspensa durante a pausa natalícia. Despeço-me dos leitores do ComRegras desejando boas festas e excelentes entradas em 2020!

1 COMENTÁRIO

  1. Pois é. Foi graças a esse comportamento que o PSD perdeu as eleições, o CDS ficou esmirrado e o PS não ganhou a maioria absoluta.
    Não há recuperação do tempo roubado e aumentam 0,3%, que vai ser comido nos impostos? Muito bem. O meu trabalho em 2020 vai refletir isso mesmo: não porei os pés nas reuniões suplementares, não mexerei uma palha nos projetos da treta; testes só com cruzinhas;e passar a eito uma geração de ignorantes. Sigamos para bingo!

    Boas festas a todos!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here