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Avaliação da Semana | A luta contra o amianto e a violência escolar

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Persiste a luta contra o amianto

Há muitos anos que se reconhecem os efeitos cancerígenos do amianto e a necessidade de inventariar a sua presença nas escolas portuguesas, visando, naturalmente, a sua remoção. Dando prioridade às estruturas mais perigosas, que são as que apresentam sinais de degradação. No entanto, este é um dossier que sucessivos governos vão passando entre si. Adiar e pouco ou nada resolver continua a ser a política de governantes pouco preocupados com a saúde e a segurança dos utentes das escolas.

Quando o STOP trouxe o problema para a ordem do dia, convidando as escolas a desencadear greves, manifestações e outras formas de luta exigindo a remoção do amianto, poucos acreditaram que a luta tivesse pés para andar. Mas a verdade é que ela teve expressão em diversas escolas, incentivando outros a juntar-se à luta. Foi o caso da Fenprof, veio agora exigir esclarecimentos urgentes ao governo nesta matéria e anunciou um conjunto de medidas que poderão culminar em processos ao Estado português e queixa junto da Comissão Europeia. Só com uma pressão forte e continuada será possível forçar o governo a agir. Pelo que é de esperar que uma luta que é de todos possa envolver toda a gente: pessoal docente e não docente, alunos, famílias, comunidades locais…

Violência escolar soma e segue

Numa semana em que a agenda educativa não trouxe novidades, a violência escolar continuou, para o mal e para o bem, na primeira linha da actualidade. Mantendo-se por isso a nota negativa para os responsáveis da Educação. De facto, a divulgação de sucessivos casos de agressões, quase sempre ocorridas entre alunos mas também, e cada vez mais, de alunos e encarregados de educação contra professores, mostra que se trata de um problema longe de resolução. A pretensa diminuição de ocorrências, que tem sido usada para desvalorizar o assunto, esconde afinal uma realidade preocupante: muitas vítimas, não acreditando que lhes seja feita justiça, não apresentam queixa, evitando expor-se a uma segunda humilhação e a eventuais represálias. E a impunidade dos agressores encoraja a cultura da violência e a expressão da lei do mais forte nas salas de aula e nos recreios escolares.

Importa assim denunciar e a dar visibilidade aos casos que continuam a ocorrer com regularidade. Sem ceder à tentação de o circunscrever a determinadas escolas ou áreas geográficas ou estigmatizar certas etnias ou grupos sociais. Mas também sem escamotear a realidade nem cair na tentação de desculpabilizar ou normalizar as agressões. Estudar e trabalhar em ambientes escolares seguros e pacíficos é um direito de todos os estudantes e profissionais da educação. Depois de anos a inventar “desafios” para o século XXI que, entre nós, ninguém lhe encomendou, seria bom que o poder político se mostrasse capaz de assumir o que deveriam ser as verdadeiras prioridades da política educativa.

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa

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