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Aulas Expositivas | Mito ou Verdade?

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Tem sido arma de arremesso de tudo o que fala sobre educação e de tudo o que pensa que sabe sobre educação. As “horríveis” aulas expositivas são um pesadelo nas escolas e até dá a sensação que os professores falam falam falam, e os alunos dormem dormem dormem.

Tretas!

Esta ideia que os professores só dão aulas expositivas tem de acabar, anda por aí muito boa gente que pensa que sempre que um professor fala é uma aula expositiva.

Mas vamos por partes.

Primeiro, qualquer conteúdo prático precisa de uma introdução teórica, mesmo que ao de leve, é a mesma coisa que eu colocar os meus alunos a jogar Andebol e não lhes explicar as principais regras.

Segundo, os professores e as escolas estão claramente sensibilizados para a falta de motivação dos alunos e fazem de tudo, acreditem que é mesmo de tudo, para evitar que a aula seja uma seca.

Terceiro, uma aula expositiva não tem de ser obrigatoriamente má, um professor com uma boa capacidade retórica é capaz de cativar a plateia apenas e só com o seu discurso. Há aulas que podem ser práticas e que podem ser bem piores que uma aula expositiva.

Quarto, nem tanto ao mar, nem tanto à terra, os professores, ou pelo menos a maioria deles, tem a capacidade de se adaptar às suas turmas, não são tábuas de ferro, inflexíveis, ajustam-se, adaptam-se, até por uma questão de “sobrevivência”. Quantas vezes a estratégia utilizada para a aula das 8h30, é esquecida para a aula das 10h30. Quem anda no terreno sabe o que tem de fazer e o que precisa de fazer, não somos uma cambada de acéfalos.

Quinto, esta ideia que os alunos têm de ser constantemente motivados também não é bem assim… Os meninos e meninas, os pais e as mães, também têm de fazer o seu papel e criar condições para a assimilação de conteúdos. A geração mais preguiçosa de sempre, a geração com tudo à sua disposição, também tem de fazer pela vida e ir para a aula sem ficar a pensar nos chats digitais e afins. A escola é uma seca, sim, principalmente se a postura for que tudo o que implica esforço é para abolir.

Há dias vi a notícia de um menino que tinha feito cerca de 5 quilómetros para ir para a escola, tendo chegado com o cabelo todo congelado pois a temperatura era de -8 graus. Quantos alunos em Portugal estariam dispostos a fazer este sacrifício para ir aprender?

Caros professores, pais e alunos, o problema não são as aulas expositivas, o problema está na repetição de uma estratégia que não funciona, independentemente de qual seja. É verdade que há professores que cometem esse erro, é verdade que há professores que foram formatados para ensinar dessa maneira, é verdade que há professores que julgam que são apenas os alunos que têm que se adaptar, mas também é verdade que está a decorrer uma efetiva mudança na escola e os professores têm feito um esforço para se atualizarem, adaptarem e ir ao encontro dos interesses e motivações dos seus alunos, apesar de todas adversidades.

Não é justa a crítica feita, é uma crítica fácil, mas muitas vezes sem fundamento.

Sim, defendo a abertura a diferentes formas de avaliação, a abertura a diferentes metodologias de ensino também, mas é preciso dar condições e tempo para os professores continuarem este processo e verificar se estas metodologias ditas modernas, não colocam em causa a aprendizagem efetiva do aluno.

É preciso dar tempo mas acima de tudo é preciso dar estabilidade…

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8 COMENTÁRIOS

  1. …com o mal dos outros posso eu bem, o caso é que os alunos querem é passar um bom bocado na escola, ou isso ou nada! o professor que consegue entrar no esquema deles (serviços mínimos, como numa greve) é o maior, um “must”! aquele que for do NÃO é censurado e escorraçado em pouco tempo do convívio da sala de professores como um “cani”!

  2. a ironia é que vários debates, palestras, colóquios, etc, muitas vezes noticiados com pompa nas noticias (ou programas de televisão), são em formato expositivo e mesmo assim são cobertos de rasgados elogios…

  3. …mito…é deixar os alunos desinteressados brincar ao telemóvel, por baixo da mesa, ou pô-los a fazer desenhos por tudo e por nada… para o tempo passar, lentamente até ao toque da sineta!

  4. As melhores aulas que tivemos, que não esquecemos, que amiúde nos iluminam a consciência com lembranças, são para nós exatamente aquelas aulas expositivas dadas por grandes mestres que ouvimos com atenção tão motivada, concentrada, admirada que fazia com que tudo à volta deixasse pura e simplesmente de existir para ficar apenas aquele percurso retórico isolado a estourar de beleza e a sensação de cabeça quente. O esforço para acompanhar tudo para não perder um gesto, um índice numa variável ou mais que um segundo para dar apoio a um colega do lado que haja perdido por exemplo: a pausa no discurso, … deixava-nos inchados da nossa proeza e de orelhas quentes e vermelhas comentava-se com o colega à saída da porta: Que professor!… É verdade também me assaltam lembranças de momentos de esforço individual e das conquistas a sós que perduram há mais de 50 anos…
    …. Pais, precisamos de alunos mais educados e com mais atenção ao outro.

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