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Assistir, por mero acaso, a uma miúda a ser atropelada por um automóvel. Horrível! Mas…

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esmurrado

Ao fim do dia deste Verão – em que as notícias são todos iguais e de Fogo – estava à espera da m/ mulher, não só pela boleia, como para lancharmos qualquer coisa e tomar um café. Estava relativamente perto de uma paragem do autocarro com um pequeno jardim só com erva – daqueles próprios para os donos levarem os cães a fazer cocó – e de repente ouço uma série de gente a gritar.

Viro-me e vejo uma criança a ser arrastada na frente de um automóvel. Já tinha visto com um cão e até com um gato e não é agradável, mas não são Pessoas, ali era uma criança.

Tudo parou, e fica sempre aquele segundo que parece que de facto “tudo acabou”. Quando cheguei junto da criança pelos 7 anos, já estava na relva, a mãe a aproximar-se a medo e aos berros, a senhora que conduzia o automóvel dentro, junto ao volante sem conseguir reagir.

A miúda completamente assarapantada, mas não parecia ter nada de grave. Entretanto tudo que são curiosos –se calhar também pareci, mas nunca com essa intenção – a dar palpites.

Desde o motorista do autocarro, que estava parado na paragem a fazer tempo para abrir a porta, e a criança passou a correr fora da passadeira para o autocarro “apanhar” e foi atropelada.

O motorista dizia que estava a ver, e já estava à espera que tal visse a acontecer, as crianças são assim, e repetia, repetia. A miúda tinha os pés esmocados mas nada parecia de grave, uma dor num ombro.

Entretanto a condutora do automóvel, conseguiu ganhar coragem para sair do automóvel, aproximar-se a dizer que tinha seguro tudo em ordem, tinha filhos, também, e aquilo não podia ter acontecido. Acalmei-a, dizendo que acontece, a todos que andamos na rua, pedi-lhe para ir buscar os documentos, seus e do automóvel. E entrementes ninguém decidia, mas todos davam palpites, e não parecia razão de INEM, mas a criança devia ser vista por um profissional de saúde, já.

Estávamos nisto, aparece uma senhora que desata aos berros a dizer que “ela “ sabia o que fazer: Chamar o INEM, ponto. Disse-lhe que talvez não fosse razão de “incomodar o INEM, que terá problemas mais graves, seria mais susto para a criança e para a mãe, mas teria que a criança ser vista por um médico, já.

Mandou-me aos berros calar, e calar toda a gente. Perguntei-lhe se era médica ou enfermeira disse que não. Então pedi-lhe para estar sossegada e calada, mandou-me dar uma volta o que fiz.

E neste momento chegou a m/ mulher de automóvel, e vou-me a aproximar quando desata tudo ao berros mas graves junto à criança, olho e vejo a condutora a mandar aos berros afastar a tal senhora que sabia tudo e esta não o fazia.

Pedi à minha mulher para procurar estacionar, voltei, perguntei à condutora se queria ajuda, disse que sim, a mãe da criança só chorava. Mandei calar a tal senhora e se possível afastar-se, o que várias pessoas presentes ajudarem a efectivar, pedi ao condutor do autocarro para não dizer pela milésima vez que estava “à espera “que aquilo acontecesse.

Perguntei à miúda, que no meio daquilo era quem estava mais calma, se tinha dores, se estava bem, se tinha vómitos, se lhe doía alguma parte do corpo em especial. Só os pés um pouco esmocados, uma pequena, ligeira dor no ombro e queria uma das sandálias que estava ao lado do automóvel, que fui buscar.

A condutora sugeriu irem a um Centro de Saúde ali relativamente próximo, e a mãe da criança conseguiu dizer, que era o seu. Disse que deviam ir, e a condutora pediu-me nome e telemóvel caso precisasse de apoio, o que lhe dei de imediato.

Ajudei mãe e filha – que foi pelo seu pé, muito bem – a entrarem assento de trás do automóvel e foram para o Centro de Saúde.

Não houve nenhum telefonema, logo boas noticias. Entretanto a minha mulher estava já à minha espera. Claro que fiquei abalado, claro que fiquei com a imagem da miúda embrulhada no chão na frente do automóvel.

Custou-me comer ao lanche, foi mais fácil o café e a água que bebi. Chegámos a casa e tinha a imagem presente da miúda já na relva, e a mãe agarrada a ela a chorar, chorar.

Custou-me a adormecer, mas deve ter ficado tudo bem. No domingo tendo estado com os nossos netos, o de três anos atravessou uma rua quando lhe dei um berro para não o fazer, sem olhar não passou nessa ocasião, nenhum automóvel…

Quando mãe, filha e condutora seguiram para o Centro de Saúde, disse-lhes que ia correr tudo bem, à condutora se precisasse ligasse e à mãe para depois ralhar com a filha, por ter atravessado fora da passadeira e sem olhar…

Não sei se “isto” vale, custa muito, ………….talvez…melhor, talvez,  que ser indiferente, talvez…..

Augusto Küttner de Magalhães

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1 COMENTÁRIO

  1. Devemos,portanto,manter a calma!Que faz o professor durante toda a sua carreira?Quanto pior viveria se não tivesse calma para fazer e desfazer malas,conhecer cada vez mais colegas,escolas,gentes,manias diversas de diversos directores(reitores)e tantas coisas mais…

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