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As “Tricas” Das Salas Dos Professores

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A capacidade do ser humano para desconfiar, denegrir, minar ou simplesmente boicotar o trabalho do outro é algo que ainda hoje me surpreende. Nas escolas existem seres humanos tal como em qualquer outro espaço e um ser humano é um ser humano, não é sua profissão que altera a “pureza” do seu estado de espírito.

Ontem, hoje e provavelmente amanhã, constato a energia que é gasta em coisas que apenas são importantes para quem não se preocupa com algo realmente importante.

As escolas, as salas dos professores, dentro das suas inúmeras virtudes têm também um lado perverso e mais negro. As “tricas” como lhes costumo chamar, brotam a uma velocidade proporcional ao “complicómetro” dos seres humanos que lá coabitam.

A necessidade de parecer bem, de mostrar-se superior, de caminhar debaixo dos holofotes, ou simplesmente as pequenas invejas e coscuvilhices, cegam os princípios básicos da partilha e respeito pelo trabalho de terceiros.

Surgem depois as mágoas, as frustrações, as pequenas revoltas que vão “cozinhando” ao longo dos anos, temperadas com sal e pimenta, picardia atrás de picardia.

Há professores que carregam muita bagagem, não só pessoal, mas também profissional. Infelizmente a bagagem é tanta que já nem os deixa ver para que lado vão, a única coisa que veem é a sua bagagem. Ficam assim estáticos, encravados na sua rudeza e malvadez, imunes aos que lhes querem dar a mão para libertar alguma dessa bagagem tão, mas tão pesada.

A escola é uma pequena sociedade e quanto mais pequena mais visível é a bagagem de cada um…

Talvez por isso gosto cada vez mais da ingenuidade, apesar de muitos desprezarem a dita para a secção dos defeitos. Se todos nós fossemos um pouco mais ingénuos, mais simples, mais “humanos”, menos “corninhos” teríamos e seguramente éramos muito, mas muito mais felizes.

O acreditar nas pessoas, na pureza das pessoas, nas suas boas intenções, é um primeiro passo para afastar tanta, mas tanta, amargura e frustração que habita em muitos de nós e que salta à vista em tanta sala dos professores…

E há quem insista em usar o termo colega… Será que realmente o somos???

Alexandre Henriques

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