Início Rubricas As propostas do Arlindo: comentários e contrapropostas

As propostas do Arlindo: comentários e contrapropostas

1006
7

Estive à espera do conjunto de propostas para as poder comentar e ter uma visão holística. Antes de mais, obrigado por proporcionares este debate, Arlindo. Relembro que desempenho funções de coordenador de departamento, para justificar as minhas propostas alternativas em face da minha experiência.

Começo pela última, sobre a gestão, em que os professores elegem os coordenadores de departamento e estes o diretor, que acho uma via possível. Outra via é os professores elegerem os coordenadores de departamento e o diretor ser eleito no Conselho Geral, mas com legitimidades próprias e independentes. Eu prefiro a eleição direta quer de coordenadores quer do diretivo (colegial). O importante é haver eleições e concordo com a independência entre direção e coordenadores de departamento. Também acho que o presidente do CP deve ser eleito entre os coordenadores de departamento.

Depois a carreira docente teria segundo a proposta 5 escalões entre os índices 200 e 300, portanto havendo uma redução entre o início e topo da carreira de 2,2 para 1,5. Esta proposta é favorável aos professores em início de carreira e desfavorável aos do fim da carreira. A valorização das funções de direção com índices à parte não me parece feliz porque desvaloriza a função essencial do professor que é ensinar, além de valorizar a gestão. Rejeito-a pois não me escandaliza haver um diretor a ganhar o mesmo que um excelente professor na sua relação com os alunos. Além disso, ignora que muitos professores passam uma dezena de anos na pré-carreira. Depois a carreira seria de 40 anos quando por volta dos 30 se deveria atingir o topo. Portanto, os escalões deveriam ser de 5 anos no máximo. Haveria um índice de 180 para a pré carreira, em que o docente faria o período probatório. Depois os escalões seriam de 5 anos, entre os 200 e os 370 para todos. Contudo, aceito que os coordenadores de departamento e elementos da direção, receberiam pelos 340 enquanto estivessem em funções, se não tivessem atingido esse nível, com o presidente do diretivo nos 370.

Quanto à avaliação, a ideia principal é não se centrar no relatório de autoavaliação, pelo que a elaboração de um trabalho defendido perante um júri parece-me aceitável.

Concluindo, corrijo algumas das propostas do Arlindo, realçando a necessidade de democracia direta nas escolas, extensível aos alunos do secundário, que é uma forma de se combatera abstenção nas eleições que se realizam no país. A segunda ideia forte é discordar que a gestão é mais importante do que ser bom professor, que indiretamente está implícita na proposta do Arlindo.

Rui Ferreira


Estrutura da Carreira – Primeiro Artigo

A Redução da Componente Letiva no Ensaio de um Novo ECD

A Transição Entre Carreiras

A Carreira Docente Funcional

O Princípio de Uma Avaliação Formativa ao Longo da Carreira

O Modelo de Gestão

COMPARTILHE

7 COMENTÁRIOS

  1. Gostei deste texto _ concordo com ele.
    Lamento que sejam os professores, como é o caso do Arlindo, a não valorizar devidamente a difícil e nobre profissão docente.

  2. Fica-se a pensar na “bondade” de um blogue. Nem é contra a publicidade. Presta-se um serviço e ganha-se com isso. Até aí… não me choca.
    Agora, a defesa de interesses muito pessoais contra os milhares de colegas… Propostas de castas e de intocáveis.
    O poder causa mesmo danos!
    Os sindicatos usam, manipulam, malevolamente os seus associados e toda uma classe. Os seus dirigentes não largam o poder. Os Directores andam a fazer o mesmo. Há histórias de terror por esse país fora.
    E depois andam aí a falar de inclusão e de cidadania. Para consumo alheio, claro.
    Tenho saudades do tempo anterior a MLR. Éramos todos ” suficientes”, apesar de muitos serem muito bons.
    E a escola era democrática. Quem começava a ter tiques de poder tinha vida curta.
    Era uma escola feliz e tinha muita qualidade pedagógica e científica. E erros, claro.
    Ficaram os erros.

  3. “Nao vas sapateiro para alem da tua chinela” prov.pop. Só saude a coragem de intervencao em materias muito complexas que ecigem trabalho de equipas multidisciplinares, assim parece uma brincadeira de crianças. MAS saudacao especial pelo discernimento de CRegras ( as vezes SRegras) … “elaboração de um trabalho defendido perante um júri parece-me aceitável.

    Concluindo, corrijo algumas das propostas do Arlindo, realçando a necessidade de democracia direta nas escolas, extensível aos alunos do secundário, que é uma forma de se combatera abstenção nas eleições que se realizam no país. A segunda ideia forte é discordar que a gestão é mais importante do que ser bom professor, que indiretamente está implícita na proposta do Arlindo.”

    • Não posso deixar passar…

      ComRegras quando o pensamento está alinhado com o seu, SemRegras quando não está? Curiosa abordagem…

      O que eu mais gosto do ComRegras é o facto de ser tão plural, imprevisível e não pretender agradar à ideologia “A” ou “B”. É um espaço de debate, informação e partilha.

  4. Defender um trabalho perante um júri!!!
    Tipo tese de mestrado ou doutoramento? Não?!

    Lá estão alguns a dar uma de pseudo intelectuais…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here