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As pessoas já nem querem ser simpáticas!

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simpaticoOs sociólogos, se bem acharem podem procurar razoes para a “não simpatia vigente e cada vez mais crescente no nosso País.

Nota-se que anda tudo “mal-humorado” e é perceptível em qualquer local, até pelas caras de “enervamento” de todos e todas.

Se na fila do supermercado, quando esperamos para ser atendidos repararmos no semblante deles e delas, nas restantes filas, é de não simpatia crescente e claramente declarada.

Acrescendo haver quase uma vontade em que algo aconteça para se gerar um conflito, uma discussão, uma troca de insultos, o que parece “aliviar” a tensão e ajudar a ser-se ainda menos simpático.

Deixou de ser “moda” ser simpático. Está instituído, ainda não escrito que se tem que ser antipático. E neste âmbito elas estão-nos bem/mal à nossa frente, como em muitas outras “coisas”. Umas bem e outras assim-assim!

Parece haver sempre vontade de agressão, de todos e todas, no mínimo verbal. Parece que se sai de casa com vontade de nunca, mas nunca ser simpático. Começa logo no trânsito, onde vale tudo, e ainda não chegamos ao “arrancar olhos”, mas já esteve mais longe.

Cada um descarrega a sua antipatia ou não-simpatia, ali, na condução, no não respeito pelo peão que vai na passadeira, que maçada deixá-lo passar e ai por ai até por vezes “bater”, no automóvel da frente, ou no do lado.

Depois, no café da manhã, se for possível fazer tudo por passar ostensivamente a frente do lorpa do lado, está feito – mesmo que não se tenha pressa – e mais uma vitória da não simpatia. E tudo o que vai sendo o quotidiano de cada um, tem uma conotação intensa de não simpatia, de não sorriso, de incómodo.

E pode-se procurar a motivo ou motivos, mas não “chega” dado que por muitas razões que tenhamos, temo-las dada que se vive um “tempo no mínimo estranho”, em que se aposta num “dia de cada vez” por não se ter grandes esperanças no dia de amanhã.

Mas por outro lado, quer-se todo o máximo do bem-estar hoje, mesmo que muito supérfluo para o “eu”.

E essa procura exaustiva do “meu” bem-estar, de qualquer jeito, destrói os trechos da conquista desse mesmo bem-estar, possa ser qual deva ou queiramos que seja.

E como tem que ser o fim único o bem-estar “imediato”, não interessando como lá se chega, atropela-se tudo e todos que estejam no nosso caminho, no caminho do “eu”.

E ao alcançar o tão almejado – mas demasiado rápido – bem-estar, fica-se a achar que foi muito pouco, não soube a nada. E mais odioso se fica!

Logo, tem que se partir em busca de outro bem-estar. Um dia de cada vez!

E tem que ser já, rápido, e depois outro falhanço foi atingido, sem dar gozo fazer. Nem suplantar obstáculos. Nada, foi demasiado vazio, nem deu para ser bem, em estar. Nada.

E então fica a não simpatia a vontade explícita de ser-se antipático, antipática. Como forma de evitar mostrar fraquezas, mostrar-se humana, humano, Pessoa.

Demonstrando uma aparência de força acima dos outros, outras, mesmo que seja uma total frustração. E não se quer ser simpátrica/simpático, e vai-se sendo cada vez mais antipático/antipática.

E é grave, e não nos vai correr bem.

Augusto Küttner de Magalhães

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