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“ Aprender a ler e a escrever em Portugal”

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Este não é proprimente um texto de opinião. É um texto sobre factos. Factos e números daqueles que intuitivamente conhecemos bem no âmbito das dificuldades de aprendizagem da leitura e escrita.

 

Um estudo realizado em 2013/2014 apresentado recentemente (Maio de 2017) veio identificar, entre outros aspetos, quais as principais dificuldades sentidas pelos alunos portugueses; quais as estratégias utilizadas para colmatar essas dificuldades entre outros.

Consulta relatório: http://www.forumdaspoliticaspublicas.pt/pdf/ale_resultados.pdf

Para este estudo “foram identificadas 541 com níveis de repetência superiores à média nacional, em todos os anos de escolaridade, e com nível de retenção no 2.º ano superior a 1/3, que foram classificadas como “escolas do insucesso”. Foram visitadas 127 selecionadas de entre as 541 escolas de insucesso e, portanto, representativas apenas deste universo.”

 

Num breve resumo dos dados apresentados podemos reter o seguinte:

– Entre 10% a 11% dos alunos chumbam no 2ºano de escolaridade.

– As principais dificuldades apontadas prendem-se com a aprendizagem da leitura e escrita (44%). Este fenómeno tem persistido mesmo com as políticas educativas implementadas sendo Portugal o 2º pior país da Europa.

– As principais razões apontadas para as dificuldades de leitura prendem-se com a imaturidade dos alunos (18% dos professores)

– Quando questionados sobre as estratégias utilizadas quando o método não funciona, 27% dos professores refere a diversificação de estratégias; 7% refere a diferenciação pedagógica através de materiais diversificados e apenas 4% o apoio individualizado.

– Quando questionados pelas razões para não conseguir eliminar estas dificuldades, 23% dos professores referem o contexto familiar; 5% falta de acompanhamento familiar e 3% apoios da escola insuficientes.

– 80% dos professores inquiridos acha que não é possível eliminar as dificuldades de aprendizagem devido ao contexto familiar e por isso a solução que se oferece é “transitar sem saber”

87% dos professores considera que a repelência traz vantagens.

 

De salientar ainda a seguinte conclusão:

“Pode concluir-se que o problema do insucesso no segundo ano de escolaridade assume proporções mais dramáticas em escolas do interior do país e da periferia da cidade de Lisboa. Não está disseminado por todo o território. Ele é tributário de desigualdades territoriais que as escolas não conseguem contrariar. São escolas expostas e vulneráveis às desigualdades dos contextos territorial e social em que se inserem.”

 

Numa breve análise a estes dados apresentados não considero que sejam dados surpreendentes. No meu contacto diário com a escola e outros professores e colegas é possível verificar os dados acima descritos. A solução de transitar ou não transitar ainda não traz consensos por ser algo que deve ser encarado de uma forma muito particular e nunca como medida padrão.

A verdade é que não podemos ficar na “esperoterapia”, nem podemos exterminar famílias. A família não pode ser sempre desculpa. As distâncias têm de ser encurtadas e, no meu entender, a única forma de se poder contornar esta situação continua a ser (frases repetidas vezes sem conta, mas verdadeiras) dar mais recursos às escolas; não escravizar crianças com um currículo único e apoio para a formação dos professores.

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