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Alunos querem aulas mais interativas e mais curtas para aprender melhor

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As críticas dos nossos alunos são sempre bem-vindas quando construtivas. Muito do que os alunos disseram eu até subscrevo na teoria, mas depois constato que na prática, os alunos também têm de assumir as suas responsabilidades. Cansado estou do jogo do empurra, onde os outros é que têm culpa pelos problemas da Educação, mostrando uma falta de humildade e incapacidade de se olharem ao espelho. E aqui não excluo ninguém, pais, professores, alunos, funcionários e naturalmente o Ministério da Educação.

Se queremos mudar, precisamos de começar por algum lado e é sempre mais fácil argumentar quando não temos telhados de vidro…

Aulas mais práticas e interactivas, mas também mais curtas e intervalos mais longos que permitam conviver com os colegas, são recomendações de centenas de alunos para uma escola “onde dá vontade de estar e aprender mais”.

Esta a opinião de muitos dos 2643 alunos de 50 escolas, de norte a sul do país, que foram convidados há um ano a pensar no que está bem e no que pode ser melhorado para que as escolas funcionem melhor. Os alunos passam a maior parte do dia na escola e muitos querem vê-la como uma segunda casa, com funcionários que os ajudam e professores com quem mantêm uma boa relação.

As sugestões dos estudantes, do 7.º ao 12.º ano, foram nesta segunda-feira apresentadas publicamente em Lisboa, numa cerimónia que contou com a presença do secretário de Estado da Educação, João Costa, que garantiu que as ideias dos alunos “têm sido muito importantes” para o trabalho feito no ministério.

As opiniões dos estudantes sintetizam-se em 11 grandes recomendações e João Costa começou por sublinhar a ideia que mais o surpreendeu: os jovens consideram que é essencial para as suas aprendizagens “sentirem-se acolhidos na escola”.

Os alunos acreditam que os professores fazem a diferença, principalmente quando ensinam, mas também quando criam uma boa relação com a sua turma, não existindo uma relação de superioridade.

“Os professores conseguem dar-nos vontade, ou não, de estar numa sala de aula e aprender aquela matéria”, lê-se no livro Prós da Educação Inspiram, divulgado nesta segunda e  que resume as posições dos estudantes.

Os alunos dizem que aprendem mais quando as aulas são mais curtas e dinâmicas e as matérias são dadas num ambiente divertido e relaxado.

“A sala de aula não pode ser um silenciador”, alertou João Costa, criticando as aulas expositivas, em que não há troca de opiniões.

No entanto, o secretário de Estado sublinhou que a maioria das escolas faz um trabalho incrível, apesar de reconhecer que ainda existem algumas onde “às vezes parece que é mais importante ter o aluno adormecido do que acordado”, lamentou.

Mas o que é que ajuda a ter vontade de ir para a escola? Especialistas dizem que é conhecer melhor os colegas, o que é possível quando trabalham juntos na sala de aula, mas também através de actividades entre turmas e outros convívios.

Aulas de 90 minutos suscitam queixas

“Ter amigos na escola é saber que há alguém à minha espera”, lê-se no livro, que refere que os “amigos” foi um tema abordado nas 50 escolas.

Também nas 50 escolas os alunos se queixaram das aulas de 90 minutos, reconhecendo que não é possível estar concentrado durante tanto tempo, defendendo que deveriam ter a duração máxima de uma hora.

Em sentido contrário, os intervalos deveriam ser maiores, para que pudessem conviver, descansar e recarregar baterias, caso contrário, com pausas demasiado curtas, “os alunos vão para as aulas e acham que ainda estão no intervalo”.

Escolas onde se pode fazer desporto ou teatro, assim como intercâmbios, festas ou voluntariado também seriam espaços mais interessantes, até porque seria uma oportunidade para descobrir outros talentos e conhecer novos colegas.

Os alunos não se esqueceram da importância dos funcionários, sublinhando que é essencial ser recebido de manhã com um sorriso e saber que existe sempre alguém a quem podem recorrer: “Sem funcionários, a escola fecha.”

Uma escola onde se sintam confortáveis, cantinas com refeições variadas, alterar o peso dos testes na avaliação, que devia passar a ter mais em conta o trabalho realizado na sala de aula e mais liberdade na escolha das matérias que se aprendem são outras das propostas dos estudantes.

João Costa lembrou que muitas das ideias dos alunos já eram defendidas por especialistas, como os métodos activos na sala de aula ou a maior liberdade dada às escolas, que já está em curso através do programa de flexibilidade curricular.

Fonte: Lusa via Público

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6 COMENTÁRIOS

  1. …os profissionais atuais nunca vão conseguir isso, pelo menos atá ao secundário. a não ser que se inventem turmas pequenas ou super professores daqueles “que nunca se cansam!”

  2. Os nossos alunos já ficarão felizes com professores… semanas e meses matemática sem aulas, português sem aulas, francês sem aulas, educação física sem aulas…. e isso só nas turmas dos nossos filhos.

  3. É uma vergonha que aquilo que os alunos do meu agrupamento (e acredito que de outros agrupamentos também) mais referiram como importante para melhorar o seu desempenho e aumentar o sucesso – reduzir o número de alunos por turma, reduzir a carga horária semanal e reduzir os conteúdos programáticos – não tenha sequer sido referido! Obviamente que estas reivindicações dos alunos – legítimas e necessárias – não interessam minimamente ao ME, porque implicariam aumento da despesa. Portanto, levem lá com o que (nos) interessa: professores mais competentes e disponíveis, aulas mais ativas/interativas/dinâmicas, melhor relação pedagógica, melhores infraestruturas… e maiores intervalos, mais festas, mais brincadeiras…

  4. Há um pequeno, mas significativo, detalhe a referir: aponta-se a opinião dos alunos, menciona-se a dos especialistas… E para quando os pontos de vista dos professores?

  5. “Aulas mais práticas e interactivas” (em que o professor é um boneco que está ali, que ninguém ouve e esperam que a aula acabe logo), “mas também mais curtas e intervalos mais longos que permitam conviver com os colegas”(bullying, violência no namoro, destruição de material escolar, insultos aos funcionários, evasão da escola, esvaziar o bar dos alunos, só para que conste as mais vulgares…)

    “Esta a opinião de muitos dos 2643 alunos de 50 escolas, de norte a sul do país, que foram convidados há um ano a pensar no que está bem e no que pode ser melhorado para que as escolas funcionem melhor” (como prisão e centro de reeducação de delinquentes). “Os alunos passam a maior parte do dia na escola e muitos querem vê-la como uma segunda casa, com funcionários que os ajudam” (a limpar o lixo que fazem propositadamente) e professores com quem mantêm uma boa relação” (de provocação e até de desprezo), que o almoço já foste e o bar já não tem nada, vamos apanhar o autocarro ao fim do dia de escola que estou cansado de não fazer nada!

  6. Tudo isto existe, tudo isto é triste, muito triste… tudo isto é fado!
    ” A sala de aula não pode ser um silenciador”. Claro que não! Deve ser uma anarquia completa, com os alunos a dominarem o processo, muita conversa, aprendizagens nulas, e muito intervalo para carregar a bateria… Essa ideia de que na escola tudo é lúdico, agradável, que não custa, é ridícula e vai ser paga por um preço muito alto!
    Se eu acho que jovens, digo jovens com alguma maturidade, devem ser ouvidos? Sem dúvida! Ma não devevem ser adolescentes a riscar currículos, estão a brincar comigo? Eu também já fui adolescente e, como adolescente, tive os meus interesses próprios da idade. Eram os mais adequados à minha vida futura? Claro que não!
    As ideias de estar tudo ao alto já eram defendidas por especialistas… E que especialistas os da Flexibilidade Curricular… ! Basta ver certos vídeos que circulam por aí ”dos especialistas”, alguns até promovidos por editoras de livros, para ver o nível dos renomados especialistas: são verdadeiras história da carochicha para levar para o caminho do bem a ”madraçada” reacionárias dos professores… Não há paciência para tanto amadorismo!
    Às vezes penso que isto é um roteiro escrito por um especialista de auto-ajuda comedor de bagas goji… na secção livreira dos esoterismos.

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