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Alunos do Ensino Profissional com via verde para o Ensino Superior

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Para que é que serve o Ensino Profissional?

Numa opinião meramente pessoal, julgo que o Ensino Profissional é um “acelerador” para os jovens ingressarem no mercado de trabalho, dotando-os das “ferramentas” essenciais para desempenhar a sua função. Como “acelerador”, dispensa-se assim o Ensino Superior, destinado a profissões que implicam outro tipo de conhecimentos e mais anos de preparação.

Mas como os alunos podem mudar de ideias e até decidem mais tarde ingressar no Ensino Superior, o Ministério de Educação permitiu e bem a inclusão de uma disciplina do Ensino Regular, exatamente para facilitar a realização da prova específica de acesso ao Superior.

Hoje ficámos a saber, num exclusivo do jornal Público, que o Ministério de Educação prepara-se para facilitar a vida aos alunos dos Cursos Profissionais, retirando-lhes o exame que conta como prova de ingresso, da média de acesso ao Ensino Superior.

Eu já tinha escrito que o Ensino Profissional estava carregadinho de tiques facilitistas, seja por culpa dos professores com critérios de avaliação mais acessíveis, seja a legislação e os currículos que dificultam a reprovação do aluno.

Esta medida é apenas o confirmar de uma ideia que a prática me levou a constatar. A força que este e o anterior Governo fazem para atingir os 50% dos alunos pela via profissional, tem um objetivo não assumido, mas é cristalino para quem anda dentro do recinto escolar. O POCH (Programa Operacional de Capital Humano), vulgo, dinheiro das Europas… já injetou nos Cursos Profissionais 1394 mil milhões de euros. E enquanto para os alunos via Profissional o dinheiro aparece, para os restantes a resposta é sempre a mesma “não há dinheiro…”

Fonte: POCH

Como puderam constatar no gráfico acima, estamos a falar de muito dinheiro, dinheiro que dá muito jeito para um país que passou os últimos anos Troikado até ao tutano. É por este motivo que a burocracia dos Cursos Profissionais é o que é, Portugal para continuar a receber este mar de dinheiro, não pode alterar/adaptar o seu modelo.

Mais uma vez digo, Cursos Profissionais sim, mas não desta forma. Continuam a existir anjinhos vestidos com as asas de grandes defensores do Ensino Profissional, quando aquilo que estão realmente a defender, são os Euros da União Europeia…

Alexandre Henriques

Os exames nacionais vão deixar de contar para a média final do ensino secundário dos alunos dos cursos profissionais e do ensino artístico especializado. Segundo o Conselho das Escolas (CE), que é o órgão que representa os directores dos estabelecimentos de ensino, esta é uma das alterações ao modelo de avaliação dos estudantes que estão a ser preparadas pelo Ministério da Educação (ME).

Mas um projecto do Governo nesse sentido foi submetido a parecer do CE, que se pronunciou sobre ele na quinta-feira. O presidente do CE, José Eduardo Lemos, indicou ao PÚBLICO que nesta proposta se prevê que os alunos do ensino profissional e artístico passem a fazer só o exame que conta como prova de ingresso na faculdade que escolherem e que essa prova não contará para a média final do ensino secundário.

O CE não concorda. Considera que, com esta medida, “estarão criadas condições de manifesta desigualdade de oportunidades no acesso ao ensino superior”. Razão: na fórmula de cálculo para o acesso a uma universidade ou politécnico a média final do secundário tem um peso de 50%. E a contribuição dos exames para esta média é relevante.

Acesso ao ensino superior vai ser mais fácil para os alunos dos cursos profissionais

(Clara Viana – Público)

2 COMENTÁRIOS

  1. Que maravilha… Depois de um mundo idílico sem reprovações, que muitos articulistas aprovam… depois das pressões para que se transitem, ou aprovem, alunos que não sabem o bê·-á·-bá, o Ministério da Educação dá mais uma traulitada no Ensino Público. A mensagem é excelente para os alunos que se esfalfam a estudar: estudar ou não estudar; saber ou não saber é a mesma coisa…
    Estava escrito nos astros, ou melhor, numa célebre declaração política que profetizava , supostamente, que uma política da praça queria ser operada por um cirurgião feliz e não por um competente…
    No fundo Sócrates ressuscitado com uma forte dose de relativismo cultural ; uma uma velha linha de pensamento onde havemos de ser todos felizes e viver para todo o sempre; onde o conhecimento é uma coisa ”bué de datada” e é preciso criar uma nova geração de carneiros úteis, que colaborem muito e protestem pouco: trabalho de equipa. Eles estão aí e não ”deslargam” !

  2. é muito grave o que está a acontecer com o ensino profissional… está a minar o ensino e as escolas em Portugal. E ninguém parece querer importar-se.

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