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Ajudemo-nos a ajudar, ou não!

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Num tempo de forte “individualismos” e quase exagerados “egoísmos”, teremos que um dia – e convirá não ser muito tardio – parar um pouco para conseguir pensar, para onde todos individual e colectivamente, pretendemos “ir” e se o não estarmos a fazer, muito mal.

E ao ajudarmos “outros”  talvez consigamos ajudarmo-nos a “nós”, dando espaço e tendo espaço.

E “isto” deveria ser uma forma com conteúdo de vivermos a vida, e não, como o andamos todos a cada dia a fazer, sem solidariedade e com quase nenhuma tolerância.

E desde a família, e sem ter que ter laços demasiado extensos e muito menos excessivamente formais, não deve continuar a ser “algo” que todos e cada um, vamos destruindo, como se achássemos não valer ter a célula base das nossas vivências bem viva.

Profissionalmente estamos todos muito focados em receber mais, mais, seja dinheiro, sejam regalias e esquecemos implicitamente que também temos que “dar” pelo que fazemos e pelo pouco que seja que recebamos em dinheiro e não só. O âmago no ter direitos e esquecer deveres está por demasiado generalizado!

E se queremos não continuar a ajudar até – também – para ser ajudados, podemos estar certos que tudo nos vai correndo pior, do que hoje está.

Estamos todos e essencialmente cada um, muito focados no nosso “eu” e estamos totalmente marimbando-nos para o “tu”. E perdemos tempos excessivos com futilidades, que nos esvaziam mais do que já vamos esvaziados “estamos”.

E se de facto não houver vontade individual de fazer mais pelo colectivo, de estar bem, ajudando o outro a não estar mal, vamos criando mais fossos em todos os sentidos, sejam horizontais com as gerações que nos precedem, sejam até nas que nos seguem. E lateralmente deixamos alguns relacionamentos cair, quando muitos deveriam fazer parte do nosso dia-a-dia.

Estes individualismos exacerbados que a nós, ao “eu”, aumentam a cada dia que passa e fazemos de conta que não notamos que assim sejam, estão a dar cabo das tais palavras já atrás referidas, solidariedade e tolerância.

E estamos todos a desconstruir o pouco que ainda pode ajudar a ajudar-nos, a reorganizar um tempo melhor para todos e cada um, que não será só ter um melhor automóvel que o do vizinho, ou umas melhores férias, que as do amigo.

Cada um que pense se ainda o conseguir fazer, qual o percurso a não continuar a seguir. Ou não!

Augusto Küttner de Magalhães

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