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Ainda A Questão Da Gestão Escolar A Propósito Da Influência Dos Diretores Na Motivação Dos Professores

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O Alexandre Henriques fez aqui no Com Regras uma referência ao artigo do Público  de segunda feira 4/11 sobre a influência decisiva na motivação de professores em https://www.comregras.com/a-relacao-diretor-professor-e-tao-importante-como-a-relacao-professor-aluno/.

Quem me segue sabe que esta tem sido uma das bandeiras das minhas opiniões: a gestão escolar é um fator decisivo para a existência de práticas democráticas nas escolas. Tenho posto o acento tónico na necessidade da escola ter práticas democráticas como exemplo e como preparação para a vida adulta e também como forma de combater o absentismo eleitoral que tem vindo a crescer.

O estudo da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto aborda o estilo de liderança e sua influência na motivação dos professores e encontrou uma «correlação positiva entre a forma como são geridos os estabelecimentos de ensino e a relação que os docentes têm com a profissão, no sentido de os professores vestem mais a camisola se a liderança da escola for ética».

É dito também que «a liderança despótica está negativamente correlacionada com o compromisso dos docentes».

A diferença de abordagem deste estudo da minha análise centrada na necessidade de práticas democráticas leva a conclusões diferentes, os autores do estudo propõem condições de acesso ao cargo de diretor, enquanto a minha solução é o regresso à democracia direta e a eleição de um órgão colegial.

Contudo, acho importante a divulgação do dito estudo que é mais um alerta para as práticas despóticas que se têm vindo a generalizar-se nas escolas.

Tenho evitado referir-me a experiências pessoais, mas é oportuno neste contexto referir que há alguns anos escrevi uma carta aberta e na sequência da mesma tive um processo disciplinar, o que demonstra o clima antidemocrático de intimidação e tentativa de calar pensamentos alternativos e diversos. Este exemplo é demonstrativo de que nem sequer a alternativa é tolerada por certos diretores.

Depois temos aqueles casos mais comuns como castigar um professor ou professores com maus horários e com sobrecarga de trabalho em virtude de ousarem pensar de forma diferente. Para não falar em vaidades ou soberbas como o único carro a entrar no recinto escolar ser do diretor!

Concluindo, o artigo do Público levanta um tema pertinente, mas é tímido na solução, pois não basta impor condições de acesso ao cargo de diretor é preciso introduzir uma verdadeira democracia como forma de preparar os discentes para a prática democrática e de promover uma escola aberta ao debate que impeça práticas despóticas, como perseguir a opinião diversa. A democracia pode não impedir totalmente práticas despóticas mas cria sistemas de contrabalanço às mesmas que  as tornam a exceção e não a regra como tende a acontecer com o atual modelo. É aqui que acho insuficiente a conclusão do estudo, pois criar «condições de acesso ao cargo» parece-me muito pouco.

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1 COMENTÁRIO

  1. Ontem, como hoje, as lideranças foram determinantes, o que constitui uma evidência de que o cargo de diretor não foi um fator decisivo para a mudança.
    Assim, parece-me que o modelo de gestão anterior era melhor, permitia um maior envolvimento da comunidade, os presidentes lecionavam uma turma, havia rotatividade e o sistema era muito mais simplificado, o que permitia uma relação de proximidade maior.
    Por último, as regras eram muito mais claras e o experimentalismo não atingia os níveis de hoje, a pressão estatística não existia, as escolas eram mais dinâmicas porque havia maior liberdade criativa, para já não falar do envolvimento dos pais na educação dos filhos.

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