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Agora… pausa

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Mais uma série que se termina, a segunda. Foram, com este texto, 43 apontamentos de escrita. Falhei (faltei) em duas semanas. Uma por cansaço e ocupações, outra por dúvidas editoriais.

Direi que os temas que me servem de escrita são mais ou menos recorrentes em mim. A organização educativa e/ou escolar, o trabalho dos professores, a vida e a dinâmica dos quotidianos escolares. Por muito incrível que possa parecer a muitos são os temas que enquadram os comportamentos escolares, as relações em espaço de sala de aula ou na escola. É disso que dá conta a nuvem de palavras, feita com os títulos dos apontamentos que aqui deixei. São temas muito pouco consideradas no âmbito das regras disciplinares, da disciplina (vista quase sempre no âmbito funcionalista, hierárquico, de obediência).

Em todos os textos, em toda a minha escrita, em toda a minha ação educativa e escolar destaco um traço comum, um elo de união de momentos, situações, escritas ou pensamento. A valorização da autonomia das pessoas. Sejam elas quem forem, alunos, professores, pais/encarregados de educação, funcionários, auxiliares, técnicos, todos. Autonomia em todas as suas dimensões, pessoal, social, intelectual e, claro está, profissional. Viver a vida é assumir responsabilidades, sem as quais não há autonomia. Sem autonomia somos meros funcionários, peças de uma engrenagem que nos comanda.

Como tudo (ou quase) o balanço é feito de coisas boas e menos boas.

Começo pelas menos boas. Não faço ideia do público que atingi, quem a minha escrita alcança. Num blogue que se tornou uma referência incontornável no panorama nacional, que transbordou (e muito) da sua área inicial (educação e indisciplina) considero que não serei dos mais concorridos, que os meus textos não serão os mais visionados. Direi que faz parte, que cultivo essa dimensão mediante um assumido desalinhamento da corrente dominante. Não me assumo como contracorrente mas… considerem o que e como entenderem, não me coloco muito longe. Não sabendo eu quem alcanço, onde chego, tenho dois remédios. Por um lado estar-me nas tintas para esse conhecimento. Estou certo que se soubesse para quem escrevo que continuaria a escrever as mesmas coisas (ou quase). Em alternativa, sempre posso procurar saber quem me lê, seja pelo público passante seja mediante questionário. Mas não sou curioso. Fico-me pela assumida indiferença e pela relação que, apesar de distante e assumidamente virtual, sinto ter (do meu lado) com o Alexandre, impulsionador, editor e responsável do espaço. Enquanto ele entender (e eu me aguentar) cá disponho o meu pensamento sobre a educação e sobre a escola.

Do lado das coisas boas direi que, pelo menos de quando em vez, tenho um ou outro feedback da minha escrita. São, essencialmente, comentários fora da rede, de colegas que comentam o que escrevi. Há quem tenha esse à-vontade, sabendo eu que a maioria dos que comigo se cruzam e que por aqui passam preferem não valorizar, ignorar ou simplesmente fazer de conta que não lêem (ou que não me conhecem). Um outro elemento positivo passa pelo caráter informal desta minha escrita. Que assumo (e quero) despretensiosa (o quanto eu consigo, pois claro) e que me tem servido de pretexto para outras coisas (não sei se mais sérias, mas direi apenas que mais académicas). E, coisa boa, tenho melhores referências quando escrevo a partir destes textos do que quando escrevo diretamente para a “academia”. Coisa sempre boa, a escrita sempre me ajudou (e serviu) para pensar os meus dias, em tudo o que me rodeia. O pensamento, quando na ponta dos dedos, em escrita, surge diferente, surgem outras ilações. Procuro passar isso aos meus alunos. Nem sempre consigo.

Independentemente das minhas considerações, os balanços são sempre variados e estão (e muito) dependentes da perspectiva que se adota, do ponto de vista de quem lê e de quem escreve, de quem por aqui passa, se esporadicamente se por rotina da leitura deste espaço.

Agora pausa, descanso que preciso de ficar longe da escrita, do pensar, das minhas rotinas.

Até um dia. Boas férias e, como diria um senhor, façam o favor de serem felizes.

Manuel Dinis P. Cabeça

Julho, 17. 2017.

2 COMENTÁRIOS

  1. Bom descanso e bom regresso! Leio o que escreve e gosto muito! Sinto muitas vezes que parece que lê os pensamentos e os textos que partilho muitas vezes ( ou quase sempre ) são uma espécie de desabafo próprio com palavras de outrém! Obrigada!

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