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Afinal, Ed. Física ainda não vai contar para a média de acesso ao E. Superior.

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O secretário de Estado João Costa, anunciou publicamente em 21 de outubro de 2016, no Simpósio Aprender no Século XXI – Mais Exercício, Maior Sucesso, Melhor Futuro, organizado pela CNAPEF, que a Educação Física passaria a contar para a média de acesso ao Ensino Superior a partir de 2017/2018 (em princípio, a partir do 10º ano de escolaridade).

Até hoje (ou até ao dia 31 de agosto passado) não surgiu nenhum documento oficial onde constasse a (re)inclusão da Educação Física na média de acesso ao Ensino Superior.

Então o que se passou?

Segundo consegui apurar, o ano letivo 2016/2017 foi marcado por alterações significativas no plano educativo, as mais conhecidas são o novo perfil do aluno e o projeto de autonomia e flexibilização curricular, o que levou a um natural centrar de energias por parte da Tutela. Além disso, por ser uma matéria fraturante, o Ministério de Educação pediu pareceres, nomeadamente ao Conselho Nacional de Educação e ao Conselho das Escolas.

Apesar dos pareceres não serem vinculativos, faz sentido a tentativa da Tutela agregar diferentes entidades para evitar constantes alterações.

O Conselho Nacional de Educação deu a sua “bênção”, mas o Conselho das Escolas ficou naquilo a que chamo a terra de ninguém. Fez um projeto de parecer que nem sim nem sopas, deu uma no cravo e outra na ferradura e o seu projeto de parecer, sinceramente não é parecer nenhum, foi uma mera suposição de factos… (ver no final do artigo).

Se somarmos a isto, a audição das regiões autónomas, o envio para o Conselho de Ministros, 40 dias para promulgação pelo Presidente da República, etc. Leva esta aprovação lá para outubro/novembro, ou seja, em pleno ano letivo 2017/2018. E depois da confusão que surgiu com o fim dos exames no 1º ciclo e substituição pelas provas de aferição, o Ministério de Educação optou por adiar a inclusão da Educação Física na média de acesso ao Ensino Superior, para o ano letivo 2018/2019.

Evidentemente que não posso deixar de lamentar, compreendo os motivos mas lamento que esta questão não tenha tido a prioridade que julgo merecer.

A falta de equidade existente nesta situação é para mim insustentável, a exclusão de uma área curricular obrigatória na média de acesso ao Ensino Superior, mostra acima de tudo preconceito, incompreensão e desconhecimento. O ensino obrigatório visa formar de forma transversal o aluno, não omitindo áreas do saber, e a média de acesso ao Ensino Superior deveria mostrar exatamente isso.

Já falei muito sobre este assunto e não quero entrar novamente na discussão “a minha disciplina é mais importante que a tua”… Quem quiser ler mais um pouco sobre a minha argumentação, leia este artigo – Educação Física… You’re out!

Projeto de Parecer do Conselho das Escolas de 28 de julho

REVOGAÇÃO  DOS  EFEITOS  EXCECIONAIS  DA  AVALIAÇÃO  DA  DISCIPLINA  DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO ENSINO SECUNDÁRIO

Atualmente  a  classificação  da  disciplina  de  Educação  Física  (EF),  no  ensino  secundário,  é  considerada  para  progressão  e  transição  de  ano  e  para  conclusão  do  curso  do  ensino  secundário.  Apenas  é  considerada  no  apuramento  da  média  final  de  conclusão  do  curso  se  o  aluno  pretender  prosseguir estudos na área da educação física/desporto.

Daqui  resulta  que,  para  a  esmagadora  maioria  dos  alunos,  no  cálculo  da  média final de conclusão de curso é omitida a classificação da disciplina de  EF.

Esta  exceção  foi  introduzida  em  2012,  depois  de  alguma  celeuma  pública sobre o facto de muitos alunos não acederem aos cursos do ensino superior  pretendidos  e  mais  concorridos,  alegadamente,  por  não  obterem  classificações  na  disciplina  de  EF  tão  elevadas  como  nas  disciplinas  de  caráter mais teórico e avaliadas em exame nacional

O  Conselho  está  ciente  da  importância  da  disciplina  de  EF  na  formação  integral  do  aluno.  Importância  que  também  é  reconhecida  no  próprio  desenho curricular do ensino secundário, no qual se prevê o funcionamento  da  disciplina,  na  componente  de  formação  geral  de  todos  os  cursos  do  ensino secundário obrigatório.

A  solução  introduzida  em  2012  ‐  e  que  agora  se  pretende  revogar  ‐  pretendeu,  de  alguma  forma,  evitar  que  a  classificação  da  disciplina  de  EF  pudesse interferir na média de acesso dos alunos que concorriam a cursos  do ensino superior, em áreas que nada tivessem a ver com a educação física  e o desporto.

E, de  facto, há que  reconhecer que se  tratou de uma medida positiva para  milhares  de  alunos  que,  por  falta  de  aptidão  ou  por  constrangimentos  de  outra  natureza,  deixaram  de  ser  travados  no  acesso  a  alguns  cursos  do  ensino superior. Tratou‐se de uma medida que, de alguma forma, silenciou a  polémica que existia até então. 

Todavia, esta solução implementada em 2012, e ainda em vigor, não foi nem  é,  do  ponto  de  vista  deste  Conselho,  uma  boa  solução  para  resolver  o  problema  que estava em  causa,  uma  vez  que,  sendo  benéfica  para muitos  alunos, é prejudicial para muitos outros.

De facto, com esta medida saíram prejudicados na média final de curso e no  concurso  de  acesso  ao  ensino  superior  milhares  de  alunos  do  ensino  secundário,  com  magníficas  prestações  e  com  excelentes  classificações  na  disciplina de EF. 

O Conselho defende que deve procurar-se o melhor equilíbrio entre, por um  lado,  o  facto  de  a  disciplina  de  EF  ter  caraterísticas  que  a  singularizam  no  conjunto  das  disciplinas  da  componente  de  formação  geral e,  por  outro,  o  facto de  todos os alunos  terem o direito de ver valorizado o  seu esforço e  dedicação  às  aprendizagens  escolares,  em  todas  as  disciplinas  e  áreas  do  currículo.

O  Conselho entende  que  deve  ser  procurada  uma  solução  que  defenda  os  interesses  de  todos  os  alunos  e  que  os  desafie  ao  maior  esforço  de aprendizagem  e  empenho  na  disciplina  de  EF  e  em  todas  atividades  escolares, sejam elas de caráter prático ou teórico.

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9 COMENTÁRIOS

  1. Mas é mesmo assim?! No final do parecer, na parte das conclusões o que dá para entender é que se o aluno assim pretender a disciplina poderá contar para o acesso ao ensino superior?!

  2. Fazer com que a nota de Ed física conte para a média é discriminar todas os alunos que tem problemas motores ou mais dificuldades na actividade física. É colocar os mais aptos fisicamente á frente dos outros, isso é discriminar. Por outro lado, em termos gerais, os rapazes tem melhores notas a Ed. Física o que os coloca numa situação previligiada perante as raparigas, outra discriminação.
    Quem tem aptidão física para tal que siga para essa área profissional, assim como seguem os alunos de arte. Ou vamos agora por as aptidões artísticas também a contar para a média?
    Sou absolutamente contra esta ideia. Acho mesmo tão absurda que só me resta crer, as pessoas que a colocaram para discussão, querem ganhar qualquer coisa por de traz de tamanha falta de bom senso que ela envolve.
    A disciplina de Ed. Fisica deve servir como um estímulo para o desporto e para o conhecimento geral dos benefícios de uma vida activa, nada mais.

    • E os alunos que têm menos capacidade a Matemática, Português, Filosofia, etc? O que diz sobre esses? Sabe que existem diferentes inteligências? Acho fascinante estes argumentos de quem é incapaz de aplicar o mesmo princípio às restantes disciplinas. Enfim…

      • Por isso mesmo, porque as inteligências são múltiplas, nem os alunos com aptidão para a E.F. nem os que não a têm, mas têm muita, nas áreas a que concorrem ao ensino superior, prometendo com isso ser excelentes profissionais nessas áreas, devem ser talhados no seu percurso, daí, a melhor solução e mais justa, seria: cada aluno escolhe para a sua candidatura ao ensino superior as cinco disciplinas do secundário com melhores médias no seu percurso escolar e que sejam afins aos cursos a que concorrem. Assunto resolvido.

  3. O problema da disciplina de EF, é que tal, como em EV os critérios sºao muito subjetivos. Isso permite a possibilidade de um professor menos competente colocar em causa todo um percurso escolar. A não ser que me expliquem como é que um aluno federado pode ter negativa a EF. Se é federado e participa em competições nacionais, como pode ser inapto em EF? Sim, descrito pelo prof: desempenho físico insuficiente… Tendo dido sempre aluno de 4 e 5 no básico
    Se EF contasse, esse aluno que participa em provas regionais e nacionais federadas passaria de uma média de 17.2 para 16.3.
    Expliquem sff

    • Se um aluno é federado a voleibol, mas num período é lecionado ginástica de solo e Andebol por exemplo, o aluno até pode ter negativa se não atingir os mínimos a essas modalidades. Existem tb outros critérios de avaliação, como o comportamento, a assiduidade etc, que podem afetar a nota. Cada caso é um caso é só conhecendo em concreto é que será possível averiguar se a nota é justa ou não.

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