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Mas afinal, o que deve ser um plano de turma??

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Ando eu nestas dúvidas há pelo menos cinco anos.

Li, pedi orientações superiores, expus opiniões. Enfim, perdi tempo.
Continuam a exigir a entrega dos PT (Planos de Turma) nas direções de alguns Agrupamentos. Portanto, as dúvidas mantêm-se.

Em 2012, a Direção de Serviços de Desenvolvimento Curricular respondeu-me da seguinte forma:

« Em resposta ao e-mail enviado ao Gabinete da Secretaria de Estado do Ensino Básico e Secundário, terça-feira, 27 de novembro de 2012, solicitando esclarecimentos sobre os procedimentos a adotar, uma vez que o PCT deixou de ter enquadramento legal com a publicação do decreto-lei nº 139/2012, de 5 de julho, e que de acordo com o ponto 4, do Artigo 2.º, as estratégias de concretização e desenvolvimento do currículo são objeto de planos de atividades, integrados no respetivo projeto educativo, adaptados às características das turmas, através de programas próprios, a desenvolver pelos professores titulares de turma, em articulação com o conselho de docentes, ou pelo conselho de turma, consoante os ciclos, informamos que:

1 – Não existe uma matriz a que tenha de obedecer a conceção e operacionalização dos referidos planos;

2 – De acordo com o Despacho normativo 24-A/2012, de 6 de dezembro, estes planos visam a promoção do sucesso escolar dos alunos, podem ser orientados para a turma ou individualizados e devem ser realizados e avaliados, sempre que necessário, em articulação com outros técnicos de educação e em contacto regular com os encarregados de educação; …  »

Nesta altura ficou claro que adaptar o currículo à turma se faria através de estratégias adequadas aos alunos, cujo sucesso educativo estivesse em causa, de uma forma dinâmica, ao longo do ano letivo, sempre que necessário encontrar formas de ultrapassar dificuldades de aprendizagem, individuais ou coletivas.

Transmiti a informação, supondo que algo mudaria e que surgiria uma forma facilitada para diminuir a burocracia docente. Não, porque não. No Agrupamento X teve que se elaborar o PT e no Agrupamento Y teve que se entregar o PT… E lá se manteve tudo igual. Ah! Perdeu-se o C do meio de PCT. Alguns passaram a PTT (Plano de Trabalho de Turma).

Elaborei então, por minha iniciativa, um Plano de Acompanhamento Pedagógico da Turma e nada de PAPIs (Planos de Acompanhamento Pedagógico Individual). Ao diagnosticar as dificuldades dos alunos, propunha para as mesmas as estratégias consideradas adequadas. Não só no final dos períodos letivos, mas a qualquer momento em que surgissem constrangimentos. Um período de doença do aluno, por exemplo. Dificuldades resultantes de capacidade de aprendizagem acima da média, essas então nunca são relevantes! Na realidade são de considerar e de acompanhar tal qual as que resultam de uma interiorização mais lenta de conteúdos e das problemáticas associadas.

 

Passados cinco anos, a mesma inquietação. Não percebo, não faz sentido algum, que o Professor Titular de Turma/ o Diretor de Turma tenha que elaborar, numa situação prévia ao primeiro momento de avaliação sumativa, um Plano de Turma, que continua no Despacho-normativo 1-F/2016 a ser definido como contendo “…medidas de promoção do sucesso educativo…” acrescentando-se mais adiante que “…A decisão sobre as medidas a implementar é tomada por cada escola, devendo partir de um conhecimento das dificuldades manifestadas pelos alunos e estar centradas em respostas pedagógicas alinhadas com a situação diagnosticada, assumindo, sempre que aplicável, um caráter transitório…”

 

Então por que exigem alguns gestores de Agrupamentos a entrega do PT até à data …? Será como que a dizerem aos professores que têm que ser controlados, que não sabem como fazer o seu trabalho? Os senhores gestores já não são professores? Terão feito alguma especialização pedagógica e irão ter uma intervenção atempada e oportuna na superação das situações problemáticas das turmas??

Deve ser isso e os colegas que me fazem chegar estas novas, ainda não perceberam!?!  

Na década de 90, insistia-se na elaboração dos Planos Curriculares de Turma (PCT), na caracterização das turmas e na individualização do Ensino. O currículo a ir de encontro à Escola e à Turma, às preferências dos alunos, como incentivador do gosto pelo saber. Ligada ao quotidiano comunitário, a Escola era um lugar mais atrativo e os temas adaptados às vivências reais, tornavam-se mais cativantes. Havia toda uma lógica nesse trabalho.

Agora, com os Agrupamentos Verticais, iniciou-se um fenómeno descaracterizador do 1.º Ciclo, que é levado por Direções que nada sabem das suas especificidades, a imitar os outros ciclos, em procedimentos e documentação. Criaram-se Estruturas Intermédias, como a Coordenação de Ano, disfuncionais por razões simples e claras- as turmas mistas, a monodocência, já coadjuvada. Se um professor leciona dois ou mais anos numa só turma, como pode existir a Coordenação do 1.º ano, a do 2.º ano, a do 3.º e a do 4.º ano??? Com que ano reúne o professor de turmas mistas? E os outros docentes e técnicos que trabalham com a turma, reúnem com que Coordenação, nos momentos avaliativos?

Ah! Muito simples! – dizem as mentes iluminadas- com a Coordenação do ano em que a turma tiver mais alunos! Quem garante que é nesse ano que o docente necessita de uma maior colaboração e orientação por ter maior número de casos problemáticos?

E no outro(s) ano(s) que constitue(m) a turma, os alunos não trabalham nem são avaliados?

Pronto! Isto sou eu, que há um número indeterminado de anos, “complico!”
E ainda mais complico com a obrigatoriedade de realizar um PCT/PT clássico, quando na Coordenação de Ano, a dita bendita Estrutura Intermédia, se elaboram instrumentos uniformes de avaliação para aplicar às turmas nos momentos da avaliação de uma planificação conjunta!!!

ENTÃO?
PT para individualizar o Ensino ou Coordenação de Ano para o uniformizar, estatistificar, aferir de forma igual…? Será só na minha cabeça que surgem estas incoerências?

Mais me espanto ainda, quando me chegam notícias de Agrupamentos em que os PT, por orientações dos órgãos de gestão, têm que estar disponíveis para consulta pública e se fala mesmo em que estejam online. Os dados profissionais dos Encarregados de Educação, as questões de saúde dos alunos…tantos outros dados de caracterização da Turma, deixaram de ser dados pessoais e, como tal, sigilosos??

Talvez em 2018, surja um esclarecimento para estas pequenas ‘ilhas’ de documentação diferenciada e cada qual mais complicada, que nos salve a nós, professores, de naufragar no meio de tantos dados repetidos, quais ondas que não param de se suceder, de tantos papéis inúteis, cuja aplicabilidade prática é a da espuma que se esvai pela areia.

COM VOTOS DE UM BOM ANO.

 

Fátima Ventura Brás, Prof.ª do 1.º Ciclo

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6 COMENTÁRIOS

  1. Gostava saber a opinião dos colegas. Sê um professor for elaborando o PT ao longo do ano e no final do ano o entregar, em suporte informático ( devemos poupar papel) ao coordenador de departamento que o guardará em pasta própria. Qual o único objetivo dessa entrega? Se o professor por alguma razão deixar a turma fica esse documento.

  2. Concordo a 100%. Todo o trabalho com a Turma deve ficar disponível para o professor que continuar a lecionação com a mesma. E em suporte digital para poder ser modificado, continuado, aproveitado.

  3. Trabalho há muitos mais anos e também tenho as mesmas dúvidas.
    Acho que esta é daquelas coisas que alguém inventou num dia em que não tinha nada que fazer e por aqui ficou. Depois há os diretores que gostam de ficar bem na foto (ou lamber botas) e pronto…

  4. O program “inovar” temo suficiente para se anotar o essencial. O resto é puro controle que por vezes é atirado para arquivo da direção à espera de uma possível inspeção.

    • E quem não tem o inovar…? É fundamental que fique um registro nem que seja para chamar a atenção aos anexos de modo a que quem vem a seguir não passe um período a fazer diagnóstico.

  5. A Inspeção, no meu entender, verificará os Planos de Turma num contexto de análise do trabalho de um Titular de Turma ou de um Conselho de Turma, uma vez essa tarefa é da exclusiva responsabilidade de quem leciona e articula com a família e com os outros intervenientes que acompanham o aluno.
    O papel do Diretor, na Avaliação, resume-se à garantia de condições para que os planos de turma tenham condições físicas e recursos para a sua implementação e… ‘transcrevo’:
    “…
    5 — Compete ao diretor, com base nos dados da avaliação e tendo em conta outros elementos apresentados pelo professor titular de turma,no 1.º ciclo, ou pelo diretor de turma, nos restantes
    ciclos, mobilizar e coordenar os recursos educativos existentes, com vista a desencadear
    respostas adequadas às necessidades dos alunos.
    6 — O diretor deve garantir o acesso à informação e assegurar as condições de participação dos alunos e dos encarregados de educação, dos professores, dos profissionais com competência em
    matéria de apoios especializados e de outros profissionais intervenientes no processo, nos
    termos definidos no regulamento interno.
    7 — Aos serviços ou organismos do Ministério da Educação compete, especificamente no âmbito da avaliação externa, providenciar atempadamente informação de qualidade, de forma a contribuir para a melhoria das aprendizagens e para a promoção do sucesso educativo….”
    ENTÃO? ALGUÉM IMAGINA INSPETORES A PEDIR os PT DO AGRUPAMENTO NA DIREÇÃO??? PARA QUE QUEREM SABER PROFISSÕES DOS PAIS DOS ALUNOS, QUANTAS DIVISÕES TEM A CASA, SE CADA ALUNO DORME 8 OU 10 HORAS, SE ESTÁ AUTORIZADO A TIRAR FOTOS OU SE BEBE LEITE ESCOLAR… …??
    Esses dados existem todos noutros documentos que caracterizam a turma. Ou não??

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