Início Editorial A verdade sobre as “férias” dos professores.

A verdade sobre as “férias” dos professores.

47713
124
COMPARTILHE

Vou descansar uns dias. Nesta altura lembro-me sempre de um texto que publiquei a 28-12-2015. Fiz uma ligeira atualização, mas continua muito atual. Bom descanso a todos 😉


Tenho um vizinho que me disse em setembro, ”então já voltaste ao trabalho?”, a minha resposta foi um óbvio sim. Ato contínuo sou “acariciado” com um miminho venenoso… “também já chega de férias, não?”. Este é apenas um exemplo que comprova a opinião que os professores têm muitos dias de férias.

E será verdade? Não, mas também sim…

Porque não?

Legalmente os professores usufruem dos mesmos dias de férias que os outros trabalhadores da função pública, por isso, as chamadas férias de Natal ou Páscoa, são meras interrupções letivas.

Porque sim?

Deixemo-nos de hipocrisias. Sim, é verdade que depois das reuniões de avaliação do 1º e 2º período (Natal e Páscoa), bem como na interrupção do Carnaval, a maioria do corpo docente não se apresenta ao serviço e usufrui de uns dias de descanso. Exceção feita aos membros da direção que costumam manter-se em serviço durante mais alguns dias.

No final do ano letivo, já não é bem assim, até meados de julho existe trabalho significativo para burocratizar o dia-a-dia dos professores. A segunda quinzena de julho é claramente mais “soft” e é caracterizada por um arrumar de malas para os “Algarves” e afins.

Os professores não devem nada a ninguém no que diz respeito a horas de trabalho, nem devem aceitar lições de moral sobre este assunto. Somos das profissões que mais horas dá, e sublinho dá, pois são mesmo dadas. A profissão de professor é referência nas intituladas profissões de desgaste rápido ou profissões com elevada taxa de burnout. Será um exagero? Deixo-vos apenas um cheirinho do que faz um professor…

A profissão de professor tem duas partes, uma visível, que é quando o professor está na escola a lecionar e a tratar do trabalho burocrático. Outra é a parte que eu intitulo de “gruta”, onde o professor se apresenta frequentemente entre as 21 ou 22 horas, após despachar as crianças para a terra do “João Pestana”, mergulhando num mundo infindável da preparação de aulas, materiais para as ditas e testes, muitos testes… Enquanto está na gruta, o professor abdica do seu tempo familiar, da adorável da chaise longe, onde pode ver a novela da moda, ler o tal livro que anda a tentar terminar há 3 meses, ou simplesmente ficar na “sorna” até ser acordado pela sua cara metade, com um desagradável “vai mas é para a cama que já estás a dormir no sofá”. A dita qualidade de vida 😉

Mas tudo começa no início do ano, são as planificações, as reuniões, a preparação de dossiers, caracterizações de turmas, atualização do “grelhador”, avaliações diagnosticas, entre outras coisas maravilhosas…

Ao começarem as aulas, surge a sua constante preparação e só isso obriga a uma dedicação sistemática que não é valorizada pela população em geral. As pessoas têm de compreender, que os professores em cada aula estão perante 20/30 alunos e seria no mínimo imprudente entrar no “ringue” sem estar munido de atividades e estratégias que potenciem a aprendizagem. Depois surgem os testes… Sabem quantos alunos tem um professor? 200, 300, alguns podem chegar aos 400 alunos. Imaginem o que é corrigir centenas de testes, continuando a preparar e a dar aulas, além de cumprir com os requisitos de cargos, como por exemplo de direção de turma. E isto tudo acontece pelo menos duas vezes por período, ou seja, um professor que tenha 200 alunos terá de corrigir 400 testes no espaço de 2/3 meses…

Chegando ao final dos períodos é a loucura total: aulas, testes, notas, grelhas, muitas grelhas, reuniões de avaliação, relatórios, atas, tudo num curtíssimo espaço de tempo.

Quem vive numa casa onde reside um professor, sabe do que estou a falar e da dificuldade em manter uma relação com alguém que tem uma profissão tão exigente. Não é por acaso que os professores são das profissões com uma das taxas de divórcio mais elevadas, facto que não será alheio os milhares de kms que estes galgam todos os anos, dormindo sistematicamente fora de casa e sem qualquer subsídio. Tudo para alimentar o chamado tempo de serviço, algo que no passado significava entrada direta na carreira e que agora mais não é que uma variável num conjunto de “habilitações” necessárias para lecionar.

Só que a tutela quis “animar” a malta, achou que tínhamos uma vida muito monótona, então resolveu inventar mais uns quantos concursos, desde a BCE aos chamados extraordinários, tudo fizeram para baralhar o que já estava baralhado…

Mas não ficamos por aqui, ser professor é entrar numa warzone diariamente, não estamos a falar de uma profissão que seja nutrida por um ambiente calmo, harmonioso, previsível e silencioso. A escola é um meio agressivo, onde as asneiradas, o barulho dos corredores e a violência física e psicológica são comuns. Ser professor não é para qualquer um, é preciso ter estômago para aguentar a pressão, principalmente quando ela vem do inimigo  aliado encarregado de educação.

Aliás, são os professores e não os pais, os responsáveis por manterem determinados alunos na escola. São os professores e não os pais, que muitas vezes salvam os alunos da marginalidade e que denunciam determinados abusos e negligências parentais. E tal só é possível, em virtude do elevado sentido de responsabilidade do professor. Este sabe que está perante crianças/jovens que precisam e dependem de si para atingir requisitos que lhe permitam ter uma vida melhor. O professor é e continuará a ser, um farol social…

O professor não tem horas, o professor não diz “não” a um aluno quando este precisa, o professor é um missionário que abdica de si e dos seus em prol dos outros.

Mas este missionário precisa de estar equilibrado emocionalmente, e se queremos o melhor para os nossos filhos, devíamos proteger aqueles que os ensinam e também educam. As interrupções letivas são fundamentais para o professor se voltar a equilibrar, tal como um lutador que descansa no seu canto antes de regressar ao combate.

Por estas e por outras é que o professor sente uma revolta muito grande quando se diminui a sua profissão a um mero “gozador” de férias. É preciso ter lata ou uma ignorância atroz, que devia inchar a língua de quem profana a sua profissão. Além disso, convém não esquecer que o professor não pode usufruir das suas férias a não ser em agosto, ou seja, o professor é obrigado a pagar o dobro ou o triplo do que paga um qualquer trabalhador que queira usufruir de umas férias em época baixa.

Eu e milhares como eu, encaramos estes dias como uma oportunidade para voltar a ser Marido, Pai, Filho, Irmão, Tio, etc… Não lhe chamo férias, recuso-me a pronunciar esse termo, chamo-lhe período de compensação pelas inúmeras horas extraordinárias não remuneradas.

Tudo tem o seu tempo, tudo tem o seu espaço e esta é a altura de nos voltarmos a encontrar para que mais tarde não percamos os vossos e já agora os nossos, filhos…

Continuação de bom descanso 😉

Alexandre Henriques

* Texto publicado inicialmente em 28-12-2015 e que sofreu um ligeiro refresh

COMPARTILHE

124 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite,

    Conhecendo eu relativamente bem a vida dos professores, tenho a dizer que o artigo é relativamente parcial. Tem algumas verdades mas é muito enviesado.
    Vamos lá ser totalmente francos e puxar da calculadora para que de forma objetiva analisemos isto.

    Trabalho letivo/não letivo:
    > É verdade que efetivamente os alunos e os pais só têm noção das 22 (ou 24) horas letivas que o professor dá. Mas não é menos verdade que o Professor recebe um salário por um horário de 40 horas semanais (como o comum dos mortais). Por isso todo o trabalho extra (testes, preparação de aulas, reuniões, etc) cai neste espaço. E se há semanas em que até trabalham mais que estas 40 horas (finais de período por exemplo) também há muitas outras semanas em que não chegam nem perto das 40 horas. No fim anda ela por ela.
    Por isso, vocês não estão a dar tempo a “de borla” a ninguém (salvo os raríssimos professores que se dedicam a projetos extra curriculares – quando não afetos nas horas não letivas – nas escolas: a estes o meu muito obrigado!).

    Férias:
    > Aqui é que é mais fácil fazer contas: 22 dias úteis em Agosto + 5 dias úteis Natal/Ano novo + 5 dias úteis na Páscoa + 10 dias úteis em Julho = 42 dias úteis de férias. É claro que há exceções: quem trabalha nos conselhos diretivos (alguns), quem corrige exames nacionais e quem trabalha em escolas privadas tipicamente trabalha quase o mês de julho todo ou entra ao serviço em meados de agosto. Mas a grande maioria dos professores tem pelo menos 40 dias úteis de férias por ano.

    (Julho: sim, a maioria dos professores na função pública vai passear-se à escola na última quinzena de julho. Antigamente ainda havia pautas para verificar, agora com tudo informatizado nem isso. Findos os conselhos de turma, a maioria pouco mais tem a fazer)

    Portanto, caríssimos professores, a quem agradeço tudo o que sei hoje, não se façam de vítimas que não vos fica bem. Vocês ensinaram-nos a perceber estas vitimizações a quilómetros de distância.

    Bem haja,

    • Caro J. Silva:

      Começa por dizer “Conhecendo eu relativamente bem a vida dos professores”… só pode mesmo ser mentira. Ou então chamamos “Professores” a profissões diferentes.

      Eu nasci e cresci graças a dois professores: uma de Matemática e Ciências da Natureza (ainda hoje em exercício) e outro de Português (reformado, antecipadamente… completamente farto das “coboiadas” que o Ministério da Educação propunha). Curiosamente, esses dois professores (para mim genuínos exemplos do que é o “professorando”) criaram outros dois professores: uma de Biologia/Geologia e outro de Educação Física (eu). Sim, eu sei: “lá vem o professor de ginástica”, dirá o meu amigo J.Silva! “Nem sequer tem testes para corrigir… é só largar uma bola e joguem futebol”. Não vou defender a minha disciplina pois não me parece que este é o espaço para isto.

      Irritou-me, acima de tudo, a sua falta de conhecimento. Sim, aquele que aclamou ter… logo no início do seu texto.

      Permita-me corrigir alguns erros graves que escreve no seu texto:
      Trabalho letivo/não letivo
      1. É verdade que o horário da componente letiva de um professor é relativo a 22horas letivas, de 40horas de trabalho semanais. No entanto, é completamente mentira que as demais 18horas de componente não letiva sejam de trabalho individual. Sabe, por exemplo, o que são horas de substituição? Aquelas horas que garantem que os alunos têm, mesmo que um professor falte, alguém para estar com eles na sala de aula. Sabe, por exemplo, o que é o Secretariado de Exames? Acha que 1h de componente não letiva semanal cobre todas as horas da responsabilidade do trabalho do Secretariado de Exames? Sabe, por exemplo, o que são horas de direção de turma? Acha que as reuniões com pais, alunos, elaboração de planos individuais de trabalho, conversas e tutoria com cada aluno, troca de informações para casa, etc. cobrem essas horas? Já alguma vez corrigiu uma turma de testes? Experimente… e depois diga-me quanto tempo demora! Se conseguir corrigir esses testes em componente não letiva, diga-me por favor qual o segredo! Conhece algum professor só com uma turma? Eu tenho 7 turmas e cerca de 200 alunos… se fizer uma simples ficha e demorar cerca de 10 minutos a corrigi-la (demora-se evidentemente mais do que isso) gasto cerca de 34 horas para corrigir todas as fichas (em versão professor super-herói, que nem descansa/dorme/come para corrigir fichas). Conheço alguns professores (de Religião por exemplo) com 16 turmas… com 3 testes por período… e agora? Por tudo isto, antes de fazer juízos de valor sobre este tema, informe-se!

      Férias
      2. Não irei escrever muito sobre isto. Sabe porquê?! Porque tenho que ir descansar… porque amanhã tenho uma entrevista com pais de alunos meus. Sim… em tempo de “férias”. Nunca conheci na minha curta vida de professor esses 40 dias úteis de férias… quem sabe um dia! Mas sabe que mais? Se os tiver… são absolutamente merecidos! Mas experimente viver com algum (a) professor (a) para ver se será mesmo assim!

      Por fim:
      O texto com muitas inverdades que escreveu, escreveu-o porque teve, com certeza, bons professores no seu percurso.

      Se alguma vez se cruzou com maus professores (como em todas as profissões, também os há… e alguns são mesmo muito maus!) que pena… eu tenho as melhores recordações de vários professores que ainda hoje cumprimento, sabem o meu nome, sabem a mesa em que me sentava na sala… sabem até a minha turma e em que ano me deram aulas.

      Sim, estes “seres humanos com mais férias do que todos”, têm 40 mil desempregados na sua classe… e ainda assim aceitam o prazer de ter um papel absolutamente transformador na vida de milhões de crianças.

      Um dia destes espero ser como os meus pais: cruzar-me com alguém que foi meu aluno há 30 anos e reconhecer essa pessoa. Ver um sorriso na cara dessa pessoa e tratá-la pelo nome: “mas como é que eu podia algum dia esquecer-me de ti?” Isso é ser professor…

      Por isso, antes de vir para a internet e para blogs escrever barbaridades (fruto do desconhecimento puro) informe-se…

      Sem mais,
      Diogo Carneiro, professor de Educação Física, apaixonado pela profissão e em período de pausa letiva (merecida pausa, sublinhe-se!)!

      PS- Nos dias em que me “zango” com a vida de professor, digo que também quero um trabalho das 8h às 17h… em que não penso no trabalho quando chego a casa (malditos professores que nunca deixam de trabalhar em casa!!)! Mesmo que esse trabalho tenha “só” os 22 dias de férias… pelo menos posso tirá-las quando quiser (e não apenas em Agosto!). Mas depois essa sensação passa-me… e lembro-me que ser professor é verdadeiramente estruturante e que a sociedade tem uma missão para mim!

      • Diogo Carneiro
        Obrigada pela sua exposição.
        Reflete o sentimento de milhares de nós!
        Acrescentaria uma pequenina nota: estou de interrupção letiva mas com TPC para fazer que não consegui fazer dentro do meu horário não letivo 🙁
        Boas Festas!

      • Relativamente a pensar que os funcionários privados podm tirar férias quando querem o sr tambem deveria se informar porque quem trabalha em fábricas esta limitado ao plano de ferias da empresa que também é muita vez em agosto. Trabalhando muitos em horários também nem sempre compensados

      • Qual a sua remuneração?
        É que passado estes anos todos, surge a greve às avaliações.
        Acabei de ouvir uma professora a dizer que desconta 1000€.
        Nada mau, quem dera muitos ganharem 75% do que esta professora desconta, fora o que ganha, é fora o que vem depois do IRS muito possivelmente.
        Eu acho que todos falam de contentes, os que não têm trabalho na área, queriam entrar e talvez nesta altura não estivessem tão mimados, porque precisavam do trabalho.
        Todos somos avaliados.
        À muitos bons, mas muito maus, deixam as aulas correrem, dão o básico, deixam os alunos à vontadinha, e que chegue rápido o toque, esta é uma das realidades com mais professores a seguir.

    • Lindo! Concordo a 100%. Até nem podem ser considerados mal remunerados, para a realidade portuguesa. Se conhecessem certas profissões certamente dariam mais valor à sua e não se queixavam tanto…

        • Sim, sinto-me privilegiado por ser docente, não pela remuneração mas pelo VERDADEIRO prazer em transmitir os meus conhecimentos aos alunos de tenra idade (sou professor do 1º ciclo).

      • J. Silva … Começa por dizer “Conhecendo eu relativamente bem a vida dos professores…” –
        e eu digo-lhe … NÃO CONHECE … APOSTROFA com a necessidade de opinar SEM SABER O QUE DIZ … e isso … é feio … fica-lhe mal, na qualidade e adulto!!!!! Quanto a “achar” que o trabalho de preparação de tudo, se inclui nessas 40, que agora são 35 horas semanais … MAIS UM ENGANO … REDONDÍSSIMO!!!! porque ESTAS são cumpridas, escrupulosamente e com marcação de falta se ausente, NA ESCOLA, com tarefas muito bem definidas, incluindo as reuniões … que se fazem TODAS e não só as de final de período … portanto NÃO HÁ ENVIESAMENTO NENHUM, meu caro!! E “acha” que corrigir SÓ 300 testes por mês se consegue num horário de 35 horas???? Pois se “acha” … acha MUITO MAL … porque NÃO É COM ACHISMOS QUE DEVEMOS PRONUNCIAR-NOS, mas sim com informação fidedigna!!! Além de que o restante trabalho bur(r)ocrático e que os “achantes” não veem e é assustador, é feito FORA DO HORÁRIO de 35 horas … sabe quando????? Ora calcule lá, se for capaz de fazer um juízo sério … e se ele aparece feito …!!!!! E sabe o que é passar domingos e noitadas até de madrugada, SEM LHE SER PAGO UM ÚNICO CÊNTIMO A MAIS DO VENCIMENTO????? NÃO SABE … por isso fala da boca pra fora … e sobre o resto dos disparates que profere (pra não dizer … vomita!!!) nem me pronuncio … teria que enumerar uma longa lista e … NÃO ESTOU A FIM DE … cansei de ver uma sociedade pobre de espírito, hostilizar quem os poderá ajudar a sair das várias formas de indigência … e passe bem … você e todos esses que invejam quem atura as faltas de educação dos filhos de quem nem isso é capaz de fazer … quanto mais falar do que ignora!!!!

    • Boa noite,

      Permita-me corrigir algumas imprecisões:

      – No que diz respeito à componente lectiva/não lectiva, além das 22 (ou 24) horas lectivas semanais que o professor trabalha (não “dá”), devem ser acrescentados mais 2 ou 3 tempos semanais do chamado “Trabalho de Escola” (componente não lectiva no horário do professor, a realizar na Escola), além de mais 2 tempos semanais para “Reuniões/Outros” (que o professor não terá marcado no seu horário mas que irá cumprir quando forem convocadas reuniões – intercalares, de conselhos de turma, de área disciplinar, de directores de turma, etc… (e coloque etc… nisso…). Ou seja, além das 22 (ou 24) horas, acrescem 2 ou 3 tempos semanais de cumprimento obrigatório na escola e 2 tempos semanais, que serão cumpridos sempre que hajam reuniões. Ou seja, semanalmente, o professor passa, em média, 26 (ou 28) horas na escola. O que faz “sobrar” cerca de 2h e 20 minutos, por dia, para o chamado “Trabalho Individual” da componente não lectiva, em que o professor pode ou não trabalhar fora da escola.

      – No que diz respeito às famosas férias, o que parece fácil, afinal, é bem mais difícil do que julga: efectivamente, um professor apenas tem 22 dias de férias (poderá ter mais mediante alguns tipos de bonificações). Os restantes dias que refere não são férias: o professor está, devido às interrupções das actividades lectivas, livre do cumprimento do seu horário lectivo na escola. O que não invalida duas coisas: a primeira, que realize trabalho em casa. A segunda, e mais importante pois determinante para que não sejam considerados como dias de férias os dias que refere, em qualquer momento de qualquer um desses dias o professor pode ser chamado para se apresentar no seu local de trabalho, caso muito mais frequente do que pode imaginar. Ainda sobre as férias, de realçar que a profissão de professor é das poucas em que o mesmo está obrigado, por força da lei, a gozá-las durante todos os seus anos de serviço sempre no mesmo período do ano, não tendo hipótese de escolha ou alteração: ao longo da sua vida de docente, um professor apenas poderá tirar mais do que uma semana de férias no mês de Agosto.

      Portanto, caríssimo J. Silva, não considere vitimização a resposta de quem sabe do que fala e se vê confrontado, diariamente, com a ignorância de quem cria uma imagem distorcida das “regalias” da profissão docente.

      Que, diga-se de passagem, são muito poucas para as especificidades de uma profissão que merece ser tratada com respeito por todos os cidadãos.

      Bem haja.

    • Caro J. Silva,
      Que azar que temos tido com os professores que nos têm calhado em sorte! Os meus filhos devem ter apanhado ao longo destes anos que levam de ensino, cerca de 90% da totalidade dos professores “prevaricadores” do País… Mas tiro-lhes o chapéu: são uma classe corporativista, que a todo o instante tem energia – e disponibilidade de tempo -, para se lançar com um certo grau de ferocidade passivo-agressiva a todos quantos contestem de forma crítica o “sacrifício” das sua actividade. se o texto inicial que motivou a sequência de comentários é, como diz, enviesado e generalista (acrescento eu), os comentários que já aqui li, rasam a falácia. E como já dei aulas e formação a grupos verdadeiramente difíceis, agradeço a cortesia de não me virem atirar “areia para os olhos”! Comecemos por aqui: um amigo meu, professor, recentemente confessava, perante uma mudança de trabalho, que agora as coisas estavam mais complicadas porque dantes, como professor e com o horário que tinha “chegava a quinta-feira à tarde e já não trabalhava mais o resto da semana” (dixit). Antes que venham já de faca afiada, vou acrescentar o resto: é claro que há muitos professores que são bons profissionais, abnegados e entusiastas da sua profissão, que não olham ao tempo que disponibilizam na sua actividade, que querem ser e estar próximos dos seus alunos, dentro e fora da sala de aula. Mas cada vez são menos. E o curioso da questão é que, do alto de tantas horas feitas a mais, não remuneradas, o que não falta são acções de formação, daquelas que dão créditos, sempre cheias de professores, em horário supostamente lectivo e/ ou não lectivo… no mínimo estranho. Falemos então de formação, a que por lei todos os trabalhadores devem ter direito anualmente e que eu não tenho há já três anos, mesmo que a mesma em nada conte para a minha progressão de carreira. E falemos das 40 horas obrigatórias que faço, on job, mais as cerca de oito por semana que deixo no serviço, não remuneradas, e que tive o cuidado de ír consultar na minha plataforma electrónica de assiduidade, respeitantes ao ano que ora finda. Será que pretendem(os) trilhar este caminho?… E o que dizer do gasto adicional com os destinos de férias de Agosto? A sério?! Quem tem presentemente menos cinco dias de férias, depois de as ter obtido graças a idade, anos de serviço e avaliações de desempenho excelente (sim, porque há quem seja avaliado), como pensam que as reparte no calendário sem garantir que a totalidade – ou grande parte dela -, é gasta igualmente no mês de Agosto ou no limite, na primeira quinzena de Setembro (“ainda época alta”), graças ao arranque do ano lectivo decorrer por volta de meados de Setembro e, neste último ano lectivo, uma semana ainda mais tarde? E o que dizer dos gastos adicionais para ter as crianças acolhidas nas várias “interrupções lectivas” do ano, já que os Pais precisam de trabalhar e nada me daria mais prazer do que estar com os meus filhos, principalmente em certas épocas simbólicas? Já contabilizaram esses gastos? Não estou a falar de férias na Jamaica! Falemos agora da disponibilidade dos professores para atender o “inimigo” que são os Encarregados de Educação: a DT do meu filho não partilhou sequer um endereço electrónico para contacto, porque “não se dá muito bem com as novas tecnologias” (!) A professora de ensino básico da minha filha fez outro tanto e o horário de atendimento aos Pais é às 15h30. Bravo! Nas reuniões com os Encarregados de Educação – uma por trimestre, durante cerca de hora e meia, para não cansar -, a DT aparece ladeada por mais dois ou três colegas que também leccionam na turma e, ao fim de dez minutos, os mesmos abandonam, a sala, deixando-a sozinha para responder a questões que, como se imagina, muitas delas não terá como responder já que se passam fora do âmbito da sua disciplina. Falemos das reuniões de professores: das coisas mais deprimentes para uma classe profissional é quando num momento em que deve imperar bom senso, rigor e fundamentação técnica, observamos o achincalhar por parte de alguns professores, de determinados alunos da turma, pelo seu mau comportamento, dificuldades ou desinteresse manifesto or esta ou aquela matéria ou até pelo ensino em geral. Depois temos os “colegas” que encaixam Direcções de Turma sobrepostas… lá vem a frase da cartilha, “os colegas desculpem, mas tenho que ír para a reunião do 10º C, posso já deixar as minhas notas e depois vocês continuam? Na minha disciplina não tenho nada a relatar…”. Claro que isto só aconteceu comigo… na realidade, no final do ano e graças à Informática, o trabalho administrativo foi sobremaneira facilitado o que apenas serviu para as reuniões serem ainda mais rápidas e o pessoal ficar despachado mais depressa para as férias. Falemos também de progressão de carreira e fica aqui a pergunta: com que idade é que um professor atinge o topo da sua carreira, salvo situações excepcionais? Fica uma “dica”: se responderem que o faz menos de cinco anos antes de outros Quadros Superiores da Administração Pública, estão chumbados! Falemos da planificação das sessões/ aulas: um professor que tenha seis turmas, não prepara de forma distinta seis planificações, mas sim duas ou três, no limite dos limites, as quais vão sendo ajustadas em função da evolução das turmas em geral e de certos alunos em particular. Este trabalho torna-se particularmente complicado se tiver seis turmas, com duas turmas de cada ano distinto. Mas estamos a falar de um trabalho que não é feito sistematicamente a partir do zero; uma vez feito, vai sendo gerido e adaptado pontualmente ou nem isso. Para além do mais, uma parte deste trabalho transita de ano para ano, mesmo com as patéticas “alterações” curriculares a que se assistiu nos últimos anos. Mas uma vez que existe tanto trabalho feito a mais, fora do local de trabalho, que ultrapassa semanalmente as 40 horas que os “inimigos”, isto é, Encarregados de Educação Trabalhadores fazem, aguardo que seja proposto – que talvez até fizesse sentido ser sempre assim – a realização dos temos não lectivos no espaço escolar. Assim, quando o professor saísse da Escola, fazia-o tendo cumprido a sua carga horária diária. Imaginem a vantagem e a diferença de se estar no espaço escolar, com acesso directo a todo um manancial de informação, verificando testes, preparando sessões, podendo até reunir com outros colegas professores do mesmo grupo e trocarem impressões e estratégias, em vez de estarem a fazê-lo em casa, dispersando por outras coisas que não o trabalho ou sentindo a pressão familiar da “presença ausente”. E chegados a este ponto, os que ainda não estiverem cegos de raiva, dir-me-ão que tal não é possível porque as escolas não têm condições. Pois é. Há dois anos, o professor de Educação Física do meu filho, passava as aulas debaixo do telheiro do balneário a mandar sms enquanto os garotos corriam à volta do campo a fazer endurance (o que é isso?) e a seguir, as miúdas reuniam-se junto a uma tabela a “jogar” basquetebol e os rapazes entretinham-se aos pontapés a uma bola (futebol é outra coisa). EU VI, ninguém em veio contar e apresentei queixa, obviamente. Nunca ouvi todavia, por parte daquele “funcionário afecto ao Ministério da Educação em espaço escolar para guardar alunos” (é a designação que uso e que corresponde ao que muitos chama de “mau professor”) qualquer reclamação, qualquer exposição sobre a necessidade de uma escola com vários anos de ter um recinto coberto. De resto, a própria direcção Escolar (a minúscula é intencional) nunca tomou qualquer posição junto da DRE ou até para o topo da Tutela sobre este e outros aspectos. Onde estão os Professores, aliados com os Pais, a reclamar melhores condições no local de trabalho? Como é possível, um Professor estar numa sala de aula húmida, com temperaturas a rondar os zero graus no inverno, com o velhinho quadro de ardósia e o apagador gasto, sem aquecimento, sem uma secretária mesas e cadeiras dignas desse nome, sem iluminação adequada, sem equipamento audiovisual elementar, sem se queixar veementemente? Nenhuma criança e seguramente nenhum Professor merece esta falta de respeito! Mas é preciso a classe profissional dar-se ao respeito em vez de usar sistematicamente a estratégia da chantagem da greve. Pouco respeito merece quem, tendo inclusivamente computador portátil á disposição na sala, entrega o s alunos à sua sorte, pondo-os a fazer um “trabalho de grupo” enquanto se passeia pelo facebook (um aluno conseguiu tirar foto ao ecrã do portátil na sala e eu vi). E já agora: trabalho de grupo não é disparar um tema e distribuir alunos, juntando-se mesas e já está. Pressupõe circular entre os grupos, questioná-os sobre o progresso, a distribuição das tarefas entre os vários elementos, colocar questões de controle para confirmar que estão a compreender o que têm que apresentar… fiz alguns quilómetros dentro de sala à conta destes passeios. Voltando às reivindicações, onde páram as mesmas? Porque motivo é que quando ocorrem as manifestações, os cartazes empunhados dizem maioritária e sistematicamente a mesma coisa, “Pela Revisão do estatuto da Carreira Docente”? Onde estão por exemplo “Fim às alterações sistemáticas do calendário escolar”, “Exigimos Melhores Condições para Professores e Alunos nas Escolas”, “Queremos manuais Escolares sem revisão todos os anos”, etc., etc.. É por isso que é tão fácil caracterizar os Pais como inimigos, confundindo a não anuência com os interesses corporativistas da classe como antipatia ou desrespeito pela profissão de professor. Por último e peço desde já desculpa pelo longuíssimo texto, mas como Cidadão Livre, Pai, Educador, trabalhador e Contribuinte não aceito certas coisas e não vou mudar agora, falemos dos resultados. Porque motivo, apesar de um certo desenvolvimento curricular, aumento da afectação de recursos (agora vamos ver pelo lado daqueles a quem não faltam meios) e novas metodologias de ensino/ aprendizagem, especialmente o recurso às TIC, temos uma taxa preocupante de abandono escolar e falta de aproveitamento? A concepção que por estes dias apelido de romântica, para não lhe chamar demagógica, do Professor que sabe o nome de todos os alunos e vice-versa, onde pára ela? Porque de facto era importante. Para o reconhecimento e valorização do profissional, junto do aluno, mas também junto dos Encarregados de Educação e da Comunidade. Deste investimento e desta proximidade resultava em contrapartida um maior envolvimento e disponibilidade do aluno para aprender, já que o Professor tornava-se um complemento (não um substituto! Hoje infelizmente já se verifica em muitos casos) dos Pais nas preocupações pedagógicas e de cidadania: os pais dão a educação e o Professor confirma e complementa esse modelo, acrescentando a componente escolar. O meu filho sabe menos nomes de professores que lhe deram aulas nos últimos nove anos que eu de um ou dois. Hoje, presencia-se um reclamar constante, dentro e fora de sala de aula, desinteresse, displicência pela função, depressões avulsas e falta de imposição de autoridade em sala. E não, senhores Professores. Não é só responsabilidade deste desastre experimentalista dos últimos anos! De facto, não é qualquer pessoa que abraça a profissão de Docente. mas infelizmente, são muitos que se têm pendurado nela! Mas em caso de dúvida, “o Inferno são os outros”! Com votos de Bom Ano para todos os verdadeiros Professores, Pais e Alunos.

      • Ora bem, Senhor Monteiro, vamos lá desmontar algumas das barbaridades que aqui escreveu:

        1 – Fica desde o início claro que anda muito bem de amizades, com amigos como o professor que lhe disse que chegava na quinta-feira e não fazia mais nada. Interessante (e sintomático) criticar a classe docente mas socorrer-se do que lhe disse um dos maus professores que critica. Mas amigos são amigos e nós é que escolhemos as nossas amizades.

        2 – As acções de formação que os professores estão obrigados por lei a frequentar – a maioria dos professores dispensaria a frequência da maioria das acções que andam por aí – são creditadas porque o professor necessita de créditos para mudar de escalão. Pergunte, não ao seu amigo mas à generalidade dos professores, se considera vantajoso frequentar acções de formação em horário pós-laboral – a maioria delas das 18:30 às 22:30 ou mesmo aos sábados. Ou seja, o que insinua como algo vantajoso é algo claramente do desgosto da maioria dos docentes.

        3 – Sobre os gastos adicionais com os destinos de férias de Agosto, o que se pretende dizer é que ao contrário do senhor (e eventualmente do seu amigo, quiçá…), que pode tirar férias em qualquer mês do ano, nós, professores, apenas podemos tirar em Agosto. Se considera mais vantajoso estar obrigado durante toda uma vida de trabalho, a poder apenas tirar mais do que uma semana de férias num determinado mês do ano ao invés de poder ter a liberdade de escolher o mês, já entramos no domínio da deficiência/perturbação das capacidades cognitivas, daí que aconselho que tire duas semanas de férias na Páscoa (leve o seu amigo professor que não faz nada), de forma a arejar um pouco essa mente.

        4 – Sobre os gastos adicionais para ter as crianças acolhidas nas várias “interrupções lectivas” do ano, já que os Pais precisam de trabalhar, fica claro, por um lado, que é um dos pais que gosta de “descarregar” os filhos na escola e, por outro, se esquece que – quem diria! – professores também são pais e, pela sua fabulosa lógica, sofreriam dos mesmos problemas que o senhor. Fabuloso raciocínio…

        5 – Sobre a disponibilidade dos professores para atender o “inimigo” que diz serem os Encarregados de Educação, mais uma vez demonstra toda a azia que lhe verte da alma, pois demonstra desconhecer que a profissão de professor ainda é das mais respeitadas pela generalidade dos inquéritos feitos sobre a matéria às famílias portuguesas. “In your face”, é caso para dizer.

        6 – Sobre as reuniões de professores (conselhos de turma): das coisas mais deprimentes para uma classe profissional é observarmos o achincalhar por parte de alguns Monteiros deste país que demonstram nada saber sobre o que falam. E mais não acrescento pois a sua argumentação roça o absurdo.

        7 – Sobre “Direcções de Turma sobrepostas”, algo que não existe mas que, por manifesto desconhecimento da matéria, deve estar a querer dizer “reuniões de conselhos de turmas sobrepostos”, em mais de 20 anos de serviço apenas vi isso acontecer a professores de EMCR ou de TIC, por terem demasiadas turmas devido à carga semanal da disciplina, ou seja, onde insinua existir uma “esperteza”, nada mais estamos a falar do que de um problema oriundo de factores externos à vontade do professor. E, repito, em mais de 20 anos apenas vi isso acontecer com pouquíssimas disciplinas

        8 – Graças à informática também o senhor está neste espaço a escrever alarvices e nem por isso deixa de tirar proveito dela. Por isso, deixe a informática auxiliar o trabalho dos professores e não invente mentiras.

        9 – Progressão de carreira: a alarvice-mor do Monteiro ressabiado: hoje em dia, e ao contrário do que afirma, a esmagadora maioria dos professores NÃO ATINGIRÁ o topo da carreira, e apenas os que se encontram em situações excepcionais é que o poderão conseguir. Confuso? É natural (…). Mas vá perguntar ao seu “amigo professor” se as coisas não são assim, desde que houve a restruturação da carreira docente no tempo de Lurdes Rodrigues.

        10 – Sobre o trabalho do professor e o resto das alarvices escritas: não tenho mais tempo para responder, pois necessito de preparar materiais para o início do 2º período e terminar o trabalho do Dossier da minha Direcção de Turma.

        Votos de bom ano para todos, especialmente para os pais que reconhecem o sério trabalho realizado pela maioria dos professores do nosso país.

      • Exm. Sr. Monteiro:

        Não sei qual será a sua profissão, No entanto, uma certeza tenho – não deverá ser professor. Se o fosse, garanto que não teria tido tempo para apresentar uma resposta com esta extensão a um comentário online.

      • “E como já dei aulas e formação a grupos verdadeiramente difíceis, agradeço a cortesia de não me virem atirar “areia para os olhos”!Não se percebe tão longa exposição, se foi professor, porque não continuou? Que receou? o rigoroso comprimento do horário? não porque é demasiado pontual e exigente. Deslocar-se com frequência de escola para escola, quiçá a 200 ou 300 Km? não porque é um exímio condutor e fá-lo com gosto. Trabalhar horas a fio na correção de teste e fichas, sem contabilizar as de elaboração, porque já estão feitos de outros anos? não porque usa a estratégia de os corrigir na cama e atira-os para o ar, os que caiem na cama são positivos e os outros, poucos, negativos. bem , para não incorrer no mesmo erro, parece-me antes, o exemplo da minha vizinha que me dizia:” a vida dos professores é que é boa, trabalham pouco, têm muitas férias e são muito valorizados”.Por sorte, ambas as suas filhas foram parar ao ensino, uma a 100 Kms e a outra para os Açores, uma ainda aguentou 2 anos e a outra, seis, quando a questionei porque tinham as suas filhas deixado o ensino, respondeu-me:”nas turmas havia grupos muito difíceis e que não ganhavam para a despesa”
        . Não devia, porém ser qualquer um destes motivos, que o levou a abandonar o ensino, ou seria? Embora os concursos não sejam hoje tão transparentes, pode sempre candidatar-se e ficar com o meu lugar, quem sabe? Os meus 38 anos de serviço, já me chegavam, sobretudo porque conheci 8 escolas e por sorte a distância maior a que estive de casa e da família foram só 400 Kms, desde o Minho ao baixo Alentejo

      • ”Pelo pai conhecereis o filho!”
        Conclusões : os professores são calaceiros e usam de um direito constitucional: a greve; os filhos, de modo geral, (não direi os mesmo dos meus…) são uns santos e não se deve criticar as suas aleivosias, de modo concreto ou grosso modo; ao autor coube-lhe má sina com todos os professores que prelecionam seus descendentes, cerca de 90 por cento, ( eu faria , por esta altura uma quantas interrogações de mim para mim…) ; o autor, de facto, trabalha como um danado e sente-se ofendido, tendo por termo comparativo, por uma classe madraça e onzeneira; o autor domina a lexicologia pedagógica, organizativa , e a questão política, substituindo, com vantagem Tiago Brandão Rodrigues; o autor é adepto do ”espreitamento” , em geral , da classe docente e proporá, caso assuma pasta ministerial, a vigilância coletiva com tecnologia apropriada, pelos discentes ; chamará a si uma central de informações que colija os episódios de mandriagem, próprios da classe, e aplicará medidas corretivas adequadas;.
        Excelente!

    • Caro J. Silva
      Ser demasiado pretencioso fica-lhe mal. Afinal de contas que sabe vocência sobre o que é ser professor? Já se auto-inquiriu sobre a sua ignorância no que ao tema diz respeito?Qualquer professor lhe poderia explicar (se você conseguisse entender) quais as variadas funções do Professor médio, sim, médio porque os há maus profissionais, e, os há excepcionalmente bons. Mas um professor médio ususfrui de 21 dias úteis por ano, sendo que os mais antigos poderão usufruir de mais 2/3 dias. Horas de trabalho efectivo para um professor, não são aquelas 22 Horas lectivas que constam dos horários, são também mais 4 Horas para trabalhos diversos e diferenciados que tem que prestar à Escola, são também as horas que tem que dispender para preparar e receber aqueles a quem é suposto educarem os alunos que frequentam as Escolas, visto que chegam a estas sem quaisquer princípios comportamentais, éticos e sociais, (eventualmente porque você de tão atarefado nas suas hiperfunções, se olvidou que deveria educar os seus filhotes para a cidadania e o respeito pelos outros, nos quais óbviamente se incluem os professores.
      Todo e qualquer professor prepara as suas aulas e as matérias que leciona aos seus alunos de forma diversa e diferenciada, sim porque todos os alunos são diferentes e como tal recebem as mensagens de forma diferente. Como deve imaginar esta preparação não é feita em espaço de sala de aula, e, tampouco em espaço escolar por falta destes. E, como deve imaginar esta coisa de preparar aulas não será coisa pouca. A esta tarefa acresce como deve imaginar toda a envolvência que implica a avaliação de todos os alunos que cabem a um professor, e que por norma ultrapassam a centena. esta avaliação compreende preparar testes e fichas de avaliação (diferentes para cada turma, normalmente), a sua avaliação, e, o seu lançamento nos documentos e formatos respectivos). Acrescem a estas muitas outras actividades que iluminados como vocência, convictos da falta de ocupação dos professores, entendem por bem fazer deles, vigilantes; auxiliares educativos; auxiliares administrativos, desenvolvendo tarefas alheias à sua profissão, e, como se isso não bastasse, devem sentir-se felizes se em cada ano que começa, encontrem uma escola onde trabalhar, mesmo em cima dos seus muitos anos de serviço nómada, calcorreando a cada ano uma nova Escola, uma nova região, sem direito a vida pessoal, familiar ou algo de que qualquer normal cidadão usufrui.
      A si e a outros sapientes sobre o tema, uma questão apenas me surge: Sendo tão bom ser professor, e, usufruindo o mesmo de tamanhas mordomias, porque não experimenta sê-lo pelo menos um anito, numa Escola algures neste país?

    • Caro J. Silva,

      Uma vez que a sua exposição começa com uma grande mentira, pois está visto que não conhece definitivamente a vida dos professores, o restante é pura fantasia que nem merece um observação atenta.

      Seja feliz e deixe essa inveja, que se nota ao longe, e só lhe fica mal…

      • Caro J Silva, Não concordo em nada consigo!!! Mas é mesmo NADA!!! Pensamento de DITADOR? Será? Professor, não é de certeza ou está contra a classe? Não sou professor e dou muiiiito valor a eles!!! Nem me atrevia a escolher esta profissão! É muito honrada e penosa!

    • Caro Senhor, devo dizer-lhe que o conceito de “conhecimento” é muito subjetivo, por isso, a sua afirmação e aquilo que escreve como argumentos que justifiquem o seu suposto “conhecer” são falaciosos. Permita-me a ousadia de lhe dizer que conhece muito pouco, a não ser que esse saber venha de práticas que se enquadrem naquilo que escreve, mas isso já é outra história!

    • Os 200km que faço por dia para ir trabalhar, que perfazem por volta de 4horas a mais, multiplicando por 5 vezes por semana, quatro semanas por mês , nove meses por ano, mais ou menos…não me sinto em nada em dívida para com o ministério da educação é muito menos preocupada se tenho mais tempo para descansar desta loucura em que vivo há anos!

    • Só lhe desejoum filho ou familiar muito querido que seja professor. Aí dará o devido valor.
      Ou será daqueles que diz: gostaria que ele chegasse nem que fosse a professor?

    • Aqui não há vitimas. Entro na escola as 8 e nunca saio antes das 19. Sou DT A minha turma termina estagios dia 15, outros estao a fazer recuperaçoes de modulos. Dia 17 temos a reuniao, quer dizer que antes tive varias horas a inserir dados para fazer pautas# depois serao horas para fazer a ata e a confirmaçao de tudo, sim cada turma tem uma confirmaçao feita por um grupo de trabalho com o DT, tudo será concluiddo até dia 18. Dia 19 estou a fszer turmas, porque todos tem tarefas de farias…agora, para alem disso estou a ver provas nacionais de 12 ano, arrumo salas e armarios e acompanhar estagios…se soubesssem o que dizem….nnao sou da direçao e todos os anos dou semanas de trabalho (tiradas d s minhas ferias)) porque os pais nso cumprem os prazos das matriculas e em agosto ainda estou a ligar para”fazerem o favor” ,de virem matricular os filhos…. vçs nao sabem do que falam. De todos os professores dos paises europeus e outros, somos os que tem menos interrupçoes. Até em marrocos param mais aoongo do ano. Nos até trabalho de secretaria fazemos e aí somos os unicos!

    • Não me leve a mal mas você ou é um iguista que só pensa em si e não quer saber de mais ninguém em seu redor ou é completamente tonto burro estúpido bruto palerma e omofobico pelos profesdores que não sabe sequer o que é a vida de um professor e o seu trabalho duro e sofrimento desgaste de profissão etc etc…
      Vivo com uma professora e seu bem que a vida de um docente não é a que lhes pintam.
      Mas sim é um louvor a cada dia que passa não ter tempo nem para ir ao wc têm e ainda andam para aí a falar e a marchar a carreira dos professores.
      E digo mais os professores deviam se reformar aos 55 anos de idade por esta carreira ser muito muito desgastante. Mas um dia alguém irá dar o devido valor aos professores tenho a certeza disso.
      Está-me dizer um bem haja a todos os professores e que nunca mas nunca deixem de lutar pelos vossos direitos e gravam sempre as vossas lutas e manifes a bocado favor.
      Estou do vosso lado.
      Há e não se deixem ir pelos comentários de gente que não existe de gente burra e ignorante.
      Um bem haja.

      • Caro Paulo a sua escrita é per si a prova viva de que algo vai mal no mundo dos profs.
        Além de ser deselegante e mal educado . Até erros dá e sai muitos. Vá para a Alemanha aí as oessosss são de facto arrogantes e estará lá melhor e a ganhar mais

      • Como queiram. O meu marido também me dizia, “levas aí meia hora a ver esses (28 a 35 ) testes, não?” . Bom, e há aí um tonto a passar-se por professor, dando erros que nem o amais analfabrto dos analfabrutos, daria. E a lançar insultos idiotas. É tanto professor -seja do que for – como eu sou lenhadora. Uma boa Páscoa e não chateiem. Ah, e quanto aos anónimos, tenham vergonha. Um anónimo é “nada”

        • Falou bem, sim senhora.
          Depois estragou tudo, quando disse que há muito que não tem um fim de semana só para si.
          Está a falar a sério?
          Sabe quantas pessoas não têm fins de semana completos? Porque simplesmente são obrigados a trabalhar ao sábado?
          Já trabalhou num call center? Onde os fins de semana é durante a semana? É onde a remuneração é igual trabalhando esses colaboradores ao sábado e domingo.
          Convido a ver esta realidade.
          Trabalhar das 8h30 às 20h30 de segunda a sábado.
          Porquê? Porque não se pode viver sem dinheiro.
          Era motivo para greve certo?
          Para quê?
          Para ficar sem trabalho?
          Enfim, falam todos de contentes, todos trabalham, todos dão o máximo nas empresas que fazem este país crescer a vários níveis, e com salários miseráveis.
          Deixem se de tangas, sejam solidários com os milhões de portugueses que fizeram e continuam a fazer sacrifícios.
          Ainda ouço a dizerem, desconto 1000€, é injusto.
          Injusto?
          Quem dera a maioria receber 1000 euros, os tais dos descontos apenas.

          • Não devemos defender o nivelamento por baixo. Se formos por aí, acabamos a falar dos sem abrigo e da Síria…

          • argumento tipico da cultura portuguesa: se alguém está mal, então todos têm de estar mal…
            mas realmente, até os que trabalham das “8h30 às 20h30 de segunda a sábado”, vivem bem, comparando com os africanos, sírios, chineses, asiáticos, etc.
            e quem esfrega as mãos de contente com este tipo de mentalidade, são os que enriquecem à grande explorando esta gente…

    • O seu comentario2mostra muita ignorância. Para começar o horário completo de um professor são 35 horas semanais e não 40 horas como diz. Depois vê se que não sabe nada da profissão de ser professor.
      É uma profissão de desgaste intenso com uma elevada taxa de burnout e isso é um facto.
      Eu sou professora e há meses que não tenho um fim de semana inteiro para mim. Nem este fim de semana de Páscoa. Ontem estive a corrigir testes de avaliação. Mas ainda tenho uma quantidade infindável de trabalho para fazer na semana que vem. Preparae processos de recuperação de faltas porque tenho vários alunos faltosos que ultrapassaram limites admisiveis de faltas. Eztez processos são burocráticos que exitem o preenchimento de numerosos formulários para além disso tenho que preparar os trabalhos que os meus alunos faltosos vão ter que fazer para recuperar as faltas dadas. Depois dos trabalhos feitos vou ser eu a corrigi-los porque tenho que avaliar se o trabalho dos alunos é suficientemente positivo para que estes não reprovem por excesso de faltas. Tenho que prepara os próximos testes de avaliação e isto implica que também tenho que preparar as rsspetivas matrizes para que os alunos recebam toda a informação escrita na primeira aula a seguir às férias da Páscoa. Como tenho alunos NEE tenho também que prepara testes especiais para estes que se ajustem especificamente ao seu perfil. Tenho 16 relatórios para escrever porque tenho alunos que não estudam e que têm notas negativas na disciplina que leciono e portanto cabe-me a mim justificar o porquê daa negativas deles e que estratégias tenho desenvolvido para suprimir a falta de trabalho de casa dos alunos, a falta de atenção dos alunos nas aulas e a falta de responsabilidade dos pais que não educam os seus filhos e não os responsabilizam. Tenho que preparar as aulas do terceiro período porque durante as aulas a falta de tempo é enorme e só isto justifica mais de duas semanas inteiras de trabalho não letivo intensivo, tenho que fazer os trabalhos e os relatórios de uma ação de formação porque os professores têm que frequentar ações de formação e lista de trabalho nao letivo pendente não se esgota por aqui, nem sequer vai a meio.

  2. Compreendo a sua exposição e acredito que não seja fácil. Contudo, como convivo, muito perto com pessoas com a mesma profissão, também sei e conheço a realidade para além das reuniões e horas extraordinárias. Qualquer profissão pode ser desgastante, quem tem um horário fixo de oito horas e por vezes, muitas vezes mais, também de forma gratuita, abdicando também da família e ao chegar a casa espera nos o jantar, roupa para dobrar, passar, arrumar e preparativos para o dia seguinte, deixando de parte o descanso no sofá, o tempo para sermos mães, pais, cônjuges e sem tempo para novelas nem nada parecido. … E a pressão profissional é mais que muita, o dia vivido numa correria constante, o ambiente parecido com uma selva onde impera o salve se quem puder e o descanso do “guerreiro” apenas acontece nos míseros vinte e dois dias de férias que nos são concedidos por lei, anualmente. Não chegamos nunca a casa a meio da tarde, nem podemos acompanhar os nossos filhos em todas as interrupções lectivas que têm e muitas vezes não podemos tirar férias en Agosto, quando muitos infantários e escolas estão fechadas. Difícil é a vida. Pressão todos sentimos. Pouco tempo para a família e cônjuges é a realidade dos dias de hoje. Procedimentos que nos dificultam o trabalho e o tornam mais difícil, quem não vive com essa verdade. Conciliar os nossos horários com os assuntos pessoais, como ir a uma repartição de finanças, segurança social, correios ou até ao médico de família obriga nos a uma correria e por fim à compensão do tempo de ausência e à intimidação a que estamos sujeitos por “prejudicar” a nossa entidade patronal. … Enfim, podia continuar, mas acho que muitos se irão rever nas minhas palavras e compreender o que escrevi e o que poderia ainda acrescentar.
    Continuação de bom descanso!

    • Felizarda que tem o privilégio de poder compensar o tempo de ausência no trabalho … EU TENHO FALTA … É UMA DAS MUUUIIITAS DIFERENÇAS… intimidação???? Talvez eu a trocasse pela perseguição, que é o que está na ordem do dia nas escolas, relativamente aos professores … mas não me vou delongar … fico por aqui … não vale a pena, porque especular … é O argumento e eu … NÃO ESPECULO … ENUMERO situações e/ou factos concretos!!!! Teria que acrescentar uma lista muuuiiito mais extensa do que a sua, mas não o vou fazer, repito … não merece a pena!!!!!

  3. Dito e bem dito! Mas as mentalidades continuam e continuarão a ser limitadas, a não ser que mais tarde ou mais cedo lhes calhe um desses malandros gozadores de férias em casa. Um bom ano de 2016!

  4. Muito bom! Muito falta ainda por dizer. O sr. J Silva de certeza que não tem a noção do que é estar 20 anos contrado a centenas de kms de casa, ir muitos meses apenas uma vez a casa porque o dinheiro não chega para mais. É nestas alturas que apenas podemos estar com a nossa família. As pessoas gostam muito de falar do que não sabem nem têm a mínima noção. Só desejo que um dia passem pelo mesmo para saberem como é difícil a vida de um professor contratado………….

    • Infelizmente, hoje em dia a vida é difícil para muitos. Ninguém gosta de perder privilégios e trabalhar mais do que no passado. Possivelmente no passado a vida dos professores era até bastante privilegiada… Tenho familiares professores e lembro-me bem dos “quase” 3 meses de férias pagas que tinham… Era até injusto para quem tinha de pagar tudo isso com os seus impostos e que só tinha direito a 22 dias de férias…

      • Cara … injusto sempre foi EU ter que pagar impostos altíssimos e saber que o setor privado NÃO PAGAVA ou pagava uma escandalosa mixuruquice … tanto patrões como empregados … não me venha com cantigas de embalar criancinhas, que nem já essas adormecem!!!! Quanto a 3 meses de férias pagas … sabe dizer-me de que galáxia está a falar????? é que EU NUNCA tive 3 meses de férias pagas … e se me teriam sabido maravilhosamente … aaaiiiii que bom que TERIA SIDO!!!!! e olhe que já vou em 41 anos de serviço e de carreira contributiva, SEM DEVER NUNCA UM CABELO A NINGUÉM … Muito gostam vocês de vomitar sobre a classe docente … outras classes há que nem se dignam olhar-vos e vocês lambem o chão por onde eles passam!!!!!

  5. Boa tarde colega.
    Adorei o seu artigo mas, faltou-lhe referir algo muito importante: as correções das provas de exame!!!
    Particularmente grave tem sido corrigir exames do 1º e 2º ciclo e frequentar as respetivas e obrigatórias ações, tudo isto em tempo de aulas!!!
    Cumprimentos.
    Paula Cardoso

  6. Cumprimentos a todos independentemente da opinião de cada um.
    Relativamente a este assunto terei que começar pelo titulo. Falando-se de Professores, estou de acordo com muito do que o autor do texto escreveu. O grande problema é que hoje em dia 95% (acho que estou a ser benévolo), desta classe profissional, são funcionários públicos que dão aulas…e a esses meus amigos(as) é um sacrilégio chamar de Professor.
    Como alguém já atrás referiu, se existe essa grande preocupação com as condições e com as horas que “dão”, porque não exigem, nas vossas inúmeras manifestações, que as escolas tenham condições para poderem cumprir as 40 horas semanais no seu local de trabalho (ESCOLA), com respectivo relógio de ponto.
    Pensem nas vantagens:
    – Trabalho em equipa com outros colegas professores do mesmo grupo (isso sim era corporativismo)
    – Poupança de material que utilizam em casa (outro argumento que oiço muitas vezes)
    – Evitar a enorme pressão familiar da “presença ausente”
    – Não ser acusado de ter férias a mais, ou ter muito tempo disponível.
    – Reduzir o desemprego na classe (acabavam os segundos empregos em colégios particulares e em centros de explicação que só são possíveis porque efectivamente, os funcionários públicos que dão aulas, tem disponibilidade de tempo para o fazerem)

    Finalizo com duas considerações pessoais:
    1- O que o autor não pode esquecer é que a grande maioria da população já foi aluno, tem filhos que a frequentam e também conhece alguém, no seu circulo de amizades, que lecciona. E isso, quer queiram quer não queiram, permite-nos saber que efectivamente a este nível das férias (ressalvo que falo a este nível), vocês são uns privilegiados.
    2- Uma classe que tem como representante do sindicato, por anos e anos, uma pessoa como o Mário Nogueira que diz as barbaridades que diz, perde toda a credibilidade pública.

    Despeço-me desejando que continue a ter um bom descanso, porque acredito que estar tanto tempo de férias também deve cansar.

  7. Postos tantos comentários e polémicas, só não consigo compreender como alguns professores que conheço conseguem passar uma ou duas semanas de férias na última quinzena de Julho (possivelmente não estando oficialmente de férias, mas não necessitando de se deslocarem à escola nesse período)….
    Também não consigo compreender como continuo a verificar e saber que alguns continuam a ter tempo para ir buscar os seus filhos à escola e a estar com eles uma semana tanto na Páscoa como no natal e nas férias de verão, mais do que apenas o mês de agosto.
    Uma pequena correção a quem escreveu que gostaria de ter um horário fixo de oito horas diárias, não conhecem de certeza absoluta a realidade do mundo profissional das empresas privadas, onde contratualmente sim são oito horas, mas na prática se dão muitas mais à entidade patronal, sim dadas, pois não são pagas, longe do nosso lar e da nossa família, no nosso local de trabalho e muitas vezes também em casa, pois há muitos que também levam com regularidade (muita) trabalho para casa.
    Ainda mais esclarecimentos, existem muitas pessoas que percorrem muitos kms, diariamente, para irem trabalhar e muitos que estão longe de casa e da família a semana toda e se preciso for mais tempo.
    Outra ressalva, a taxa de desemprego, é elevadíssima a vários níveis e se assim não fosse não existia uma sujeição, cada vez maior, das pessoas a fracas condições de trabalho, níveis de exigência altíssimos, pressões e excesso de trabalho enormes e falta de reconhecimento quer pelo valor profissional quer pelo desempenho e execução do trabalho. Têm a noção da quantidade de pessoas que ficaram desempregadas, de diversas áreas profissionais, com idades, em que para o mercado de trabalho atual, já são consideradas “velhas”?
    Acham fácil uma relação afetiva, acham fácil a dedicação aos nossos filhos com o pouco tempo livre de que dispomos! Nada é fácil para qualquer pessoa trabalhadora, o tempo é escasso e o stress enorme!
    Ainda em relação às férias, o mito existente de que se tira férias quando se quer, é falso, muitos são aqueles que têm períodos em que completamente impedidos de tirar férias por força da sua atividade laboral (que muitas vezes são coincidentes com os períodos de férias dos seus filhos) e as férias marcadas têm que ser previamente aprovadas pelas chefias, não é quando se quer! Muitos de nós nem sequer conhece a realidade de gozar mais do que duas semanas de férias seguidas e alguns (apesar de obrigatório por lei) nem duas semanas seguidas ao longo do ano conseguem tirar…
    Por isso, não pensem que os sofredores se restringem a apenas determinadas profissões, sofredores existem muitos, que também perdem regalias, que fazem muitos sacrifícios, que tiram tempo à sua família, ao seu descanso, ganham depressões e vivem num stress permanente, motivado pelas exigências profissionais.
    Uma coisa é queixarmo-nos da nossa realidade, outra coisa é comparmo-nos com à realidade (que não conhecemos) dos outros!
    Sou mãe, esposa, trabalhadora e encarregada de educação, não sou inimiga de ninguém, colaboro com a escola dos meus filhos sempre que necessário, não exijo o impossível e também eu me lembro e alguns professores que fizeram parte do meu percurso escolar (bem como alguns que fizeram parte do percurso dos meus filhos), assim como me lembro de alguns médicos que me acompanharam, donos de mercearias onde comprava determinados produtos, do Sr. do talho onde costumava ir com a minha mãe, do senhor do café que frequentava…. Todas estas recordações fazem parte da minha vida e todas elas contribuíram de alguma forma para o meu crescimento e maturidade.
    Todos somos importantes, de uma forma ou outra, não apenas uma determinada classe profissional, todos damos o nosso contributo à sociedade e acho totalmente egocêntrico e pretensioso querer-se destaque ou maior importância, pelo cargo ou profissão que se tem, assim como acho triste e lamentável o pensamento de que só “nós” é que sofremos e os “restantes” vivem no céu…

  8. eu conheço muitos professores. Bem vejo a vida desgraçada que levam: são os melhores clientes nos cafés; e esplanadas, etc; melhores clientes das agências de viagens; etc, etc.
    Depois quando têm os testes ou as reuniões só se queixam porque têm muitas horas de trabalho.
    E se acham que têm uma profissão de desgaste rápido, quem é que tem trabalho fácil?? os Médicos ou enfermeiros das urgências?? os Pilotos de avião?? os Policias e forças da ordem??? só para não comparar com quem não tem curso superior, tipo: empregados das fábricas, trabalhadores da construção civil, etc???
    Deviam ter vergonha de vir dizer essas coisas, até porque se há professores muito competentes e empenhados a maioria aproveita o tempinho para fazer tudo menos preparar aulas. Vejam bem a vida das outras pessoas e deixem de queixinhas….ganham menos e trabalham bem mais .

  9. Boa tarde a todos,

    Aqui vai a minha perspetiva não como professor, mas como aluno do 4º ano de Fisioterapia, que tem uma professora da primária e um contabilista como pais.

    Ora para começar digo que lamento a quem teve uma professora como mãe (e sem de uns quantos que viveram/vivem a mesma realidade que eu). A minha vida foi sempre, escola(8/9H)-colégio-casa (la pas 17/18H) durante os primeiros 4 anos, ou seja eram basicamente 9H sem pais nem nada, acreditem que as crianças sentem mas tive grandes amigos que me faziam esquecer a familia por algumas dessas horas. Chegava a casa e era fazer os famosos “TPC’s” em que era um inferno e as ameaças que os pais fazem de a letra estar feia apaga-se, neste caso era bem real, e o decorar poemas e ler textos e fazer trabalhos extra TPC’s.

    Mas enfim passaram 4 anos, cheguei ao 2º ciclo e a minha vida era escola-casa, ora 9 anos é maturo suficiente para aquecer o almoço e passar o tempo todo a fazer TPC’s e a brincar com as consolas sozinho. De facto é verdade, mas o que faz uma criança de 9 anos que tem medo de estar sozinho (felizmente não era o caso), e quando aparecem aquelas trovoadas (infelizmente era o caso) e depois a mãe chegava a casa e ia estudar com o filho para os malditos testes. 4/6 testes numa semana ou seja duas semanas de noites perdidas sem brincar.

    Chegamos ao 10º ano, um pouco de liberdade aleluia, e agora sim 14 anos adolescencia pura, todo o tempo sem pais em casa é quase como se fosse o paraíso, mas com esses 14 anos ganhamos com a liberdade a maturidade de perceber alguma realidade do mundo em que sempre vivi e aqui vai ele.

    Mãe (professora da primária) – 28 alunos de 5/10 anos (não são os 200 que vi aí mencionados dos outros ciclos) horário de trabalho letivo 8-13 / 9-15 / 13-18 a minha mãe fez os 3 enquanto eu andava na escola e para ela não havia preferências pq o trabalho a ser feito era sempre o mesmo só mudava a altura do dia em que o fazia. Aos 14 anos comecei a ver que a minha mãe não se deitava as mesmas horas que quando acabava de estudar comigo, comecei a ver q ela não estava em casa as horas que acabavam as aulas dela, comecei a ver o recorte de figuras e as colagens nos cadernos, o fazer fichas no doc word quando ninguém a ensinou a utiliza-lo, o ir pa escola qd os alunos estavam de férias, as constantes reuniões e formações a acabarem as 22H, o planeamento de visitas de estudo e dinheiros, as preparações para exames e os exames e tudo o que vem com isso. As pessoas dizem 40H de trabalho??? Eu digo não sei que profissão é essa mas não foi a de professor a que eu vi sempre durante todos os anos da minha vida. Mais férias que o normal? Sim passei mais férias com a minha mãe do que com o meu pai, mas ainda assim quantos foram os dias que ia para a escola dela para não ficar sozinho as 10H que ela tava fora de casa, e quando ela estava nas chaamdas “férias” que na verdade não estava mas despachando o trabalho mais cedo podia gozar uns dias a mais… mas acabava muitas vezes por ser chamada à escola ou seja é impossivel planear algo. Recebe pelo trabalho que faz? Ainda não entrei no mercado de trabalho, mas sei que teve melhor vida do que os professores que agora fazem 100 km por dia por 2H de trabalho (só para conseguir ter horas e entrar para um quadro que até eu aqui de fora digo VERGONHOSO) mas respondendo à pergunta, não recebe e quando se teve uma carreira congelada durante anos por culpa de outros, é uma injustiça dizerem o quer que seja sobre vencimentos.

    Mas e agora e o meu pai que ao que parece anda desaparecido??? – Como disse contabilista, de uma cadeia de hoteis para ser mais preciso, e de mais umas quantas empresas, faz um horário fora de casa das 7 as 19 e qd chega faz o jantar e vai trabalhar para o computador, está algo parecido com a minha mãe. Dias de férias não os goza a todos (vai acumulando) porque só os tira conforme o patrão deixa e a conjugar com as ferias fixas da minha mãe. Recebe pelas 12H que está fora? nem pouco mais ou menos 2 ordenados minimos é o que dá para tirar e ainda falta o trabalho todo feito em casa. MAS, já não é o ordenado minimo nem o desemprego comum a boa parte da população.

    Isto tudo para dizer, que são raras as profissões que se ganha o ordenado que se merece, professor é uma profissão bem paga? VERDADE sem duvida, desde que tenham horário completo; se sacrificam a vida pessoal em prol de todos menos eles? VERDADE sem dúvida, fora nos dias de férias que passava com a familia.

    Esta é a minha história, com uns pais que já estão nos 50’s e que tiveram a sorte de não sofrer com as crises de emprego e que conseguiram criar uma carreira digna de forma a não serem deitados fora pelos respetivos patrões e a terem ainda sanidade mental para continuarem. Mas que tiveram o azar de terem que trabalhar por 4 ou 5 porque os respetivos patrões não têm dinheiro/não querem empregar mais trabalhadores.

    Resultado – uma criança que passou uma infância longe dos pais, vitima da exploração dos pais em que um deles é o “gozador de férias” e o outro é o “Aquele que faz o dinheiro que quer so fazendo IRS” dinheiro só mesmo para viver sem dificuldades, férias aproveitadas nem vê-las. No final só ficou um bom aluno que tem uns grandes amigos, que está a acabar um curso e a desejar fazer o mestrado e com a certeza que vai ser ainda mais explorado neste “mercado de exploração”. Ah e um emigrante que acabou a sua licenciatura e foi-se para ser explorado da mesma forma que os pais, mas ganhando o dobro.

    A eles digo-lhes obrigado, sei a importância do dinheiro e sei que vivi sem qualquer tipo de dificuldades graças a eles. Mas também sei que o meu filho ( se tiver) vai seguir maus caminhos, porque ainda estarei menos presente para o educar e que quem os vai educar serão os professores quando essa não é NEM NUNCA FOI as suas funções. E isso vai originar a uma de três:
    – 1 filho burro mas educado – trabalhador explorado recebendo pouquissimo
    – 1 filho burro e não educado – Drogado e cia. (mais de metade das pessoas que eu vi a acompanharem-me na escola)
    – 1 filho inteligente e não educado – A querer esquecer a vergonha de pais que teve sem perceber o seu sofrimento e a ignora-los pra sempre
    – 1 filho e inteligente e educado – e neste caso agradecerei aos professores por terem feito mais que o seu trabalho.

    E de quem é a culpa, dos pais??? Em muitos casos sim, mas na maioria deles é mesmo de alguém lá de cima que começou este processo à varios anos atrás.

    O problema não é nem nunca foi dos professores, eles não sabem mais do que aquilo que foram ensinados, eles não têm que fazer nada para além da sua obrigação de ensinar quem tem capacidades e vontade para tal, e eles não têm que estragar a vida da sua familia para fazerem a familia de 28 mais felizes.

    Hoje a minha mãe é forçada a abdicar da sua turma para ter 3 coordenações das quais segundo ela não pode recusar, (mas ela é licenciada em educação), estranho não acham????

    Hoje é dia 29 de Dezembro de 2015 e são 17:56, adivinhem quem ligou a dizer que ia chegar tarde a casa. Já agora adivinhem quem é que está sozinho em casa.
    Adivinhem quem são as verdadeiras vitimas do sistema, se são vocês adultos que trabalham 18H para receber 500 euros, se são vocês adultos que nem sequer têm a oportunidade de trabalhar, ou se na verdade não são mesmo os vossos filhos, que lhes caiu o mundo em cima mesmo antes de terem nascido. O que está errado??? Não me parece que sejam as férias nem os horários dos professores … descubram por vocês mesmos

    Obrigado por terem lido,

  10. Falta também acrescentar que nas interrupções letivas, mesmo sem ir à Escola, também pode ir, o Professor também prepara as aulas / atividades do período letivo que vai começar. E isso de que a primeira quinzena de Julho é mais para preparar malas, não é bem assim, pelo menos para muitos que conheço, que trabalham no duro até final de Julho e não são da direcção…

  11. Eu sou filha de professora e vi muitas vezes a minha mãe a ir para outras escolas dar aulas para conseguir se efectivar. Durante anos tive que partilhar a minha mãe com mais de 150/200 alunos por ano, ela estava e está sempre disposta a ajudar os seus alunos e digo as férias dela sempre foram em Agosto. Na altura de Natal, Carnaval, Páscoa e Julho ela passava e passa o tempo em reuniões até às 19h e 20h, como costuma dizer a título de brincadeira mas com um toque de realidade, “vou acampar” para a escola. Eu quando era mais nova, ia para a cama e a minha mãe (como ainda faz hoje) ia e vai para o sofá com uma calculadora e uma tábua a fazer de suporte para corrigir exames até altas horas da noite. Quem não conhece a realidade fala de garganta cheia, mas os horários têm de aparecer feitos, as turmas feitas, tudo tem de estar preparado para o início de um novo ano lectivo. Quem está de fora falar é fácil, agora quem conhece a realidade dura e crua é mundo cruel e muito solitário. Compensatório sem dúvida porque já com 35 anos de carreira/profissão já passaram pais, filhos e agora aos poucos os netos. Sr Diogo Carneiro caracterizou muito bem a profissão e revi-me em algumas palavras proferidas. É triste falarem desta classe da maneira como falam, eu só conseguia ter a minha mãe, na verdadeira essência em Agosto. Eu podia ficar aqui a escrever, mas não vale a pena, porque não conhecem a realidade, só quem vive e partilha o espaço com um professor (a) é que sabe. E já agora (porque podem pensar nisso) lá por ser filha de professora não tive a vida facilitada, chumbei um ano e tive que me aplicar exactamente da mesma maneira como qualquer outro aluno. Bom Ano a todos.

  12. Notável e Admirável Colega:
    Um texto brilhante e extraordinário feito bem a propósito.
    Nunca, nos meus habituais, compromissos com a escola deixei de cumprir o meu dever cívico com os meus alunos de quem sou Pai, Educador e só no fim Professor, pouco.
    Costumo ouvir sempre os desabafos que trazem de casa. Sim! Sem ser Psicólogo.
    Neste momento estou exausto, desgastado e cansado, acredite?
    Mal consigo subir a rampa da escola e, muito mais, dei 37 anos de mim ao ato educativo de coração nas mãos.. Percebe, admirável colega? A acrescentar a tudo isto, um dia dirigia-me, pacatamente para a sala de aula e ouvi, um comentário dito em surdina, e eu prestes a desmaiar. Já tinha caído duas vezes desamparado na terra que comi pois bati no chão com violência.O comentário foi: – O professor está tão velho. Foi de imediato. As lágrimas caíram-me cara abaixo e com esforço cheguei a casa. Felizmente, estavam os meus dois filhos que me viram triste e escondendo como podia as lágrimas e o meu choro. Sim! É uma profissão de desgaste imenso. Não posso mais. Olhe, fabuloso colega, ESTOU EXAUSTO. Não posso mais.
    Com respeito grandioso perante tanta coisa extraordinária e fabulosa como delineia o seu raciocínio.
    Para mim, BASTA!
    Sempre a admirá-lo.

    pena.
    .

  13. O problema é aceitar que alguém emita opinião sobre o que faz. E aceitar que essa opinião é válida. Já comentou acerca das férias do seu médico de família com o ele?

  14. MUITOS COMENTÁRIOS. MUITA VITIMIZAÇÃO. QUANDO TIRARAM A FORMAÇÃO NÃO SABIAM PARA O QUE IAM ?
    A MINHA PROFISSÃO É A CRIATIVIDADE DE EVENTOS. E PARA TUDO CORRER BEM FAÇO PLANIFICAÇÕES. CHEGO A TRABALHAR 40 HORAS SEGUIDAS. NÃO ME LAMENTO PORQUE FAÇO O QUE GOSTO E TENHO PRAZER EM QUE TUDO CORRA BEM. TENHO 22 DIAS UTEIS DE FÉRIAS SEM COMPENSAÇÕES E NÃO RECEBO HORAS EXTRAS.
    NÃO TENHO MANUAIS DE APOIO COMO OS PROFESSORES TÊM , NÃO TENHO MATÉRIAS NA NET ONDE CONSULTAR.
    TRABALHO COM 30 PESSOAS DIARIAMENTE NOS PROJECTOS.
    SEI BEM AS FÉRIAS QUE TÊM POIS A MINHA FILHA, SOBRINHO E AMIGOS SÃO PROFESSORES.
    A MINHA FILHA ACHA QUE A PLANIFICAÇÃO QUE FAZ É COMO DE FORMAÇÃO SE TRATASSE E NÃO SE LAMENTA.
    é PROFISSÃO DESGASTANTE , CLARO QUE É MAS FOI A QUE ESCOLHERAM E ADMITAM SÃO BENEFICIADOS . NO ENSINO PRIVADO NÃO TÊM ESSAS FÉRIAS.

    • Claro… trabalha 40 horas e tem a remuneração correspondente! Mas, quanto tempo tem de “relaxe” durante o dia? É que na docência, tem as horas de trabalho sem um minuto de intervalo!!! É que eu sei (como deve saber muito bem também!) que há muita gente, mesmo muita gente em muitas profissões por esse país abaixo que têm um horário de trabalho de 40 horas semanais mas que, não são 40 horas de trabalho mas de presença no local de trabalho de facto! isto porque, a exercer (diga-se, trabalhar, efectivamente) apenas estão umas 20 horas,… ou nem isso!!! Precisa que lhe dê exemplos? Creio que, pobres desses trabalhadores, até se aborrecem com tantas férias diárias!!!

    • Não, não sabiam. Vivo com um professor e acredite: é um verdadeiro inferno. Quando ele foi para a profissão, assinou um contrato de trabalho com o Estado, (sim, ele é dos antigos que ainda fez estágio e não é para todos), contrato esse que tem vindo a ser completamente desrespeitado ao longo dos últimos anos. Vão lá fazer isso no privado, vão. Os contratos são para serem cumpridos em todo o lado menos……no Estado. E aos 60 anos, vão dizer o quê?? Que procure novo emprego???? Nunca percebi quando e de onde surgiram estes ódios aos professores. Talvez um dia eles (professores) deixem de existir. Não houve aqui alguém que se indignou por a professora não querer atender os alunos online??? Então depois, quando for tudo online e os papás tiverem que aturar os meninos em casa, se calhar vão valorizar o que agora desprezam.

  15. Se há coisa que faço questão de ensinar aos meus alunos é respeito. Primeiro por si próprios , depois pelos outros. A facilidade com que a maioria das pessoas emite opinião, muitas vezes ultrapassando o limite do respeito pelos profissionais (de qualquer profissão) que com o seu trabalho fazem uma sociedade funcionar preocupa-me. Toda gente tem opinião sobre o trabalho dos outros e como o deveriam fazer. A preocupação com o seu trabalho não sei se será a mesma. Quanto à falta de respeito pela profissão de professor a culpa é, em parte, nossa. Não conheço profissão que esteja mais exposta e somos nós que nos expomos ao tentar dar esclarecimentos sobre a mesma. Não são as greves nem os sindicatos, como muitos dizem, que nos expõem. Somos nós. A intenção é boa mas o resultado raramente o é. Quem quer estar informado procura informação. Há já algum tempo que desisti de explicar a quem quer que fosse o desgaste mental e emocional desta profissão.

    • Não aprecio perfis anónimos, mas é isto. O/a colega disse tudo. “Há já algum tempo que desisti de explicar a quem quer que fosse o desgaste mental e emocional desta profissão.”

      • E por estas e por outras que Portugal poderia ser um país fabuloso mas não merece as pessoas que tem. Tenham paciência professores … não há paralelo em tempos de descanso e ausência de sacrifício quando se é prof do ensino básico e secundario . Tenham vergonha e respeitem os restantes trabalhadores

  16. Cá fiquei eu a pensar: “Respondo ou não respondo?”… a sabedoria popular diz: “Não te justifiques!! Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam”. Depois lembrei-me da minha vizinha radio-terapeuta que tem uma licenciatura mas que, tal como os enfermeiros e outros profissionais de saúde, não recebe como tal, e tem, certamente, uma profissão desgastante. Lembrei-me dela porque, apesar de mal paga, de ter 40 horas de trabalho semanal, está sempre a dizer: “Professora? Nunca!! Levar trabalho para casa?” Esta vizinha vê luz acesa na minha casa até bem tarde, da mesma forma que me vê uns dias extra em casa, mas vê também para onde pende a balança…
    No entanto, o que quero dizer é que todos os empregos/trabalhos têm coisas boas e menos boas. É verdade que consigo ter o grosso das férias na mesma altura dos filhos, é verdade que consigo apoiá-los mais no período escolar, mas se hoje estou aqui a esta hora é porque o meu relógio biológico já não reconhece a hora de deitar antes das duas e meia ou três e a hora de levantar é às sete.
    Porque será que a minha filha está sempre a dizer para não me preocupar pois professora nunca será? Porque será que o meu filho já me disse: “Mãe tu não sabes, mas os professores têm de ter vida própria.”
    A verdade é que a galinha da minha vizinha é melhor que a minha… as coisas já foram muito melhor para os professores, mas também para os médicos, por exemplo, que depois das manhãs ou antes das tardes (pois só trabalhavam num turno) do centro de saúde ainda tinham tempo para os privados… que me desculpem os médicos, foram só um exemplo entre tantos outros que poderia dar… Não me vou queixar do trabalho, não vou dissertar sobre as minhas horas de trabalho. Estou-me a LIXAR literalmente para o facto de acreditarem ou não. Já nem quero saber dos anos que me roubaram com a conversão do tempo de serviço na nova carreira. Estou-me nas tintas para as horas de trabalho gratuito ou para justificar os quatro dias com sabor a rebuçado que tive extra.
    Só quero respeito, reconhecimento e, que acreditem que é uma profissão de desgaste rápido. Às vezes, muitas vezes!!!, parece que carregamos o peso do mundo nos ombros.
    Já agora, só não pedimos para fazer as 40 horas na escola, e MAIS, só não nos exigiram ainda que as fizéssemos (porque além de saberem que fazemos!!!), pois logisticamente não é possível ter espaços disponíveis para tal. Nem computadores, nem armários para os materiais. Ainda ninguém falou dos custos adicionais com a obrigatoriedade de termos escritório em casa, sob pena das nossas salas parecerem uma tenda de campismo.
    Já agora, compramos as nossas esferográficas, lápis, etc, porque não nos dão como nas restantes profissões. Muitas há em que os materiais do escritório chegam para oferecer à família toda. Nem tiramos fotocópias de borla para os nossos assuntos. É uma ginástica para fazer chegar os créditos de fotocópias para os materiais das aulas. Até se chega a imprimir em casa. É isso ou não se realizar algumas tarefas interessantes com os nossos alunos.
    Desculpem o texto não ser de leitura agradável, mas a minha falta de paciência para estas questões acabou por se refletir.

    • Apenas a título de resposta a alguns promenores. Os meus filhos também me dizem que não querem te a minha profissão, não compreendem porque é que quando estão de férias, grande parte das vezes eu estou a trabalhar, também me dizem que querem ter uma profissão diferente da minha.
      Questionam-me porque não posso chegar a casa mais cedo e porque não posso ficar com eles, quando não têm escola!
      Não sou professora, sou uma mera empregada de escritório e considero-a bastante desgastante, aturamos muita coisa, a diferença é que em vez de ser de crianças e adolescentes é mesmo de adultos com uma falta de formação enorme.
      Não tenho acesso a material de escritório para a minha família, apenas para o desempenho das minhas tarefas e se acredito e não coloco em causa, o facto de não proporcionarem aos professores material de escritório que necessitam para as suas tarefas administrativas, também sei que é verdade que, em muitos casos, conseguem arranjar manuais escolares para os seus filhos e não só, por os terem ou através dos seus colegas.
      Para finalizar, tudo tem os seus aspetos negativos e positivos e aqui tenho que ser um bocadinho desagradável para muitos, a verdade é que há muitos anos que oiço os professores queixarem-se e tenho que dar razão em muita coisa, mas é certo e sabido que não existem ilusões e à partida já se conhecem, nem que seja teoricamente, as desvantagens da profissão.
      Mas volto a referir, há muitas profissões desgastantes e cansativas e hoje em dia, quase todos temos o mesmo problema que é conciliar a nossa vida profissional com a pessoal.
      Não pondo em causa todos os argumentos expostos, apenas acrescento que inclusivé, tenho um caso bem próximo de um profissional dessa área que também consegue conciliar a sua profissão com um outro part time, com filhos.

      • Quando diz “mas é certo e sabido que não existem ilusões e à partida já se conhecem, nem que seja teoricamente, as desvantagens da profissão” está a partir de um pressuposto falso. isto porque as condições de exercício da profissão têm mudado dramaticamente… E não é só devido à crise (que apenas serve para explicar a degradação remuneratória!) mas também em condições de trabalho, nomeadamente, salas de aula inadequadas, sem recursos tecnológicos necessários (que apenas algumas escolas têm mas a todas se exige a mesma performance; em termos de número de aluno (cada vez turmas maiores); em termos de tipo de alunos (com muita falta de educação e de acompanhamento por parte dos pais!), seja ao entrarem para a escola e e durante o percurso escolar; programas cada vez mais complexos para as idades a que se destinam (como se fosse possível exigir que as laranjeiras de um fruticultor do Norte de Portugal dessem o fruto em setembro; alunos com cada vez com maior incapacidade de prestar atenção, que apenas querem saber do que se passa no mundo das tecnologias… das novelas e do e do futebol! ora, isto antes, não se esperava que acontecesse… Noutros tempos as escolas tinham todas o mesmo tipo de recursos. hoje á umas que têm tudo (as privadas) e outras que não têm quase nada! (as públicas!). Como motivar crianças e fazer aprender sem recursos? Pois… pois.

        • Corrijo a última frase que não entrou como deveria…
          “Hoje há umas que têm tudo (as privadas) e outras que não têm quase nada! (as públicas!). Como motivar crianças e fazer aprender sem recursos? Pois… pois.”

          • Apenas um breve comentário, para lhe dizer que tenho 3 filhos em escolas públicas e sou uma pessoa muito presente….
            Bom ano para todos nós!

  17. Sou professora, quero ser professora… Não lamento a escolha que fiz,, a opção que tomei. Lamento sim que discutam em praça pública esta profissão, mais que qualquer outra. Na verdade, eu não julgo os outros trabalhos, somente aqueles que nada fazem, nada constroem e se limitam a enxovalhar e denegrir aquilo que desconhecem. Se o fazem é porque tempo não lhes falta … Usem-no para serem melhores seres humanos.

  18. Tenho horas e horas de crédito que nunca me são contabilizadas como horas extra… Estou farto de ser …. “chulado” pelo Estado! O Estado português é um autêntico “proxeneta intelectual”. Usa e abusa dos seus servidores! Aliás, aquilo a que os “invejosos da parte boa de professor” chamam de férias, são conhecidas nas outras profissões como “dias de folga.” E gozam-nas sempre que trabalham horas além do contrato de trabalho. Nós, damos horas e horas extras e nunca as mal-ditas “férias” compensam o tempo que demos! Férias? Por isso, chamar férias a este período em que nem de casa consigo sair pela burocracia que é imposta pelo sistema educativo… é um insulto. Por isso, Férias de Natal? Uma Ova!!!”

  19. Caro J Silva, Não concordo em nada consigo!!! Mas é mesmo NADA!!! Pensamento de DITADOR? Será? Professor, não é de certeza ou está contra a classe? Não sou professor e dou muiiiito valor a eles!!! Nem me atrevia a escolher esta profissão! É muito honrada e penosa!

  20. A esmagadora maioria dos professores com mais de 25 anos de serviço está completamente saturada e farta da profissão, e só não saem porque não podem. Quem disser o contrário está a mentir. A não ser que tenham passado a carreira a dar aulas à noite, tenham tido turmas reduzidas (desdobramentos de turmas, por ex.) etc. Sabemos que nesta espécie de país qualquer artolas bota discurso sobre o ensino e sobre os professores… por acaso sabem que os professores classificadores de exames nacionais passam o mês de julho a ver exames? Se existem ovelhas “ranhosas” na docência? Sim, existem: são os que “passam” todos os alunos para ficarem bem na fotografia e não terem “chatices” com os pais; sim, são aqueles que nunca fazem greve, pois são peritos em faltar ao longo do ano; sim, são aqueles que ocupam os alunos a ver filmes quase todas as aulas. Ou seja, os professores não são deuses nem são perfeitos, mas uma coisa tenho a certeza: este país de gente vaidosa mas ignorante, não merece os professores que tem!

  21. Parabéns pelo texto!
    Relata a realidade tal e qual!
    “…período de compensação pelas inúmeras horas extraordinárias não remuneradas.” – subscrevo. É o argumento que uso perante os “invejosos”…. As horas gastas em reuniões intercalares ao fim do dia (6, 8, 9 turmas…), duas vezes por período, com as respetivas sínteses descritivas (por aluno), para além das reuniões de grupo, de departamento, de EE, de diretores de turma, etc., etc., cumulativamente com as aulas, preparação das mesmas, elaboração/correção de testes, atas das reuniões, etc., etc. superam em muito as 40h de trabalho semanal. A sociedade em geral desconhece a situação, ou finge desconhecer?

    Bom Ano Novo!

    • Também eu conheço a triste realidade do ultrapassar das 40h semanais, praticamente semanalmente e azar o meu… Não tenho direito a folgas suplementares!
      Mas não vale a pena, cada um vai defender os seus motivos, cada um conhece as suas “dores”. Aliás, quero deixar bem claro, que respeito todas as profissões e acho que todas têm o seu valor e necessidade, mesmo não havendo reconhecimento muitas das vezes!

  22. Eu sou professora e com muito orgulho. Não me considero uma “coitadinha” visto que tenho o privilégio de fazer o que eu gosto.
    Eu só lamento a falta de respeito e o desprezo que as pessoas revelam pelos educadores de um país. Uma nação que não valoriza os professores pertence ao terceiro mundo.
    Porém, nada há a esperar da mentalidade atrofiada dos portugueses. A comprová-lo está o facto de, nas urnas, votarem sempre nos partidos que roubam e delapidam a nação.

  23. De facto, é triste e lamentável ler este tipo de artigos…”coitadinhos dos Srs Professores…”, porquê??? São uma das classes privilegiadas deste país, os professores contratados ainda poderemos dizer, que talvez não. Mas realmente, o Sr que escreveu este artigo, só pode ser docente de uma escola do litoral e citadina deste país. É professor, educador, pedagogo? Pelo que escreve não sei e tenho dúvidas se o é, parece-me que foi para a profissão em busca de um título, do Dr. atrás do nome, mas à priori já sabia para o que ia. É revoltante a forma como qualifica os alunos, as escolas e os pais, se é o tal pai de família como diz, de certo que não gostará de ouvir os seus colegas, qualificarem-no como um “inimigo da escola”, ou chamar os seus filhos de selvagens e arruaceiros e que estão num ringue de boxe, etc. Eu, como mãe, não gostei desses comentários, porque não me considero como tal, aliás sempre gostei de acompanhar os meus filhos junto da classe docente e da comunidade escolar, tal como muitos dos pais deste país. O Sr como professor, pertencendo a um Ministério que ajuda a educar e que deve ser inclusivo, não está a mover-se dentro dos parâmetros de um bom professor, seria muito mais fácil termos alunos, pais, escolas e sociedade, pintada de um lindo cor-de-rosa, onde os problemas apenas seriam uma miragem, assim é muito mais fácil ser-se profissional. Mas devo dizer-lhe, que a superação de objetivos dificeis de alcançar, tornam-se muito mais recompensadores, tornando-nos vitoriosos. Ouve os seus alunos, não me parece, porque se isso acontecesse, a sua posição no mundo escolar seria outra. Trabalha muito!!! Faz menos horas que qualquer português, afinal há muitas horas como a de ser Diretores de turma, trabalho de estabelecimento, etc, para preparar testes e aulas, que estão contemplados no seu horário…tem 1 dia livre por semana, para preparar as burocracias que lhe são exigidas e quando sai mais cedo, do género, 15h30 ou ainda mais cedo, o comum trabalhador, ainda tem mais umas horitas para fazer e também somos pais, donas de casa, mulheres e homens, maridos e esposas e temos tanto ou mais tarefas para realizar. Como vê, todos temos as nossas atividades, as nossas adversidades, os nossos problemas a resolver e a ultrapassar. E quanto aos dias que têm, É VERDADE QUE OS TÊM!!! Porque fazem serões e reuniões pela noite dentro, para depois estarem em casa descansadinhos perto da vossa família, quanto aos restantes portugueses se o quiserem fazer, têm de tirar férias dos míseros 22 dias a que têm direito. Quantifique bem, 5 dias pelo Natal, 3 pelo Carnaval, mais 5 pela Páscoa, mais uns 10 durante o mês de julho, porque vão de vez em quando à escola para enganar os tolos e mais 22 dias em agosto…mas que grande total e são uns pobrezinhos… E o subsídio de almoço, entregam-no ao Estado, ou aos restantes contribuintes, dos dias que estão em casa? Claro que não…caladinhos… porque fartam-se de trabalhar, mas os restantes funcionários públicos tiveram de reembolsar os contribuintes pela tolerância de ponto que tiveram e têm durante o Natal!! Mesmo assim…coitadinhos!! SEJAM EDUCADORES dos nossos filhos e não estejam só a olhar para o vosso umbigo!! Continuação de bom descanso!!

    • Para os que comentam como a senhora só tenho uma resposta. Concorra para esta profissão, qualquer um que adquira as competências necessárias o poderá fazer. Depois passe por cá uns tempos, vamos ver se continuará com as mesmas opiniões. Não comento as outras profissões e seus profissionais, porque sei que só passando por lá se pode ter a exata noção das coisas.

      • Afinal…não é assim tão má!!! A referida PROFISSÃO!!! Mas se calhar comento, porque sei…uma vez que também não sabe, quais são as minhas competências dentro da minha área profissional, mas acredito que nem todos concordam com a sua opinião!!

    • Cara Natália,

      tivemos o prazer de nos conhecermos? É que sabe tanto sobre a minha pessoa…

      para si e só para si… Por vezes a ignorância não é uma virtude…

  24. Parece-me que ficou demonstrado que a profissão dos proferssores é mais difícil, dura, exigente e com maior carga horária do que as outras.

  25. Outra malta que não faz nada são os futebolistas: 90 minutos por semana? Que vida de lordes… E aqueles salários? É só férias

  26. I see a lot of interesting posts here. Your blog can go viral easily, you
    need some initial traffic only. How to get
    initial traffic??? Search for: masitsu’s viral method

  27. Sou professora com muito gosto, após 25 anos de trabalho. Lamento os comentários de quem não conhece o meio.

  28. Quantas horas por dia, trabalha um professor que tenha o horário completo? Penso que são menos de 40h semanais, talvez estas se completem com as tais horas noturnas…
    Os professores só podem tirar férias no mês de Agosto, será que os pais com filhos na escola, podem tirar férias noutra altura? Acho que no mês de Agosto é época alta, porque é o mês em que todos (ou quase) tem mais disponibilidade para gozar férias em família, este professor que escreveu isto, só olhou à parte pessoal, esqueceu-se que se tivesse outra profissão, talvez só pudesse tirar férias com a família em época alta também…
    Nas interrupções letivas, muitos pais tem de desembolsar 100€/200€ por cada filho, para ficarem em ATL, será isto justo?
    Infelizmente nunca ninguém está bem, existe sempre algo a lamentar!!

    • Quantos alunos já não tive que faltaram uns dias por estarem de férias com os pais… E que eu saiba os filhos crescem e chega uma altura em que estes já saíram de casa… Até parece que o país todo só faz férias no verão querem ver…
      Sobre os ATL, não, não é justo. Por isso digo que o modelo social está incorreto, em que a escola está a substituir-se ao pais.

  29. Os professores são uns heróis incompreendidos, mas que fazem muito, muito ruído; os professores são os únicos profissionais que dão, dadas, horas da sua vida pessoal, para lá do seu horário de trabalho, mas que tratam da sua vida, também particular, dentro do horário de trabalho; os professores não descansam, apenas têm interrupções letivas, no Carnaval, na Páscoa e no Natal, para além das merecidas férias entre julho e setembro; os professores quando sussurram ouvem-se gritos; os professores quando se sentem injustiçados, o mundo está contra eles; os professores são os escravos da sua profissão, todos os outros profissionais são privilegiados nas suas profissões; os pedreiros, os pescadores, os agricultores; os recolhedores de lixo; os corticeiros; os eletricistas; os bancários;os asfaltadores que se sujeitam ao estado do tempo, bom ou mau, são profissionais privilegiados que, no Carnaval, na Páscoa, no Natal tiram férias para efetuar viagens ou irem visitar familiares ou amigos.
    Os professores falam, gritam, esperneiam, protestam. E são ouvidos, compreendidos, tolerados e admirados. Se todos os outros profissionais de muitas outras profissões fizessem como os professores fazem, os professores saberiam (ao que parece não sabem), que, afinal, há outras profissões tanto ou mais exigentes, que não são, nem os únicos nem dos mais sacrificados.

  30. Fui professor durante 12 anos e agora profissional liberal . Posso atestar , enquanto professor nunca tive tantas férias e tão boas . Não há paralelo em nenhum sector de actividade . Tudo o que se disser em contrário é absoluto desconhecimento das condições de trabalho da população no geral . Os professores são uns privilegiados, ponto.

  31. Claramente esta classe “professores” são uns escravos da sociedade, enfim mais do mesmo.
    Devem ser dos que mais se queixam nesta sociedade.

  32. LAMENTO contrariar… quando diz “Sim, é verdade que depois das reuniões de avaliação do 1º e 2º período (Natal e Páscoa), bem como na interrupção do Carnaval, a maioria do corpo docente não se apresenta ao serviço e usufrui de uns dias de descanso.” E afirmo categoricamente que, os dias “a mais” de descanso são permuta que nenhum trabalhador trocaria: para que os trabalhos possam ser concluídos, são sábados e domingos anteriores, trabalhando mais de 12 horas por dia, são noites e noites seguidas até ás quinhentas, que nenhum trabalhador estaria disposto a fazer para que a escola pudesse ter os trabalhos feitos em período não letivo. E, em pleno período de aulas e até de avaliações, entram nos recreios com máquinas de terraplanagem… entram-nos pela sala de aula dentro, com ruidosas máquinas de furar, etc… etc… E por que acontece isto??? Porque não querem trabalhar de noite, porque não querem trabalhar aos sábados e domingos… ENFIM… UMA VERGONHA quando falam de férias que não temos… Pensam os ESTÚPIDOS que têm os filhos em casa, que, porque os filhos estão em casa, os professores já nada fazem! UMA OVA… O problema é que não suportam os seus descendentes (2 ou 3) ambicionando que nós, os professores, suportemos os seus filhos, 341 dias ao ano libertando os paizinhos da sobrecarga de aturarem os filhos nas férias (ficando com eles apenas ao fim de semana, isto é, aos sábados e domingos, para que os levem à escolinha de futebol, ou a passear ao Zoo, quando não mesmo, entretidos a jogar no computador, recusando-se a acompanhá-los na realização de trabalhos de casa no fim de semana!!!!!

  33. Recordo-me de, no tempo da ex-ministra LuLu, alguém se deu ao trabalho de estimar e contabilizar quanto tempo por semana um professor realmente dispende, incluindo o tempo necessário para corrigir tpcs, teste. Dado interessante, nesse estudo, no final do 1º período, o professor já tinha somado horas extraordinárias suficientes para ter direito a mais um mês de férias.

  34. E quanto aos ex-professores que aqui vieram confirmar que ser professor é gozar férias todo o ano: confirma-se duas coisas: o quanto amavam a profissão para a terem abandonado antes e depois de sairem da carreira.

    O texto escrito em cima aplica-se apenas aos verdadeiros profissionais, os que dão tudo pelo seu trabalho. Depois há os outros, os que usam os mesmos materiais há 20 anos, usam os testes das editoras sem adaptarem uma vírgula àquilo que realmente deram nas aulas, retiram umas 2 ou 3 questões de desenvolvimento para ser mais rápida a correção dos testes, não passam TPCs porque “coitados, os miúdos já trabalham tanto”, ou se passam, não os recolhem para corrigir. E é assim.

  35. O Problema é sempre o sector Público, professores a profissão é de desgaste. E o privado?
    os horários de trabalho são 37.5 a 40 horas semanais sobre fortes pressões diárias para cumprimento de metas sobre-humanas com ameaça de transferência para outros lugares caso os objectivos não sejam cumpridos. Vive-se um clima de escravatura. TPC no privado também existe!!!!é-nos atribuído um portal e um telemóvel é trabalho até as 2 3 da manhã para produzir relatórios para as reuniões do dia seguinte. sobre as férias dos professores lanço um desafio: Vão as escolas do 1º e 2º ciclo no final de Julho e perguntem onde estão os professores? sendo que um professor com alguns anos de carreira já tem material pedagógico suficiente, para não ter necessidade de todos os dias preparar aulas. No 1º ciclo ainda se ensina a ler salvo raras excepções com o p e a = pa. triste!!!! por isso é que o movimento da escola moderna tem poucos adeptos… porque quem o abraça tem muito trabalho pela frente e desafios diários. Enfim a verdade nem sempre impera.

    • não devia existir clima de escravatura. Existindo, é justitificação para que outros também vivam nela? E que tal as pessoas se organizarem, e em coletivo exigirem condições humanas no trabalho, em vez de se refugiarem no individualismo à espera que apareça o Cristo para lutar pelo que é correto? Mas como isto não faz parte da cultura tuga, onde esperam que alguém dê a cara para não correrem riscos, terem o beneficio e os que deram a cara terem o prejuízo, então a escravatura vai continuar a existir…

  36. Apenas respondo isto: muito trabalho não se vê da rua e não está nem remunerado nem incluído no horário de trabalho. Deste modo, os tais dias que aqui se fala, considero-os um banco de horas para compensar o que não foi pago e o que não foi contabilizado. Se assim não for, ótimo! Será como outras profissões: acabado o trabalho, tempo puramente pessoal e individual (seja durante a semana ou fim de semana), a ser dedicado a tudo o que não seja laboral. Veríamos quanto tempo uma escola aguentaria neste sistema…

    • Se existe essa grande preocupação com as condições e com as horas de trabalho que “dão”, porque não exigem (nas vossas inúmeras manifestações, greves e afins), que as escolas tenham condições para poderem cumprir as 40 horas semanais no seu local de trabalho (ESCOLA), com respectivo relógio de ponto ???

      Veríamos quanto tempo aguentariam neste sistema….

      • Que interessante seria “ouvir” ou “ler” a sua enorme franqueza, lucidez e conhecimento da realidade, se viesse fazer um ano (chegava para ver como se aguentaria) numa escola pública (ou até mesmo em algumas privadas, pode escolher!). Fica o desafio… Venha e mostre-nos, aos que não percebem nada do que fazem e passam a vida a queixar-se sem fazer nada, até porque têm 3 meses de férias de Verão, e mais não sei quantas interrupções ao longo do ano para a boa vida, como é que um trabalhador sacrificado, como V. Exa., faria. Teríamos todos, certamente, muito a aprender com V. Exa.

      • aguentaria até aos 90 anos.
        e já existe relógio de ponto há muitos anos, o que revela o quanto se desconhece de como funcinam as instituições…
        vá lá exigir seja o que for e verá a resposta que leva…

  37. Sobre este assunto recorrente que tresanda, afirmo 2 coisas:
    1- quem acha que a profissão é assim tão boa e com tanta regalia, em vez de se lamentar invejosamente, estude e candidate-se; ou seja, em bom português, “Estudasses!”.
    2- quem sente que a existência da profissão docente lhe prejudica a vida ou se sente incomodado/prejudicado pelas ‘imensas regalias’ que a profissão oferece, esteja descansado porque, desde 2005, a carreira foi destruída financeiramente e administrativamente, prejudicando gravemente a vida futura de milhares desses profissionais. Assim, já pode ficar mais feliz e contente na sua vida pessoal, porque com certeza ela melhora imenso com a desgraça dos outros…

    • Com este comentário, o Sr. Mário Silva consegue ser o espelho actual da profissão que exerce. Que maravilha de argumentos, que capacidade de raciocínio, que sumidade !
      Continue assim, que poderá almejar um dia deixar de ser um mero funcionário público e quem sabe alcançar o estatuto de Professor.

    • Este comentário anterior é o espelho da classe que representa.
      O que dizer a um polícia, a um enfermeiro, a um padeiro, a um trabalhador administrativo , a um empregado bancário (que estudou até a mestrado e ganga 600 euros)?
      Esta gente pensa?, tem alguma acuidade mental? Reflectem sobre as condições de trabalho dos restantes trabalhadores?
      A avaliar pelo que dizem, devem ensinar uma grande coisa…

  38. Lindo, adorei, fiquei até emocioada… não poderia estar mais bem explicado… tira-me do sério quando oiço… “então hoje estas de folga, ( isto às 16h da tarde, depois de ter feito 120 km, sair de casa às 8.00 deixar marido e filho, ter uma reunião até ao 12h… voltar, dar um saltinho à escola da criatura a resolver + um papelinho, e voltar a tempo a casa para o meu marido sair para trabalhar porque entrava às 16h) e oiço um … ” … então já estas de férias????”… não porra estou em trabalho condicionado a reuniões, papeladas, exames, papel e mais papel… “arre” dá-me cá uns nervos… quando me perguntam… só digo hoje estou com trabalho em casa… :/

  39. As “asinices” contra o Professores faz lembrar a pirâmide da importância: do topo para a base ficam todas as profissões e cargos públicos e privados “importantes”. No fim e na base ficam os professores como os ditos menos importantes. Resolvem então, por isso, sair da pirãmide…resultado: todas as “importâncias” colapsam! Ou como alguém disse: se a educação é cara experimentem a ignorância!

  40. Sim, tenho imensa pena dos professores. Trabalham o dia inteiro na escola para ganhar o salário mínimo nacional, reformam-se com pensões de miséria, e depois ainda trabalham em casa das 22h da noite até às 3 da madrugada… Deve ser por isso que os muitos que eu conheço, os vejo passar horas e horas todos os dias no café. Sim, eu também passo essas horas no café a conversar com eles, estou reformado. Coisas das terrinhas pequenas, nas cidades grandes ninguém sabe a vida cheia de trabalho destes profissionais. Uma professora minha conhecida até faz mais: Passa semanas inteiras em casa, depois chega à escola e organiza uma visita de estudo a um sítio bem longe. Saem de madrugada, ela e os alunos, voltam depois da meia-noite, e assim ela recupera as horas todas que não deu aulas. Coitadinhos… dos aunos, obviamente.

  41. Ehh, Alexandre…….

    Tocaste num “ponto sensível” e sai disto…..

    Mantém o “charme”, como dizia o Snoopy…..

    Estamos contigo!

    Boas mini férias!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here