Início Editorial A Tempestade Perfeita Que Levou À Falta De Professores

A Tempestade Perfeita Que Levou À Falta De Professores

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O jornal Expresso publica na sua capa que as escolas estão a desesperar por professores. Não é de agora que tal se fala, nem foi de repente que chegámos a este ponto. Apesar de não estarmos em situação de rutura, mas que a médio prazo poderá acontecer, a falta de professores em determinadas disciplinas e em determinadas zonas geográficas começa a ser muito preocupante.

Durante anos e anos vimos (e ainda vemos) professores a lutar por umas migalhas de horas num fim do mundo qualquer. Durante anos e anos vimos professores (e ainda vemos) a palmar quilómetros, deixando famílias amputadas durante todo o ano letivo.

Estes anos e anos levaram a que muitos dissessem basta e procurassem uma outra vida. Se somarmos os anos da Troika, onde a redução de professores foi significativa, poupando ao Estado cerca de 8 mil milhões de euros, poucos ficaram para o que desse e viesse.

O tempo foi passando, a carreira foi congelada, os ordenados foram baixando, o número de alunos por turma aumentou, a indisciplina também, as reformas educativas que nunca mais acabaram, e podia aqui continuar num relambório de queixas que justificam a insatisfação docente. Mas pior que tudo isto, é o relógio biológico que não para e as artroses, as enxaquecas e as dores de todo o tipo que até na alma surgem, apoderaram-se de um corpo que outrora foi saudável, forte, determinado e resiliente.

Os professores estão envelhecidos e muitos deles doentes, o que por si só podia ser resolvido se na carruagem de trás viesse uma vaga de professores frescos como uma alface do Lidl, dispostos a fazer o que a geração com 40 anos fez, de atirar-se para todo o lado, disposta a sacrificar-se mas com o intuito de ter uma boa carreira.

A nova geração de professores é reduzida e não está para isso e os atuais alunos dizem claramente que não querem ser professores. Digo-vos já que fazem muito bem, pois a minha geração foi enganada com promessas que nunca mais serão cumpridas. A realidade deu-nos uma chapada dolorosa e que ainda hoje está bem vincada na cara de muitos professores.

Se não bastasse, temos o problema da bolha imobiliária que fez disparar os preços dos alojamentos nas grandes cidades. Um quarto a 400 euros é obsceno, um T1 a 750 € é um roubo, e naturalmente que os professores não estão para pagar para trabalhar, numa profissão onde o nosso Ministro da Educação e Primeiro-Ministro até gozam com negociações de faz de conta…

E agora? Agora já pode ser tarde e podemos estar no início de um problema muito sério. Espero sinceramente estar enganado, pois apesar de alguns acharem que até é bom isto acontecer pois terão mais escolha, talvez tal não aconteça quando o Governo decretar turmas mínimas de 33,34 ou 35 alunos, ou obrigar os “velhos” professores a horas extraordinárias indesejáveis…

E depois “choramos” todos…

Fiquem com o conteúdo da notícia aqui

Alexandre Henriques

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9 COMENTÁRIOS

    • E esperava-se o quê?
      Tudo na vida tem limites e, nesta profissão, muitos deles estão a ser ultrapassados e não só pelo que está descrito nesta reportagem!
      Querem professores com o perfil que, agora, alguns pais, felizmente nem todos, exigem, com capacidade de ignorar a má educação tremenda de alguns alunos! Ponham, então, esses pais a dar aulas. Aqueles que muito exigem das escolas e que, em casa, pouco cumprem no acompanhamento dos seus educandos.
      Sempre disse que educar dá trabalho e, muitas das vezes, já chegam a casa cansados!
      Tenho o prazer de conhecer, no entanto , pais extraordinários que, mesmo cansados, não descuram nem a educação, nem a vida escolar dos seus filhos!

  1. Má gestão de recursos humanos. As zonas onde faltam mais professores são os QZPs que abriram vagas para a vinculação extraordinária. Os docentes vincularam nessas zonas e na mobilidade interna concorreram para a zona de residência. Não há falta de professores, estão é mal distribuídos graças à incompetência do ME.

  2. Alexandre, tudo que referiu está de facto a contribuir para a futura falta de professores. Mas, convém não esquecer as mais de 7000 mobilidades por doenca, sendo a sua maioria de professores do norte que pertencem aos QZP 7 e 10. Talvez fosse altura do ME mudar as regras para que só quem efetivamente precisa use essa mobilidade. Não há cotas (como nos contratados), qualquer doença serve do próprio, conjuje, ascendentes e descendentes, pode estar-se os anos letivos que se quiser ao abrigo dessa mobilidade, pois vai alterando o familiar doente, não precisa sequer haver horário!

  3. Quando obrigar os velhos a horas extraordinárias? Já é o meu caso. Aos quase 57 anos estou com horas extraordinárias porque os alunos estavam desde o início do ano sem professor de Inglês. É claro que não fui obrigada mas senti-me na obrigação

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