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A Realidade Daqui A 10/15 Anos | “Não Temos Professores Que Cheguem!”

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Apesar de não ser um especialista em história, atrevo-me a dizer que Portugal vai viver uma situação sem paralelo na Educação em Portugal. Os sinais da falta de professores são cada vez mais frequentes e tudo está a caminhar para a tempestade perfeita.

Os números não mentem e cerca de metade dos professores tem 50 ou mais anos. A situação mais dramática ocorre na disciplina de Português, enquanto do lado oposto os professores de Educação Física são os mais “novos” com uma média de idade a rondar os 45 anos.

Fonte: DGEEC

Apesar da taxa da natalidade ter vindo a baixar nos últimos 50 anos, os últimos 5 mostram uma inversão de ciclo, tendo mesmo aumentado o número de nascimentos em Portugal.

Fonte: PorData

É por isso factual que a diminuição da natalidade não será uma almofada para a brutal saída de professores que irá acontecer daqui a 10/15 anos. Estamos a falar de metade dos professores, cerca de 50 mil… E caso a recuperação de todo o tempo de serviço congelado permitir a antecipação da idade da reforma, podemos assistir a uma sangria significativa no espaço de 5/8 anos.

Além disso, os últimos anos têm vindo a mostrar que a renovação do corpo docente não está segura, chegando mesmo a números impensáveis e que surgem hoje no jornal Expresso.

Candidatos a cursos de Educação caem 30%

Após as três fases do concurso nacional de acesso ao ensino superior, a licenciatura em Educação Básica do Politécnico de Portalegre recebeu um único aluno. Ao mesmo curso da Escola Superior de Educação (ESE) de Castelo Branco, que todos os estudantes que querem vir a ser educadores de infância ou professores do 1º e 2º ciclos do ensino básico têm de tirar, chegaram sete, contra 33 no ano passado. À ESE da Guarda não chegou nenhum e à de Viseu 12, contra 45 em 2017. Nunca os números foram tão baixos.

A indisciplina, a instabilidade das políticas educativas, a obrigatoriedade de ir trabalhar para longe da família, a cada vez menos aliciante carreira, a má imagem dos professores numa parte da sociedade, a burocracia, a falta de democracia na eleição dos diretores, a descentralização a caminhar a olhos vistos e a eterna falta de condições, são um balde de água fria para muitos hipotéticos candidatos a professores.

Não será por isso de estranhar, digo até que existe uma alta probabilidade, que daqui a 15 anos estaremos a assistir a algo semelhante ao que acontece com os médicos. O aparecimento de incentivos para os professores irem lecionar para certas partes do país. Se chegarmos a esse ponto, significa que o Estado falhou. Apesar de ainda ser possível reverter a situação, as medidas terão de ser implementadas no imediato, pois o sistema já começou a falhar e o efeito bola de neve é inevitável…

Valorizem a profissão docente! Os professores há muito que gritam por respeito e não o fazem por egocentrismos ou simples capricho, os factos falam por si.

Se não acreditam nos professores, ao menos que acreditem nos números…

Alexandre Henriques

Há apenas 16 professores com menos de 30 anos nas escolas públicas do 1º ciclo

Em termos globais, há 61 vezes mais docentes acima dos 50 anos do que abaixo dos 30. Região Centro é a mais envelhecida

Educadores de infância estão entre os mais velhos da classe docente

Os bons alunos não querem ser professores. E isso é um problema

Falta de interesse pelo ensino ameaça futuro da educação

Ensino de Matemática em risco por falta de professores

Faltam professores de Inglês, Educação Moral e Religiosa e…

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15 COMENTÁRIOS

  1. Daqui a 10/15 anos? Já agora! Neste momento na escola onde leciono não se consegue um professor de Geografia há quase dois meses. As turmas foram atribuídas aos professores da escola e eu fiquei com a 2ª. direção de turma.
    Tenho conhecimento que noutra escola, na mesma disciplina, não há quem substitua, desde o início do ano letivo, uma colega em licença de maternidade.
    O desrespeito sucessivo pelos professortes só podia dar nisto!

  2. Se não existirem professores em Portugal, não existe qualquer problema. Importam-se professores.
    Existem países europeus que já importam professores vai bastante tempo.

    Ser Professor na Era da Informação constitui uma profissão cada vez mais desvalorizada e, por isso, o mercado encarrega-se de indicar aos Jovens o Rumo a Seguir e, esse rumo, não é seguramente Ser Professor.

    Só os Medíocres seguirão os cursos de via ensino.

    Só os Medíocres pretendem vir a ser professores.

    Só os Medíocres almejam uma profissão das mais reles da actualidade.

  3. Não te preocupes com a falta de professores.
    Adota-se o sistema dos anos 80, ate sai mais barato.
    Pessoal com o 12°ano e uma qq licenciatura vai “dar aulas”

  4. Há muito que digo à minha filha. Há-de haver um tempo de quererem Professores e não os terem….
    Não sou boa a estatística mas na História já posso falar. O tempo em que se recrutavam especialistas de ensino ao estrangeiro vai voltar, não se repetindo a História…
    Mas economia de mercado manda…

  5. Daqui por 10 anos far-se-á uma reforma que não precisará de 2 terços dos atuais professores. Será que isto já não está pensado? Até lá vai-se aguentando a coisa 😥

    • Sim, vamos ter “Sofias” nas salas de aula. Se existirem salas de aula…ou será mais do genero pílula do conhecimento…torna-se e já está! Sociedade de carneiros!

  6. Estou aqui a pensar que ainda há meia dúzia de anos “alguns” (bastantes) diretores fecharam mais de metade das vagas de quadro das escolas (havendo grupos onde fecharam todas), obrigando muitos professores a ir para os supranumerários, correndo, assim, com os que não lhes interessavam… Significa portanto, que os contratados nunca mais irão vislubrar a hipótese de entrar nas hipotéticas vagas deixadas por aqueles que se aposentam… Nem os outros conseguirão mover-se…
    Serão eles os responsáveis por esta debandada?! 🤔
    O sistema encalhou por um factor óbvio mas ninguém fala dele! 🤐

  7. Claro. O objetivo é substituir os professores pela inteligência artificial tal como acontecerá com os médicos. Reduzir a função pública ao mínimo indispensável. O Estado é um péssimo empregador, é um mau exemplo para os empregadores privados, desrespeita sistematicamente a lei e as pessoas, não quer expor-se constantemente e erodir a sua imagem. Como se está nas tintas para os professores, os diferentes ministros da educação podem dar-se ao luxo de se constituir em arquinimigos dos professores, é apenas uma etapa histórica, principalmente, com objetividade e sem parcialidade, os oriundos do PS. Valorizar o conhecimento e os seus agentes está fora de questão.

  8. Cada vez mais a desmotivação dos professores é sentida pelos alunos. Por isso, não podemos esperar que venham a surgir, daqui em diante, candidatos a uma das profissões mais ingratas do presente. Acredito, como alguém referenciou, que iremos voltar ao tempo em que qualquer um dava aulas. Quando eu comecei, tinha como colegas com o 9º ano a ensinar turmas de 9º ano (Físico-química!)
    Para além disso, a palhaçada em que caiu a escola com a flexibilidade curricular onde a escola é um sempre em festa e onde os alunos sabem e aprendem cada vez menos. Onde iremos nós parar?

  9. O problema não está só na falta de condições dadas aos professores.

    Nos últimos 2 anos entraram nos quadros muitos docentes. A maior parte deles no QZP 7. No entanto, a maioria dos que entraram nesse QZP mudaram-se com a Mobilidade Interna para o Norte do país (onde não há vagas a sobrar e há muitos docentes desempregados).

    Também é necessário repensar essa situação. Não faz sentido abrirem-se lugares de quadro em determinados QZPs e depois os vinculados nem lá põem os pés.

    Há que repensar a mobilidade, um docente que nunca tenha lecionado no seu QZP de vínculo ou que não trabalhe lá há mais de 3 anos deveria perder o vínculo a esse QZP, ou então ia para lá trabalhar já que manifestou a vontade de lá trabalhar.

    Vejam quantos docentes do QZP 7 estão a trabalhar fora do mesmo e façam as contas.

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