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A polémica dos calões da Nazaré… e fazer-lhe um mangueto?

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Por alturas do Natal, o blog do Arlindo publicou um texto, com base numa mensagem enviada aos professores por um Senhor Diretor de um Agrupamento da Nazaré. Pode ser visto aqui.

Muita gente se chocou com a mensagem por o Senhor solicitar serviço na pausa letiva. O tom era acintoso e a mensagem mostrava o estilo: queria as pessoas na escola, mas não dizia para quê. Entenda-se, não queria produção, queria castigo ou, pelo menos, presentismo

Presentismo para quê?

Do ponto de vista da legalidade não me choca que se diga que as pausas letivas não são férias (até deviam ser …). Mas é legal solicitar a presença dos professores em tempo de pausa de letiva para trabalho (trabalho substancial, não presentismo ou presença punitiva, entenda-se). Aliás, até nas férias é legal requisitar trabalho necessário. Mas não era isso que se percecionava no textito da ideia de quem o escreveu.

Por isso, se o Diretor se limitasse a solicitar trabalho específico e com utilidade pública, nada havia de especial. Fica-lhe mal e é pouco sensato não perceber como é estúpido atuar assim, mas realmente, realmente, não é ilegal. Uma mensagem educada e fundamentada e, às tantas, até se entendia. Não como regra, mas como necessidade do serviço, se a houvesse. Os professores são bem mais razoáveis do que julgam alguns diretores que se esquecem que também são professores.

É legal anunciar penas por causa de requerimentos a pedir direitos?

O ponto que me chocou, mesmo muito, foi outro. E envergonha-me muito ter de dizer que fui colega (fui diretor 6 anos) de alguém que faz isso.

E o ponto é grave e a sua inclusão no texto é ilegal, por muito que o Senhor Diretor estrebuche e até possa a berrar o contrário: no texto fazia comentários sobre aspetos (motivadores até de greve) de requerimentos  dos colegas que visava com a sua “requisição”. O tom soava: “ai, sim ,pediste pagamento de horas extraordinárias, agora trabalhas pelo Natal!”. Pouco sensato, pouco moral e, mais importante, objetivamente ilegal.

O Senhor Diretor tem, pelos vistos, por hábito lamentar-se (veja-se o texto de resposta seu que foi publicado ontem no blog do Arlindo). Para não que venha negar, cita-se o que constava do texto divulgado pelo Arlindo (a que respondeu em longo texto, ontem publicado, mas em que não desmente a parte a que me refiro – isto é, não nega, na sua resposta, no meio da confusão de referências e argumentos, que tenha associado a imposição específica de trabalho no período de pausa letiva às questões, para mais suscitadas no contexto de greve anterior, e, nomeadamente, o exercício do direito de achar e requerer que as reuniões intercalares sejam consideradas horas extraordinárias ).

Para entender as questões legais associadas a tal texto não é preciso um curso de hermenêutica jurídica: se alguém requer pagamento de horas de horas extraordinárias, o seu exercício do direito fundamental de requerer o cumprimento do que reputa de direitos, serve de base para gerar encargo penalizador futuro? O Senhor Diretor não sabe o que é o direito de petição, pelos vistos.

Ser diretor não é fácil …. mas vir lamentar-se de que trabalha muito e os outros são calões (como faz no texto de ontem no Arlindo) não é bonito em textos públicos e visando a divulgação. 

E, provavelmente, não é verdade. E dizer em tom gabarolas, para contraponto aos calões, o horário em que está  esforçadamente  (com certeza) presente na escola não prova grande coisa (retomemos o conceito de presentismo, referido a acima). Como eu dizia sempre, quando estava nas funções que o senhor ocupa: eu tinha escolhido aquela vida….e por isso não tinha do que me queixar. E quando me fartei, vim-me embora….

Não tenho problemas em admitir que, em privado, até quando fui dirigente, já disse muita coisa que não diria em público (e como toda a gente tenho arrependimentos), mas aquilo que faz a sensatez é perceber a fronteira. Aceito compreender os humanos, que são humanos e disparatam como humanos, mas há limites.

Vamos admitir que se o Senhor Diretor se passou. Acontece, e eu colérico que sou, entendo isso. A minha cólera tem pelos menos 2 limites: a Lei e o filtro da escrita. 

O problema é que o texto de resposta que mandou para o Arlindo é bem pior que o problema original.

Mostra que a coisa foi consciente e encerra a sua origem em se achar parte de uma clique superior, a que todos os desvarios verbais são permitidos (até porque recebe muitas mensagens de apoio, pelos vistos). E depois queixa-se que o tratam mal… pois….

Mas creio que vamos ter mais notícias deste Senhor Diretor. Há pessoas que julgam ser peixes e que, quando se lhes lança um isco, o engolem com anzol, fio e quase sorvem a cana…. E em vez de reagirem com juízo vão em frente até ao muro contra o qual batem.

E quando a isso se junta a inconsciência sobre os limites e obrigações efetivas da Lei e, eventualmente, achar que tem a barbatana dorsal quente, as histórias enredam-se.

E se, pela Nazaré, há peixes suculentos, também há, por aqui, quem ache graça a ver peixes a enredar-se nas linhas.

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1 COMENTÁRIO

  1. Ao Sr. Diretor da escola da Nazaré
    vejo com muito desagrado a forma como se dirigiu aos professores em geral chamando-lhes, entre outras coisas, “malcriados e calões.”. Ora vejamos, os professores estão satisfeitos? Os professores trabalham horas a menos? Os professores não estão sujeitos aos insultos e indisciplina de alunos integrados em turmas excessivamente numerosas? Os professores não têm centenas de testes para corrigir?Os professores não estão, muitas vezes, deslocados da sua residência sem ter qualquer ajuda de custo? Estas são apenas algumas das muitas perguntas que poderiam se feitas ao Sr Diretor: Trabalha muitas horas por dia? Peça a sua demissão e volte a ser professor para ver se a sua opinião se mantem. Já agora, eu faço parte daqueles professores que nunca, ou raramente, falta, tenho quase 200 alunos repartidos por 9 turmas e, simk, trabalho muito mais do que 35 horas por semana.

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