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A escola que eu quero para os meus filhos

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– Na escola que eu quero para os meus filhos, esta faz realmente parte da comunidade. Com regras claras e definidas, respeitando-se os limites de funcionamento, as crianças têm a oportunidade de sentir a escola como uma extensão da família, em que as portas estão abertas aos pais no quotidiano e estes podem participar activamente na melhoria do espaço escolar;

– Na escola que eu quero para os meus filhos, os professores têm autonomia, liberdade, espaço e tempo para adequar as suas práticas às características e necessidades diversas dos seus alunos, sem ficarem esmagados com metas-curriculares que não lhes servem a eles e muito menos às crianças;

– Na escola que eu quero para os meus filhos, as crianças têm a oportunidade de seguir as suas motivações e interesses, por oposição a um currículo rígido que determina em que altura e de que forma elas devem aprender. Nesta escola, acredita-se que todas as crianças gostam de aprender de forma inata e que para não perderem esse gosto e virem a ter sucesso no futuro é mais importante explorar a motivação intrínseca do que adquirir competências vazias de significado;

– Na escola que eu quero para os meus filhos, os recreios não são rodeados de cimento e têm espaços verdes, areia, terra, paus, folhas e árvores para brincarem livremente. Faça chuviscos ou faça sol, desde que devidamente equipadas, elas vêm para o exterior se assim o quiserem. Os profissionais de educação colaboram a reeducar os pais mais resistentes e explicam-lhes a importância do brincar ao ar livre, de desenvolverem competências motoras, de explorarem o jogo simbólico com materiais da natureza e de se sujarem;

– Na escola que eu quero para os meus filhos, as avaliações são qualitativas e contínuas, os testes perdem toda a sua importância e os alunos aprendem a valorizar muito mais os processos do que os resultados, com coerência. As avaliações diárias servem para se perceber em que nível está o aluno, no que é que ele pode melhorar, que competências são importantes adquirir, sem a frenética procura de aumentar a percentagem no teste seguinte, mesmo que isso apenas implique decorar e despejar;

– Na escola que eu quero para os meus filhos, os alunos estão virados uns para os outros, debatem diariamente as matérias e têm os professores a mediar as suas próprias aprendizagens. As cadeiras e mesas alinhadas para o quadro são substituídas por aprendizagens activas e está mais do que assente que as aulas maioritariamente expositivas estão completamente ultrapassadas;

– Na escola que eu quero para os meus filhos, os profissionais querem ter formação em disciplina positiva e aprendem estratégias que fogem ao sistema previsível e pouco eficaz da punição-recompensa.

– Na escola que eu quero para os meus filhos, os alunos são envolvidos nas decisões e regras do espaço escolar, ganhando mais liberdade e também mais responsabilidade. As regras arbitrárias e autoritárias dão lugar a assembleias onde cada um pode sentir que tem uma voz, preparando-se cidadãos que serão elementos interventivos na sociedade. – Na escola que eu quero para os meus filhos, as pessoas substituem o discurso do “mundo que temos” para o “mundo que queremos” e assumem em primeiro lugar que as verdadeiras mudanças começam sempre nelas próprias.

Ana Rita Dias – Membro do Movimento Pais, Professores, Educadores e Alunos Unidos – MAPPE

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6 COMENTÁRIOS

  1. Pois esta não é a Escola onde, no fundo, os professores são uns paus mandados e os Pais e Encarregados de Educação, e respetiva prole dita , manda e desmanda!
    Já agora uma vez que os Pais devem ter um papel tão dominante nos destinos da Escola, sugiro que façam o mesmo em alguns colégios privados , daqueles de topo, que têm fila à porta para os meninos da Elite entrar, e os aspirantes da classe média , a espreitarem uma brecha…
    Sugiro que façam o mesmo com os Médicos, Juízes etc…
    Esta não é a Escola que eu quero para os meus filhos, embora haja coisas com as quis me identifico… De resto é tudo muito pós-moderno e conforme os sinais deste tempo… Numa escola destas poderá ser divertido mas aprende-se e ensina-se pouco… Saber pouco é o caminho para a escravatura! Não há conhecimento sem esforço! A vida é dura e no final morre-se e volta-se ao pó. Volto a dizê-lo: a Europa hedonista vai cair do pior modo.

  2. Julgo que em tal escola não faltará Reiki, Milldfulnesss, Inteligência Emocional, tofu, e vida bué , mas bué de moderna e saudável…
    Os professores estão ali para mediar a inteligência transbordante da criança, abandonando a sua função repressiva de transmissor de conhecimentos, e os ditosos papás entrarão, pelas portas abertas, para ver se tudo corre segundo os desígnios dos papás que tudo sabem da escola e do ensino…
    Acabemos , pois, com os trogloditas repressivos da punição-recompensa e obrigando-os a fazerem formação com gente bué de preparada em Psicologia Moderna e Fofinha… Se eles não vislumbrarem o caminho da verdade é sinal que não devem ensinar…
    Uma maravilha! Adiro já!

      • Estava a brincar… Sou um rural matador de porcos, comedor de couratos, e peregrino da velha culpa/castigo judaico-cristã! Com a idade só vai piorar… A não ser, como o velho morgado, Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, caia o anjo e se despedace nos braços da pós-modernidade. Por enquanto vou rilhando uma orelha de reco, tesa do sal, e emborco uma de tinto do Dão, velho! Sem verduras!

  3. O que mais me incomoda é que lançam uma petição com uma série de opiniões pessoais, que querem carimbar de científicas, e aproveitam para , com paninhos de lã, destratar a Escola Pública e os seus profissionais…
    Mostre-me lá onde estão os estudos científicos sobre a escola que defendem. Batem na velha tecla do ensino ultrapassado e tratam os professores como idiotas e desconhecedores da pedagogia, em geral… Saberão que há professores doutorados nesta área a exercer e que dominam bem a área teórica , não concordam, e há muitos que não concordam, com a opinião , friso opinião, que tentam passar por verdade científica ?! Repare-se na arrogância dos pressupostos da dita petição:
    ” …Há um enorme desconhecimento de métodos diferentes que em nada se assemelham ao ensino tradicional, que já deram provas de serem muito mais eficazes no rendimento e motivação dos alunos. Nos tempos que correm, a formação dos profissionais, desde auxiliares a professores, é ainda demasiado pobre e sem os dotar de conhecimentos mais profundos ao nível do desenvolvimento e psicologia infantil…”
    Da mesma petição o imiscuir-se no ato educativo, dentro da sala de aula, e indicando aos profissionais, que parecem desprezar, o modo como devem, inclusive, dispor as mesas:
    …” Queremos colaborar para que as SALAS DE AULA deixem de ser mesas e cadeiras alinhadas, viradas para um quadro onde o professor é acima de tudo um transmissor inquestionável de conhecimentos. A evolução no acesso à informação faz com que as crianças não precisem que lhes transmitam saberes mas que as ajudem a estimular a criatividade, o pensamento crítico e a flexibilidade de pensamento. As crianças precisam de ficar viradas umas para as outras, em grupos heterogéneos dentro da sala de aula, de forma a aprenderem umas com as outras com o material que lhes é fornecido. ”
    Há uma parte , que aprece que está provada, que nem sequer entendo :” provado que a melhor forma de aprender é a ensinar, pelo que é na troca de ideias com os pares que melhor podem consolidar os conhecimentos. ”
    Mostre-me, e publiquem, os tais estudos científicos, onde se prova que o que defendem é o melhor para o Ensino Publico e para a maioria dos alunos portugueses, e não para uma minoria, que quer impor aos outros, uma ideia mimada da educação. Mais , não se podem comparar coisas incomparáveis: escolas que usam organização e pedagogia alternativa, em meios económicos altamente carenciados. Foi aí que essas escolas surgiram! Onde ninguém pedia nada e onde alguém achou que devia dar mais alguma coisa!
    Não é assim que encantam os professores!

  4. Muitos pais atuais não conseguem contrariar os filhos; ensiná-los a ser pacientes, resilientes, educados… Lidar com a frustração, despender esforço, concluir actividades de forma rotineira são tarefas quase impossíveis para muitos alunos, então é preciso mudar a escola, torná-la flexível e capaz de ensinar cada aluno ao seu ritmo, ao sabor da sua vontade e criatividade, sem frustração, sem desconforto, sem esforço, sempre num movimento perpétuo de prazer e de felicidade; se um levará uma semana a atingir o objectivo, o outro poderá demorar um mês, exigindo-se das escolas a implementação de todas as estratégias possíveis, que façam brotar naturalmente o conhecimento do segundo…sem lhe causar o mínimo constrangimento…
    Em que parte do mundo é que isto é possível sem ser em ensino personalizado, quase de um para
    um, é que não dizem, e é pena.
    A estes pais aconselha-se vivamente o ensino doméstico.
    Muitos pais esperam da escola um ensino que proporcione aos filhos a aquisição de competências que lhes permita ingressar no ensino superior, num curso que lhes garanta acesso ao mercado de trabalho nos termos em que ele existe, ou seja, fortemente concorrencial.
    Há pais que pensam de forma diferente? Haverá, mas a diferenciação pedagógica exigida não poderá comprometer a aprendizagem daqueles que, por ambição ou capacidade, querem chegar mais longe.

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