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A Capa Do Público Não É Justa Para Com Os (Futuros) Professores

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Este tipo de título numa 1ª página de um grande jornal como o jornal Público, traz consigo uma carga negativa dispensável pois é tremendamente injusta para com os professores. Ainda por cima resume-se aos resultados de exames como se os exames fossem um Deus Todo-Poderoso e os seus resultados uma Bíblia sagrada. É que o “Zé Povinho” que passa na rua, ao ler a manchete do jornal Público, fica com a sensação que os professores estão menos aptos para ensinar a língua de Camões do que os médicos. Não está escrito, é verdade, mas está implícito.

Apesar do corpo da notícia apresentar uma série de justificações lógicas para este desfasamento, convém acrescentar que para se ser professor, o saber do “ABC” é apenas uma parte das características necessárias para um bom desempenho docente.

De nada adianta um professor dominar como ninguém os conteúdos, se ao transmiti-los apresentar graves lacunas na oralidade/construção de discurso. De nada adianta dominar a língua de Camões, se não souber planear uma aula ou diferenciar estratégias ao “público” que se senta à sua frente. De nada adianta ser um especialista a construir frases bonitas, se for uma “besta” no trato e não conseguir articular com os restantes colegas.

Eu sei que o jornalismo está em crise, mas há certos títulos que até podem trazer benefícios imediatos para um jornal, mas acreditem que causa danos muito mais gravosos a uma classe que precisa de ser novamente respeitada por toda uma sociedade.

É que até os jornalistas já foram alunos um dia…

Alexandre Henriques

 


Futuros professores têm pior desempenho a Português do que aqueles que serão médicos

Os alunos que escolhem cursos do ensino superior da área da Educação e esperam, portanto, vir a ser professores, estão entre os que têm pior desempenho a Português, indica um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), agora divulgado.

Mais concretamente, os alunos que em 2016/2017 ingressaram em cursos de Educação tiveram uma classificação média de 10,2 valores no exame nacional de Português, ficando em penúltimo lugar numa lista que identifica as dez áreas de formação oferecidas pelo ensino superior. Em último, com uma nota média de 10 valores numa escala de 0 a 20, encontram-se os estudantes que optaram por cursos da área de Serviços (Turismo, Serviço Social, Restauração).

No extremo oposto estão os estudantes que ingressaram nos cursos da área da Saúde, como Medicina, que têm o melhor desempenho a Português: 12,4. Os que ingressaram em cursos de ciências sociais, jornalismo e informação ficam em quarto lugar, com uma média de 11,8.

“Não constitui surpresa. Esta era já uma leitura intuitiva que se fazia a partir das notas mínimas exigidas para determinados cursos e universidades”, comenta a presidente da Associação de Professores de Português (APP), Filomena Viegas, frisando que os alunos para entrarem, por exemplo, num curso de Medicina, “têm de ter resultados superiores em todas as disciplinas para conseguirem chegar à média de acesso que é pedida”. A média de acesso a Medicina tem rondado os 18 valores, enquanto a dos cursos de Educação anda à volta dos 12 valores.

Para chegar aos dados agora apresentados a DGEEC foi analisar quais as classificações obtidas em 2016 no exame nacional de Português do 12.º ano pelos alunos que, nesse ano, ingressaram no ensino superior através do regime geral de acesso. O exame de Português é o único obrigatório para todos os alunos.

O universo abrangido por este estudo foi de cerca de 40 mil estudantes, o que segundo a DGEEC, “representa aproximadamente, 77% do total de ingressos no 1.º ano de cursos de licenciatura e de mestrado integrado, através do regime geral de acesso de 2016/2017”.

PÚBLICO -

Como os dados já referidos deixam antever, os alunos com melhores desempenhos são aqueles que se candidatam a cursos do ensino superior em que o Português não é exigido como prova de ingresso, o que sucede por exemplo na área da Saúde ou das Engenharias. A média no exame de Português para os cursos que não têm esta disciplina como prova de ingresso ronda os 11,9 valores, descendo para 11,3 quando estão em causa os cursos que têm este requisito.

Também na mesma linha pode-se constatar que as melhores classificações médias a Português não se encontram no curso de Línguas e Humanidades do ensino secundário (11,1), mas sim nos cursos de Ciências e Tecnologias (12,2) e de Ciências Socioeconómicas (11,8).

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5 COMENTÁRIOS

  1. Lamento a situação, mas a verdade é que só se consegue ensinar (transmitir conhecimento) aquilo que dominamos. Eu só consigo ensinar Matemática se dominar perfeitamente a matéria para a qual me proponho leccionar. Tudo o resto é “conversa da treta”.
    De facto, um individuo só pode ensinar a construir mesas e cadeiras se possuir conhecimentos para o efeito. Assim sendo, não me venham com “pedagogia barata” que não vale a pena.

    Vejamos, agora, o titulo do Jornal “Público”.
    Em primeiro lugar, o titulo do jornal é uma denuncia com fundamento e bastante grave. Esta é uma verdade que dói, mas é pura realidade.

    Eu iria mais longe. Desde a constituição das Escolas Superiores de Educação (ESE) e, paralelamente, as Escolas Superiores privadas (PIAGET, Lusíadas, Lusófonas….) começou o descalabro na formação. Este baixíssimo nível ao nível da formação acentuou-se com os Diplomas à Bolonhesa (Bolonha).

    Por outro lado, os alunos que seguem para Cursos da Via Ensino são os mais MEDÍOCRES, ou seja, aqueles que não possuem competências para seguir outras vias.

    Dentro em breve, vamos assistir ao descalabro total. Diga-se que para os professores da Escola Pública (de massas) até acho o nível bastante adequado.
    O Ensino Privado fará, com toda a certeza, o recrutamento dos melhores habilitados.

    É esta a Realidade.
    É esta a Verdade.

    Penso que a Comunicação Social devia ir mais longe na denúncia.
    .

  2. Amigo Tobias, o senhor não lamenta nada! O senhor julga-se mais competente e capaz que os restantes! São estas análises feitas às três pancadas que os professores não passam da cepa torta. Só uma notícia destas, feita à pressão, que só tem o objetivo de denegrir a classe docente, tem a importância que o senhor lhe dá, aliás, qualquer professor minimammente informado, percebe que esta notícia é treta. Como sabe, as médias para entrar nos cursos de medicina rondam os 18 valores, logo, estes alunos terão de ter classificações altas na disciplina de português, certo? Portanto, não venhe denegrir as escolas superiores e os institutos, não é por ai, valorize os professores e o excelente trabalho que fazem com os nossos filhos. Mais, o senhor sabe que das milhares de vagas colocadas a concurso para os cursos de via ensino, só foram ocupadas por 10% e pelos piores alunos do secundário. Sabe porquê? Porque os socialistas, sim , os socialistas, começaram uma cruzada, no tempo da reitora Lurdes e do Amigalhaço Sócrates, contra os professores e a sua dignidade e continuam hoje na voz de Costa, Leitão e companhia.
    Não se preocupe que hão-de ser haver professores, bons ou maus, mas teremos professores.

    • Caro Zé

      Lamento termos chegado a esta “choldra” para não dizer outra coisa.

      Não vai demorar muito tempo para que fique bem visível aos olhos da opinião pública a mediocridade daqueles que estão a começar a integrar a dita “carreira docente”.
      Vamos deixar sair os mais velhos. Sim! Vamos deixar sair aqueles que possuem preparação cientifica e Licenciaturas (a sério) realizadas antes de Bolonha em Universidades/Faculdades e, depois, de forma mais transparente, vamos verificar o que resta. E o que resta é a mediocridade que mencionei acima.

      De todo o modo, como referi anteriormente continuo a pensar que qualquer individuo com um 12º Ano (bem feito) serve perfeitamente como educador ou professor numa Escola Pública. Face a esta realidade, continuo a pensar que a grelha salarial dos docentes do ensino público está inflacionada e necessita urgentemente de ser ajustada a esta realidade.

      Penso que a grelha salarial dos docentes do ensino público não deveria ultrapassar o 5º escalão (2.021,05 € /mês – ilíquido).

      Cursinhos em eduquês das ESEs, dos PIAGETs e de institutos (de vão de escada) afins não preparam para coisa nenhuma e, por conseguinte, os que ingressam no Ensino Público destinam-se a aturar meninos e, para esse efeito serve qualquer um.

      E digo-lhe mais. O Fernando Madureira (mais conhecido pelo Macaco) devia integrar a carreira docente.
      “Impulsionado pela família”, falou “com algumas pessoas” e entrou, “um bocadinho a medo”, no Instituto Universitário da Maia (ISMAI), estabelecimento de ensino privado situado naquele concelho da área metropolitana do Porto. Madureira licenciou-se em Gestão do Desporto com 16 valores e, em novembro do ano passado, atingiu o grau de mestre, com um projeto de mestrado intitulado “Bancada Total: uma inovação ao serviço do clube”, obtendo a classificação final de 17 valores.

      https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/porto/noticias/interior/lider-dos-super-dragoes-acabou-o-mestrado-com-17-valores-5491688.html

      Este também é aluno á Bolonhesa do ISMAI.

      .

  3. Que top…assim é o caminho em Portugal..muitos daqueles que passam à frente …e fazem marketing e estão no top … aprendMe nada mais nada menos que …MARKETING DE VIDA

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