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A adolescência acabará, agora, aos 30 anos?

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em casa dos paisComo é evidente a geração que educou os jovens de hoje, ao fazê-lo com demasiada vontade de lhes proporcionar demasiados confortos, materiais, parece ter-lhes prolongado a adolescência até aos 30 anos.

A tomada de decisões, a participação construtiva na sociedade, por parte dos nossos jovens deixou de acontecer aos 18 anos, isso é só para votar.

Claro que se pode dizer que não há emprego, que se estudou muito, o que em parte é verdade, mas ficar-se ainda aos 30 anos, à espera que tudo por milagre mude, talvez seja pouco.

Como é evidente estamos a viver tempos muito difíceis, e estes jovens a que se permite aqui, ainda aos 30 anos considerar de adolescentes, foram preparados para facilmente tudo “ter”. Foram preparados para viver uma linha rectilinea, em que tudo iria sempre acontecer de forma muito certa, muito bem programada, por outros, e que bastaria estar dentro do sistema que este tomaria conta deles.

Como tudo isto foi construído numa falácia, e como está tudo de rastos, e como ninguém quer perder alguns privilégios, tudo vai parando, a cada dia que passa.

A construção de um futuro sustentável, deixou de poder ser feita com jovens entre os 18 e os 25 anos, para hipoteticamente acontecer a partir dos 30. Sendo que a partir desta idade, talvez já seja tarde. Talvez muitas formas de estar na vida tenham sido adquiridas, e como não é possível dar-lhes continuidade, o bloqueio é evidente.

O “ter” foi algo prometido de qualquer jeito, e o “ser” foi algo que não foi ensinado. Como o “ter” é precário e se foi, a desorientação é total. E a melhor forma de manter tudo na mesma a fazer-se a adolescência ficar vivida ainda aos 30 anos, com todo o manancial de atrasos e potencialidades perdidas, que são evidentes, quando vemos gerações de “bem formados” sem terem, orientação de futuro.

Claro que os mais velhotes somos culpados, de assumir que tudo seria sempre a crescer, que tudo estava adquirido bastava só “estar cá”.

Não é, não foi e nunca mais será. E a alternativa nunca é tudo partir, tudo estragar, mas todos e principalmente os jovens, assumirem a condução efectiva das suas vidas a partir dos vintes. E isto de modo algum faz desligar gerações, bem pelo contrário, faz uni-las em objectivos de vida comuns, em carinhos trocados, em palavras e acções construídas. E não como está a acontecer em dependência material, a todo o custo e sem se saber quando tudo vai cair, por terra.

Temos que mudar e recriar o fim da adolescência para os 18 anos, enquanto é tempo! A bem dos próprios! E de todos!

Augusto Küttner de Magalhães

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