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30% Dos Alunos Diz Não Gostar Da Escola

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Há quem opte por meter a cabeça na areia, fomentando a ideia que os alunos têm de “comer e calar” como no tempo da outra senhora. Para quem percebe o mínimo e digo mesmo o mínimo de inteligência emocional, há muito percebeu que é muito mais fácil ensinar e aprender quando se gosta do que se está a fazer. Se em 20 anos o grau de insatisfação dos alunos passou de 13,1% para 29,6%, devemos refletir se o caminho que seguimos foi o mais correto e se o caminho que estamos a seguir é o mais ajustado.

As crianças e jovens têm estímulos brutais fora da escola, ignorar essa realidade, é fechar a escola numa redoma que apenas irá aumentar a percentagem de insatisfação dos alunos. A escola não consegue competir com o mundo exterior, mas a escola se quer acompanhar a sociedade atual, não pode ignorar o que se está a passar.

Pior ainda é juntar a insatisfação do corpo docente e não docente. Há momentos que penso como é possível sair algo de positivo quando anda tanta gente insatisfeita…

P.S – vou escrever isto a negrito para que os Afonsos Costas e afins não deturpem o que ando a escrever. Não sou, nem nunca fui apologista do facilitismo ou de deixar os alunos fazerem o que querem nas aulas. Não sou, nem nunca fui um radical de experiências educativas ou um enviado de regimes educativos nórdicos. O meu objetivo é levantar questões, promover o debate e evitar a cultura do chicote e o romantismo de que todos devem passar, mesmo que nada saibam. Guio-me pela moderação e pela boa educação. Por isso, não posso deixar de lamentar os insultos cobardes (todos apagados naturalmente) dirigidos à minha pessoa por quem se esconde atrás de um teclado. O artigo que escrevi – Quanto Devem Valer Os Testes Na Avaliação Final Do Aluno? – é apenas uma opinião nada mais nada menos…

Meus caros, é muito simples, recebo-vos com todo o gosto na minha casa, mas se não gostam da decoração, podem simplesmente ir para outro lado.

Alexandre Henriques


Escola continua a não cativar os jovens

A relação aluno-escola é cada vez mais problemática. Um estudo da Organização Mundial de Saúde  (OMS) procura ajudar-nos a perceber porquê. Há 20 anos, quando Portugal participou pela primeira vez no “Health Behaviour in School-aged Children” (HBSC), 13,1% dos adolescentes dizia não gostar da escola. Atualmente, a percentagem é de 29,6%. Ou seja, em duas décadas, a insatisfação triplicou.

A comida do refeitório é a principal razão apontada para não gostar da escola, mas o que verdadeiramente faz soar todos os alertas é o número de jovens para quem o pior de tudo são as aulas. Encontram-se neste grupo 35,3% do universo de 6.997 jovens do 6º, 8º e 10º ano das 387 turmas dos 42 agrupamentos de escolas do ensino regular abrangidas pela investigação de Margarida Gaspar de Matos, da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa.

Pior ainda do que não gostar da escola é estar cansado e sentir-se triste. De acordo com o estudo, 17,9% dos jovens sentem-se exaustos quase todos os dias, 12,7% manifestam problemas em dormir e 5,9% dificuldades em suportar tanta tristeza.

O problema poderá não ter origem em fatores externos, como indicia a elevada taxa de jovens que diz não ter instigado práticas de bullying nos dois últimos meses (90%). Idênticos são os números do ciberbullying.

Segundo o estudo, a maioria diz-se feliz. Uma afirmação que contrasta com o elevado número de alunos – um quarto dos inquiridos – que diz ter tido comportamentos autolesivos, pelo menos, uma vez durante o último ano. Destes, mais de metade (58,7%) acrescenta ter-se magoado nos braços.

A linha de horizonte dos adolescentes portugueses é muito curta, o que é outro dado inquietante. Mais de metade dos inquiridos (54,8%) do 8º e do 10º ano responde “não” à pergunta sobre se pretende continuar os estudos na universidade e um terço diz que tem fracas expetativas sobre o futuro profissional ou não sabe responder. Há oito anos, 69,3% admitiam que pretendiam prosseguir estudos universitários, uma quebra de 15 pontos percentuais.

Mais de metade dos adolescentes (51,6%) considera-se mau aluno e justifica a apreciação com o facto de não ter boas notas. Mais uma vez a escola surge no banco dos réus por várias razões. A larga maioria, 87,2%, invoca excesso de matéria, 84,9% diz que esta é aborrecida e para 82% é difícil. Já 77%, aponta a avaliação como o principal problema.

O estudo sobre os estilos de vida revela também que nos tempos livres, 56,6% dos adolescentes portugueses usa o telemóvel, 46,9% ouve música e 35,7% aproveita para dormir. Mais de metade (50,7%) diz que não tem tempo para desenvolver mais atividades de lazer. Se a vida na escola é desmotivadora, fora dela não parece mais interessante. Metade dos inquiridos diz que raramente ou nunca lê, 80% participa em atividades de voluntariado, 65,7% se envolve em atividades religiosas e 86% raramente ou nunca tem intervenção associativa ou política.

O estudo da OMS é realizado em 44 países e deverá ser apresentado dentro de um ano.

Fonte: Jornal Económico

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5 COMENTÁRIOS

  1. Bom Alexandre Henriques, fica aqui uma última: os alunos nos países nórdicos, nomeadamente na Finlândia, ainda gostam menos da escola que em Portugal. Resta saber se o problema é da escola ou dos valores que vamos transmitindo aos jovens, mas essa era uma longa história…
    Por último, e porque parece que há um problema com o que escrevo, por vezes até num mau português que o meu tempo é curto, digo problema, que me tornou num ser colectivo e adepto do insulto… Nunca o insultei, muito menos, jamais, envio mensagens privadas com insultos… Posso ser incisivo, mas, de forma consciente, jamais insultuoso… Não penso da mesma forma do que você e , acredite, não sou o único…
    Quanto a comentar , ou não , no seu blogue da minha parte fica descansado. Cumprimentos.

  2. Acho incrível que num sitio onde se exija TRABALHO, SUOR e DEDICAÇAO os alunos e graúdos digam que amam o sitio.
    Se perguntarem a miúdos e graúdos se gostam dos sitio onde passam férias acho que vão chegar aos 99% de “gostos”.

    É a vida… que chatice.

  3. Do que eu mais gostava, quando andava na escola era dos furos, pois permitiam a interacção livre e despreocupada com os colegas, os furos eram maravilhosos e as aulas uma obrigação imposta por pais tiranos; se as notas não fossem positivas e se houvesse queixa dos professores, havia castigo pela certa! Naquele tempo, o principal objectivo dos pais era garantir uma aprendizagem que permitisse subir o elevador social, hoje o principal objectivo dos pais é garantir a felicidade instantânea e imediata dos príncipes e princesas. Tenho dúvidas se isso lhes trará/garantirá a felicidade no futuro, mas isso sou eu a pensar e a dizer…
    Em todo o lado de ouve, vê e lê, carpe diem… A expressão, na origem,estaria ligada à consciência da queda do grande império, e, por isso, do declínio e da desesperança no futuro.
    Formar cidadãos do século XXI, ao contrário do que sempre conhecemos e experienciámos, será proporcionar a todos os alunos prazer na aprendizagem. Este é o desígnio do novo século, o aluno no centro, o prazer do aluno no centro, a escolha do aluno no centro, o desejo do aluno no centro, ou seja, a escola como uma extensão do que existe em muitos lares; filhos príncipes (pais submissos) que é preciso satisfazer a toda a hora, sob pena de lhes causar gravíssimas patologias do foro psíquico.

  4. Na minha opinião, um dos fatores que contribuiu para esta situação foi o alargamento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos. Há que repensar esse alargamento. Aos 15 anos, o jovem, não querendo estudar, podia perfeitamente ingressar no mercado do trabalho, tal como aconteceu no passado, sem que tivesse existido qualquer trauma. Dessa forma, podia evitar-se muitas das situações que vão acontecendo nos dias de hoje: o aluno deixa de comparecer na sala de aula e prefere seguir os caminhos da marginalidade. Às vezes, isso começa logo aos 12/13 anos e, uma vez iniciado este processo, dificilmente terá retrocesso!

  5. Os alunos estão loucos! Puxa…! 70% Gosta da Escola??? Estou espantado!!! TANTOS??? Estou TOTALMENTE admirado com estes resultados. Eu só vou à escola porque é lá que ainda vou ganhando algum dinheiro que me vai dando para não passar fome… para beber… comer… vestir… Mas é certo e incontestável que CADA VEZ GOSTO MENOS DA ESCOLA…! Por isso estranho enormemente como pode haver 70% de alunos gostar de uma escola sem condições de felicidade? Onde estão as playstations??? Onde estão os i-phones? Onde estão os jogos e as consolas de vídeo??? NÃO HÁ NADA DISTO… Como pode haver 70% de alunos a gostar de uma escola assim? Ainda por cima com TPCs…? Os alunos estão loucos!

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