Início Escola 2º Estudo Sobre Indisciplina em Portugal com Dados das Escolas (2014-2016)

2º Estudo Sobre Indisciplina em Portugal com Dados das Escolas (2014-2016)

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Pelo segundo ano consecutivo o ComRegras apresenta um estudo que visa mostrar um pouco da realidade escolar ao nível da indisciplina. Trata-se de dados reais do interior das escolas, classificados por participações disciplinares (ordens de saída de sala de aula), medidas corretivas (conhecidas por atividades de integração) e medidas sancionatórias (vulgo suspensões da escola).

A todas as escolas que colaboraram e confiaram no ComRegras, o meu muito obrigado.


Ficha Técnica

Universo – Agrupamento de Escolas e Escolas não Agrupadas Públicas de Portugal.

Amostra – Aleatória e estratificada. A amostra contém um total 47 Agrupamentos de Escolas / Escolas não Agrupadas, o que equivale a 53664 alunos.

Técnica – Inquéritos enviados por correio eletrónico para todos os Agrupamentos de Escolas e Escolas não Agrupadas de Portugal, tendo o trabalho de recolha ocorrido entre os dias 18 de outubro de 2016 e 27 de janeiro de 2017.

Responsabilidade do estudo: Professor Alexandre Henriques com o apoio da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP)


Caracterização da Amostragem:


DADOS GERAIS DO ANO LETIVO 2015-2016

Total de Participações Disciplinares – 11127

Universo de 47 Agrupamentos/Escolas (5,4% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas)

Extrapolando para a totalidade dos Agrupamentos/Escolas – 206 055 Participações Disciplinares

Nº de Alunos com Participações Disciplinares – 4417 (8,23%)

Universo de 45 Agrupamentos/Escolas (5,1% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Total de Medidas Corretivas – 6541

Universo de 46 Agrupamentos/Escolas (5,3% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Número de Alunos que Cumpriram Medidas Corretivas – 2782 (5,18%)

Universo de 45 Agrupamentos/Escolas (5,1% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Total de Medidas Sancionatórias – 1496

Universo de 46 Agrupamentos/Escolas (5,1% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)

Número de Alunos que Cumpriram Medidas Sancionatórias – 1142 (2,13%)

Universo de 46 Agrupamentos/Escolas (5,1% da totalidade dos Agrupamentos/Escolas nacionais)


EVOLUÇÃO DA INDISCIPLINA EM 2014/2015 E 2015/2016

(Universo de alunos: 2014/2015 – 35483 | 2015/2016 – 35141)

* o universo de alunos é inferior, pois das 47 escolas, apenas 32 apresentaram dados referentes aos dois anos letivos.


À semelhança do ano passado, foram colocadas duas questões aos diretores.


Conclusões:

Entre 2014-2015 e 2015-2016, os dados de indisciplina escolar subiram em todos os parâmetros: participações disciplinares, número e percentagem de alunos com participações disciplinares, medidas corretivas, medidas sancionatórias, número e percentagem de alunos com medidas corretivas e sancionatórias.

As escolas raramente utilizam as medidas sancionatórias como estratégia para corrigir/punir comportamentos. Implicitamente podemos concluir que as situações de indisciplina mais gravosas são pouco frequentes.

A indisciplina é transversal à maioria das escolas, mas foram as escolas dos grandes centros as que apresentaram valores mais elevados de indisciplina.

Foi no 3º ciclo e 2º período onde ocorreram mais registos de indisciplina no ano letivo 2015/2016.

As escolas apresentam formas distintas no registo de situações disciplinares.


 

Propostas para reduzir os índices de indisciplina

Criar um sistema de monitorização informática, que recolha os dados disciplinares de todas as escolas portuguesas (ex: utilizar o MISI);

Dar formação/orientação aos Diretores Escolares, a fim de uniformizar critérios disciplinares;

Desburocratizar o estatuto do aluno, os procedimentos disciplinares são  muito formais, tornando a escola uma espécie de “tribunal dos pequeninos”.

Incluir na formação de base de futuros docentes uma componente teórico-prática de gestão/mediação de conflitos;

Fornecer ao corpo docente e não docente, atualmente no ativo, formação específica sobre como gerir/mediar situações de indisciplina escolar;

Atribuir um crédito horário às escolas, especificamente para a abertura de Gabinetes Disciplinares (equipas multidisciplinares), fundamentais para uma política disciplinar de proximidade e consequente prevenção;

Reduzir a carga letiva dos alunos e dimensão das turmas;

Simplificar os percursos alternativos, dando-lhes uma forte componente prática, reduzindo a sua carga letiva e apostando na formação cívica destes alunos.

Apostar num regime de co-docência em turmas de maior insucesso escolar e/ou com problemas comportamentais.

Reforçar os meios de estruturas colaborativas e técnicos nas escolas (ex: Comissão de Proteção de Crianças e Jovens e psicólogos)

Ajudar os encarregados de educação a lidar com os filhos que apresentem elevados níveis de indisciplina escolar.

Responsabilizar de forma efetiva os encarregados de educação que não cumpram com as suas obrigações, nomeadamente quando não comparecem à escola.

Investir na Escola Pública.

12 COMENTÁRIOS

  1. Caro Professor Alexandre Henriques,

    Aproveito este meio para, pessoalmente, felicitar a realização deste estudo agora publicado! Constituí um contributo valioso para o diagnóstico da realidade em questão e para um melhor conhecimento das estratégias a implementar. Mais louvo o facto de incluir a Mediação Escolar no vosso leque de possibilidades de intervenção socioeducativa. Continuação de bom trabalho!

    Cordiais saudações.

    Elisabete Pinto da Costa
    Diretora do Instituto de Mediação
    Universidade Lusófona do Porto

  2. Já se esperava… Onde está a culpa para a indisciplina? Nas aulas expositivas!
    Miúdos que crescem sem valores e a quem tudo é permitido? Pais que toleram tudo e acham que os seus rebentos podem fazer tudo o que querem? Absoluta falta de respeito com os professores e funcionários e com os mais velhos em geral? Não, aulas expositivas!!!
    Pensava eu que um indivíduo, bem educado, mesmo numa aula expositiva, numa aula ”bué de seca”, não maltratava os outros ou se comportava como um selvagem, apenas achava a aula ”chata”! Mas não… Perante a denominada ” aula expositiva” ou ou o professor arcaico o pudibundo rebento já pode soltar toda a sua azia e indignação!!!
    O que muitos querem mascarar é que há uma grande parte de crianças sem a menor ideia de limites, onde a culpa é sempre dos outros, onde não houve um mínimo de repressão para o comportamento selvático que apresentam desde tenra idade…
    Tenta-se ” mascarar” que este comportamento é exclusivo das salas de aula, que a culpa é dos professores, da escola… Esses ”meninos” já se comportam assim quando chegam à escola !!!! Como haveriam de ser e outro modo dentro de uma sala de aula?
    Nem todas as crianças são iguais, não têm de estar nas aulas como estátuas de cera, agora o comportamento que uma grande percentagem apresenta, seja em aulas expositivas e noutras que não são de todo expositivas, é que de todo intolerável!
    Vêm justificar falta de educação básica com a forma de ensinar??? Mas o que é que a educação e o civismo tem a ver com isso???
    A grande diferença de alguns para outros é que há pais que não toleram, nem aceitam, determinados comportamentos, sejam as aulas uma seca ou não, e há outros que criam os seus rebentos como se fossem reis do mundo… Depois ainda há gente que apoia toda a plateia de teóricos que resolvem tudo em duas centenas de palavras e desculpando quem devia ser punido… Um banho de realidade, com algumas turmas que conheço (bastavam umas poucas horas de humilhação e desrespeito permanente) para perceberem o que não querem entender!

  3. Parabéns pelo estudo e pelas propostas para reduzir a indisciplina. O único aspeto que me despertou alguma surpresa foi a percentagem de zero nas participações disciplinares do Ensino Secundário. Alguém que olhe de fora pode ficar com a ideia tremendamente equivocada que no Secundário tudo corre bem. Pelo contrário, nesse Ciclo de Ensino e principalmente nos Cursos Profissionais ocorrem imensas participações disciplinares e medidas sancionatórias. Fica aqui ainda uma proposta que poderia constar: Repensar os percursos escolares para o 10ºano, dos alunos que vêm de Cursos Vocacionais e PIEF. Estes alunos são «depositados» nos Cursos Profissionais que têm um grau de exigência a que não estão habituados. Os alunos ficam estupefactos quando se fala em marcação de testes ou em terem um caderno. Para além disso, muitos deles não respeitam nada nem ninguém. Devia haver uma continuação dos Cursos Vocacionais no Ensino Secundário e com uma forte componente prática.

    • Não é zeros. Foi uma resposta dos diretores à questão, “qual o ciclo de ensino com mais participações disciplinares”. É diferente…

  4. Propostas
    Reduzir o currículo dos alunos.
    Entrar às 9,30h
    Saír às 15h
    Os alunos têm direito a alguma vida própria.
    Abaixo a escravatura

  5. Exmo. Dr. Alexandre Henriques,

    Venho por este meio felicitá-lo pela realização do 2º Estudo Sobre Indisciplina em Portugal com Dados das Escolas (2014-2016) que, apesar de incluir uma amostra pequena, mas representativa do país, julgo que traduz o que no campo da (in)disciplina se passa na maioria das escolas públicas portuguesas. Parece-me que um dos méritos, entre muitos outros deste estudo, é o facto de perante os dados e conclusões apurados serem elencados um conjunto de propostas muito válidas e assertivas que possam contribuir para a redução dos atuais índices de indisciplina que se verificam.
    Como sugestão, se me permite que o faça, julgo que atualmente seria pertinente aumentar a amostra, isto é, o número de Agrupamentos de Escolas e de Escolas não Agrupadas ao nível do continente português e comparar os seus resultados com os das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores (em que seriam consideradas todas as escolas destas Ilhas), a fim de se poder registar a que se devem as, eventuais, diferenças verificadas, de forma a se poder também aprender algo com as realidades insulares.

    Com os melhores cumprimentos
    O Professor
    Jorge Barros

    Quarteira, 8 de fevereiro de 2017

    • Caro Jorge Barros, agradeço as palavras. Mas a quantidade da amostra depende das escolas que me enviam. Se fosse por mim era a sua totalidade.

      Cumprimentos.

  6. Muitos parabéns pelo trabalho.
    Acrescento, o facto de ser visível o consumo de drogas a aumentar e a contribuir para a desmotivação.

    Teresa

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