Início Editorial 1º ciclo | Proposta de horário para alunos e professores.

1º ciclo | Proposta de horário para alunos e professores.

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Não sou professor do 1º ciclo e como tal a minha visão pode estar um pouco desfasada da realidade. Porém, tenho especial interesse por este ciclo de ensino até por considerá-lo o pilar de todo um percurso escolar.

Decidi por isso apresentar uma proposta com o intuito de incluir um ensino mais transversal, que responda aos desafios atuais e que permita reduzir a carga letiva de alunos e professores que considero francamente excessiva.

Vejamos um exemplo de horário para os alunos:

O Português, a Matemática e o Estudo do Meio, foram englobados no momento do dia em que os alunos estão mais focados. O professor teria toda a liberdade para abordar os conteúdos, gerindo os tempos de aula consoante as necessidades dos seus alunos. Considero que a disciplina de Estudo do Meio precisa de ser atualizada/reformulada, julgo até que faria mais sentido abordá-la em articulação com as restantes, no âmbito de trabalho de projeto.

As Expressões sempre foram o patinho feio no 1º ciclo, já bati nesta tecla inúmeras vezes, a nova flexibilização pedagógica terá 5 horas destinadas às Expressões, eu fui um pouco mais longe…

A Expressão Motora foi incluída antes da hora de almoço, pelo simples facto que o período de digestão deve ser respeitado. 4 tempos semanais, apesar de estarem concentrados em 2 dias, seriam seguramente muito importantes para o desenvolvimento motor, social e cognitivo dos alunos, indo assim ao encontro da “genica” das crianças. Naturalmente que cada escola/professor podia dividir os 4 tempos ao longo da semana, uma questão de organização.

As restantes Expressões também merecem a devida atenção, apesar de não terem 4 tempos como a Expressão Motora, 2 tempos para cada permitiria a realização de um trabalho substancial, muito acima ao que atualmente existe.

Inglês e informática logo no 1º ano? A minha filha teve Inglês no pré-escolar, gostou e aprendeu, nem que seja a familiarização com a sua sonoridade. A globalização e as tecnologias são e serão dominadoras das sociedades, o Inglês enquanto língua mundial tem de ser dominada com fluência, e a informática (algumas escolas chamam-lhe robótica) é o presente e será cada vez mais o futuro.

A hora de saída também não ficou esquecida, permitir aos alunos que saiam do ambiente escolar às 15 horas e 30 minutos, dará tempo para estes usufruírem da sua infância e da sua família, seja com os avós ou com os pais. Naturalmente que aqueles que não têm para onde ir precisam de uma solução, apostar nos clubes/associações da zona de residência, seria uma boa alternativa e dava uma nova vida a esses espaços. Eis um exemplo que deveria ficar a cargo das autarquias. 

Quanto aos TPC, já sabem que sou defensor dos TPC em formato light ou inexistente…. “Despejar” horas de escola em cima de crianças, seja na dita ou em casa, só fará com que crianças entre os 6 e 10 anos de idade ganhem aversão à dita. TPC sim, para quem não termina as tarefas em horário “laboral”.

Relativamente ao apoio escolar, este seria facultativo e destinado a alunos que efetivamente precisem, sendo estes propostos pelo professor. Aulas de apoio não são atividades de tempos livres.

Para os Professores:

23 tempos letivos (45 minutos)! Uma redução muito significativa ao modelo atual e até comparando com a nova flexibilização pedagógica. A questão que vos deve estar a passar pela cabeça, é se serão suficientes para uma aprendizagem proporcional aos programas vigentes? Não, mas o problema não está nas horas, está na megalómana quantidade e dificuldade dos currículos atuais.

Quanto ao horário não letivo, este pode ser utilizado para trabalho individual/cooperativo ou atendimento a encarregados de educação.

No 1º ciclo, como nos restantes, é preciso tempo para preparar aulas e materiais, os professores do 1º ciclo têm sido claramente prejudicados em comparação com os restantes colegas dos outros ciclos. Que se faça justiça aos nossos colegas não só por eles, mas também pelas nossas crianças.

Sobre o apoio ao final do dia, este poderia ser utilizado como um apoio tradicional e como existem vários professores numa escola, a semana seria rapidamente preenchida. Outra opção, seria utilizar esse tempo para trabalho em codocência, colocando-o noutra hora do dia.

A flexibilização e autonomia tem de ser prática comum nas escolas, se houvesse concordância entre pares, até podia substituir-se parte do horário não letivo do professor, por trabalho em codocência. Mas cada turma, cada escola e cada professor, têm perfis próprios que podem condicionar ou viabilizar esta opção.

É preciso mudar, é preciso ter vontade para mudar, mas também é preciso haver acordo entre quem decide para que a mudança não seja apenas mais uma sem sentido.

Nota: este artigo é uma mera proposta, aberta naturalmente ao debate e contributo de terceiros 😉

Alexandre Henriques

17 COMENTÁRIOS

  1. Concordo plenamente, a monodocência está mais do que ultrapassada. Codocência, par pedagógico (como na EVT).
    De resto os docentes do primeiro ciclo também devem de ter o horário igual aos restantes colegas.
    Para o choque não ser tão grande quando se passa da 4ª classe para o 5º ano, os alunos da primária devem ter mais professores, direito a actividades de enriquecimento curricular aos clubes.

  2. Concordo com a saída às 15.30 e redução do currículo. Foi referido por sindicatos que este horário só será possível em escolas que aderiram à flexibilização.
    A monodocencia só já existe no 3e4 anos. Já foi dito aos sindicatos que OAL será semelhante ao do ano anterior pelo que antevejo poucas reformas e muita continuidade.

  3. Todos os anos tenho feito uma “Proposta de Horário”, desde há 4 anos.
    Este ano resolvi não fazer, nem “opinar”. Quem sabe não dará sorte?? 😉

  4. Muito bom. Acho que é uma proposta que é mais do que necessária a sua implementação. Apenas faria uma alteração. Relativamente à educação física 2h seguidas, para alunos de 1o ciclo é demasiado e torna-se improdutivo. Penso ser mais adequado, tanto em termos pedagógicos como na promoção do hábito da actividade física no regular que as 4h sejam distribuidas por 4 dias da semana. Penso que esta medida iria criar as raízes indispensáveis para um estilo de vida activo tão fundamental hoje em dia.

  5. A ideia de que será possível reduzir o tempo que as crianças do 1.º Ciclo passam na escola é uma pura utopia.
    É que, com a crescente falta da retaguarda dos avós – que cada vez trabalharão até mais tarde – a necessidade de a escola enquadrar as crianças até mais tarde no dia, tenderá sempre a aumentar.
    Por outro lado, se o período letivo terminar mais cedo – aqui avança-se com as 15H30 – aumentará a necessidade de horas de Assistentes Operacionais, isto é, o serviço ficará mais caro aos contribuintes.
    Neste contexto, que me parece irreversível, sou muito cético quanto ao sucesso da reivindicação da redução da carga horária dos professores.

  6. Esta proposta de horário é impraticável com o atual currículo, principalmente em turmas com mais do que um ano de escolaridade! A realidade vence sempre o resto é conversa…

  7. Consegue-se fazer chegar esta proposta aos decisores?

    Mãe de aluno do 1ºciclo, 3ºano, numa turma de 26 alunos, com professora muito competente, esforçada e cansada, acha proposta extremamente interessante e muito mais ajustada às reais necessidades de alunos e professores.

  8. A colocação de expressão motora antes da hora do almoço, vai fazer com que os miúdos estejam o resto do dia desconfortáveis. Uma aula de expressão motora pressupõe atividade física em que os alunos transpiraram e ficam cansados.
    Se depois vão almoçar, mesmo que tivessem oportunidade não teriam tempo de tomar banho, comer e descansar.
    Na minha opinião a expressão motora seria sempre no último tempo.

  9. Concordo plenamente, as crianças hoje em dia não têm tempo de família e de brincar, havia de se fazer qualquer coisa neste sentido, eu sou uma avó preocupada com as minhas crianças quase nem as vemos.

  10. Era excelente se essa ideia avançasse, mas só vendo para crer. Neste país parece que só sabem copiar o que os outros (países) já viram, há MUITOS ANOS, que não funciona. É o país que temos governado por incompetentes que todos nós acabamos por escolher.

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