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“10 Year Challenge” Na Educação | Reparem No Gráfico Do Envelhecimento Docente

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Parece uma montanha do Evereste… E por coincidência o ciclo de ensino onde os professores estão mais envelhecidos é o 2º ciclo, o mesmo ciclo que agora está no limbo para uma fusão com o 1º ciclo…

O artigo de investigação do Alexandre Homem Cristo é bastante completo e merece ser lido, mas pela sua dimensão deixo apenas alguns excertos e as respetivas conclusões.


O “10 Year Challenge” da Educação: uma melhoria inegável, mas com desafios pela frente 

Um dos indicadores mais importantes para documentar a melhoria na educação é a taxa de abandono escolar precoce. Em 2008, estava nos 35%, uma autêntica sangria no sistema educativo. O valor mais recente, referente a 2017, coloca-o nos 12,6%.

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Em Portugal, uma parte muito significativa dos alunos frequenta o ensino privado, com as suas famílias a pagar os custos associados – na União Europeia não há nenhum país onde tantos alunos do secundário estejam a pagar propinas para frequentar o privado.

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O envelhecimento dos professores é hoje uma característica assente do sistema educativo português e, possivelmente, o indicador estatístico no qual a evolução foi a mais acentuada. 

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Apesar da melhoria nos desempenhos, Portugal continua a ser um dos países da OCDE onde mais alunos são reprovados ao longo do seu percurso escolar – praticamente um terço dos alunos com 15 anos já reprovou pelo menos uma vez ao longo da sua escolaridade.

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A história dos últimos 10 anos na Educação é, sem margem para dúvidas, uma história de sucessos. Não faltam indicadores para o confirmar.

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So what? Muito melhorou e muito falta melhorar

A história dos últimos 10 anos na Educação é, sem margem para dúvidas, uma história de sucessos. Não faltam indicadores para o confirmar: a taxa real de escolarização aumentou, a escolaridade da população jovem é muitíssimo superior ao que era, a pré-escolarização alargou-se, o abandono escolar precoce caiu a pique, a rede de escolas ajustou-se às necessidades do país, os desempenhos dos alunos portugueses nas avaliações internacionais melhoraram sistematicamente e as taxas de retenção estão mais baixas.

Quando se atingem melhorias e bons resultados, a tarefa seguinte é mantê-los. Em algumas áreas, como as da qualificação da população, parece mais ou menos estabilizado que o tempo se encarregará de garantir que a população activa ficará melhor preparada para os desafios da economia. Noutras áreas não será tão fácil e alguma prudência é aconselhada. Por exemplo, na redução das reprovações, desafio exigente quando não imposto de forma administrativa. Ou, por exemplo, no que diz respeito aos desempenhos dos alunos portugueses, onde há o risco de as alterações recentes poderem arrastar um impacto negativo – espera-se que não, mas só se saberá ao certo em Dezembro deste ano, quando for publicada pela OCDE a avaliação do PISA 2018.

A outra face desta história de sucessos é a quantidade de desafios de resposta cada vez mais urgente que se vão amontoando. Não são poucos: fazer face à evolução demográfica na composição da rede de oferta formativa, introduzir crescente autonomia nas escolas, alargar a pré-escolarização a mais crianças e durante mais tempo, prosseguir na redução do abandono escolar, salvaguardar a qualidade das aprendizagens e gerir os recursos humanos (escassos) para todos estes desafios. A ter de destacar um, talvez o maior desafio de todos seja o do envelhecimento dos professores, não só por se ter acentuado tanto nos últimos anos, mas também porque não tem uma resposta fácil. Os professores estão no centro do sistema educativo e são a peça central para o sucesso das reformas educativas em curso. Isso é particularmente evidente no que respeita ao reforço da autonomia das escolas, que exige tempo de planeamento aos professores e que dificilmente poderá ser bem-sucedida com profissionais cansados e sobrecarregados. Há, portanto, que atenuar a pressão de que são alvo e preparar a sucessão (pois uma parte significativa irá em breve para a reforma): nos próximos 10 anos, o que de bom e mau acontecer na educação terá muito a ver com a forma encontrada pelo Estado para lidar com as necessidades profissionais dos professores.

Fonte: Observador

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1 COMENTÁRIO

  1. Falta arte pela arte. Falta ser no Ser. Unir ciclos é o mesmo que um ensino holístico. É um ensino global humano e sem pensar em stores.

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