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10 Mil Alunos Ainda Sem Professor E 12 Mil Professores Na Porta De Saída

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A previsão da Fenprof é a saída de 12 mil professores no espaço de 3,4 anos, os dados da Pordata apontam para uma idade média dos professores na ordem dos 51 anos em 2018.

Isto significa que na próxima década estarão de saída cerca de 40 a 60 mil professores, lembro que o universo total de professores ronda os 120 mil. Sejamos realistas, é impossível impedir a sangria que se aproxima e como tenho apelidado frequentemente, a tempestade perfeita está a chegar e será uma realidade. Há quem acene com os dados oficiais que dizem que Portugal tem um rácio de 10 alunos por professor,  mas todos sabemos que as turmas não têm 10 alunos. Então o que irá fazer a Tutela para resolver este mega problema? Aumentar a carga letiva? Aumentar o número de horas extraordinárias aos professores? Aumentar o número de alunos por turma? Provavelmente um pouco de tudo…

Há quem esfregue as mãos de contente por ver a educação pegar fogo, nomeadamente muitos professores que estão zangados com o Ministério da Educação, mas se analisarmos esta questão a frio, quem é que acham que vai sofrer com a saída maciça de professores?

A resposta é simples, os que cá ficam, professores e alunos…


Pelo menos 10 mil alunos continuam sem todos os professores

Mais de 10 mil alunos continuam sem ter todos os professores atribuídos, um mês e meio depois de as aulas terem começado, segundo uma estimativa da Federação Nacional de Educação (Fenprof). Em conferência de imprensa realizada este sábado em Lisboa, Mário Nogueira alertou para o facto de os problemas na educação estarem a “estoirar por todo o lado” depois de um arranque de ano letivo em que foram “esquecidos ou disfarçados”.

A falta de funcionários e de professores é um dos maiores problemas que tem levado a protestos e até encerramento de escolas. “Calculamos que ainda haja pelo menos 10 mil alunos que não têm os professores todos”, anunciou Mário Nogueira, explicando que esta estimativa da Fenprof baseia-se nos dados de sexta-feira disponíveis nas plataformas das ofertas de escola.

Os casos mais preocupantes dizem respeito às disciplinas de Informática, Inglês e Geografia, acrescentou, lembrando que os baixos salários dos professores fazem com que muitas vezes tenham de recusar vagas em escolas situadas em zonas como Lisboa, onde as rendas são bastante elevadas.

Por outro lado, existem docentes a quem foram atribuídos “horários ilegais”, alertou Mário Nogueira, dando como exemplo um docente de Informática a quem atribuíram “34 turmas”, ou seja, tem mais de 800 alunos.

A Fenprof explicou que a questão dos horários tem sido alvo de conversações com o secretário de Estado da Educação, João Costa, que “já reconheceu o problema”, mas ainda “não deu qualquer orientação às escolas” sobre como atuar. Resultado: “Está a empurrar as escolas para a ilegalidade”, acusou o secretário-geral, recordando ainda os casos de professores a quem foram marcados intervalos para depois das aulas.

Segundo a Fenprof, existem “milhares de horários ilegais” e por isso no próximo dia 17 irão realizar uma “Exposição Universal de Horários de Professores”: “Será a ExpoHorários!”, revelou Mário Nogueira.

A falta de resposta para os alunos com necessidades especiais educativas foi outro dos problemas apontados por Mário Nogueira, que lembrou que há crianças que ainda não começaram a ir às aulas porque não existem apoios necessários. Exemplo disso são três alunos de uma escola em Évora, contou Mário Nogueira.

O envelhecimento do corpo docente, a existência de escolas onde o amianto ainda não foi retirado ou o processo de municipalização das escolas que a Fenprof teme que venha criar ainda mais assimetrias foram outros dos assuntos debatidos na reunião de secretariado nacional que decorreu nos últimos dois dias.

Para a Fenprof, as dificuldades que há muito são apontadas pelos professores não têm resposta no programa do Governo que “não apresenta medidas de combate a esses problemas”. Mário Nogueira considerou mesmo o programa de “pouco claro”.

O secretário-geral da Fenprof sabe de cor as razões que poderão levar os professores a “inundar novamente as ruas de Lisboa ou a fazer greve”: A defesa da carreira docente, a recuperação do tempo de serviço congelado, as ultrapassagens de professores com menos anos de profissão e a aposentação.

Tendo em conta que a média de idades dos professores nas escolas ronda os 55 anos, a Fenprof decidiu criar o “Age Summit”, que irá acontecer a 5 de dezembro em frente ao Ministério da Educação, onde serão apresentadas “em formato digital” as idades médias dos professores das escolas. “Nos próximos três a quatro anos, vão reformar-se cerca de 12 mil professores e o problema vai agravar-se”, voltou a alertar Mário Nogueira.

Fonte: ECO

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9 COMENTÁRIOS

  1. Temos mais de 30.000 contratados que andam aí aos restos e que constituem uma enorme almofada para eventuais saídas de professores para a aposentação.
    Temos também milhares de pessoas formadas na área da educação que desistiram e que estão a desempenhar funções noutras atividades (caixas de supermercado, Caalcenter, funções administrativas, empregados comerciais…) e que se vierem a abrir vagas no ensino serão atraídas (de novo) para as Escolas Públicas.
    Portanto, não há problema nenhum com a falta de professores. Isto para já não falar nos milhares de professores (educadoras, professores primários, educações fisicas….) que coitadinhos nunca irão ter oportunidade de ter um lugar na Escola Pública, restando-lhes o DESEMPREGO.
    Toda a gente sabe disto, não vale a pena dizer mentiras sobre este assunto.

    • Mentiras? Então os 10 mil alunos sem professor é uma mentira? Os professores que não conseguem pagar a renda e por isso não aceitam colocação são uma mentira? Os professores contratados que em horário incompleto perdem uma série de regalias, também é mentira?
      Até podem existir 200 mil professores no desemprego, de que adianta se ninguém quiser ser professor?

      • Caro colega Alexandre Henriques

        As Leis do Mercado não se compadecem com os “coitadinhos dos professores”.

        Os professores são um grupo profissional como outro qualquer. A especificidade deste grupo profissional está relacionado com o facto de ser bastante numeroso e levar uma fatia substancial da despesa do Estado com salários.

        A questão colocada pelo Alexandre Henriques desta forma dá a entender que agora ou, dentro em breve, haverá uma enorme falta de mão-de-obra docente o que é uma Valente Mentira.

        Neste momento há EXCESSO de mão-de-obra “docente” e, na próxima década continuará a verificar-se EXCESSO DE PROFESSORES.

        As Leis de Mercado não se compadecem com bocas sobre uma suposta falta de docentes. Isto está devidamente estudado. Vou mais longe dizendo-lhe que no futuro o Excesso de Professores ainda será maior que hoje em dia.

        O Alexandre Henriques sabe muito bem (tem obrigação disso) que existem MAIS de 30.000 CONTRATADOS, muitos deles DESEMPREGADOS e a auferirem subsidio de Desemprego. Sabe também que as Universidades e Tascas afins – ESEs, PIAGETs e quejandos – continuam a despejar gente formada para o Ensino sem qualquer controlo (como se verifica por exemplo com os formados em Medicina).

        Pergunto: – Há ou não EXCESSO DE MÃO-DE-OBRA DOCENTE ??????????

        Quanto aqueles que aqui defenderam que ser professor na Escola Pública não é atractivo, apenas lhes digo que em termos salariais é sim. É atractivo Sim! Os recém formados entram como Professores da Escola Pública com um salário de 1.200 a 1.300 Euros/Mensais. Não se esqueçam que as Empresas privadas admitem gente formada com salários de 650, 700, 750 Euros/mensais. Portanto, quem diz que, ser professor na escola pública, não é atractivo ou anda distraído ou é para brincar.
        .

        • Então explique-me como é que continuam a existir milhares de alunos sem aulas? E esses 30 mil contratados estão sem fazer nada ou já arranjaram um emprego e já não estão dispostos a ingressar no ensino.
          E quanto ao ensino ser atrativo, os jovens até fazem fila para ingressar no ensino superior via ensino. Deve ser o fascínio de levar na cara por 1200 €…

    • Com tantos milhares docentes formados a trabalhar noutras atividades, ou que andam “aos restos”, explique me porque é que não vão leccionar sabendo que há 10 000 de alunos que ainda estão sem professores há um mês e meio?
      Quer enganar quem?

    • Não, por mais vagas que abram as pessoas não vão ser atraídas de novo para o ensino. Porque o ensino não é atraente. Por muito mau que seja trabalhar num call center, e deve ser horrível, dar aulas é ainda pior.

  2. A varrer-se este problema para debaixo do tapete, o futuro afigura-se complicado.
    Há soluções, como a de outros países, nomeadamente o RU, que perante este problema resolveu arregimentar professores de outros países para leccionarem; também podem recorrer ao outsourcing. Pode-se também colmatar o problema como nos anos 70, com a massificação do ensino, em que jovens com o 12º ano se tornavam professores de alunos do 12º ano. Ou ainda, recorrere-se àquele programa semi-voluntariado do Teach for Portugal.

    A “narrativa” vai sendo criada – é preciso o espírito do séc XXI: os projectos, os clubes e os afectos e mais o teatro , o zen, a mindfulness. E, neste caso, para quê uma carreira docente digna e com boa formação científica? Sai caro, estão a ver?

  3. Com horários incompletos os jovens docentes não ganham para trabalhar! A reforma antecipada permitiria a entrada de professores mais jovens no sistema, enquanto os há!
    Porque não dá o governo os 2 anos e 9 meses, para esse fim, aos professores em final de carreira?

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