Sobrevivi à colher de pau. E tu?

Também pertencem ao clube? Então conhecem a sensação “maravilhosa” da pancada seca e do ardor que perdurava durante alguns minutos…

colher de pauAté já sabia como me defender, utilizava o cotovelo para o embate e tcharam, de uma colher surgiam duas, foi provavelmente a minha primeira aula de matemática… 😉

Acredito que numa casa com 3 rapazes, não fosse fácil para a minha mãe lidar com a energia em formato red bull, mas segundo as suas palavras, a sua versão era bem mais soft que a dos seus pais.

Traumas?

Nenhum, também era um momento raro diga-se a verdade. Naturalmente que não sou apologista da medida, até porque ainda me lembro do sabor da madeira no braço. Na minha casa a colher de pau só tem, e só terá, um único objetivo, mexer a comidinha…

O estudo que realizei prova que ocorreu uma evolução na forma como lidamos com a rebeldia infantojuvenil. De 62% de encarregados de educação que responderam que seus pais lhes batiam, “apenas” 26% assumiu que ainda utiliza o “bater” como forma de corrigir comportamentos. E coloco a palavra apenas dentro de aspas, pois estamos a falar de quase 30% dos pais que assume bater nos seus filhos.

Existe uma tendência, no meu ponto de vista uma feliz tendência. A agressão é cada vez mais vista como algo inaceitável e intolerável, quer em casa, quer na escola. Aliás, na escola esta foi simplesmente banida, e apesar de alguns colegas deixarem fugir a mão, principalmente em idades mais jovens, trata-se claramente da exceção (assim espero). Sim, sei que uma palmada no momento certo dá muito jeito e já por diversas vezes assisti a comportamentos que eram rapidamente erradicados com uma “bela” palmada e se calhar o respeito que seria imposto – a palavra imposto não é por acaso – tornaria o rebelde num bom amigo.

A autoridade deve ser conquistada pela competência, pela hierarquia familiar e pela relação que se estabelece com terceiros. A violência não é solução, não pode ser a solução. Não sou fundamentalista quanto à questão, mas a exceção não se pode tornar a regra. A educação é um imperativo social, mas educar como se educa também o devia ser.

Mas a indisciplina não está a aumentar? Não seria melhor voltarmos ao antigamente?

Gostariam de voltar?

A colher de pau que fique no tacho e não no meu braço. O que se passou comigo e certamente com alguns de vós podia ter sido diferente e acredito que hoje teria os mesmos princípios e valores.

O autoritarismo do punho precisa de ser erradicado e se a indisciplina permanece em determinados contextos familiares, é por manifesta incompetência parental de quem não sabe educar sem ser pela “porrada”. O que falta nessas famílias é estrutura social e emocional, em resumo o que lhes falta é educação.

As crianças são imitadores perfeitos de seus pais. Todos estalos, pontapés, murros e palmadas que dão aos vossos filhos, saibam que estarão também a dar aos vossos netos. Nessa altura se calhar não vão achar muita graça e a culpa não será apenas de quem bate, a culpa é principalmente de quem lhe ensinou…

 

bater gráfico


Contraditório sobre a redução de vencimento dos funcionários no Colégio Frei Gil 6

Já por diversas vezes não publiquei determinado conteúdo por ter fortes dúvidas sobre a sua veracidade. A publicação sem contraditório é um risco, pois cada notícia, cada história, cada juízo de valor, tem duas faces e cabe ao autor e a quem lê, fazer a devida filtragem e responsabilizar-se por ela. Mas o contraditório é um bem de difícil acesso, principalmente para um espaço pessoal com a dimensão do ComRegras. Já no passado tentei obter respostas sobre determinado conteúdo e a resposta ficou por dar. O que fazer? Não publicar? Abdicar da informação? Se começo a questionar toda a informação que sai nos media, então não publico nada e só acredito no que vejo. Não o vou fazer.

A Sofia Homem Cristo teve o cuidado de fazer a salvaguarda no próprio título, mas o facto é real, ninguém inventou nada, as intenções, os princípios, é que pelos vistos têm outros fundamentos o que altera substancialmente o ato em si.

Fica o contraditório/esclarecimento de Wagner Silva, professor do respetivo colégio e o meu agradecimento por o ter enviado.

colégio Frei Gil

Boa tarde.

Sendo professor e apologista da verdade acima de tudo sinto-me na obrigação de comentar o seu artigo.

Acredito que nós professores, mais do que os restantes, deveremos sempre ouvir as partes antes de emitir juízos.

Mas na sociedade actual em que uma notícia apenas o é se houver sangue…não interessa verificar a veracidade dos factos.

Antes de começar devo informar que sou professor no dito colégio. Colégio este que ao contrário da maioria que, ao contrário da maioria dos que existe por aí, não tem piscinas nem cavalos, foi ajudado a construir pela comunidade envolvente, com donativos em material e dinheiro, com terrenos onde o colégio foi erigido e ampliado. Não tem outros meios de subsistência a não ser o dinheiro que vem do estado, fruto dos contratos de associação. Com um corte de 11 turmas, sim leu bem…11 turmas de um universo de 33…o que eventualmente pode acontecer a este colégio é fechar portas. Perante este possível cenário houve várias reuniões entre os funcionários e a administração do colégio de modo a verificar o que se poderia fazer. Foram os funcionários que, entre várias propostas, se ofereceram para doar 10% do seu ordenado, durante um ano, caso o actual cenário de cortes se mantivesse. Para manter o colégio aberto! A associação de Pais propôs que, assim como os funcionários se prontificavam a ajudar também os pais deveriam fazê-lo. A proposta…que os alunos contribuíssem também com um determinado valor.

Estes valores interessam a quem faz parte do processo, mas posso informar que fica abaixo do preço do passe de transporte mensal para as únicas escolas públicas que a rede de transportes possibilita a frequência. Também a comunidade envolvente se prontificou a ajudar “adotando” alunos que não possam pagar e pagando a mensalidade destes. Se é imoral? imoral é estes alunos não ficarem na escola para onde podem ir a pé e terem de ir para uma escola que fica a 11km só porque alguém que não conhece a realidade assim decidiu! Se alguém foi obrigado a pagar alguma coisa? Não, que eu saiba ainda vivemos num país democrático em que cada um tem a liberdade de escolher. Quem não quiser participar…não participa. Além de professor nesta escola sou pai de um aluno que a frequenta. Como professor prefiro de consciência tranquila doar 10% do meu ordenado para continuar a fazer aquilo que adoro, na escola que escolhi e me acolheu e a contribuir para o crescimento de outros. Como encarregado de educação prefiro doar uma valor quase simbólico para que o meu filho continue num colégio onde sei que é bem tratado, aprende e está seguro! (o valor maior a pagar fica mais barato do que o transporte para a escola para onde ele iria. Ou menor do que o valor mensal se fumasse um maço de tabaco por dia). Vale a pena acrescentar que todos os valores a doar o serão durante 1 ano, voluntariamente e apenas se o actual cenário de cortes se mantiver. Isto é notícia? É! Mas como o que está inerente a estes gestos é o “sacrifício” por uma causa…é preferível ouvir quem conta apenas o que vende jornais!

Caso sinta vontade fica aberto um convite para que a senhora Diretora venha visitar um colégio que de colégio apenas tem o nome…porque na realidade é uma Instituição!

Wagner Silva


Contratos de Associação via Ensino Profissional – 28 Milhões €

Acredito que depois da mais recente guerra com o ensino privado não se cometam os mesmos erros…

de modo a cumprir os compromissos e metas assumidos junto da União Europeia e no Programa Nacional de Reformas de ter em 2020 metade dos alunos do ensino secundário a frequentar cursos profissionais.

Para atingir os objetivos acima identificados, o Estado presta um contributo financeiro às escolas privadas, de modo a que as mesmas, constituindo -se como institui- ções educativas cujas potencialidades importa consolidar, possam desempenhar a sua função, satisfazendo os requisitos estabelecidos, nomeadamente quanto à sua organização, gestão do currículo e qualificação dos recursos humanos.

Por último, refere -se que o aumento de encargos com o ensino profissional será acomodado pela redução de encargos com o ensino vocacional.

Prova que havia verba para tutorias em formato “M” em vez de formato “XL” de 10 alunos…

Verbas ensino profissional

(carregar na imagem para aceder ao documento)

E por onde anda o dinheiro para o Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar? Não é suposto começar em setembro?


Do Que Se Fala | O Daesh não reivindica “atentados” mas a Europa dá-lhes o jeito.

cegoEstamos nesta Europa em pleno desatino, pior deve ser difícil. E para além dos países europeus mais relevantes como a Alemanha e a Holanda, terem uns “chefes” que estão muito mais preocupados com a sua manutenção na política, logo, com os seus eleitorados, nada fazendo pela Europa, temos uns “menos “ capazes por todo o lado que dão a mão ao Daesh, sem estes lhes pedir.

Agora, cada atentado que acontece ou que não chegue a acontecer na Europa, mesmo que possa ser ideia de um “tontinho” qualquer que nada tem que fazer e vê muitos filmes de terror ou “coisas no género”, e faz uma carnificina, em nome, nem o próprio sabe quem, cola-se antes de mais o “atentado como sendo Obra do Daesh”.

 E os imberbes do Daesh ficam felizes e contentes, e só estando a saber que os atentado aconteceram quando noticiados até à exaustão por todo os lados, desde canais televisivos a redes sociais, e lhe colam a autoria, claro que deslumbrados aceitam, sem entenderem, sequer, o que estão a aceitar!

Estamos a fazer um grande favor ao Daesh quando eles perdem terreno e força lá para os lados da Síria, e ainda não estão bem organizados aqui abaixo na Líbia, em lhes dar de mão beijada atentados perpetrados na Europa, que nem por eles foram organizados.

A necessidade de “atirar “ culpas para os outros em tudo é assustadora, nesta Europa, sem rumo.

Ninguém cá dentro é culpado, é responsabilizado, é responsável pelo quer que possa ser, nada, de nada, são sempre os outros. Se possível for, dentro da própria Europa atira-se a culpa de uns para os outros.

Os mais fortes dizem que os mais fracos, ou seja Norte versus Sul, são os desperdiçadores, só gastam, nada fazem, o desatino também funciona ao Sul, que fica com muita auto-piedade e culpa o Norte de tudo de mau que lhe acontece, mesmo que por gastar demasiado do que nem tem, em nada de jeito.

E, a Europa nesta confusão país a país, não se entende, nem sequer tenta fazê-lo, nas mais elementares circunstâncias de imprescindível e necessária “União”  só sabe atirar culpas – sacudindo a água do seu capote – , e cada chefe do momento, dado que leaders já não existem,  é mais incapaz que o anterior.

E assim o Daesh não precisa de fazer qualquer atentado na Europa, bastamos nós Europeus ao termos mais um crime feito por quem quer que seja, mesmo por um nacional do próprio País, um francês em França, um alemão na Alemanha, é logo o Daesh.

Ou ganhamos gente mais capaz para nos Unir, nos ajudar e todos nos unimos e nos ajudamos ou vamos fazer implodir a nossa Europa que já está de rastos, e, dizer que foi Obra do Daesh.

Augusto Küttner de Magalhães


A ser verdade, é inacreditável. 1

colégio Frei Gil

Colégio Frei Gil

Li hoje num jornal diário que uma certa Associação de Pais, dos que beneficiavam dos contratos de associação propôs a um Colégio que os funcionários prescindissem de parte do seu salário para ajudar a suportar as mensalidades dos seus filhos. A ser verdade, é inacreditável. Deixem ver se percebi. Os pais recorrem a um Colégio para ali receber um serviço, a educação dos seus filhos. Esse serviço tem de ser pago. Antes, por razões várias que já cansam referir, o Estado suportava o pagamento desse serviço. Agora o Estado já não suporta. Então, os clientes sugerem aos trabalhadores que fornecem o serviço pelo qual devem ser remunerados que sejam estes a comparticipar nas despesas do serviço que prestam.

Isto só terá lógica se houver aqui algum privilégio desconhecido. Mas não, consta que não. Consta que o único privilégio que têm é o direito ao trabalho. Consta que a proposta baseie-se na ameaça velada, ou na gestão do medo, ou na chantagem emocional, de dizer a estes funcionários “pensem bem, porque se não colaborarem espera-vos o desemprego”.

Isto é a inversão de tudo. Desculpem-me a indignação, mas ter sequer a coragem de colocar por escrito uma ideia tão perversa – foi enviado um e-mail, ou vários – é sinal de uma total falta de respeito e consideração por estes profissionais.

Vamos supor que a proposta é aceite, o que não me chocaria porque é preciso muita coragem para olhar para as contas e para o e-mail e decidir pela dignidade. Como seria a vossa relação com estes profissionais, caríssimos pais? O professor do seu filho detém agora a qualidade de corresponsável pelo pagamento da sua educação e assim sendo pode opinar, pôr e dispor, participar na educação parental, porque se paga manda, certo? Naturalmente que não, seria abusivo. Então é só um profissional de educação, certo? E qual é o estatuto deste profissional, que agora está submetido à suas exigências e ao seu abuso de posição dominante que até se permitiu ir-lhe à conta bancária? Quando houver uma divergência na escola – porque vai haver! – e o seu filho for fazer queixas do professor, o que lhe dirá o caríssimo? “Respeita-o porque o professor é quem manda”? Mas manda? Não é o caríssimo que desempenha uma posição parecida com uma entidade patronal da pior espécie, que põe e dispõe da retribuição que lhe é devida? Como é que este profissional vai exercer autoridade sobre o seu filho, se está sob a sua alçada? Parece-lhe boa ideia que o seu filho faça o que quer na escola daqui para a frente? Um professor é uma autoridade! Tem de ser respeitado como tal, não pode estar fragilizado de forma nenhuma, a bem do seu filho! Uma escola é uma sociedade, onde há figuras de autoridade que estabelecem as regras que têm de ser respeitadas, que indicam o caminho a seguir, que os afastam dos caminhos errados e os incentivam a seguir pelo caminho do bem. Humilhe os profissionais que fazem mais pelo seu filho do que “dar aulas” e alguns podem decidir cruzar os braços e assobiar para o ar em tudo o que não é sua obrigação.

E a direção do colégio, o que fará? Vai ceder? Ou vai mostrar de que fibra é feita, proteger os seus profissionais, arregaçar as mangas e garantir que o serviço que prestam tem excelência suficiente para justificar que os clientes estão dispostos a pagar pelo serviço e que não dependem de esmolas, nem de subsídios nem se sujeita a chantagens ? Vou estar a assistir, com muito medo do desfecho desta história, porque este gesto inqualificável  já revelou muito do caráter dos seus responsáveis, e isso já não se retira.  A ser verdade, claro!

 

Sofia Homem Cristo

Diretora do Colégio da Beloura

colégio da beloura

Atualização:

Publicado no Facebook ComRegras

 

Comentário

E agora…

Contraditório de um professor que leciona no respetivo colégio


Isabel Stilwell | O grito é a arma dos pais (baseado no estudo ComRegras)

A escritora e jornalista Isabel Stilwell fez um artigo para o Jornal de Negócios, baseando-se no meu estudo sobre a (in)Disciplina na Família. O artigo é muito interessante e recomendo leitura.

Isabel Stilwell

(carregar na imagem para aceder)

A principal arma dos pais é o grito, revela o estudo “(In)disciplina na Família”. O estudo chama-lhe “metodologia corretiva”, mas nós, os pais, sabemos que é, apenas, uma forma de exorcizar a frustração.

Somos tão queridos, nós os pais. E um bocadinho patéticos, também, convenhamos. Perdidamente apaixonados pelos nossos filhos, desejosos de fazer melhor do que os nossos pais, lançamo-nos à tarefa quais Dom Quixotes, munidos de uns compêndios e de umas apps. Juramos que vamos conversar em lugar de castigar, persuadir em vez de dar ordens, firmes nos limites, mas flexíveis quando necessário, substituindo o autoritarismo pela autoridade iluminada.

E até fazemos um óptimo trabalho mas, quando a nossa vida é vista à lupa de uma “sondagem”, de lá saltam as contradições e, com elas, a consciência de que andamos todos à beira de um ataque de nervos.  


Inspeção Geral de Educação e Ciência anda a inspecionar os… pais.

Detetive-revelaçãoIsto deve ser o episódio 723 dos contratos de associação, mas este chamou-me a atenção por ver a IGEC chamar os pais para confirmar se as famílias residem na freguesia das escolas. Deve ser algo inédito em Portugal e aqui até concordo com os colégios por se sentirem um pouco perseguidos.

Entramos aqui na tão proferida liberdade de escolha e como já referi anteriormente, a liberdade de escolha existe, mas no caso dos colégios indevidamente financiados, estes devem ser pagos com o dinheiro de quem os quer lá.

Sobre a escola pública a questão é diferente, não me choca a escolha, mas é natural que existam critérios. O ideal é que esta questão fosse diluída pela qualidade dos estabelecimentos de ensino, o que infelizmente não acontece por variadíssimas razões.

A inspeção é bem vinda, não é isso que está em causa, mas peca por tardia, pois esta “habilidade” de apresentar uma morada falsa não é um exclusivo dos colégios. Há anos que se fala em pais que deturpam a sua residência ou a substituem pela de familiares para que os seus filhos possam entrar na escola pública pretendida.

Recordemos…

Do pré-escolar ao ensino secundário, o número limitado de vagas nos estabelecimentos de ensino dita a criação de prioridades no acesso. Por mais que “garantam um tratamento o mais equitativo possível”, Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), admite que “os critérios estabelecidos certamente deixam algumas famílias sem a resposta que desejavam”. E vão sendo conhecidos casos, como o denunciado em agosto, em que alguns pais alegadamente terão fornecido “moradas falsas” para conseguir matricular os filhos numa escola do ensino básico da região de Aveiro. A prática não é nova.

Cristina Ribeiro, de 40 anos, ainda se lembra da peripécia que foi dar a morada da tia para poder frequentar o 5.º ano numa escola do centro do Porto. Vivia com os pais em Gondomar. Mas durante o dia ficava a cargo dos avós que moravam a 30 minutos de autocarro da escola pretendida. Ainda assim a casa estava na fronteira da cidade da Maia. Para os pais de Cristina escolher uma escola em Gondomar não era opção porque estaria sozinha. Por falta de transporte público, frequentar o ensino na Maia implicava demasiado tempo perdido em viagens. Repetiu a “batotice” da morada para poder continuar o ensino secundário na mesma zona, porque os avós continuavam a ser imprescindíveis. E graças a este suporte conseguiu ir até ao fim do 12.º ano.

Que sirva de exemplo…

Manuel Bento, diretor pedagógico do colégio Centro de Estudos de Fátima e um dos líderes do movimento Defesa da Escola Ponto, acusa a IGEC de “pressionar os pais para criar o pânico”.

Só hoje (ontem) já perdemos 12 alunos que se tinham inscrito. Os pais, assustados com esta pressão inaceitável, acabaram por desistir”

Inspeção da Educação convoca pais

(Bernardo Esteves)

Quando a escola mais próxima não é escolha

(Andreia Lobo)

 


E tudo o vento levou 2

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Depois de todas as promessas e devaneios cumpridos, para satisfazer a gula dos partidos mais à esquerda do governo e entregar-lhes literalmente setores vitais para o país, seja a educação ou os transportes, começa o verdadeiro fado, triste, melancólico, esganiçado nalguns casos e agressivo noutros. Este artigo antecipa o deserto que vamos ter de atravessar no próximo ano letivo, quiçá nos próximos. A ignorância do nosso povo, cultivada de raiz pelos arautos dos direitos e benesses, faz com que caiamos sempre na mesma armadilha. Nunca fomos ricos,  não o somos e duvido que algum dia o sejamos, mas para manter o poder e fossilizar cada vez mais as personagens que encarnam os nossos políticos, passado algum tempo, mostram verdadeiramente quem são, ao que vêm. Temos deputados a mais, ex-presidentes com excesso de regalias e mordomias, votamos em partidos políticos e não em pessoas reais, corrupção todos os dias, partidos políticos com frotas automóveis topo de gama, sedes partidárias isentas de IMI, gestores públicos incompetentes. Enfim, um rol de barbaridades que nenhum de nós merece, mas as escolas estão a começar a pagar a fatura, além dos hospitais.

Enquanto isto um novo Observatório da Educação, independente e credível o suficiente, vai realizar um estudo durante os próximos três anos para medir a temperatura ao nosso sistema educativo em várias áreas. Confesso que fiquei muito curioso quanto aos resultados que vierem a ser apurados. Digo isto tendo em conta os relatórios que são conhecidos sejam eles da OCDE, CNE, ME, INE, entre outros. Saliento o facto da Universidade Nova de Lisboa em parceria com a University College London serem o cérebro deste EDULOG. Aguardemos.

Começaram hoje as candidaturas ao ensino superior. Começa o suplício económico para a grande maioria das famílias que o podem suportar, mas deixo um alerta que mal se ouve no meio da barafunda politico-partidária, pois nem a comunicação social o aborda como devia, alguma nem abordagem faz, a um grave e persistente problema. A falta de empregabilidade. Há instituições que abrem cursos que não lembram a mais ninguém. Os jovens querem ir para a universidade e os pais querem ter filhos “doutores”, mas esquecem o número de doutores que estão espalhados pelas caixas dos hipermercados e afins. Independentemente de quem estiver na oposição ao governo a culpa é sempre do outro e os sindicatos não mexem uma palha para que isto mude. Porquê? Fácil. Se mexerem no ninho vão atirar com muitos docentes para o desemprego, logo menos receita. É preferível continuar a manter docentes, muitos sem a mínima competência, outros a lecionar disciplinas cujo nome é indecifrável e nada têm que ver com o curso em si. Tudo isto em detrimento do emprego dos recém licenciados, mestres ou doutorados. Se não houver ajuste estrutural ao mercado de trabalho vamos continuar a aumentar o número de graus académicos superiores, mas servem somente para os números dos políticos e em nada contribuem para o desenvolvimento do país.

Escolas sem dinheiro para pagar contas

(Paulo Cunha)

Novo Observatório da Educação terá resultados dentro de um ano

(Agência Lusa)

Candidaturas ao ensino superior arrancam esta quinta-feira

(Agência Lusa)


A geringonça é real, traiu os professores e a escola pública. 18

geringonçaTenho 39 anos, sou professor de quadro de agrupamento e este chumbo da aposentação dos professores com 40 anos de serviço, não me aquece nem me arrefece. Isto se pensasse apenas no meu umbigo…

Choca-me a “intelectualidade superior” com que muitos professores estão a reagir a isto, são vários os comentários ao estilo “Mas por que razão estão indignados?” ou “tanta ingenuidade em acreditar nos políticos…”, fervilham pelas redes sociais. Se é verdade que não existe surpresa, também é verdade que estavam reunidas as condições para ao menos abrir caminho, a curto/médio prazo, para uma aposentação justa e digna. Lembrem-se do que se passa nas forças policiais…

Estes comentários de alguma sobranceria, mostram resignação e por muito que fosse previsível, encolher os ombros não é solução, não resolve nada e mostra a falta de união que persiste nos professores.

A FENPROF já reagiu, uma reação expectável mas sem grande alarido. A ver vamos, agora que o viajante sindical começou a sentir sobressaltos na “sua” geringonça, está na hora mudar o discurso para algo mais condizente com os seus pergaminhos e afiliados…

Importa lembrar que o PS está assente numa maioria de esquerda, onde dois dos seus apoiantes (Verdes/PCP) apresentaram propostas concretas e três deles (Verdes/PCP/BE) votaram a favor das mesmas. Não nos vamos iludir, todos eles já sabiam o que se ia passar, todos eles já sabiam que o PS ia chumbar as propostas e todos eles aceitaram com demasiada naturalidade o sucedido. Existem linhas vermelhas na geringonça, mas a educação pelos vistos não é uma delas. Trata-se de um chumbo consentido, com discursos fofinhos para ficarem bem na fotografia. Por isso, a partir de hoje junto-me aos que apelidam esta coligação de esquerda de geringonça, pois não passa de uma Coisa malfeita ou construção com pouca solidez.

A aposentação dos professores é uma questão central para a melhoria do sistema educativo. O cansaço, associado à desmotivação dos colegas mais experientes, afetam o seu desempenho. Afirmo-o com todas as letras, mas não confundir isto com incompetência – e leiam bem o que escrevi para não criar mais uma vez comentários de novos vs velhos, ridículos para quem tem habilitações superiores… É preciso “sangue” novo na sala dos professores, revitalizar o sistema educativo e combater o desemprego docente. Tudo isto foi ignorado/desvalorizado, e para quem prometeu valorizar a escola pública e seus professores, o que aconteceu ontem comprometeu, mais uma vez, a sua credibilidade, não só para quem chumbou, mas também para quem deixou chumbar…
P.S – e agora venham dizer que sou de esquerda… sou pela minha cabeça.

Errar é a primeira norma e não o assumir o erro a seguinte! 2

ErroQualquer ser humano que não erre, uma, duas, muitas, muitas vezes pela vida fora, não é humano. Que errar é humano já todos entendemos, e todos o fazemos. Que devemos fazer todos os esforços por evitar, deveria ser outra certeza, mas não o está a ser, de forma alguma!

E ainda mais grave, talvez, é que hoje quem erra, não assume o seu “erro” e não poucas vezes quem hierarquicamente, institucionalmente lhe é superior, como tal nada assume e até tudo faz para que “tudo “seja abafado!

Claro que “isto” cria uma sociedade desresponsabilizada, e em que a dada altura, e parece que não estará longe, a banalização do erro é tal, que passa a não se distinguir o certo do errado, tanto faz.

Mal feito, melhor feito ou bem feito, o efeito é o mesmo, e como por norma é sempre mais fácil fazer mal que bem, passa-se  fazer “sempre” mal. Sem problema, numa boa, fixe!

Como fazer mal não só não constrói, como “até” destrói o que já foi feito, destrói-se e animadamente caminhamos a este ritmo de erro que origina erro, e que é tão, mas tão normal que quem acha que não deve ser, é criticado e aconselhado a “estar caladinho” a não apontar o erro, a deixar passar.

Mas se acha que deve insistir, passa a ser visto como quase dinossauro, ou pior, como alguém que nada mais tem a fazer na vida, que não procurar o erro do outro. Um coitado de um palerma, que acha que errar é errado.

E, estamos em tantas áreas, aos mais diversos níveis a viver com estes parâmetros em que o erro é normal, em que não se deve de modo algum de evitar o erro, e caso seja feito, como tem que ser face às circunstâncias, não há qualquer problema. Bem pelo contrário. Erremos todos saudavelmente!

E, claro que quando estamos a viver o erro pelo erro, com erro, não podemos esperar que algo corra bem. E se corre foi, mero acaso, pura coincidência, que por vezes até existem, seja pelas “bruxas” ou por outros quaisquer fenómenos não perceptíveis, ou explicáveis.

E, vão-se criando situações de um caricato absurdo. Os mais velhos que durante toda a vida fomos tentando não errar, e sempre errávamos pedíamos desculpa e tentávamos emendar a mão, não sabemos hoje, que fazer.

Os mais jovens que ainda vão aprendendo e alguns ainda vão praticando, a não errar, a evitar o erro, e a pedir desculpa quando erram, sentem que tudo “isso” está a não ser seguido pela maioria da população, pelo que o melhor é errarem consistentemente, que não haverá problema.

Toda a restante população erra docemente e faz tudo contra as regras, mas está-se nas tintas, é mais fácil e não traz quaisquer dissabores.

Mas será assim que construiremos futuro? Quem souber sem errar, que responda!

Augusto Küttner de Magalhaes


Boas Práticas | III Jornadas Pedagógicas do Agrupamento de Escolas Monte da Lua – Sintra

O Agrupamento de Escolas Monte da Lua teve a amabilidade de fazer um resumo das suas jornadas parlamentares com o tema Indisciplina, o antes e o depois… perspetivas de sucesso. Uma boa prática de uma escola que está atenta e que procura soluções para um problema transversal. Parabéns!

III Jornadas Pedagógicas AGML

Indisciplina, o antes e o depois… perspetivas de sucesso

Foto1Pensar a educação, nos dias que correm, passa, quase necessariamente, por analisar a indisciplina como uma das condicionantes que mais afeta a ação dos educadores, daí a pertinência do tema das III Jornadas Pedagógicas AGML – “Indisciplina, o antes e o depois… perspetivas de sucesso”, realizadas no auditório da Escola Secundária de Santa Maria, no dia 8 de julho.

O tema ganha maior relevância no caso português, já que, como o comprovam dados da OCDE, relativos a 2013, o tempo efetivo de ensino/aprendizagem é afetado, de modo muito significativo, pelo tempo gasto pelos docentes a manter a ordem na sala de aula.

As duas representações iniciais, feitas por alunos do 1º ciclo (“Crescer em harmonia”) e do ensino secundário (“Nós somos a escola”), deram o mote ao tema das jornadas, mostrando, de forma lúdica e muito expressiva, como o clima propício à aprendizagem, que se espera poder encontrar na escola, pode ser afetado pela indisciplina.

As intervenções que se seguiram, com abordagens plurais da indisciplina enquanto fator indissociável do sucesso educativo, permitiram o tratamento holístico da questão que a Diretora do AGML apresentou como objetivo deste encontro de partilha de experiências de quem lida diariamente, no concelho de Sintra, com crianças e jovens alunos, no dizer do vice-presidente da Câmara Municipal de Sintra, “a mais alta tecnologia que existe no mundo”.

Após a apresentação da experiência inovadora sobre “o antes e o depois” da indisciplina no AE de Carcavelos pelo seu diretor, Adelino Calado, para quem, muitas vezes, “o ensino aos alunos do século XXI é feito em escolas do século XX com métodos do séc. XIX”, a doutora Raquel Santiago enfatizou a importância da intervenção precoce e do envolvimento das famílias na prevenção da indisciplina, bem como o desafio que é para o educador a descoberta das causas da agressividade, quer ativa, quer passiva, dos alunos, de modo a que, invertendo o ciclo do conflito, aquele consiga reagir “como um termóstato”, que controla e regula os comportamentos, e não “como um termómetro”, que apenas mede a temperatura.

foto2No debate que se seguiu, ficou clara a diversidade de perspetivas acerca da indisciplina e das suas possíveis causas e formas de remediação ou superação: o professor doutor Santana Castilho, depois de afirmar que a indisciplina é essencialmente “uma questão política”, referiu que ela se pode associar a uma certa ideia, errada mas muito em voga, de que o estudo realizado na escola se faz sem esforço, trabalho e disciplina, sublinhando a necessidade de promoção de uma cultura de responsabilidade, sem contemporização dos comportamentos que contrariem a missão primordial da escola, que é “ensinar e mediar aprendizagens”; por outro lado, a professora doutora Celeste Simões, que reforçou a importância da resiliência, e a doutora Susana Amaral, ao sublinhar a psicologia positiva, apresentaram uma outra vertente de abordagem do tema.

À tarde, a professora doutora Carolina Carvalho, apoiada em dados de investigação, recordou as diversas significações da indisciplina, nomeadamente no ponto de vista do docente, sublinhando que aquela resulta essencialmente de um “problema de relação e de mensagem”, cuja resolução passa pela corresponsabilização de todos os intervenientes no processo. Por fim, seguiram-se as salas de partilha, onde, em pequeno grupo, se trocaram experiências quanto à forma de lidar com situações de indisciplina.

Destas jornadas, cuja continuação foi anunciada para setembro pela diretora do AGML, ficou, na numerosa assistência, a consciência reforçada da pluralidade de aspetos associados à indisciplina, bem como a necessidade de uma atitude informada e sem tibieza por parte dos educadores, que, de modo a cumprir a sua tarefa, deverão combater a insensatez que é, tal como lembrou Einstein, “insistir em agir sempre da mesma maneira e esperar resultados diferentes”.

O8 de julho, Escola Secundária de Santa Maria – Sintra

Rui Ferreira

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Nem aos 36 nem aos 40. Proposta de Aposentação CHUMBADA! 5

Sem surpresa! Como também não foi surpresa os discursos de solidariedade para com os professores, cheio de palmadinhas nas costas antes da faca entrar bem fundo por parte de quem se mostra preocupado. A oportunidade estava lá, agora, hoje, ali, tão perto… o principio de algo positivo para os professores, para os alunos para o ensino no geral. Não quero cá saber de jogos políticos de quem quer apresentar a proposta final e aprová-la para ficar bem na fotografia. A coerência da palavra, a honorabilidade dos políticos vê-se em momentos como os de hoje. Mais uma vez ficámos sozinhos, mais uma vez sentimos que o nosso trabalho não é, não foi e não será valorizado, mais uma vez atiraram o nosso voto para a lama, surdos, imunes aos gritos de quem não aguenta mais…

Não devia ficar assim, já estava à espera, mas a hipocrisia morde cá dentro!

Hoje viu-se quem acredita no que diz e se as palavras iam de encontro aos atos. Caiu a máscara dos hipócritas. Caiu a máscara do PS.

Lembro o que foi dito em fevereiro sobre a petição da FENPROF e que publiquei aqui

Das intervenções dos grupos parlamentares (PSD, PS, BE, PCP e CDS) não resultou qualquer contestação aos fundamentos da petição, designadamente, ao reconhecido desgaste provocado pelo exercício da profissão, à defesa da dignidade dos docentes, ao interesse da questão colocada para a defesa da qualidade do ensino, incluindo aqui a necessária renovação geracional na profissão. BE e PCP revelaram acompanhar o sentido da petição e disponibilidade para desencadear iniciativas que a concretizem.

Este gráfico que termina em 2014 devia ser exposto em todas as escolas…

Envelhecimento docente

Chumbo de textos sobre novo regime para docentes aposentados mereceu protesto na AR

(Lusa)

Os textos, apresentados por PCP e “Os Verdes”, tiveram voto favorável destes partidos e do Bloco de Esquerda (BE), merecendo a abstenção do deputado do PAN e o voto contra de PS, PSD e CDS-PP.

Vários apupos escutaram-se no final da votação, o que levou o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, a lembrar os cidadãos que assistiam às votações que nas galerias não é possível haver manifestações de repúdio ou agrado – “o que não é manifestamente o caso”, reconheceu Ferro – pelas decisões dos deputados.

O texto do partido ecologista pedia um regime transitório para a aposentação de professores e educadores, “com vista a criar justiça no regime de aposentação”, ao passo que o documento comunista era mais amplo, pedindo ao executivo “a possibilidade de aposentação aos 40 anos de descontos sem penalizações e a aplicação de regimes de aposentação relativos a situações específicas”.

“É amplamente reconhecido o desgaste físico e psicológico que os educadores de infância e os professores sofrem ao longo das suas carreiras e que este desgaste, por um lado, conduz a uma enorme pressão e sobrecarga sobre o docente e, por outro lado, leva a que se comprometa não só a qualidade da prática pedagógica, como em última consequência a qualidade do próprio ensino”, advogam os comunistas no seu projeto de resolução hoje chumbado.

Vergonha!


Visão | Quer saber se o seu filho vai ser bom aluno?

adn

E se lhe disser que 10% do sucesso educativo depende do nosso ADN… Parece pouco mas não é, pois a nível genético a escala é um pouco diferente como explicam os investigadores de um estudo do King’s College de Londres.

“Descobrimos que quase 10% da diferença nos resultados escolares se deve apenas ao ADN. Fica longe dos 100%, mas está muito acima do que por norma conseguimos na previsão de comportamentos” através da genética, sublinha Saskia Selzam, um dos autores do estudo. Por exemplo, quando pensamos na diferença entre rapazes e raparigas na matemática, o género explica só 1% da variação. E as características de perseverança de um indivíduo preveem apenas 5% da variação no sucesso escolar.”

Este estudo pode ser muito útil se com ele for possível detetar precocemente dificuldades de aprendizagem ainda antes da criança começar a dizer gugudada. Imaginem bem o que se poderia fazer…

Isoladas, as variantes de ADN que interferem com o sucesso escolar não têm impacto nos resultados. O efeito é mínimo, defende o estudo revelado hoje no Journal of Molecular Psychiatry. Mas a presença simultânea de várias pode ser a diferença entre uma criança vir a ser uma aluna de nota 19 ou 20 ou de 14 ou 15. Sendo que os primeiros têm quase o dobro de probabilidade de chegarem à universidade.

Isto do X e do Y pode ser uma benção ou uma cruz e como dizem os investigadores

“Isto faz toda a diferença nas oportunidades de vida”

Quer saber se o seu filho vai ser bom aluno?

(Rui Antunes)