Parceria ComRegras e SOS Estudante

É com enorme satisfação que anuncio esta nova parceria do ComRegras, desta vez com o SOS Estudante, um projeto que já divulguei aqui.

Como sabem, o ComRegras tem um serviço de apoio à comunidade educativa, prestado pelos nossos parceiros Oficina de Psicologia, ao tomar conhecimento do SOS Estudante, não podia ficar indiferente e é com espírito de missão que anuncio esta nova colaboração.

Os valores do ComRegras e SOS Estudante são semelhantes, em conjunto pretendemos uma comunidade educativa mais empática, emocionalmente equilibrada e que direcione os estudantes para o sucesso.

Por isso já sabem, se precisarem ou conhecerem algum estudante que precise de ajuda, é só entrar em contacto e irão encontrar do outro lado alguém disposto a ouvir e ajudar.


Professora agredida por mãe de aluno na EB 2,3 André Soares

Para quando a categorização de crime público para estes atos hediondos. Lembro o artigo que fiz recentemente Fui insultado/agredido por um aluno. O que faço? E a escola, é obrigada a comunicar às autoridades?

Professora agredida por mãe de aluno na EB 2,3 André Soares

(Correio do Minho – Teresa Costa)

Uma ocorrência na sala de aula acabou ontem com uma agressão da mãe de um aluno a uma professora no interior da escola básica do 2.º e 3.º ciclos André Soares, em Braga.
Professora e aluno do 5.º ano de escolaridade receberam tratamento hospitalar.
A PSP foi chamada ao local e identificou todos os intervenientes: pais, aluno e professor, confirmou fonte policial ao ‘Correio do Minho’.
De acordo com o que foi possível apurar, a agressão foi despoletada por uma ocorrência na sala de aula envolvendo uma professora de História.

O aluno, de etnia cigana, ter-se-à queixado aos pais que foram tirar satisfações com a professora, o que culminou com a alegada agressão e insultos no interior da escola.
A directora do Agrupamento de Escolas André Soares , Graça Moura, confirma a ocorrência no interior da escola-sede e que a mesma foi comunicada à equipa da ‘Escola segura’ da PSP.
Internamente, a situação ainda vai ser averiguada e conforme o resultado desta averiguação poderá ser despoletado algum processo disciplinar, acrescenta Graça Moura.

A directora do Agrupamento afirma, no entanto, a intenção de reforçar a atenção à entrada na escola na tentativa de evitar este tipo de episódios que ontem causou confusão na escola, já que houve alunos que assistiram a toda a situação.
No ano lectivo 2015/2016, a PSP registou, a nível nacional, 4.102 ocorrências criminais nas escolas, mais 172 do que no ano lectivo anterior, quando se verificaram 3.930 participações, de acordo com uma notícia recente da Agência Lusa.

Convém averiguar internamente como foi possível a entrada da agressora. A escola deve estar aberta à comunidade, mas convém lembrar que só o encarregado de educação pode entrar na escola e que existe um horário definido para este falar com o diretor de turma ou professor titular.


Desistir não é solução…

Há sempre alguém pior do que nós…

Bom fim de semana. 😉

*Homenagem às vítimas do atentado de Orlando

As 49 vítimas do atentado à boate Pulse, em Orlando, foram representadas por 49 dançarinos no novo clipe de Sia. A homenagem foi marcada na faixa “The greatest”, uma parceria de Sia com o rapper Kendrick Lamar. Um dos dançarinos, claro, é Maddie Ziegler, que estrela os vídeos da cantora desde o hit “Chandelier”.


Desabafo de um aluno… que parte a loiça toda! 1

Apesar dos resultados do PISA 2015, é preciso manter os pés no chão e ter consciência que há muito a melhorar. Mais de 30% de alunos com 15 anos já contam com uma retenção

Desabafo de um aluno

(DN – Madeira)

pratos-partidosCansei, cansei que esperem de mim números, cansei que esperem que seja igual aos socialmente vistos como mais bem pagos, cansei de entrar numa sala e ouvir que não valho nada, cansei de ser obrigado a colocar toda a minha energia em algo que realmente não me interessa… E aí? (tudo o que é adulto “bem sucedido ou não” vai dizer: pois esta geração de hoje em dia não se interessa por nada, não tem objectivos) Esta geração tem objectivos, e provavelmente objectivos muito maiores que os vossos!! E por os ter é que é capaz de reconhecer que o vosso mecanismo de ensino não os satisfaz… É demasiado “rasco”! Porque nós não nos contentamos em saber simplesmente sobre um assunto… Somos seres com sede constante de novidade, seres que procuram a mudança… Porque acreditem… QUERIDOS ADULTOS COM EGO SUFICIENTE PARA JULGAR! A ÚNICA NOVIDADE QUE NOS TROUXERAM FOI O MOODLE… Plataforma online que serve para muitos dos incompetentes que aí andam colocarem matéria… Ao molho e fé em deus…. Porque é isso que somos, somos engolidores de matéria… Seres inferiores, vadios e irresponsáveis…. Agora pergunto, onde está todo esse poder com que nos julgam e nos privam de sermos quem sonhamos ser quando a criatividade é precisa? Quando a capacidade de resolução de problemas é essencial?! Precisamos de médicos a sério, de políticos a sério, e sobretudo de adultos a sério…

Que se levantem e digam basta! Porque sempre que um jovem (incompetente) o tenta fazer… É essencialmente por ser vadio e escolher o caminho mais fácil. E não me venham com histórias de isto servir para aprendermos a crescer…. A vossa geração ainda nem o curso tinha acabado e já tinha oferta de emprego a frente do nariz… Resultado?! Profissionais de merda no país… E o que presta a sair dele…. A educação está na base de tudo isto… Por isso parem de julgar os comportamentos desta geração e comecem a avaliar o vosso “sistema” ….! procurem agora o X! (e sim está escrito segundo o antigo acordo ortográfico, porque se deviam preocupar com outras coisas! E parar de transformar património cultural desta maneira! Depois queixem-se que os jovens usam mais inglês do que português nas frases… É que nem vocês se decidem com isso!)

MW


Alunos que faltam aos testes, porque estão de férias com os pais…

O direito às férias é um direito laboral e transversal a todos. A maioria da população portuguesa tem a possibilidade de tirar uns dias de férias sem ser em agosto, algo que os professores infelizmente não podem fazer. As vantagens são bastante significativas principalmente a nível financeiro. Nada contra, apenas pura inveja…

Passar uns dias com a família é algo que deve ser fomentado, mas aqueles que são intitulados de encarregados de educação, deviam estar mais cientes que ao levar o(s) seu(s) filho(s) de férias na penúltima semana de aulas de um qualquer período, corre o sério risco de este(s) estar(em) a faltar a momentos de avaliação.

Pior ainda, é quando ficamos a saber pelos colegas de turma que o “Zé”, o “Manel”, ou a “Maria” estão a faltar porque estão na Madeira, nos Açores, ou do outro lado do Atlântico.

Bonito, sim senhor…

E agora? Virá uma qualquer justificação de faltas a dizer que o menino(a) esteve doente para pressionar os professores a repetir a dita avaliação. Chato, pois, quem não sabe da verdade sente-se na obrigação de repetir a dita, o pior é se o educando aparecer na escola “torradinho” do sol a contar aos colegas/professores os maravilhosos mergulhos nas águas calientes que usufruiu no feriado e respetiva ponte…

O aluno poderá ficar com um zero bem redondinho e colocar em causa o seu aproveitamento para este período, mas a tão apregoada avaliação contínua também se aplica nestes casos, e aquele zero vai “torrar” o pobre coitado e não adianta de nada colocar o after sun que a marca permanecerá até junho…

Não tem mal, foi só um teste, não é isso que impedirá o aluno de se formar e ser um profissional de sucesso. Não, claro que não… Mas os princípios que os pais devem conhecer e transmitir aos seus educandos, são os pilares para o seu caráter. Desvalorizar a escola, mesmo que seja apenas um só dia, é um mau princípio, e ainda por cima escolhido numa altura onde muito se decide.

Ser pai e mãe é uma chatice, eu sei que também o sou, mas ninguém nos obrigou, é um compromisso para a vida e haverá muito tempo para colocar o protetor solar… É uma questão de prioridades…


Entrevista a João Almeida, Presidente da ANVPC | ” A precariedade docente não afeta apenas os professores, mas sim também o próprio sistema.”

Mais um exclusivo ComRegras, desta vez uma entrevista a João Almeida, presidente da Associação Nacional dos Professores Contratados. Uma entrevista pertinente, tendo em conta o momento atual em que a tutela apresentou uma proposta para o concurso de professores.

Fica claro nesta entrevista que a ANVPC tem um rumo bem definido e que tem dado um contributo muito válido aos professores contratados.

Lembro que a ANVPC está a recolher contributos para o diploma de concursos por parte dos professores contratados e que podem fazê-lo hoje em plenário às 16:00 horas na cidade do Porto, ou enviar até dia 12 de dezembro para [email protected]

Fica a entrevista e o meu agradecimento pela disponibilidade.


Dicas reais para lidar com o “Rafa”, um aluno indisciplinado! 2

Depois de dicas e estratégias, vamos lá tentar ver isto sob o ponto de vista da prática.

 

Hoje gostava de vos falar do Rafael…

 

O Rafael, ou Rafa – como ele gosta de ser chamado, é um aluno de uma turma dita indisciplinada de 7º ano, tem 15 anos e acumula 3 retenções (5º ano e duas no 6º ano).

O aluno é frequentemente indisciplinado, sendo o líder da turma e a sua influência sobre os colegas é bastante notória. Para além de não cumprir as indicações dadas pela professora, por exemplo, passar o que está escrito no quadro ou fazer as tarefas solicitadas, desafia e afronta frequentemente e, por vezes, chega mesmo a insultar e a ameaçar a professora. Levanta-se repetidamente para falar com os colegas ou para lhes tirar objetos. É geralmente ele que incita os colegas a atuar de acordo com as suas indicações e intentos. Apesar de afirmar diversas vezes que não gosta da “forma como a professora dá aula”, por vezes assume o papel de aluno “bem comportado”, mostrando-se atento e interessado. Sempre que isto acontece, começa a denunciar os colegas, dizendo que estão a perturbar e que dessa forma não consegue estar atento. Implora mesmo que a professora atue junto dos colegas, como se pode verificar na situação que ocorreu na semana passada.

A professora questionou os alunos sobre o sistema solar e, nessa sequência fez uma pergunta ao Rafa que parecia estar atento. Ele tentou responder, mas logo de seguida disse ”não me consigo concentrar. Olhe ali uma revista pornográfica, oh stôra não a vê ali?!” Perante a denúncia do aluno, a professora interveio, dizendo para um dos alunos que suspeitou estar na posse da revista: “Vou levar-te à Direção. É uma falta de respeito o que estás a fazer.” Este aluno perante as palavras da professora acusou outro aluno. Estava lançado o caos. Ninguém assumia ser o dono da revista e esta passava de um aluno para outro sem que a professora a conseguisse agarrar. Por fim, um aluno atirou a revista pela janela.

No que diz respeito ao contexto familiar do Rafa, este vive com a mãe, uma irmã e o padrasto. O padrasto é servente de pedreiro e está desempregado. A mãe trabalha como embaladora numa empresa e a irmã, de 11 anos, estuda no 6º ano. Quanto ao pai biológico, este não mantém qualquer relacionamento com o filho. O Rafa diz mesmo que não o conhece. As habilitações académicas do agregado familiar do aluno são baixas. A mãe frequentou o ensino preparatório mas não o completou. O padrasto tem apenas o segundo ano de escolaridade. A encarregada de educação até ao momento, não revela preocupação com as participações disciplinares do Rafa e afirma que no próximo ano letivo o Rafa irá trabalhar.

 

Antes de dizerem que têm muitos “Rafa’s” nas vossas escolas, que comentários e reflexões vos apraz fazer sobre o comportamento deste aluno?

Naturalmente que…

  • O Comportamento do Rafa visa atingir/afrontar a professora;
  • O Rafa reconhece as relações de controlo professora/aluno e possui as regras de reconhecimento;
  • O Rafa é capaz de identificar as atitudes e condutas legitimadas pela professora no contexto regulador da sua prática.

Mas o seu comportamento na aula é desadequado… Então que características comportamentais devemos realçar/valorizar no Rafa?

  • Reconhece o poder legítimo da professora mas tenta subvertê-lo;
  • Sabe como proceder para “enfraquecer” as relações de poder professora/aluno;
  • Mostra consciência que através da atuação em grupo, consegue aumentar o seu poder informal e diminuir o da professora;
  • O desempenho do Rafa parece resultar da ausência de disposições sócio-afetivas favoráveis para a prática pedagógica da professora;
  • O nível de indisciplina em que se enquadravam os seus atos parece ser o resultado de reconhecer, no contexto regulador da prática pedagógica, as relações de poder professor/aluno e atuar de forma a enfraquecer essas relações.

Vamos pensar em hipóteses que possam sustentar e reforçar a reincidência de comportamentos…

  • O Rafa não se identifica com a prática pedagógica da professora;
  • A desvalorização que a família faz da escola é, naturalmente, percecionada pelo Rafa, podendo conduzir à ausência de aspirações/valores relacionados com o discurso escolar;
  • As disposições sociofamiliares, nomeadamente ter uma irmã com menos 4 anos mas a um ano de escolaridade dele, poderão contribuir para o reforço da crença disfuncional de fracasso que, por conseguinte, reforça a manutenção de comportamentos que traduzem essa crença.

Propostas de abordagem:

  • Capacitação e Educação Parental;
  • Evitar que domine o grupo – dependendo da turma pode ser através da estratégia de sentar o aluno sozinho;
  • Tentar falar com o Rafa a sós e em contexto informal – promover a empatia, a compreensão e sentimento de pertença;
  • Voltar a esclarecer/definir regras e consequências para essas regras (incluir o Rafa nestas propostas de forma a responsabilizá-lo e promover o sentido de justiça);
  • Envolver e informar o Conselho de Turma sobre as evoluções, retrocessos e compromissos estabelecidos com o Rafa;
  • EVENTUALMENTE encaminhar para o SPO, contudo este elemento e serviço da escola deve ser usado para consultadoria relativamente ao caso (sempre!).

Não é fácil analisar casos como este… Muito menos (re)pensá-los desta forma, ainda “pra mais” quando se juntam às dúzias dentro de uma sala de aula… mas não nos podemos esquecer que o diagnóstico nunca é igual para todos, portanto as receitas também não o poderão ser.

Antes de diagnosticar, vamos analisar, sem ter pressa para encontrar a solução mágica… e depois sim, perante factos reais e concretos, vamos ponderar linhas de ação adequadas, adaptadas e articuladas entre os vários agentes educativos.

Bom resto de feriado!

(Sou só eu a achar que todas as semanas deveriam ser como esta e a que passou? Este descanso a meio da semana sabe tão, mas tão bem!!!)


Mónica Nogueira Soares

 Psicóloga | Mediadora Familiar e Escolar | Formadora

Novo serviço para os leitores ComRegras | Tenho Dúvidas 1

Com alguma frequência recebo na minha caixa de correio ([email protected]) pedidos de ajuda/esclarecimentos sobre uma série de assuntos. A falta de tempo ou mesmo o meu desconhecimento, não me permite dar resposta às solicitações recebidas. Resolvi por isso criar um espaço onde possam colocar as vossas dúvidas. Do outro lado vai estar o professor Duarte Gonçalves, que fará a gentileza de responder às vossas questões.

O Duarte não é o google, a wikipédia, ou um manual de instruções. O Duarte também não substitui os sindicatos de professores, ou qualquer advogado da nossa praça.

Antes de colocarem as vossas questões, cabe-vos também procurar uma resposta. Por favor compreendam que este serviço é gratuito e o ComRegras não é, nem nunca será uma empresa de serviços… Estamos nisto por carolice!

A abrangência para as vossas questões não tem limites, mas assuntos sobre disciplina ou concurso de professores serão mais facilmente respondidos.

Se não soubermos a resposta, simplesmente não respondemos…

Nota: As vossas questões e consequentes respostas poderão ser publicadas no ComRegras, até para ajudar terceiros que tenham as mesmas dúvidas.


Fica a primeira dúvida colocada.

Exmo(s) Sr(s),

Em primeiro lugar, queria felicitar toda a equipa do blogue “ComRegras” pelo seu ótimo trabalho. 

Gostaria de apresentar também a seguinte situação e pedir uma opinião, se for possível:

Sou professora do 2º Ciclo e fui colocada este ano na RR3, com 17 horas letivas, em horário temporário.
Verifiquei, há dias, na página da Segurança Social Direta que a escola só me declarou 23 dias de trabalho, relativamente ao passado mês de outubro. Isto está correto? Não deveria ter declarado 30 dias? (não faltei nenhum dia) 
Esta situação é, na minha opinião, completamente injusta, prejudicando-me para efeitos de direitos sociais e futuramente na aposentação.
Já li na Internet queixas similares e estou confusa.

Afinal, como é que as escolas devem proceder, legalmente, relativamente à declaração dos dias de trabalho, para os professores contratados com horários incompletos? A minha escola procedeu bem ou mal? Qual é a Legislação?

Desde já, muito obrigada pela atenção.

Com os melhores cumprimentos,
Olga Policarpo


Prezada colega,

Agradecemos o seu contacto e tomamos boa nota da sua apreciação quanto ao trabalho desenvolvido por este blogue.

De facto, a questão que nos coloca tem sido um foco de preocupações dos docentes contratados.

Com efeito, as respostas a questões semelhantes que têm sido dadas por entidades oficiais, vão no sentido de que as escolas e a Segurança Social estarão a agir de acordo com a Lei.

Em anexo, pode consultar dois desses esclarecimentos, dados pela Segurança Social e pela Provedoria de Justiça a um agrupamento de escolas e a uma docente contratada, respetivamente.

Essa não é a nossa opinião.

Aconselhamo-la, pois, a requerer a correção do tempo de trabalho declarado aos serviços da Segurança Social, com base nos seguintes pressupostos:

– Os contratos celebrados pelos docentes são contratos a termo resolutivo certo e não contratos a termo resolutivo a tempo parcial uma vez que não obedecem ao enquadramento legal disposto no artigo 150º e seguintes da Lei nº 7/2009 (Código do Trabalho), por remissão do artigo 68º da Lei nº 35/2014, de 20 de junho (Lei Geral de Trabalho em Funções Públicas).

– Os contratos dos docentes são celebrados para horários que têm uma determinada duração (por exemplo, 365 dias), sendo a mesma indicada no concurso e fixada no contrato.

– A profissão docente rege-se por um Estatuto (ECD) que no ponto 2, do artigo 76º, do Subcapítulo II, determina que «o horário semanal dos docentes integra uma componente letiva e uma componente não letiva e desenvolve-se em cinco dias de trabalho».

– Violação do «princípio de igualdade de oportunidades» para todos os cidadãos», na medida em que, a aplicação do Decreto Regulamentar 1-A de 3 de janeiro de 2011, cria sérias limitações aos docentes com horários incompletos para acederem ao Subsidio de Desemprego e a Pensão de Velhice, por exemplo.

– Violação do «princípio da proporcionalidade», visto que, num contrato para um horário incompleto, a remuneração e respetivos descontos para a Segurança Social são proporcionalmente menores, em valor; não em dias de trabalho.

– Incoerência grosseira entre os dias de gozo de férias (2 por cada mês completo de trabalho) e os dias considerados para efeitos contributivos (contabilizados a partir de horas semanais de trabalho).

Pode utilizar o modelo que lhe deixamos em anexo.

Em caso de parecer contrário à sua pretensão, poderá entrar com uma ação em tribunal.

Sem outro assunto, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.

Duarte Gonçalves

 


Quanto à nossa selvageria, nada a fazer, cada vez pior!

Estamos a viver uns tempos em que não se respeita o nosso igual, em que se vive “um dia de cada vez”, em que se quer bem-estar imediato, dado que já não se tem paciência para esperar e o “conquistar” amanhã.

E, mesmo sem pressas e sem urgência se tem que estar sempre à frente, mais que não seja para ter outro, sempre atrás de nós.

“Isto” nota-se na fica do supermercado onde se tenta passar à frente de qualquer jeito, onde duas pessoas vão às compras, uma instala-se na fila de caixa e a outra vai “buscando” as compras, cada vez e cada vez mais se irá notar na condução automóvel e no trânsito, onde vale tudo.

E, esta selva em que nos tornamos não vai ter retrocesso tão cedo, logo, antes pelo contrário. E os “lorpas” dos sexagenários na segunda metade desta sua/nossa década, que se achem/achemos- como quem escreve “isto” – espantados com este tempo tão selvagem, será melhor habituarmo-nos, estarmos “caladinhos”, sossegadinhos, não nos vão bater, dado que ameaçar, já o fazem.

E nada tem a ver com “os” grandes progressos e muito bem-vindos, que temos alcançado a cada dia que passa, e de que são exemplos tudo o que se passou de tão positivo na segunda metade do século passado, e se continua e muito bem a desenvolver e a evoluir, neste nosso século XXI. Nada disso.

Trata-se do não respeito que temos pelo outro, mas, querendo que este o tenha por nós. Trata-se de como e com a maior das facilidades fazemos ao outro o que não queremos que estes a nos faça. Trata-se de todos estarmos a viver com um individualismo exacerbado, que nos faz querer derreter as mais elementares regras – algo que achamos não dever ter que existir – de racionalmente minimamente normal entre Pessoas, entre Seres Humanos, que ainda somos.

Estamos numa de vale tudo, desde “que o eu, esteja bem”. O outro que se “lixe”, se eu, e só eu estiver bem.

E tudo o que seja ser amável ou bem-educado está caducado. Já não interessa, é para esquecer. E os sexagenários que viveram esses tempos mais educados, esqueçam, que não se “usa hoje já ”.

Obrigado, por favor, não tem de quê, bom dia, boa tarde, boa noite, faz favor, já não se usam.

Não começar a comer antes do parceiro que está connosco era só o que mais faltava, o “eu” primeiro falar de boca aberta, é fixe, para quê, o não fazer? O outro que não olhe.

Não deixar sair do elevador quem o quer fazer, e empurrar por querer “já” entrar é que resulta. Não se desviar no passeio se vier alguém em frente, e fazer tudo para lhe “mandar” um valente encontrão, é que é fixe. Escarrar ruidosamente para o chão, é excelente, despejar papel que temos na mão no chão, mesmo tendo uma papeleira a um metro, é bestial.

E nem vale abordar temas de trânsito e condução, uma vez que cada um faz o que lhe dar mais conveniência e está feito.

E vamo-nos destreinando de ser civilizados, e vamo-nos tornando todos nuns grandes selvagens, e vamos apoucando as nossas vivências quotidianas, já nem felizes e contentes, dado que a brutalidade, mas também má disposição é patente na face e comportamentos de todos e cada um, a cada dia, em que se vive um dia de cada vez.

E, os sexagenários a caminho dos setentas que se cuidem, dado que se acham que ser minimamente educado ainda tem espaço, bem lhes vai, bem nos vai tudo muito mal correr. Seja! Viva a selvageria, o desrespeito, a desordem, os velhos a serem desprezados, a deseducação, o cada um fazer o que o seu “eu” mais lhe apraz!
Augusto Küttner de Magalhães


Plickers | Corrija testes em segundos, com… a câmara do seu telemóvel! 5

Recebi esta mensagem de Cristina Gomes

Boa noite. Tenho um filho com 10 anos a frequentar o 5º ano, hoje fez um teste de ciências e relatou em casa que o teste foi feito em Plickers. Fiz alguma pesquisa na net mas está quase tudo em inglês. Esta página é muito interessante e gosto muito de ler o que publicam,será que há possibilidade de abordar este tema explicando em que consiste os testes em Plickers e se são uma boa opção de avaliação? Obrigada pela atenção.

Então vamos lá…

O que é o Plickers? O Plickers é uma app que basicamente recolhe as respostas dadas pelos alunos através da câmara de um telemóvel, ou seja, os alunos não precisam sequer de usar o seu telemóvel, muito útil por exemplo para o 1º ciclo. Como hoje em dia todos os professores têm um telemóvel com uma câmara, todos podem utilizar este sistema.

Aos alunos será lhes dada uma folha com um desenho que ao direcioná-lo, indicam a sua resposta (hipótese a), b), c), d)) e o telemóvel regista-a. Este programa será seguramente muito útil em testes ou parte de testes de escolha múltipla, algo que é muito comum nos dias de hoje.

Imagino perfeitamente uma turma do 1º ciclo ao ensino secundário a utilizar este sistema. Para os professores as vantagens são enormes, já que numa altura em que todos devem ter uma pilha de testes para corrigir neste belo dia de feriado, quantos não preferiam já ter os testes corrigidos, na hora e com informação imediata aos seus alunos.

A tecnologia existe para nos simplificar a vida, os preconceitos existem para justificar a nossa ignorância e falta de vontade em sair da nossa zona de conforto.

Aos meus alunos já lhes permito registar, tirar apontamentos e até fotografar gráficos expostos nas aulas com o telemóvel e tablets. Vou aderir, nada como experimentar em vez de passar o tempo a lamentar-me…

Fica um vídeo de apresentação e dois links, um estilo tutorial e outro para descarregar a aplicação.

Descarregar Plickers

Tutorial


António Costa abre a porta à vinculação de mais professores

António Costa anda a brincar com os professores, ou então é Tiago Rodrigues que anda brincar com estes. Não se pode dizer que se quer dar estabilidade e que se compreende muito os professores, pois até esteve casado com uma mulher educadora, blá, blá, blá, e apresentar uma proposta que fazia sentido sim, mas no dia 1 de abril.

Estas tretas políticas de querer ficar bem na fotografia, depois de cortar as pernas a quem tinha ambições legitimas, já não engana ninguém.

Além disso, se a estratégia é apresentar uma proposta má para depois ficar com uma mais ou menos, é algo que sinceramente já chateia, lembra uma feira qualquer de um país de terceiro mundo em que tudo se tem que regatear. Para sermos sérios e credíveis, convém apresentar propostas sérias e credíveis e que vão ao encontro das suas palavras.

É que já não tenho paciência para estes “miminhos” depois de nos espetarem a faca nas costas…

António Costa mostrou-se compreensivo. “Partilho consigo a necessidade de termos um corpo docente estável”, começou por dizer. “Talvez por ser casado há muitos anos com uma pessoa que foi durante muitos anos educadora, tive sempre muitas dificuldades em compreender como é que, numa área em que é relativamente fácil prever com décadas de avanço a necessidade que vamos ter” de professores não seja “possível termos um corpo docente estabilizado”.

 

“Queremos estabilidade”, garantiu. “Há uma proposta negocial apresentada, estamos a aguardar a resposta dos sindicatos”, e “vamos negociar com espírito aberto, construtivo, para assegurar a plena cobertura das necessidades permanentes”, bem como para “assegurar estabilidade para todos os profissionais que asseguram essas necessidades permanentes”, e assim “pôr termo a esta situação de instabilidade absoluta”.

António Costa abre a porta à vinculação de mais professores

(Jornal de Negócios)

Desorientação Concursal

desorientacaoA proposta de alteração à legislação  dos concursos de professores enviada pelo ME é uma provocação aos professores contratados. Mesmo sendo uma proposta,  (que poderá sofrer alterações nas negociações) não deixa de ser um princípio que deixou perplexo muitos professores que há dezenas de anos trabalham na escola pública. Vejamos dois aspetos que se consideram, no mínimo alucinantes –   a continuação da norma-travão e os moldes da vinculação  extraordinária.

A norma-travão – já escrevi alguns textos sobre as injustiças provocadas por esta norma, inventada pelo MEC anterior.( aqui e aqui e também este). A única salvação justa desta norma-travão seria a seguinte: que todos os docentes  pudessem concorrer às vagas abertas por esta norma, por grupo de recrutamento e ordenados segundo a graduação  profissional, sem a existência de nenhuma 1ª prioridade.

( É de salientar que a norma-travão foi já considerada inconstitucional em tribunal precisamente por esta 1ª prioridade ser discriminatória dos opositores ao concurso).

A vinculação  extraordinária – Além do ridículo que é,  o excessivo número de anos de tempo de serviço, 20?????,  ainda a exigência que este tenha sido prestado com qualificação profissional. Ora, este último requisito é de uma grande perversidade, pois este prejudica precisamente muitos professores com longos anos de serviço, em que nos seus cursos iniciais, simplesmente, não existia a via ensino. Não contabilizar esses anos, durante os quais muitos professores contratados colmataram as necessidades  do sistema com habilitação própria (na altura a única existente para alguns grupos de docência) seria de uma enorme injustiça e ilegalidade. E é bom relembrar que a profissionalização da maioria destes docentes foi facultada pelo próprio ME, e  que só a partir de 2009 é que a qualificação profissional  para a docência se tornou exigência para se ser opositor ao concurso . Por estas razões, é de uma grande ironia e injustiça não contabilizar os anos de serviço antes da profissionalização a quem deu efectivamente aulas em escolas públicas , e no entanto, permitir que grande parte do  tempo de serviço para perfazer o cômputo dos 7300 dias ou possa ter sido acumulado em serviço equiparado ou em contratos do ensino privado (em que existia a obrigatoriedade das escolas privadas facultarem a profissionalização aos seus docentes e respetiva vinculação no prazo de três anos).

(Inacreditável, mas é o que está neste momento proposto).

– Existe nesta proposta uma incongruência original, em que não se vislumbra qual o princípio  orientador, pois esta desvirtua a graduação  profissional nas condições de acesso à vinculação e em simultâneo mantenha-a (e muito bem) para o concurso de contratação anual, concurso interno e mobilidade.

As vinculações extraordinárias , foram criadas para casos extraordinárias de precariedade.  Esta proposta tenta apagar a precariedade dos docentes quando não contabiliza parte do seu tempo de serviço, e deixa-os sem acesso à vinculação. Muitos que trabalham continuamente para o ME e que pela própria especificidade do concurso, preencheram, por vezes, as necessidades de horários incompletos e temporários ( possibilitando que os alunos não tivessem sem aulas ), são através da norma-travão afastados do acesso às vagas de quadro. O não reconhecimento do papel destes docentes, para que o sistema de ensino funcionasse e funcione, é de uma ingratidão avassaladora, e são estes os verdadeiros docentes precários, os que sempre trabalharam, há longos anos na escola pública a exercerem funções docentes, a trabalharem diretamente com alunos em sala de aula.

– Esta proposta deverá ser severamente corrigida.

Mesmo que entre o limite do aceitável e do possível, poderíamos sempre ter um diploma de concursos que seja coerente com alguns princípios fundamentais, como a graduação  profissional,  e que no mínimo,  não agravasse as injustiças através da sua completa distorção, como acontece neste momento com a norma-travão e com a portaria da vinculação  extraordinária.

Álvaro Vasconcelos

Professor Contratado


O quotidiano de um professor de apoio (1º ciclo)

professor-apoioSou professor de cerca 40 alunos de seis turmas de 2º ano, 15h por semana da parte da manhã e 10h da parte da tarde, com um tempo médio de 4,5h por turma.

Os meus alunos estão todos com dificuldades de aprendizagem, na leitura e na escrita, embora também na sua maioria com dificuldades na matemática e estudo do meio. Trabalho em duas escolas distintas, numa escola de 5 salas com 2 turmas, e numa escola de 15 salas com 4 turmas.

O meu trabalho no subdepartamento do 2º ano consiste em colaborar com os titulares de turma, de forma a encontrar estratégias para recuperar os alunos, e evitar que tenham de ficar no 2º ano. Umas vezes dentro da sala de aula, outras vezes em pequenos espaços escolares (na sala de estudo, ou num recanto da biblioteca), com 6 alunos em média procuro rever casos de leitura, ou reiniciar a aprendizagem através de lições apelativas e métodos diversificados da aprendizagem da leitura.

Algumas vezes uso computadores, onde os alunos exercitam jogos de leitura e escrita com prazer. Alguns alunos aprenderam a retirar as palavras para o caderno, de forma a terem um suporte de apoio à escrita no computador. O exercício do conhecimento da equivalência de letras maiúsculas e minúsculas é sempre garantido. O empenho de alunos desinteressados aumenta, e por vezes é o seu renovado empenho que pode garantir o desejado, mas difícil objetivo de aprendizagem da leitura/escrita.

Só a consistência de um trabalho  mais individualizado, de três dias semanais ou mais, pode fazer a diferença na aprendizagem de alunos com menos capacidade cognitiva, desinteresse pela escola ou  hiperatividade. 

Comparando este ano letivo, com o anterior verifico que no meu agrupamento houve um  forte reforço de professores de apoio, (fruto da política desastrada do anterior ministro, que castigava no crédito horário, as escolas com notas baixas na avaliação externa)  que me tem permitido fazer um trabalho com a sequência desejada, para a recuperação de alunos com dificuldades de aprendizagem.

O momento de maior satisfação a nível profissional é quando um aluno cuja esperança se tinham esgotado, aparece com um livro da biblioteca na mão e nos lê a primeira página e sabemos que a não decorou.

Veja também Como funciona o apoio educativo no 1º ciclo

Duilio Coelho

Professor do 1º Ciclo e autor do blogue Primeiro Ciclo


Site da Semana | Movimento Código Portugal

Antecipo a rubrica do site da semana pois o prazo termina dia 11.

Entre 5 e 11 de Dezembro, o Movimento Código Portugal desafia Alunos, Professores, Escolas e Comunidades Educativas em todo o país, para uma ação global de familiarização com a programação e o código. É muito fácil!

A contribuição de cada um vai somar-se à dos colegas e acender a luz que representa a nossa Comunidade Educativa na grande árvore de Portugal! Quantos mais participantes, mais luzes se irão acender.

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PISA 2015 | Tempo de aprendizagem em Portugal supera a Finlândia em 558 minutos semanais, mas os resultados são inferiores. 2

Como repararam, o ComRegras divulgou dados que foram diferentes dos publicados na comunicação social, não foi por acaso, a informação existente no PISA é muita e quis sair das páginas centrais…

No entanto, não posso deixar de salientar e mostrar a minha satisfação pela evolução positiva registada nos últimos 15 anos em Portugal, temos todos de refletir, inclusive eu próprio, se as críticas feitas são efetivamente justas… ou se são as necessárias para superar a mediania…

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PISA 2015: alunos portugueses ficaram pela primeira vez acima da média da OCDE

(Público)

Sobre o PISA, termino estes cinco artigos, com aquela que acredito ser a principal diferença entre os principais sistemas educativos e o ensino português. A eficácia! Apesar de estarmos praticamente na média da OCDE, os métodos de ensino portugueses não são tão eficazes como as “elites”. Só se pode chegar a esta conclusão (que outra pode ser?). Utilizamos mais tempo, mas mesmo assim os resultados não são tão positivos ao nível da matemática, leitura e ciências.

Apesar da evolução positiva dos últimos anos, Portugal ainda precisa de optimizar o seu sistema de ensino se quer chegar ao pelotão da frente.

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Por fim uma breve referência à quebra do ensino Finlandês. Algo se passou e quem está de fora tem alguma dificuldade em compreender as suas causas, mas a verdade é que foi a própria Finlândia que quis mudar de paradigma e “acabar” com as disciplinas tradicionais. Provavelmente só o próximo PISA poderá mostrar se esta alteração é benéfica ou se vai aprofundar a sua queda.

Quanto a Portugal, é continuar o seu trabalho. Vários foram os ministros que passaram pela 5 de outubro e muitos deles criaram grandes anti-corpos no corpo docente e com toda a razão. Foi por isso surpreendente, mesmo muito surpreendente, o gráfico que encontrei numa ronda pela blogosfera, mais propriamente no Insurgente. É que fiquei literalmente de boca aberta…

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Fonte: O Insurgente

Alunos versus FENPROF

Expliquem lá isto?