Estamos a ser invadidos pela “hiperatividade”…

Das duas uma… ou antigamente ninguém sabia o que era hiperatividade, ou hoje em dia todo o que “mexe” e é distraído é hiperativo. Eu cheguei a colocar chinelos no frigorífico, a procurar o carro dentro de casa, a sair de casa de chinelos… Ó caramba!!! Também sou hiperativo…

Permitam-me uma opinião muito pessoal, está na cara que estamos a cair num extremo e esquecemo-nos que as crianças e os adolescentes são ativos por natureza, são contestatários, testam limites, e preferem mil outras coisas em vez de estarem sentados numa sala de aula. Uns vão aprendendo a controlam-se, outros não, uns têm uma família que os educa, outros não, uns têm influências positivas, outros não.

A hiperatividade existe, mas parece-me que é tão mais fácil medicar em vez de educar, medicar em vez de persistir, medicar em vez de estar presente…

Respeite-se quem sofre efetivamente da doença, eduque-se quem é simplesmente mal educado.

Registados 7200 novos casos de hiperatividade por ano no país

(Correio da Manhã – Cristina Serra)

Défice de atenção e perturbações do comportamento na escola e em casa: medicar ou não medicar?

(Público – Pedro Cabral)

Carta aberta a Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação de Portugal. 3

Da autoria de Tiago Soares Carneiro e a qual subscrevo.


Caro Tiago,

antes de mais deixa-me dizer-te que te vou tratar assim pois temos o mesmo nome, temos paixões comuns e temos amigos comuns que me dizem que és uma pessoa acessível, de bem e muito competente.

Quando soube da tua nomeação fiquei eufórico. Pensei que de repente a Educação iria sair das trevas. Os teus antecessores, uma tal de lurdes e um tal de crato, destruíram por completo todos os sonhos que qualquer Professor de vocação e paixão tinha na sua carreira. Foram anos muito maus.
– A tua entrada deu-me muita esperança. O teu discurso ainda mais.
– A tua paixão pelo desporto (como eu) fez-me acreditar que a Educação Física voltaria a ser um forte pilar da Educação.
– A tua vontade em reduzir o número de alunos por turma.
– A tua vontade em tornar os concursos claros e transparentes.
– A tua vontade em prestigiar a carreira docente de novo.

Tudo isto eu ouvi sair da tua boca. Tive esperança.

Agora estou a começar a sentir-me enganado. De novo!
Afinal no Concurso de Professores, apesar de algumas melhorias para alguns. Apesar de algumas correcções em algumas injustiças…
…a maior de todas continua.

Vou novamente ficar a 100kms de casa. Ao fim de 19 anos de serviço.
E porquê?
Porque continua a haver dois tipos de Professores do quadro. Os Quadros de Zona e os Quadro de Escola/Agrupamento. Porquê? Para quê?
Para continuar a dividir para reinar?
Porque não acabar com os Quadros de Zona? Ao fim ao cabo os Professores de QE ou QA que ficarem com horário zero são obrigados a concorrer! Logo já não faz sentido haver QZPs.
Ou faz?
Ou será que quando os Colégios começaram em crise gente amiga ou filhos de gente amiga ou casados com gente amiga ou deputados… teve que entrar na função pública e então foi o Ai Jesus de resmas de Quadros de Zona a surgir…mas essa gente toda…amiga…não poderia ir para longe de casa…então concorrem na Mobilidade Interna na 1ª prioridade. Mesmo com meia dúzia de anos de serviço ficam à porta de casa e eu a 100kms. Mesmo que sejam QZPs do Alentejo ficam aqui à porta de minha casa na Maia e eu a 100kms.
Porquê?
Dizem sempre os entendidos que tem de ser assim porque eu já tenho horário e eles não. Quando? Em Agosto?
Estamos todos de férias!!!
Nos últimos dois ou três dias desse mês, lá estou eu na praia a ligar a net do telemóvel e a stressar de 5 em 5 minutos à espera do resultado do concurso. E aí os QZPs também já têm horário. Poderiam era ficar com o meu…a 100kms de casa!!!
E era justo!
Eu também já dei aulas muito longe. Viseu, Tondela, S. Pedro de Sul, Resende, Santa Comba Dão, Campo de Besteiros, Lousada, Felgueiras…
Foi justo? Foi.
Havia colegas mais graduados que eu e eu tive que ir para longe.

E agora? É justo? Não.

Eu sou mais graduado e fico mais longe que os colegas QZPs. Que não têm culpa nenhuma. Também são vitimas do sistema. A maioria pelo menos.

Terei de concorrer para QZP?
Para um QZP a 200 ou 300kms de casa?
Para depois me enviarem para aqui?
Mas isto faz algum sentido?
E se depois vem outro Ministro e muda tudo? Estarei a 200 ou 300kms de casa!

Pensa bem nisto.
Justiça só pode ser de uma forma. Ou acabar com os QZPs e sermos todos Professores do Quadro iguais.
Ou………………..GRADUAÇÃO PROFISSIONAL.

Espero sinceramente que apenas estejas mal informado. Espero que não sejam pressões dos do costume.
Espero que continues a ser aquele que me dá esperança a acreditar na profissão que amo.

Um grande abraço Tiago

Tiago Soares Carneiro

P.S. – Não uso o acordo ortográfico. Só uso maiúsculas para falar de pessoas que respeito. Ainda há tempo para salvar o país!


“Que tal admitir que em público e em privado há bons professores? Que tal admitir que quer de um lado quer do outro há pessoas esforçadas e sacrificadas?”

Da nova rubrica “Comentários da Semana“. Eis os que escolhi.

Sentidos e sentimentos

Se os sucessivos Ministérios da Educação têm uma cota substancial de responsabilidade na degradação das condições de trabalho da classe docente, esta não está isenta do papel que desempenhou e desempenha neste processo. Durante anos, consciente ou inconscientemente vivemos num estado de apatia, alienação, preocupados apenas com a nossa “quintinha”. Hoje somos uma classe no limite, assoberbada com responsabilidades de outros, “apedrejada” em praça pública e que se agarrou à ilusão que é suficiente lamentar-se e apelar para o reconhecimento do mérito da sua função, para que seja restabelecido o tratamento digno a que tem direito. É pouco provável. Como disse e bem Manuel Dinis P. Cabeça “A solução, a alternativa a este estado de situação só é possível localmente”. Na minha perspectiva podemos começar pelas pequenas coisas: distribuição equitativa do serviço docente; atribuição de turmas “mais problemáticas” a um maior número de professores; solidariedade com colegas com menos experiência; formas de autuação conjunta face aos problemas escolares; simplificação da burocracia escolar…..

Cassilda Coimbra

Tenho 45 anos… vivo num quarto… vejo a família 2 dias por semana… Quem sou eu? Sou professor contratado…

Por estas e por outras, ao fim de 16 anos de docência, desisti. Convenço-me a mim mesma que o fiz pelos meus filhos. Um pretexto mais que justificado. Mas…bem lá no fundo, não sou, nunca fui professora em casa! Sou mãe.
E roubaram-me os meus sonhos. A minha vocação, as vidas e percursos que mudei, as histórias que alterei, os sonhos que fiz conquistar!
Sempre com B e MB, cansei-me de ser um peão nas mão de vários Ministros e PM e ME e MEC…com provas dadas.
O triste?
Quem perdeu (eu, muito, muito)?
Os alunos de todo este país.
Obrigada colegas por terem a força que eu não tive.
Vocês são os meus heróis!

Antonieta Marques

O ponto final nas negociações dos concursos. Professores do privado voltam a concorrer em igualdade com os do público.

É por estas e por outras que o governo e o patronato faz o que quer dos professores. Os professores não se sabem unir e lutar. Os professores só pensam no seu umbigo. Até criam classes dentro da sua própria classe: os contratados, os do quadro, os titulares… Quantas vezes já ouvi perguntas do tipo: é professor ou contratado? Como se os professores fossem apenas os do quadro. Os comentários neste post refletem esta luta pelos ossos à mesa do patrão estado. E depois queixam-se que a sociedade não nos respeita? Pois nós somos os primeiros a criticar e insultar os próprios colegas? Somos os primeiros a insinuar que os do privado entraram por cunha, os do público não fazem a ponta de um corno, os sindicatos estão todos comprados! Que tal admitir que em público e em privado há bons professores? Que tal admitir que quer de um lado quer do outro há pessoas esforçadas e sacrificadas? Que tal admitir que de um lado e de outro houve pessoas que perderam o emprego? É justo que o estado tenha um professor em banho maria durante 20 anos ? NÃO! É justo que só se possa concorrer com 20 anos de escravatura? NÃO.

Jorge Sottomaior Braga


Livro da Semana – O Discípulo

Sem Título

* Por Mariana Oliveira *

 

Sinopse:

“Numa Estocolmo em chamas, assolada por uma onda de calor, várias mulheres são encontradas brutalmente assassinadas. Os assassinatos têm a marca de Edward Hinde, o assassino em série preso por Bergman há quinze anos, e que continua detido. Sendo um incontestável profiler e perito em Hinde, Sebastian é reintegrado na equipa, e não demora muito a perceber que tem mais ligações com o caso do que pensava. Todas as vítimas estão directamente ligadas a eles. E a sua filha pode estar em perigo.”

Opinião:

Se não me engano, esta foi a minha estreia com a famosa literatura nórdica e não podia ter ficado mais agradada!
Sendo a continuação da saga iniciada pelo livro “Segredos Obscuros”, “O Discípulo” tem como protagonista o psicólogo criminal mais traumatizado, inadaptado e estranho que alguma vez conheci. Assim, o impacto inicial foi de alguma repulsa e surpresa por esta opção arrojada dos dois autores. Contudo, à medida que avancei na história, de uma forma inesperada deixei-me cativar pelo inusitado Sebastian Bergman e consegui perceber os motivos por detrás das suas atitudes menos ortodoxas.
Este não é um policial cuja acção decorre em torno de um grande mistério, uma vez que numa fase inicial conseguimos perceber quem é o assassino que anda a matar as suas vítimas de uma forma extremamente violenta. É antes a narração de uma investigação policial que corre contra o tempo na tentativa de penetrar na mente de um dos serial killers mais inteligente e perigoso de todos os tempos. Ao longo do livro, vamos acompanhando os vários membros da unidade especial de investigação e temos a oportunidade de vislumbrar partes da sua vida pessoal e, assim, perceber que todos eles, para além da difícil caça ao homem em que estão envolvidos, têm de resolver os seus próprios dramas. Desta forma, “O Discípulo” ganha uma dimensão mais dramática e ganha uma nova profundidade.
Na minha opinião, a melhor parte da obra está nos seus capítulos finais onde as emoções estão ao rubro e interromper a leitura se revela uma verdadeira tortura. Foram páginas absolutamente electrizantes que tornaram um livro de mais de 600 páginas numa leitura viciante.
Depois de uma estreia tão agradável na literatura nórdica, conto voltar a ler obras desses autores que têm tido uma ascensão meteórica no nosso país nos últimos anos!
Opinião originalmente publicada a 05/05/2016 no blogue FLAMES em http://flamesmr.blogspot.pt/2016/05/livro-o-discipulo.html

Vinculação Extraordinária | Eliminada a necessidade do docente estar colocado este ano letivo em horário anual e completo. 2

Apesar de ainda não termos acesso à redação final do novo concurso de professores, sempre vamos sabendo algumas coisas…

Confirma-se mesmo a eliminação da alínea que obrigava a ter horário completo e anual este ano letivo para vincular. Esses horários vão servir apenas para apurar o número de vagas. Vão poder concorrer os professores com pelo menos 12 anos de serviço e com 5 ou 6 contratos nas escolas públicas nos últimos 6 anos (ainda não sabemos de casos como os contratos no IEFP são contemplados). Este último critério afasta vários colegas do privado que só têm 2,3 ou 4 contratos no ensino público.

Vitor Agostinho

O Movimento – Vinculei por 13 dias, viu assim satisfeita a sua pretensão, a de eliminar a necessidade de um docente estar colocado com horário anual e completo neste ano letivo, para cumprir mais um requisito da vinculação extraordinária. Este foi mais um exemplo de um critério disparatado, sem sentido, proveniente daqueles que tanto criticaram e até aboliram a mal amada BCE.

Tiago Rodrigues e a sua equipa perderam uma excelente oportunidade de conquistar definitivamente o “afeto” dos professores do ensino público. O fim dos contratos de associação, o fim da BCE, a gratuitidade de manuais escolares no 1º ciclo, o fim dos cursos vocacionais, a flexibilização dos currículos e mais algumas promessas que ainda faltam cumprir, levaram a que muitas vozes se unissem a esta equipa ministerial.

Porém, o concurso de professores mantém vícios antigos: concursos extraordinários sem sentido, normas travão desnecessárias, prioridades questionáveis; e o ignorar da principal pretensão dos professores, a lista de graduação. 

Confesso que não entendo o motivo pelo qual a tutela não vai ao encontro da pretensão dos professores, pois a procura é tão elevada, que é indiferente para o Ministério de Educação se quem entra é o professor “A” ou “B”. É que se tivéssemos um concurso de professores que valorizasse o mérito ou a competência, eu até compreendia certos filtros, mas não, a avaliação de professores é uma fantochada “vendida” por Nuno Crato e que os sindicatos aceitaram de bom grado.

O Movimento – Vinculei por 13 dias está de parabéns pela “batalha” conquistada, mas julgo que no global os professores perderam a “guerra”. A bandeira que está a ser acenada com os mais de 3000 professores que vão vincular, apesar de ser um número interessante, está longe de repor os professores do quadro que a escola pública perdeu nos últimos anos. É que convém ter bem presente o que se passou nos últimos 6,7,8 anos…


Alto rendimento desportivo e sucesso escolar. Uma simbiose possível!

Foi dado um passo importante para melhorar a simbiose entre o desporto de alto rendimento e a escola. Por experiência própria, sei que muitas vezes existe uma certa aversão ou mesmo incompreensão por parte de alguns professores, para com alunos que participam em atividades desportivas. Veja-se o caso do desporto escolar…

A prática da atividade física traz benefícios ao sucesso educativo pelos princípios que são assimilados durante os treinos e provas. Felizmente que já são muitos os pais que fazem questão em colocar os seus filhos em atividades desportivas depois das aulas, apesar destes mesmos pais desvalorizarem tantas vezes a disciplina de Educação Física, algo que foi tão visível na contestação do seu regresso à média de acesso ao Ensino Superior.

Esforço, sacrifício, solidariedade, trabalho de equipa, cumprimento de regras, etc, são apenas alguns dos valores que os atletas adquirem rapidamente e que transferem para as suas práticas escolares e relações entre pares.

Numa escola e sociedade que está cada vez mais violenta e indisciplinada, apostar no desporto como moderador de comportamentos seria seguramente uma boa aposta. Mas para isso é preciso reconhecer os seus benefícios, o que será difícil enquanto tantos passam o tempo a discutir se foi ou não penálti e capas de jornais vomitam o veneno de dirigentes ignorantes, parasitas e promíscuos. Portugal tem uma falta de cultura desportiva que não se coaduna com um país europeu e em pleno século XXI.

O governo que devia por um fim a isto, prefere ignorar. Desvalorizando a má educação que vai passando para os mais novos.

As condições que agora são dadas a quem estuda e pratica desporto de rendimento, e já agora aos treinadores dos nossos olímpicos e paralímpicos, é uma lufada de ar fresco, uma pedrada no charco da ignorância desportiva.

Falta agora centrar a atenção no 1º ciclo que há décadas é ignorado no que à atividade física diz respeito.

 

Alta competição e estudo “é como ter um trabalho fora da escola”

Professores-treinadores olímpicos e paralímpicos com redução de horário

O direito a ser fisicamente activo

(Público)


QZP ficam do mesmo tamanho | No Concurso Interno QA ficam acima dos QZP | Na Mobilidade Interna QA ficam abaixo dos QZP 1

Fica um resumo mais aprofundado das negociações de hoje, de autoria da FENPROF. Sobre a posição dos QA e QZP, podem ouvir no vídeo em baixo, logo no primeiro ponto anunciado pelo Mário Nogueira.


FENPROF não dá acordo a documento final do ME

A FENPROF não deu acordo à proposta final negocial apresentada pelo Ministério da Educação. As principais razões foram:

– A não alteração das prioridades em que concorrem os docentes dos quadros (QE/QA e QZP), no âmbito do concurso interno e de mobilidade interna;

– A manutenção de uma “norma-travão” em termos que não concretizam a aplicação da diretiva comunitária que obriga a impedir abusos no âmbito da contratação a termo, razão por que esta proposta do ME já merecera a forte crítica do Senhor Provedor de Justiça;

– A manutenção de uma norma de vinculação extraordinária que deixa de fora muitos professores, mesmo com 12 ou mais anos de serviço, apesar de a injustiça na sua aplicação ter sido atenuada com a adoção do critério “graduação profissional” para efeitos de vinculação;

– A falta de garantias quanto à abertura de novos processos de vinculação em 2018 e 2019, não dando continuidade ao que será agora concretizado;

– A alteração da 2.ª prioridade à contratação e ingresso em quadro, sendo comunicado que se aplicará uma norma que contraria o que fora consensualizado em sede negocial (inclusão nesta prioridade de docentes que não exercem funções em escolas públicas);

– A não criação, este ano, de um grupo de recrutamento para a Língua Gestual Portuguesa (LGP), manifestando o ME, apenas, disponibilidade para, em 2017/18, criar um grupo para discutir o tema, com a criação do grupo de recrutamento a ser novamente adiada;

– A ausência de qualquer referência à criação de outros grupos de recrutamento, tais como os de Teatro, Dança e Intervenção Precoce;

– A não aplicação, este ano, de qualquer norma de vinculação aos docentes das escolas públicas de ensino artístico especializado e de técnicas especiais, podendo esta aplicar-se, apenas, em 2018/19 e, caso o ME, nesse ano, abra novos processos de vinculação extraordinária;

– A falta de clareza quanto à redução da área geográfica dos QZP, ficando apenas a vaga possibilidade de uma avaliação da situação para uma eventual redução no futuro;

– A ausência de qualquer referência na ata negocial final à indispensável e urgente definição dos conteúdos das componentes letiva e não letiva do horário dos professores.

Avanços

Deste processo negocial, como a FENPROF tem referido, resultaram também avanços relativamente ao regime que ainda vigora. A FENPROF valoriza a consolidação da extinção das BCE, a existência de critérios para abertura de lugares no concurso interno e externo a realizar este ano (abertura de lugares nos QE/QA, sempre que, nos últimos 4 anos, tenha sido necessário recorrer a docentes exteriores ao quadro da escola/agrupamento), consideração, em ata, da criação, já este ano, de um regime de permutas, recuperação de tempo de serviço perdido por razões de doença (artigo 103.º do ECD), para além de outros aspetos que foram incluídos na proposta final ao longo do processo negocial, por intervenção da FENPROF.

A FENPROF também não desvaloriza o facto de poderem entrar nos quadros, no próximo ano, para já, mais de 3000 professores e educadores, número que poderá crescer com a realização do concurso externo ordinário que deverá realizar-se nos finais de março, início de abril.

Todavia, por haver questões essenciais que ficam por resolver, não permitindo que se limpe a enorme mancha de precariedade que continuará a afetar os profissionais docentes, com penalização acrescida para os que têm exercido funções em escolas públicas, sempre em situação de grande instabilidade de emprego e profissional, e por não conferir justiça a docentes dos quadros que, há muitos anos, lutam pelo legítimo anseio de aproximação à sua área de residência, a FENPROF recusou dar o seu acordo à proposta final do Ministério da Educação, afirmando-o, não de uma forma abstrata, mas tornando públicas as razões por que não deu esse acordo.

Face a esta posição, a FENPROF vai, de novo, colocar a matéria em discussão junto dos professores; irá solicitar aos grupos parlamentares que requeiram a apreciação parlamentar do diploma a aprovar, no sentido de corrigirem os seus aspetos mais negativos; solicitará reunião ao Senhor Provedor de Justiça, com vista a obter uma apreciação sobre a versão final do diploma; irá fundamentar, junto da Comissão Europeia, as razões por que entende não estar a ser cumprida uma diretiva de transposição obrigatória, requerendo que esta inste o Estado Português a aplicá-la de forma adequada.

O Secretariado Nacional da FENPROf
20/01/2017 


O ponto final nas negociações dos concursos. Professores do privado voltam a concorrer em igualdade com os do público. 1

Esta é a surpresa que o ME tinha guardada para a negociação suplementar. Um alívio para os professores do privado, um pesadelo para os professores do público. Já referi que esta questão deixa-me dividido, por um lado a entrada no privado não contempla as regras gerais do ensino público, o que por isso devia levar à criação de carreiras distintas, mas por outro lado estamos a falar de professores, e professores são professores.

Sobre os números disparatados que fizeram capa no Correio da Manhã, onde se falava em 20 mil professores para os quadros, o número final é de 3000 a 3200.

Quanto ao resto, tudo parece ter ficado na mesma:

SIPE

 

Vinculação extraordinária: segundo o ME, vão abrir entre 3019 a 3200 vagas que serão ocupados por docentes que cumprem os requisitos, que serão colocados por graduação profissional.
Nos próximos 3 anos abrirão vagas para vincular os restantes professores que reúnam os requisitos.
No diploma dos concursos o Ministério não abdica das prioridades alegando sempre questões técnicas mas compromete-se a abrir lugares de quadro de agrupamento desde que, num agrupamento, exista durante 4 anos, horários anuais e completos no mesmo grupo de recrutamento.
Mantém-se a norma travão.

A FENPROF e a FNE não assinaram o acordo.

Entre 3000 e 3200 professores contratados vão mesmo entrar nos quadros

(Público)

Em declarações aos jornalistas, Alexandra Leitão, justificou a reviravolta com o facto de outras estruturas sindicais terem insistido nesta mudança. É o caso da Federação Nacional da Educação (FNE).

Anteriormente, a secretária de Estado assumira publicamente que os professores do ensino público e do ensino particular deveriam ser tratados de forma diferente, em sede dos concursos de colocação em escolas públicas.


Assistentes operacionais: salário mínimo em troca de uma facada?

Fui diretor 6 anos de uma escola que não era fácil. Um dia, andava a circular na escola um conhecido pequeno traficante, que já tinha sido nosso aluno. Tive de, pessoalmente e com ajuda de outras pessoas (assistentes operacionais), o retirar do recinto escolar, o que me valeu uns quantos pontapés e ameaças sobre o meu futuro por parte do pequeno meliante (pequeno em categoria, que não em tamanho).

Quando fui apurar responsabilidades, consideravelmente irritado (e, quem me conhece, sabe como me transfiguro na minha face colérica), por não o terem barrado à porta, umas das então auxiliares (hoje assistentes operacionais) respondeu-me, muito calma, com graça e ironia certeira:

“mas acha que o salário mínimo, vale o risco de levar uma facada?”

E o risco da naifada era real e não meramente abstrato. Percebi o toque.

Realmente o desgaste, e até o risco, desses profissionais merece mais compensação. Muitas vezes, eles próprios caem nas armadilhas de pequenas lutas pontuais sobre coisas laterais (o horariozinho; a escalazinha de serviço, nas interrupções letivas, para dar algum descanso; a trica para trocar de local de trabalho, mudando para melhor, em prejuízo do colega, etc.). São condicionantes do quotidiano que, muitas vezes, prevalecem sobre questões mais profundas de solidariedade, dignidade salarial e valorização profissional.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o “patrão” cada vez menos dinheiro ? (ganhar o mesmo, ano a ano, é ganhar menos, pelo menos, por causa da inflação).

Valorização implica esforço de quem dirige

Quem já geriu escolas, sabe como é complexo gerir essas relações laborais. É um grupo cheio de diversidade e que, com risco de desagradar a muitos diretores, se tem de afirmar que exige aos gestores muito mais formação (que genericamente existe pouco, até porque elevado número de diretores, eleitos e reeleitos com base na “experiência” de bons burocratas, nunca realmente estudaram para o ser e para alargar horizontes em relação à “escolinha”, onde lhes calhou serem dirigentes).

E saliento que os “cursos de aviário” ou “vão de escada” e os mestrados por reconhecimento de experiência não resolvem isso, mesmo se, quem dirige o sistema possa achar o contrário, e se deixe iludir (até porque “bons burocratas” são mais conformistas).

E tal exigência de mais formação a quem gere é tanto mais forte, quanto o grupo do pessoal não docente tem baixa escolaridade, em média (mas inclui contingentes com formação muito desigual, incluindo até licenciados) e sofre de precariedade e baixos salários. Gerir a insatisfação e o desânimo é sempre difícil, especialmente para quem acredite em teorias de gestão mitológicas, falsas mas populares, como a “motivação” ou “a unidade para vestir a camisola”.

Em muitas escolas, a oferta de soluções para os problemas, por parte dos órgãos de gestão, limita-se a lógicas de compadrio e de quase feudalismo de vassalagem (aliás, a relação entre a durabilidade de alguns diretores, em mandatos sucessivos, e a forma como gerem estas relações laborais, merecia ser estudada e o retrato entrevê-se pouco abonatório).

Assistentes operacionais: a primeira linha de ação e resposta aos alunos

Mas estes profissionais são essenciais. Num tempo em que se fala tanto de indisciplina e bullying e outras formas de violência, eles são a primeira linha nesses combates. Muitas vezes são os que os alunos procuram primeiro, sendo os primeiros a conhecer a sua raiva, desilusão, tristeza ou depressão.

Mal pagos, têm, muitas vezes, de confiar apenas no instinto natural para resolver e ouvir os alunos, até pela falta de esforço público em dar-lhes formação (e um dos motivos parece ser a vontade, não assumida, pois claro, de manter as lógicas de subordinação e de dominação de que são vítimas).

Podia contar-vos a história da senhora, a quem se propôs formação, que ela queria fazer. Tinha problemas em aceitar o horário e, só à terceira conversa, confessou que era porque o marido não a deixava sair à noite, ou, a outra, que queria trocar de horário porque o “seu menino” precisava que ela lhe fizesse a sandes para comer ao jantar e ir trabalhar. Imaginem a surpresa quando se apurou que o menino era um marmanjão, antigo aluno nosso, com 17 anos, mas que parasitava a mãe e não tinha habilidade para abrir um pão e meter lá dentro alguma coisa comestível.

Parece uma imagem miserabilista e a realidade é que existem histórias de vida tocantes de comoventes entre estas pessoas de biografia dura.

O poder que subordina e a injustiça salarial

Um dos momentos mais marcantes da minha experiência profissional e de aumento do meu conhecimento do que é estrutural numa escola foi obtido junto de um grupo destes profissionais a quem dei formação há 15 anos (na verdade destas, porque o grupo eram só mulheres).

O que fiquei a saber sobre redes informais de poder nas escolas, sobre o que os “outros” pensam dos professores e qual a imagem e ações que valorizam nos professores e o que criticam, foi-me muito útil. Valeu-me para perceber que a visão de professores sobre a escola é realmente limitada e pouco abrangente de todas as subtilezas do que se passa.

Nas eleições para os órgãos das escolas fala-se muito em “corpos eleitorais”. Portugal, felizmente, não teve um corporativismo pleno como se tentou na Itália Fascista, mas somos um povo muito corporativo na sua prática política e de administração. Daí esta obsessão com a representação dos corpos (que está bem distante de uma democracia plena).

No caso das escolas, esse corporativismo que, no caso dos professores, por vezes encerra um lado elitista (em que os professores agem como suposta elite), faz com que o contributo dos assistentes operacionais não seja realmente valorizado, sejam pouco ouvidos, pouco considerados e até desrespeitados (por exemplo, por alunos, à vista de professores, que, tantas vezes, se abstêm de ajudar).

Isto, apesar de tantos discursos a proclamar gongoricamente a sua importância, numa contradição que deve chocar e desanimar, quem é tão mal pago e, há quase uma década, com salários congelados, perdeu o direito a uma ideia de carreira e progresso na profissão.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o patrão cada vez menos dinheiro ?


Tinha mais formação no Pingo Doce do que tenho enquanto professor… 1

O “despachar” primeiro e formar depois (ou durante), é muito típico na escola. Como sabem as escolas têm um novo sistema de tutorias, onde os professores podem ter até 10 alunos. O Ministério de Educação vem agora dizer que já foi dada formação a mais de 1200 tutores. Faz bem, é esse o seu papel enquanto patrão, o de atribuir formação específica aos seus funcionários quando surgem alterações relevantes.

O problema é que estas formações deviam ser dadas antes da sua entrada em vigor, o que raramente acontece. Assim de cabeça, lembro-me dos quadros interativos, da educação sexual, de diferentes programas informáticos de gestão/organização escolar, etc, etc…

Sentimos nas escolas que tudo está sempre a mudar, fica a sensação que existe uma qualquer equipa numa cave obscura, que tem o prazer sádico de constantemente alterar procedimentos, nomenclaturas e legislação, impedindo qualquer professor de estar a par da mais recente “moda” ou “capricho”. A última que ouvi, embora insignificante mas que serve de exemplo, é que nos discursos, depois de referirmos as “celebridades” devemos referirmo-nos aos restantes como “todas e todos” em vez de senhores e senhoras… “mariquices” do eduquês.

Os professores, ou qualquer outra profissão, precisa de estabilidade para assimilar leis, procedimentos e nomenclaturas. Os antigos cursos vocacionais, não tiveram a hipótese de upgrade, foram rapidamente abolidos e substituídos por tutorias com dimensões questionáveis, onde a falta de assiduidade dos alunos é uma realidade presente.

O que é dado como uma boa notícia, mais não é que uma notícia reveladora da política preferencial da tutela, aplico primeiro formo depois. A escola anda sempre atrasada, seja nos pequenos procedimentos, seja a nível tecnológico, seja nas metodologias de ensino ou a nível disciplinar…

Eu quando trabalhei no Pingo e Doce e depois no Continente, senti uma real preocupação com a minha formação, até porque era caixa de supermercado e por breves momentos era a cara da empresa. E sempre que havia alterações nos procedimentos, havia uma formação prévia (gratuita), era testado e só depois me lançavam às “feras”. Preparar, formar, esclarecer, testar primeiro e depois sim, aplicar e massificar. A escola não é uma empresa, mas devia aprender algumas coisas com ela, a formação contínua é seguramente uma das grandes lacunas da escola atual. E quem sofre são os nossos clientes (alunos)…

Organização… é tudo uma questão de organização…

Mais de mil professores já receberam formação para serem tutores

(Público – Clara Viana)

Não é escassez de produção, mas sim falta de gorgulho!

Os alicerces estão montados e a estrutura é mais que conhecida, ano após ano os andares tomam proporções gigantescas e não cessam o seu descontrolado crescimento.

Terá sido cavado um orifício suficientemente confiável para este empilhamento?

Reparem que, com o passar do tempo torna-se cada vez mais complicado alcancar a base deste edifício e, é isso que nos é exigido todo o santo dia! É nos depositada a responsabilidade de fixar material velho, para que assim, este consiga suportar os andares que também nós temos de continuar a construir.

Através de técnicas arcaicas que falham na segurança de todos os que lá vivem, através de vidros escuros que nos tapam constantemente a visibilidade de uma natureza a pedir socorro e, de vícios e prazeres que nos impedem de deixar o comum, sob pena de exclusão social. É perigoso olhar o mundo lá fora, e proibido saber mais do que nos é lecionado lá dentro. Caímos no ridículo de acreditar que a decoração interior é o unico objetivo e pior, incutimos essa noção a todos os seres que mal acabaram de deixar a maternidade, ignorando a sustentabilidade e privilegiando o lucro.

Torna-se de tal maneira confuso que ocupamos o nosso tempo a jogar, para outra classe qualquer, a culpa da conhecida queda, em vez de unirmos esforços para remodelar a técnica que forma futuros educadores.

Deixemos de lado o jogo da batata quente e cortemos de vez com a imagem que se infiltra e distorce informação, que nos torna diferentes na capacidade de realização do mesmo ofício, acabemos com essa praga que acredita na qualidade do grão pela menor quantidade de dentadas deste e não pela melhor consistência e sabor que atrai o gorgulho!

Martha Freitas, Aluna.


Escola Básica 2+3 de Marvila | Casal espanca dois professores. 8

Quando eu pensei que o jornalismo não podia chegar mais baixo, a CMTV dá um passo em frente na podridão jornalística. Esta resolveu dar voz ao pai agressor, justificando as suas agressões com o facto dos alunos lhe terem contado que o professor de matemática tinha batido na sua filha…

Mas pior ainda é que a entrevista decorre com a filha (menor) ao lado, chegando ao ponto do pai pedir à jornalista para entrevistar a criança, pois segundo ele, as crianças não mentem…

Juro que me lembrei do antigo Gato Fedorento, quando o pai diz com todas as letras…

dei-lhe duas ou três chapadas e ele ficou para lá estendido…

é que isto é tão mau, tão mau, tão mau, que só pode encaixar num daqueles momentos caricatos de televisão, com reposição no final de cada ano.

Cabe agora à justiça aturar esta gente…

(carregue na imagem para ver a entrevista)

Um professor de 60 anos e uma colega, de 55, da Escola Básica 2+3 de Marvila, em Lisboa, foram espancados por um casal que invadiu o recinto da escola, na quarta-feira.  As vítimas foram atacadas a soco e pontapé, tendo o CM apurado que os agressores serão pais de alunos.

Ao que o CM apurou, segundo a escola, as aulas decorriam com normalidade quando os pais de uma aluna entraram pela sala e agrediram o professor. A outra professora foi agredida quando tentava separar os pais do professor espancado. A CMTV falou com o pai da aluna, Nelson Pinto, que admitiu as agressões ao professor. “Dei-lhe umas duas ou três chapadas e ele ficou ali caído”. O encarregado de educação diz que quando foi buscar a filha à escola os alunos disseram-lhe que a menor tinha sido agredida ” com chapadas e murros” e “agarrada pelo pescoço”. “Vi a minha filha em pânico. Mas admiti logo à polícia”, afirma o agressor. No entanto, o pai da aluna conta uma versão diferente da da escola e diz que o professor pediu aos alunos para sairem da sala antes de alegadamente agredir a aluna.


Regresso à fábrica

Convergence, 1952 – Jackson Pollock

Começou há pouco mais um período letivo, e vindos de duas semanas de bem merecido descanso, regressámos, alunos, professores e não-docentes para mais 13 semanas de trabalho. Regressámos à fábrica.

Aulas, explicações, treinos, atividades, projetos, textos, trabalhos, fichas, TPCs, testes, apresentações… Estudar, estudar, estudar. Tudo isto é importante, dizem, mas também é importante dormir, rir, respirar, amar, viver… Aliás, não fazer nada de vez em quando também é essencial. Somos pessoas, não máquinas, ainda assim, o regresso às aulas sabe a voltar a uma fábrica, em que se labora friamente em busca de algo por um caminho caminhado por quem não o escolheu, guiados por mapas que nos deixam ainda mais perdidos na busca de um sentido.

Um sistema em que ou se é cientista ou músico, médico ou historiador, não cria cidadãos, cria instrumentos. Gostos, interesses e aptidões unidimensionais dão jeito a quem quer pintar tudo da mesma cor, ou melhor, de quatro cores diferentes e mais um par delas que são apelidadas “profissionais”. No entanto, a realidade não é um quadro feito a régua e esquadro, muito pelo contrário, mais parece um quadro de Jackson Pollock: um desorganizado salpicado de diferentes cores.

Mas tal como nos quadros de Jackson Pollock se encontra significado no meio do caos, também no ensino e na pluralidade e diversidade dos alunos se encontram sistemas que funcionam, tal só é impossível na mente de alguns senhores (e senhoras) que, sabe Deus como, chegaram a ser considerados os mais aptos para dirigir a nossa Educação. Não é uma utopia, é uma discussão, uma reflexão e, acima de tudo, um diálogo que é fundamental e necessário para realmente melhorar o Ensino português.

Não se chega lá com programas quilométricos nem com avaliações e avaliaçõezinhas. É ouvindo-nos a nós, todos os que trabalhamos diariamente na Escola, quando chega a hora de tomar decisões que nos afetam mais do que ninguém e quando chega a hora de decidir a melhor maneira de ensinar e de aprender. Só assim ficamos mais perto de uma educação melhor.

António Bezerra, Aluno.


Verbas para a programa Promoção do Sucesso Escolar chegam em… janeiro

Já tinha alertado no início do ano letivo, que muitas escolas não tinham tido acesso aos meios que constavam nos seus projetos para a promoção do sucesso escolar. Não será coincidência que o novo ano, com novo orçamento, venha finalmente desbloquear alguns milhões para ajudar as escolas a cumprirem com os seus projetos.

Pena é que estamos quase a meio do ano letivo, o que vai comprometer qualquer avaliação que seja feita no futuro ao programa do governo. A facilidade com que em Portugal se “vende” iniciativas ao público sem os devidos meios, revela bem o quanto é importante fazer marketing político.

Há 32 milhões de euros para o ministério contratar mais de 500 professores

(Clara Viana – Público)

A contratação dos mais de 500 professores em falta para o plano de promoção do sucesso escolar será feita por via de dois procedimentos concursais. Os 29 milhões de euros oriundos do POCH serão distribuídos através de uma candidatura liderada pela Direcção-Geral da Educação. Os restantes três milhões chegarão por via de concursos que já estão a ser abertos pelas comunidades intermunicipais, especificou ainda o ME.


Divulgando | Movimento- Vinculei durante 13 dias. 3

Como tenho dito… os professores não são números…

*Negritos de minha autoria

 


Movimento- Vinculei durante 13 dias

Caros colegas,

É hora de fazer o ponto da situação e de explicar as razões que levaram à criação deste Movimento.

Como todos sabemos, está a decorrer um processo negocial entre o Ministério da Educação e os Sindicatos que representam a nossa classe, sobre os concursos que se avizinham, onde um dos pontos mais importantes e polémicos se prende com a Vinculação Extraordinária de Professores Contratados. Esta vinculação permitirá que alguns milhares de professores possam finalmente ingressar no quadro, após muitos anos se encontrarem como contratados. Estes professores são necessários ao sistema educativo e finalmente temos um Ministério que compreende esta evidência. Porém, se estamos no caminho correto para acabar com a precariedade na nossa classe, o processo encontrado está ferido por injustiças que não podemos aceitar.

Não vamos perder tempo em explicar todo o processo desde a sua origem onde, por exemplo, se exigiam 20 anos de serviço para almejar à tão desejada vinculação, vamos sim centrar a nossa atenção nas duas últimas propostas do Ministério da Educação.

No dia 30 de Dezembro, o Ministério da Educação propunha estas condições para vincular professores:

  1. Ter 4380 dias de serviço após a profissionalização até 31 de agosto de 2016;
  2. Ter 5 contratos em escolas públicas nos últimos 6 anos, independentemente da tipologia do contrato, contudo, esses contratos tinham de ser no mesmo grupo de recrutamento.

Esta proposta era injusta e insuficiente. Por um lado, deixava de fora colegas com imensos anos de serviço feitos antes da profissionalização e, por outro, afastava colegas de grupos como o 300, 320 e 330 que sempre concorreram a dois grupos.

No passado dia 13 de janeiro chegou nova proposta que deixou a maioria dos professores perplexos. Por um lado, os 4380 dias já podiam ser contabilizados antes e após a profissionalização e os 5 contratos nos últimos 6 anos já não tinham de ser realizados no mesmo grupo de recrutamento. Estas alterações minimizavam algumas injustiças. Mas eis que o Ministério da Educação introduz uma nova condição que provocou uma enorme surpresa: para estar em condições de vincular, os docentes tinham de ter sido colocados em horários completos e anuais no presente ano letivo.

Como já referi, foi com enorme incredibilidade que assistimos a esta situação. Se por um lado vários colegas, que ficavam excluídos com a primeira proposta, podiam reunir então as condições para vincular, agora, com esta última proposta, muitos colegas seriam excluídos dessa possibilidade. Ou seja, trocaram-se umas pessoas por outras, como se de objectos se tratassem. Mais surpreendidos ficámos quando uma federação sindical fez saber que horários de 20 e 21 horas poderiam contar como completos. Assinalamos com agrado que após reflexão, essa mesma federação considerou ser injusto este critério para vincular.

Mais preocupante ainda, este ano um elevado número de horários completos só saiu nas RR1 e RR2 devido ao atraso das colocações da mobilidade por doença. Muitos dos colegas melhor graduados ficaram colocados na Contratação Inicial com horários de 13, 14, 15 ou 16 horas e os colegas pior graduados ficaram com os horários completos devido ao referido atraso.

Devia saber o Ministério da Educação que somos obrigados a concorrer sempre, primeiro, aos horários completos e só depois aos intervalos seguintes. Se esses horários completos só apareceram numa fase mais tardia do concurso, como é possível utilizar esse critério? E como é possível propor que os horários de 20 e 21 horas possam ser considerados completos se não existe um intervalo com esse número de horas? O intervalo é de 15 a 21 horas e é impossível saber qual o número de horas que nos cabe, em sorte, dentro desse intervalo. É uma questão de sorte ou azar e a nossa vida não é um jogo. Um colega muito pior graduado poderia ficar num horário de 21 horas e vincular. Por outro lado, um colega muito melhor graduado, por ter ficado num horário de 17 horas, já não vincularia. É evidente que não pode ser assim.

Face às situações expostas, resolvemos intervir e dar voz a este movimento.

Em cerca de três dias, quase 350 colegas aderiram ao mesmo. Vários órgãos de comunicação social (RTP, TVI, Correio da Manhã, Público, JN) revelaram interesse no nosso movimento e nas causas que defendemos. Nós só queremos um concurso justo onde os melhor graduados, e com mais tempo de serviço no ENSINO PÚBLICO, SEJAM OS PRIMEIROS A VINCULAR, MESMO QUE NÃO SEJAMOS NÓS.

Exigimos a eliminação da condição do horário completo neste ano letivo. Não tem qualquer razão de existir, como já demonstrámos.

Sabemos que nunca existirá um processo de vinculação totalmente justo mas, a graduação profissional e o tempo de serviço no Ensino Público, devem ser os únicos requisitos exigidos.

Os sindicatos devem solicitar uma negociação suplementar para defenderem os interesses de todos.

O Ministério da Educação pode e deve abrir vagas por grupo de recrutamento e nós devemos poder concorrer a essas vagas, sem critérios discriminatórios e injustos.

Após 4 anos negros sob a tutela de Nuno Crato onde sofremos enormes injustiças, temos esperança nesta equipa ministerial que, entre vários pontos positivos, acabou com a terrível BCE. Temos a certeza que, mais uma vez, irão tomar a decisão correta.

O nosso Obrigado a Todos os que lutam por existir justiça neste processo!

 

Vítor Manuel Almeida Vieira Agostinho