QZP ficam do mesmo tamanho | No Concurso Interno QA ficam acima dos QZP | Na Mobilidade Interna QA ficam abaixo dos QZP

Fica um resumo mais aprofundado das negociações de hoje, de autoria da FENPROF. Sobre a posição dos QA e QZP, podem ouvir no vídeo em baixo, logo no primeiro ponto anunciado pelo Mário Nogueira.


FENPROF não dá acordo a documento final do ME

A FENPROF não deu acordo à proposta final negocial apresentada pelo Ministério da Educação. As principais razões foram:

– A não alteração das prioridades em que concorrem os docentes dos quadros (QE/QA e QZP), no âmbito do concurso interno e de mobilidade interna;

– A manutenção de uma “norma-travão” em termos que não concretizam a aplicação da diretiva comunitária que obriga a impedir abusos no âmbito da contratação a termo, razão por que esta proposta do ME já merecera a forte crítica do Senhor Provedor de Justiça;

– A manutenção de uma norma de vinculação extraordinária que deixa de fora muitos professores, mesmo com 12 ou mais anos de serviço, apesar de a injustiça na sua aplicação ter sido atenuada com a adoção do critério “graduação profissional” para efeitos de vinculação;

– A falta de garantias quanto à abertura de novos processos de vinculação em 2018 e 2019, não dando continuidade ao que será agora concretizado;

– A alteração da 2.ª prioridade à contratação e ingresso em quadro, sendo comunicado que se aplicará uma norma que contraria o que fora consensualizado em sede negocial (inclusão nesta prioridade de docentes que não exercem funções em escolas públicas);

– A não criação, este ano, de um grupo de recrutamento para a Língua Gestual Portuguesa (LGP), manifestando o ME, apenas, disponibilidade para, em 2017/18, criar um grupo para discutir o tema, com a criação do grupo de recrutamento a ser novamente adiada;

– A ausência de qualquer referência à criação de outros grupos de recrutamento, tais como os de Teatro, Dança e Intervenção Precoce;

– A não aplicação, este ano, de qualquer norma de vinculação aos docentes das escolas públicas de ensino artístico especializado e de técnicas especiais, podendo esta aplicar-se, apenas, em 2018/19 e, caso o ME, nesse ano, abra novos processos de vinculação extraordinária;

– A falta de clareza quanto à redução da área geográfica dos QZP, ficando apenas a vaga possibilidade de uma avaliação da situação para uma eventual redução no futuro;

– A ausência de qualquer referência na ata negocial final à indispensável e urgente definição dos conteúdos das componentes letiva e não letiva do horário dos professores.

Avanços

Deste processo negocial, como a FENPROF tem referido, resultaram também avanços relativamente ao regime que ainda vigora. A FENPROF valoriza a consolidação da extinção das BCE, a existência de critérios para abertura de lugares no concurso interno e externo a realizar este ano (abertura de lugares nos QE/QA, sempre que, nos últimos 4 anos, tenha sido necessário recorrer a docentes exteriores ao quadro da escola/agrupamento), consideração, em ata, da criação, já este ano, de um regime de permutas, recuperação de tempo de serviço perdido por razões de doença (artigo 103.º do ECD), para além de outros aspetos que foram incluídos na proposta final ao longo do processo negocial, por intervenção da FENPROF.

A FENPROF também não desvaloriza o facto de poderem entrar nos quadros, no próximo ano, para já, mais de 3000 professores e educadores, número que poderá crescer com a realização do concurso externo ordinário que deverá realizar-se nos finais de março, início de abril.

Todavia, por haver questões essenciais que ficam por resolver, não permitindo que se limpe a enorme mancha de precariedade que continuará a afetar os profissionais docentes, com penalização acrescida para os que têm exercido funções em escolas públicas, sempre em situação de grande instabilidade de emprego e profissional, e por não conferir justiça a docentes dos quadros que, há muitos anos, lutam pelo legítimo anseio de aproximação à sua área de residência, a FENPROF recusou dar o seu acordo à proposta final do Ministério da Educação, afirmando-o, não de uma forma abstrata, mas tornando públicas as razões por que não deu esse acordo.

Face a esta posição, a FENPROF vai, de novo, colocar a matéria em discussão junto dos professores; irá solicitar aos grupos parlamentares que requeiram a apreciação parlamentar do diploma a aprovar, no sentido de corrigirem os seus aspetos mais negativos; solicitará reunião ao Senhor Provedor de Justiça, com vista a obter uma apreciação sobre a versão final do diploma; irá fundamentar, junto da Comissão Europeia, as razões por que entende não estar a ser cumprida uma diretiva de transposição obrigatória, requerendo que esta inste o Estado Português a aplicá-la de forma adequada.

O Secretariado Nacional da FENPROf
20/01/2017 


O ponto final nas negociações dos concursos. Professores do privado voltam a concorrer em igualdade com os do público.

Esta é a surpresa que o ME tinha guardada para a negociação suplementar. Um alívio para os professores do privado, um pesadelo para os professores do público. Já referi que esta questão deixa-me dividido, por um lado a entrada no privado não contempla as regras gerais do ensino público, o que por isso devia levar à criação de carreiras distintas, mas por outro lado estamos a falar de professores, e professores são professores.

Sobre os números disparatados que fizeram capa no Correio da Manhã, onde se falava em 20 mil professores para os quadros, o número final é de 3000 a 3200.

Quanto ao resto, tudo parece ter ficado na mesma:

SIPE

 

Vinculação extraordinária: segundo o ME, vão abrir entre 3019 a 3200 vagas que serão ocupados por docentes que cumprem os requisitos, que serão colocados por graduação profissional.
Nos próximos 3 anos abrirão vagas para vincular os restantes professores que reúnam os requisitos.
No diploma dos concursos o Ministério não abdica das prioridades alegando sempre questões técnicas mas compromete-se a abrir lugares de quadro de agrupamento desde que, num agrupamento, exista durante 4 anos, horários anuais e completos no mesmo grupo de recrutamento.
Mantém-se a norma travão.

A FENPROF e a FNE não assinaram o acordo.

Entre 3000 e 3200 professores contratados vão mesmo entrar nos quadros

(Público)

Em declarações aos jornalistas, Alexandra Leitão, justificou a reviravolta com o facto de outras estruturas sindicais terem insistido nesta mudança. É o caso da Federação Nacional da Educação (FNE).

Anteriormente, a secretária de Estado assumira publicamente que os professores do ensino público e do ensino particular deveriam ser tratados de forma diferente, em sede dos concursos de colocação em escolas públicas.


Assistentes operacionais: salário mínimo em troca de uma facada?

Fui diretor 6 anos de uma escola que não era fácil. Um dia, andava a circular na escola um conhecido pequeno traficante, que já tinha sido nosso aluno. Tive de, pessoalmente e com ajuda de outras pessoas (assistentes operacionais), o retirar do recinto escolar, o que me valeu uns quantos pontapés e ameaças sobre o meu futuro por parte do pequeno meliante (pequeno em categoria, que não em tamanho).

Quando fui apurar responsabilidades, consideravelmente irritado (e, quem me conhece, sabe como me transfiguro na minha face colérica), por não o terem barrado à porta, umas das então auxiliares (hoje assistentes operacionais) respondeu-me, muito calma, com graça e ironia certeira:

“mas acha que o salário mínimo, vale o risco de levar uma facada?”

E o risco da naifada era real e não meramente abstrato. Percebi o toque.

Realmente o desgaste, e até o risco, desses profissionais merece mais compensação. Muitas vezes, eles próprios caem nas armadilhas de pequenas lutas pontuais sobre coisas laterais (o horariozinho; a escalazinha de serviço, nas interrupções letivas, para dar algum descanso; a trica para trocar de local de trabalho, mudando para melhor, em prejuízo do colega, etc.). São condicionantes do quotidiano que, muitas vezes, prevalecem sobre questões mais profundas de solidariedade, dignidade salarial e valorização profissional.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o “patrão” cada vez menos dinheiro ? (ganhar o mesmo, ano a ano, é ganhar menos, pelo menos, por causa da inflação).

Valorização implica esforço de quem dirige

Quem já geriu escolas, sabe como é complexo gerir essas relações laborais. É um grupo cheio de diversidade e que, com risco de desagradar a muitos diretores, se tem de afirmar que exige aos gestores muito mais formação (que genericamente existe pouco, até porque elevado número de diretores, eleitos e reeleitos com base na “experiência” de bons burocratas, nunca realmente estudaram para o ser e para alargar horizontes em relação à “escolinha”, onde lhes calhou serem dirigentes).

E saliento que os “cursos de aviário” ou “vão de escada” e os mestrados por reconhecimento de experiência não resolvem isso, mesmo se, quem dirige o sistema possa achar o contrário, e se deixe iludir (até porque “bons burocratas” são mais conformistas).

E tal exigência de mais formação a quem gere é tanto mais forte, quanto o grupo do pessoal não docente tem baixa escolaridade, em média (mas inclui contingentes com formação muito desigual, incluindo até licenciados) e sofre de precariedade e baixos salários. Gerir a insatisfação e o desânimo é sempre difícil, especialmente para quem acredite em teorias de gestão mitológicas, falsas mas populares, como a “motivação” ou “a unidade para vestir a camisola”.

Em muitas escolas, a oferta de soluções para os problemas, por parte dos órgãos de gestão, limita-se a lógicas de compadrio e de quase feudalismo de vassalagem (aliás, a relação entre a durabilidade de alguns diretores, em mandatos sucessivos, e a forma como gerem estas relações laborais, merecia ser estudada e o retrato entrevê-se pouco abonatório).

Assistentes operacionais: a primeira linha de ação e resposta aos alunos

Mas estes profissionais são essenciais. Num tempo em que se fala tanto de indisciplina e bullying e outras formas de violência, eles são a primeira linha nesses combates. Muitas vezes são os que os alunos procuram primeiro, sendo os primeiros a conhecer a sua raiva, desilusão, tristeza ou depressão.

Mal pagos, têm, muitas vezes, de confiar apenas no instinto natural para resolver e ouvir os alunos, até pela falta de esforço público em dar-lhes formação (e um dos motivos parece ser a vontade, não assumida, pois claro, de manter as lógicas de subordinação e de dominação de que são vítimas).

Podia contar-vos a história da senhora, a quem se propôs formação, que ela queria fazer. Tinha problemas em aceitar o horário e, só à terceira conversa, confessou que era porque o marido não a deixava sair à noite, ou, a outra, que queria trocar de horário porque o “seu menino” precisava que ela lhe fizesse a sandes para comer ao jantar e ir trabalhar. Imaginem a surpresa quando se apurou que o menino era um marmanjão, antigo aluno nosso, com 17 anos, mas que parasitava a mãe e não tinha habilidade para abrir um pão e meter lá dentro alguma coisa comestível.

Parece uma imagem miserabilista e a realidade é que existem histórias de vida tocantes de comoventes entre estas pessoas de biografia dura.

O poder que subordina e a injustiça salarial

Um dos momentos mais marcantes da minha experiência profissional e de aumento do meu conhecimento do que é estrutural numa escola foi obtido junto de um grupo destes profissionais a quem dei formação há 15 anos (na verdade destas, porque o grupo eram só mulheres).

O que fiquei a saber sobre redes informais de poder nas escolas, sobre o que os “outros” pensam dos professores e qual a imagem e ações que valorizam nos professores e o que criticam, foi-me muito útil. Valeu-me para perceber que a visão de professores sobre a escola é realmente limitada e pouco abrangente de todas as subtilezas do que se passa.

Nas eleições para os órgãos das escolas fala-se muito em “corpos eleitorais”. Portugal, felizmente, não teve um corporativismo pleno como se tentou na Itália Fascista, mas somos um povo muito corporativo na sua prática política e de administração. Daí esta obsessão com a representação dos corpos (que está bem distante de uma democracia plena).

No caso das escolas, esse corporativismo que, no caso dos professores, por vezes encerra um lado elitista (em que os professores agem como suposta elite), faz com que o contributo dos assistentes operacionais não seja realmente valorizado, sejam pouco ouvidos, pouco considerados e até desrespeitados (por exemplo, por alunos, à vista de professores, que, tantas vezes, se abstêm de ajudar).

Isto, apesar de tantos discursos a proclamar gongoricamente a sua importância, numa contradição que deve chocar e desanimar, quem é tão mal pago e, há quase uma década, com salários congelados, perdeu o direito a uma ideia de carreira e progresso na profissão.

Este ano o salário mínimo foi aumentado, o que é ótimo para quem o ganhava.

E os que já ganhavam pouco mais que o valor atual do salário mínimo e há 10 anos não têm aumento nenhum?

Se são assim tão essenciais, porque é que o seu trabalho vale para o patrão cada vez menos dinheiro ?


Tinha mais formação no Pingo Doce do que tenho enquanto professor… 1

O “despachar” primeiro e formar depois (ou durante), é muito típico na escola. Como sabem as escolas têm um novo sistema de tutorias, onde os professores podem ter até 10 alunos. O Ministério de Educação vem agora dizer que já foi dada formação a mais de 1200 tutores. Faz bem, é esse o seu papel enquanto patrão, o de atribuir formação específica aos seus funcionários quando surgem alterações relevantes.

O problema é que estas formações deviam ser dadas antes da sua entrada em vigor, o que raramente acontece. Assim de cabeça, lembro-me dos quadros interativos, da educação sexual, de diferentes programas informáticos de gestão/organização escolar, etc, etc…

Sentimos nas escolas que tudo está sempre a mudar, fica a sensação que existe uma qualquer equipa numa cave obscura, que tem o prazer sádico de constantemente alterar procedimentos, nomenclaturas e legislação, impedindo qualquer professor de estar a par da mais recente “moda” ou “capricho”. A última que ouvi, embora insignificante mas que serve de exemplo, é que nos discursos, depois de referirmos as “celebridades” devemos referirmo-nos aos restantes como “todas e todos” em vez de senhores e senhoras… “mariquices” do eduquês.

Os professores, ou qualquer outra profissão, precisa de estabilidade para assimilar leis, procedimentos e nomenclaturas. Os antigos cursos vocacionais, não tiveram a hipótese de upgrade, foram rapidamente abolidos e substituídos por tutorias com dimensões questionáveis, onde a falta de assiduidade dos alunos é uma realidade presente.

O que é dado como uma boa notícia, mais não é que uma notícia reveladora da política preferencial da tutela, aplico primeiro formo depois. A escola anda sempre atrasada, seja nos pequenos procedimentos, seja a nível tecnológico, seja nas metodologias de ensino ou a nível disciplinar…

Eu quando trabalhei no Pingo e Doce e depois no Continente, senti uma real preocupação com a minha formação, até porque era caixa de supermercado e por breves momentos era a cara da empresa. E sempre que havia alterações nos procedimentos, havia uma formação prévia (gratuita), era testado e só depois me lançavam às “feras”. Preparar, formar, esclarecer, testar primeiro e depois sim, aplicar e massificar. A escola não é uma empresa, mas devia aprender algumas coisas com ela, a formação contínua é seguramente uma das grandes lacunas da escola atual. E quem sofre são os nossos clientes (alunos)…

Organização… é tudo uma questão de organização…

Mais de mil professores já receberam formação para serem tutores

(Público – Clara Viana)

Não é escassez de produção, mas sim falta de gorgulho!

Os alicerces estão montados e a estrutura é mais que conhecida, ano após ano os andares tomam proporções gigantescas e não cessam o seu descontrolado crescimento.

Terá sido cavado um orifício suficientemente confiável para este empilhamento?

Reparem que, com o passar do tempo torna-se cada vez mais complicado alcancar a base deste edifício e, é isso que nos é exigido todo o santo dia! É nos depositada a responsabilidade de fixar material velho, para que assim, este consiga suportar os andares que também nós temos de continuar a construir.

Através de técnicas arcaicas que falham na segurança de todos os que lá vivem, através de vidros escuros que nos tapam constantemente a visibilidade de uma natureza a pedir socorro e, de vícios e prazeres que nos impedem de deixar o comum, sob pena de exclusão social. É perigoso olhar o mundo lá fora, e proibido saber mais do que nos é lecionado lá dentro. Caímos no ridículo de acreditar que a decoração interior é o unico objetivo e pior, incutimos essa noção a todos os seres que mal acabaram de deixar a maternidade, ignorando a sustentabilidade e privilegiando o lucro.

Torna-se de tal maneira confuso que ocupamos o nosso tempo a jogar, para outra classe qualquer, a culpa da conhecida queda, em vez de unirmos esforços para remodelar a técnica que forma futuros educadores.

Deixemos de lado o jogo da batata quente e cortemos de vez com a imagem que se infiltra e distorce informação, que nos torna diferentes na capacidade de realização do mesmo ofício, acabemos com essa praga que acredita na qualidade do grão pela menor quantidade de dentadas deste e não pela melhor consistência e sabor que atrai o gorgulho!

Martha Freitas, Aluna.


Escola Básica 2+3 de Marvila | Casal espanca dois professores. 7

Quando eu pensei que o jornalismo não podia chegar mais baixo, a CMTV dá um passo em frente na podridão jornalística. Esta resolveu dar voz ao pai agressor, justificando as suas agressões com o facto dos alunos lhe terem contado que o professor de matemática tinha batido na sua filha…

Mas pior ainda é que a entrevista decorre com a filha (menor) ao lado, chegando ao ponto do pai pedir à jornalista para entrevistar a criança, pois segundo ele, as crianças não mentem…

Juro que me lembrei do antigo Gato Fedorento, quando o pai diz com todas as letras…

dei-lhe duas ou três chapadas e ele ficou para lá estendido…

é que isto é tão mau, tão mau, tão mau, que só pode encaixar num daqueles momentos caricatos de televisão, com reposição no final de cada ano.

Cabe agora à justiça aturar esta gente…

(carregue na imagem para ver a entrevista)

Um professor de 60 anos e uma colega, de 55, da Escola Básica 2+3 de Marvila, em Lisboa, foram espancados por um casal que invadiu o recinto da escola, na quarta-feira.  As vítimas foram atacadas a soco e pontapé, tendo o CM apurado que os agressores serão pais de alunos.

Ao que o CM apurou, segundo a escola, as aulas decorriam com normalidade quando os pais de uma aluna entraram pela sala e agrediram o professor. A outra professora foi agredida quando tentava separar os pais do professor espancado. A CMTV falou com o pai da aluna, Nelson Pinto, que admitiu as agressões ao professor. “Dei-lhe umas duas ou três chapadas e ele ficou ali caído”. O encarregado de educação diz que quando foi buscar a filha à escola os alunos disseram-lhe que a menor tinha sido agredida ” com chapadas e murros” e “agarrada pelo pescoço”. “Vi a minha filha em pânico. Mas admiti logo à polícia”, afirma o agressor. No entanto, o pai da aluna conta uma versão diferente da da escola e diz que o professor pediu aos alunos para sairem da sala antes de alegadamente agredir a aluna.


Regresso à fábrica

Convergence, 1952 – Jackson Pollock

Começou há pouco mais um período letivo, e vindos de duas semanas de bem merecido descanso, regressámos, alunos, professores e não-docentes para mais 13 semanas de trabalho. Regressámos à fábrica.

Aulas, explicações, treinos, atividades, projetos, textos, trabalhos, fichas, TPCs, testes, apresentações… Estudar, estudar, estudar. Tudo isto é importante, dizem, mas também é importante dormir, rir, respirar, amar, viver… Aliás, não fazer nada de vez em quando também é essencial. Somos pessoas, não máquinas, ainda assim, o regresso às aulas sabe a voltar a uma fábrica, em que se labora friamente em busca de algo por um caminho caminhado por quem não o escolheu, guiados por mapas que nos deixam ainda mais perdidos na busca de um sentido.

Um sistema em que ou se é cientista ou músico, médico ou historiador, não cria cidadãos, cria instrumentos. Gostos, interesses e aptidões unidimensionais dão jeito a quem quer pintar tudo da mesma cor, ou melhor, de quatro cores diferentes e mais um par delas que são apelidadas “profissionais”. No entanto, a realidade não é um quadro feito a régua e esquadro, muito pelo contrário, mais parece um quadro de Jackson Pollock: um desorganizado salpicado de diferentes cores.

Mas tal como nos quadros de Jackson Pollock se encontra significado no meio do caos, também no ensino e na pluralidade e diversidade dos alunos se encontram sistemas que funcionam, tal só é impossível na mente de alguns senhores (e senhoras) que, sabe Deus como, chegaram a ser considerados os mais aptos para dirigir a nossa Educação. Não é uma utopia, é uma discussão, uma reflexão e, acima de tudo, um diálogo que é fundamental e necessário para realmente melhorar o Ensino português.

Não se chega lá com programas quilométricos nem com avaliações e avaliaçõezinhas. É ouvindo-nos a nós, todos os que trabalhamos diariamente na Escola, quando chega a hora de tomar decisões que nos afetam mais do que ninguém e quando chega a hora de decidir a melhor maneira de ensinar e de aprender. Só assim ficamos mais perto de uma educação melhor.

António Bezerra, Aluno.


Verbas para a programa Promoção do Sucesso Escolar chegam em… janeiro

Já tinha alertado no início do ano letivo, que muitas escolas não tinham tido acesso aos meios que constavam nos seus projetos para a promoção do sucesso escolar. Não será coincidência que o novo ano, com novo orçamento, venha finalmente desbloquear alguns milhões para ajudar as escolas a cumprirem com os seus projetos.

Pena é que estamos quase a meio do ano letivo, o que vai comprometer qualquer avaliação que seja feita no futuro ao programa do governo. A facilidade com que em Portugal se “vende” iniciativas ao público sem os devidos meios, revela bem o quanto é importante fazer marketing político.

Há 32 milhões de euros para o ministério contratar mais de 500 professores

(Clara Viana – Público)

A contratação dos mais de 500 professores em falta para o plano de promoção do sucesso escolar será feita por via de dois procedimentos concursais. Os 29 milhões de euros oriundos do POCH serão distribuídos através de uma candidatura liderada pela Direcção-Geral da Educação. Os restantes três milhões chegarão por via de concursos que já estão a ser abertos pelas comunidades intermunicipais, especificou ainda o ME.


Divulgando | Movimento- Vinculei durante 13 dias. 2

Como tenho dito… os professores não são números…

*Negritos de minha autoria

 


Movimento- Vinculei durante 13 dias

Caros colegas,

É hora de fazer o ponto da situação e de explicar as razões que levaram à criação deste Movimento.

Como todos sabemos, está a decorrer um processo negocial entre o Ministério da Educação e os Sindicatos que representam a nossa classe, sobre os concursos que se avizinham, onde um dos pontos mais importantes e polémicos se prende com a Vinculação Extraordinária de Professores Contratados. Esta vinculação permitirá que alguns milhares de professores possam finalmente ingressar no quadro, após muitos anos se encontrarem como contratados. Estes professores são necessários ao sistema educativo e finalmente temos um Ministério que compreende esta evidência. Porém, se estamos no caminho correto para acabar com a precariedade na nossa classe, o processo encontrado está ferido por injustiças que não podemos aceitar.

Não vamos perder tempo em explicar todo o processo desde a sua origem onde, por exemplo, se exigiam 20 anos de serviço para almejar à tão desejada vinculação, vamos sim centrar a nossa atenção nas duas últimas propostas do Ministério da Educação.

No dia 30 de Dezembro, o Ministério da Educação propunha estas condições para vincular professores:

  1. Ter 4380 dias de serviço após a profissionalização até 31 de agosto de 2016;
  2. Ter 5 contratos em escolas públicas nos últimos 6 anos, independentemente da tipologia do contrato, contudo, esses contratos tinham de ser no mesmo grupo de recrutamento.

Esta proposta era injusta e insuficiente. Por um lado, deixava de fora colegas com imensos anos de serviço feitos antes da profissionalização e, por outro, afastava colegas de grupos como o 300, 320 e 330 que sempre concorreram a dois grupos.

No passado dia 13 de janeiro chegou nova proposta que deixou a maioria dos professores perplexos. Por um lado, os 4380 dias já podiam ser contabilizados antes e após a profissionalização e os 5 contratos nos últimos 6 anos já não tinham de ser realizados no mesmo grupo de recrutamento. Estas alterações minimizavam algumas injustiças. Mas eis que o Ministério da Educação introduz uma nova condição que provocou uma enorme surpresa: para estar em condições de vincular, os docentes tinham de ter sido colocados em horários completos e anuais no presente ano letivo.

Como já referi, foi com enorme incredibilidade que assistimos a esta situação. Se por um lado vários colegas, que ficavam excluídos com a primeira proposta, podiam reunir então as condições para vincular, agora, com esta última proposta, muitos colegas seriam excluídos dessa possibilidade. Ou seja, trocaram-se umas pessoas por outras, como se de objectos se tratassem. Mais surpreendidos ficámos quando uma federação sindical fez saber que horários de 20 e 21 horas poderiam contar como completos. Assinalamos com agrado que após reflexão, essa mesma federação considerou ser injusto este critério para vincular.

Mais preocupante ainda, este ano um elevado número de horários completos só saiu nas RR1 e RR2 devido ao atraso das colocações da mobilidade por doença. Muitos dos colegas melhor graduados ficaram colocados na Contratação Inicial com horários de 13, 14, 15 ou 16 horas e os colegas pior graduados ficaram com os horários completos devido ao referido atraso.

Devia saber o Ministério da Educação que somos obrigados a concorrer sempre, primeiro, aos horários completos e só depois aos intervalos seguintes. Se esses horários completos só apareceram numa fase mais tardia do concurso, como é possível utilizar esse critério? E como é possível propor que os horários de 20 e 21 horas possam ser considerados completos se não existe um intervalo com esse número de horas? O intervalo é de 15 a 21 horas e é impossível saber qual o número de horas que nos cabe, em sorte, dentro desse intervalo. É uma questão de sorte ou azar e a nossa vida não é um jogo. Um colega muito pior graduado poderia ficar num horário de 21 horas e vincular. Por outro lado, um colega muito melhor graduado, por ter ficado num horário de 17 horas, já não vincularia. É evidente que não pode ser assim.

Face às situações expostas, resolvemos intervir e dar voz a este movimento.

Em cerca de três dias, quase 350 colegas aderiram ao mesmo. Vários órgãos de comunicação social (RTP, TVI, Correio da Manhã, Público, JN) revelaram interesse no nosso movimento e nas causas que defendemos. Nós só queremos um concurso justo onde os melhor graduados, e com mais tempo de serviço no ENSINO PÚBLICO, SEJAM OS PRIMEIROS A VINCULAR, MESMO QUE NÃO SEJAMOS NÓS.

Exigimos a eliminação da condição do horário completo neste ano letivo. Não tem qualquer razão de existir, como já demonstrámos.

Sabemos que nunca existirá um processo de vinculação totalmente justo mas, a graduação profissional e o tempo de serviço no Ensino Público, devem ser os únicos requisitos exigidos.

Os sindicatos devem solicitar uma negociação suplementar para defenderem os interesses de todos.

O Ministério da Educação pode e deve abrir vagas por grupo de recrutamento e nós devemos poder concorrer a essas vagas, sem critérios discriminatórios e injustos.

Após 4 anos negros sob a tutela de Nuno Crato onde sofremos enormes injustiças, temos esperança nesta equipa ministerial que, entre vários pontos positivos, acabou com a terrível BCE. Temos a certeza que, mais uma vez, irão tomar a decisão correta.

O nosso Obrigado a Todos os que lutam por existir justiça neste processo!

 

Vítor Manuel Almeida Vieira Agostinho


Esquecemos o que é o Inverno? Queixamo-nos de alterações climáticas? E nem pensamos?

Parece estarmos num tempo que “aprontamos” notícias por mais nada ter que fazer e mais nada saber fazer. Não há muito tempo na Europa, e como apesar de tudo ainda desta fazemos parte – ainda não estamos fisicamente no Norte de África, só em mentalidades e desenvolvimento – os Invernos eram frios e chuvosos e os Verões muito quentes.

Este Inverno está a ser Inverno, tem tido períodos de chuva intensa, e tem e está, numa vaga de frio “forte”. Pronto, parece que é algo de extraordinário, nunca visto e que tem que estar a ser noticiado a todo o momento. Se calhar, teríamos que ter provas constantes de que alterámos de tal forma a atmosfera que nos envolve, que já teríamos conseguido derreter todo o gelo nos Trópicos e fazer ferver a água dos mares. Mas não. De facto estamos no Inverno, pronto não devíamos estar, dado que nos habituámos a que o Inverno tivesse que não ser frio, e, é frio, está mal. Se fosse não frio estava mal à mesma. Estamos “numa” de arranjar subterfúgios para criar alarmismos, para criar desconforto, para achar que temos que mudar tudo, não pela mudança em si, mas para termos como encher as redes sociais, as notícias de meio minuto, o sensacionalismo. O que disse que disse! E como não nos apetece “pensar”, dado estar fora de moda, temos que nos fazer preencher o tempo com o “tempo”. Até sendo o tempo próprio de cada estação.

Torna-se uma maçada, não devia ser, logo como é, passa a ser uma notícia a explorar sem mais acabar. Deveria ser o contrário, que era para se noticiar os estragos que fizemos ao clima. Assim é para mostrar que está frio no Inverno – o que é próprio -, dado que esperávamos que devesse, afinal, estar calor. E claro há gripes, sempre as houve. E claro morrem muitas pessoas com mais de 65 anos do que antes acontecia, mas antes de facto as pessoas morriam “naturalmente” aos 65 anos, mas como hoje vive-se mais, e evidentemente são sempre as idades mais velhas que têm – temos – propensão a ter mais desgaste de vidas vividas, mais doenças e a morrer.  Mas morre-se mais tarde do que antes e parece que ainda é normal que se morra e não se fique cá para todo o sempre. E parece que se criam notícias, e quanto piores/ melhor, para evitar pensar e fazer pensar. Para evitar ter agendas próprias, e não todas iguais e em simultâneo. Talvez fosse tempo de não andarmos todos na mesmíssima onda, a dizer rapidamente o mesmo, e antes, como diferentes que felizmente todos somos, aproveitar esta diferença para ousar pensar, e falar de coisas diferentes e normais ou anormais, conforme o parâmetro  em que se possam “encaixar”! Ou nem por isso e deixemo-nos apalermar!

Augusto Küttner de Magalhães


Sr. Ministro, diga lá até onde pode ir e fechamos negócio. Pode ser?

Começou nos 20 mil… depois foram 10 mil, há dias era 4 mil e agora vai nos 3 mil professores a vincular. Isto até o Arlindo dizer o real número da coisa…

Este filme do concurso de professores já chateia e começa a ser completamente ridículo. O Ministério de Educação tem um orçamento definido para 2017 e o concurso de professores não será responsável pelo seu incumprimento. Talvez seja a minha ingénua maneira de ser, mas em vez de andarem em reuniões de “charuto” na boca, onde cada um a faz a sua cara de “poker”, tentando antecipar a jogada do adversário, seria tudo mais simples, honesto e transparente se colocassem as cartas na mesa de uma vez e dissessem para o que vinham.

É que estes números de que se fala são pessoas, que têm expectativas legítimas de um dia vincular. A ansiedade que estão a criar, o tira regra, põe regra, não valoriza, nem credibiliza ninguém.

Vá… Sr. Ministro, diga lá até onde pode ir e fechamos negócio. Pode ser?

Ministério diz que vinculação extraordinária abrange mais de 3000 professores

(Lusa via Público)

 


O regresso de Luís Costa (ex-Bravio) | Os Eucaliptos 7

Hoje é um dia especial, quem segue o ComRegras sabe da admiração que tenho pelo Luís Costa, autor do blogue Bravio que teve o seu fim não há muito tempo. Insisti muito para que o Luís não abandonasse a blogosfera, mas o seu espírito livre teimava em manter-se afastado.

Hoje é o dia em que o Luís se junta ao ComRegras, e conforme lhe disse “não é por escreveres no ComRegras que a tua liberdade será condicionada ou irá condicionar terceiros”. Nesta casa cada um escreve por si e só a si o responsabiliza. Liberdade e pluralidade são valores que não abdico e existirão sempre enquanto por aqui andar.

Sê bem vindo Luís 😉


Os Eucaliptos

Muitos são os temas que, por vias diversas, estão a ser colocados na agenda do grande fórum docente. Seja por geração espontânea, seja com intuito pirotécnico, a verdade é que esta surpreendente proliferação temática está a cortinar aquele que, no meu entender, deveria ser o ponto de convergência de todas as atenções: o regime de gestão das escolas.

Paulatinamente, o debate desta questão fulcral tem sofrido uma perigosa simplificação: o almejado regresso à gestão democrática das escolas está a ser reduzido, no verbo e nas intenções, à mera alteração do processo de eleição do Diretor. Uns fá-lo-ão intencionalmente, outros sem intenção, mas, na verdade, todos os que marcam presença nesta ala discursiva estão a contribuir para a perpetuação da dita figura. É a velha e bem conhecida estratégia de mudar o suficiente para que tudo (o que é “essencial”) fique na mesma. Só por ingenuidade ou insídia se pode crer, ou fazer crer, que algo de substancial vai mudar apenas com essa alteração. O instalado halo (de prepotência, de intimidação e de cumplicidades) que os diretores têm anafado só se dissipará com o desaparecimento do cargo, recolocando no seu lugar uma referência com muito mais e melhores conotações democráticas: o Presidente.

Recentemente, alguns dos mais conhecidos paladinos da “diretoria” aproveitaram a onda eufórica da divulgação dos resultados do TIMMS e do PISA para virem a terreiro defender a sua dama, recomendando, a quem de direito, um sensato conservadorismo, um prudente comedimento nas anunciadas reformas… Enfim, quiseram, com a sua típica astúcia, fazer crer que essas aparentes melhorias podem estar umbilicalmente associadas ao atual regime de gestão, ou seja, ao jugo que os diretores representam, ao facto de haver nas escolas a tal figura criada por Maria de Lurdes Rodrigues para “pôr os professores na linha”. A ser assim, ou seja, se devemos endossar aos diretores a boa parcela do que são hoje as escolas portuguesas, então façam lá o favor de receber, por inerência, em correio registado e com aviso de receção, o aumento da indisciplina e até da criminalidade. Também têm de fazer parte dos dividendos, não é verdade?

Em bom abono da verdade, tenho de tirar o chapéu à referida ministra (por ter criado “o milagre”) e aos seus sucessores (por terem sabido alimentá-lo). Depois de vergada a espinha dos professores, depois de cilindrada a sua objeção de consciência e depois de amordaçada a sua livre palavra, tem sido muito fácil a manipulação dos pensamentos, das ações e dos resultados. Tal como um eucalipto, a autoridade do Diretor parece crescer, vigorosa e assombrosamente, à custa da autoridade dos professores, que se esvai de forma inversamente proporcional. E tem sido tão célere este processo de decomposição, que alunos e encarregados de educação (em geral, claro) têm hoje a perceção de que os professores são meros verbos de encher, meros ensinadores e “propositores” de notas condicionadas. E não andam muito longe da verdade: nas escolas reina a desautorização, a demissão, a omissão, o medo. Em todos os órgãos impera a vontade do Diretor. Já não há genuínas discussões, já não há genuínas críticas, já não há verdadeiro contraditório, já não há verdadeiros sufrágios: a discussão é entendida como obstáculo; a crítica é recebida como afronta, como declaração de oposição ao regime; o contraditório é mera “perda de tempo”, pois já todos sabem que tudo está previamente orquestrado e decidido; o mesmo acontece com os sufrágios, que ocorrem quando um diretor se lembra de fingir que não nomeia (prefiro os que assumem a sua própria escolha). Estranhamente, muito estranhamente, a superautoridade dos diretores parece não estar a produzir nem superdisciplina nem superempenho discente. Bem pelo contrário. Porquê?

É este o estado a que chegaram as dinâmicas nas nossas escolas. O caso não seria muito dramático, se se tratasse de fábricas de pregos. Contudo, como é nesses espaços que formamos não só os profissionais mas também os cidadãos, os homens e as mulheres do futuro; como é nesses espaços que ensinamos o respeito ou deixamos crescer na brutalidade; como é nesses viveiros que cultivamos a liberdade ou a submissão; como é nesses ovos que chocamos a democracia ou o veneno que a poderá aniquilar, então o caso muda radicalmente de figura.

É por estas simples miudezas que urge abrir todas as portas, desmantelar todas as gaiolas, estirar as asas, beber pluralismos, enfim, devolver a democracia às nossas escolas, antes que esta silenciosa e cinzenta anemia evolua para leucemia letal.

 

Luís Costa


A moda dos “bad boys” (fofinhos)

Sentada no bar da escola observo alguns alunos: os encontrões, os gritos, a linguagem, a inquietação, a força do grupo. Só apetece berrar-lhes: “Animais! Calem-se!”. Mas, inevitavelmente, sobe-nos toda a pedagogia e com muita calma tentamos resolver a situação apelando ao bom senso. Ao senso que não é comum e onde o bom é relativo.

O senso não é igual quando as vivências são tão diferentes e o senso é tão diferente quando estou sozinho ou quando estou em grupo.

Um amigo meu disse-me uma vez: “Agora estamos na moda do ser diferente, ser “bad boy”. Qualquer  dia ser “certinho” é que vai estar na moda.” A moda define comportamentos que na maior parte das vezes nada tem a ver com a nossa individualidade. Assumimos comportamentos e apropriamo-nos de maneirismos, roupas e atitudes para sentir que pertencemos a um grupo.

Já todos passámos pela adolescência e sabemos hoje que os nossos limites pessoais são traçados por aquilo que vivemos. Gerimos os comportamentos dos jovens com os quais lidamos, ou que simplesmente observamos, pelos nossos enquanto mais novos. E é por isso que os mesmos comportamentos são geridos de maneira diferente por diferentes professores. Ainda que exista um regulamento interno na escola, em última instância é o nosso “regulamento interno”, e absolutamente individual, que traça o limite.

Os “bad boys” físicos ou verbais andam aí. Os professores lidam com eles todos os dias e todos os dias é mais um dia de gestão de emoções e gestão de conflitos. Para uns é uma tarefa menos difícil do que para outros, porque a descrição que fazemos de um aluno é diferente aos olhos de cada interveniente.

Já passaram por mim muitos “bad boys”. Recordo-me de ouvir, quando trabalhei com uma turma PIEF: “O segredo é encontrar o líder e criar uma relação com ele para ter a turma na mão” Não é de todo incorreto. O ênfase não está no encontrar o líder, mas sim na relação que se estabelece com ele individualmente e acima de tudo, com cada um.

Creio que para conseguir gerir turmas difíceis, do ponto de vista comportamental, é preciso direcionar o comportamento do grupo através de cada aluno. A máscara dos “bad boys” cede quando estão sozinhos e quando se perde (ganha) tempo a conversar e a desconstruir egos.

O grupo tem uma força poderosíssima, mas é no trabalho individual que se pode fazer a diferença.

Não há milagres, não há receitas e muitas vezes não há resultados para gerir turmas complicadas, mas penso que existem três fatores essenciais: agir sobre o indivíduo; ter uma liderança forte; não ceder nas regras nivelando por baixo. E, claro, persistência.

 

Há “bad boys” “fofinhos” à espera de ser resgatados. De alguém que lhes saiba tirar a máscara e que lhes permita um olhar crítico sobre o “grupo”. Até lá pode ser que a moda do certinho chegue.

Maria Joana Almeida

 


Vinculação extraordinária ou concurso externo? 5

Depois de várias propostas para a Vinculação Extraordinária de professores, chegamos a uma altura em que se vão tomar decisões, pois o tempo da negociação está a terminar.

A última proposta do Ministério da Educação, continua envolta em polémica, devido à condição do horário anual e completo. Depois de vários protestos dos professores , a Fenprof apresentou uma alternativa, na qual o apuramento de vagas para vinculação seja feito pelo número de candidatos que reúnem  as condições da proposta do ME, mas que estas sejam ocupados segundo a lista de graduação profissional, pelos candidatos que têm mais de doze anos de serviço e 5 contratos em escolas públicas nos últimos seis anos. Embora,  esta seja, sem dúvida, uma solução muito mais justa do que a proposta pelo ME, a grande questão é que desta forma não se resolve a precariedade docente, fazendo perdurar a condição de contratados, a muitos professores que possuem,até mais do que os 12 anos de serviço no ensino público.  Reparem que o apuramento de vagas por grupo de recrutamento, feito desta forma traz algumas incongruências. Como por exemplo, o de muitos colegas provenientes do ensino privado, com muitos anos de serviço e maior graduação, que ocuparam horários completos e anuais, mas que não têm os 5 contratos com o ME, não abrindo assim a vaga correspondente ao horário . Ironia das ironias, são os colegas oriundos do privado que “impedem” a vinculação dos professores que fizeram maioritariamente a sua carreira no público.  Muitos horários completos, devido ao atraso no destacamento por condições específicas, não são considerados anuais. Por estas razões as vagas a abrir em determinados grupos serão exíguas. Por outro lado, alguns colegas que têm os 5 anos de contrato, mas pouco tempo de serviço no ensino público e muito anos no privado, e por isso estão muito bem colocados na lista de graduação para assim poderem vincular nas poucas vagas existentes.

A única maneira justa , que resolveria a precariedade docente seria através do tempo de serviço e do número de contratos no ensino público. O intuito de se realizar uma Vinculação Extraordinária foi sempre para resolver a precariedade de longa duração, e entende-se que esta ideia surgiu da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2010. Esta Resolução privilegiava, precisamente, o tempo de serviço e os contratos no ensino público  e recomendava a  integração  nos quadros dos professores com “funções há mais de 10 anos lectivos, com a duração mínima de seis meses em cada um.” A própria Fenprof apresentou uma proposta para a VE, que vai neste sentido, e deveria assim insistir na sua defesa, pois é bastante adequada e justa.

Com esta última proposta do ME, não se resolve o grande problema da precariedade docente ( professores que têm sido contratados repetidamente pela mesma entidade ) e mesmo que se altere a colocação pela graduação profissional, ficaremos com uma VE que mais parece um concurso externo, com poucas vagas em alguns grupos.

Parece que neste momento, estamos todos a esquecer-nos que uma Vinculação Extraordinária não é um concurso externo para ingresso nos quadros.

 

Álvaro Vasconcelos, professor contratado.


Quero uma defesa digna! Quero uma Ordem de professores! Quem está comigo? 8

Estou farto de ver ataques aos professores e não ver nenhuma associação defendê-los condignamente e a tempo e horas. Os sindicatos passam a vida preocupados com o concurso de professores. Mas o concurso de professores, apesar de ser importante não é o centro do universo, aliás, muitos professores já nem sequer concorrem, mas também são professores. Compreendo o papel negocial dos sindicatos, é para isso que estes existem, e não seria a Ordem a castrar a sua principal função. Precisamos de uma Ordem de professores, precisamos de uma alternativa centralizada e não partidarizada, precisamos de uma entidade que aumente o prestígio social do professor, que o defenda quando este é atacado como foi na questão dos manuais escolares. Precisamos de algo com peso político, algo que seja visto pela sociedade como uma mais valia e que esteja acima dos sindicatos, que não tenha os anticorpos dos sindicatos. Precisamos de uma entidade moral que filtre professores que não são dignos desse nome. Precisamos de um farol e não de quezílias constantes, precisamos de Ordem!!!

E agora pergunto, que raio anda a fazer a pró-ordem? Para que serve a pró-ordem? O que é a pró-ordem?

Tenho esperança de um dia pertencer a uma ordem, não que esta vá resolver todos os problemas, mas esta é precisa, é necessária e mais estranho ainda, muitos professores anseiam por ela. Porém, continuam anestesiados, lamentando-se na sala dos professores e descarregando lamurias e frustrações nas redes sociais…

Então por que não se faz? Por que não avançamos? Somos tantos mas afinal somos tão poucos? Não haverá quem queira pegar nisto pelos “cornos”, desculpem-me a expressão, e fazer o que ainda não foi feito (já dizia o outro). Estou disponível e o ComRegras entrará nessa luta, se for essa a vontade dos professores. Mas não é dizer “sim, senhor… estou contigo”, mas depois ficar com o “rabinho” no sofá a ver a bola ou a novela. Preciso de ajuda pois estou bem ciente das minhas limitações, preciso de um coletivo que se queira mexer, preciso acima de tudo de gente com vontade em fazer algo por todos nós…

Esta questão da ordem dos professores é uma pedra que sinto no sapato há demasiado tempo, está na altura de fazer alguma coisa… Estou farto que me digam, “não vás por aí”, “não adianta”, “olha que vais chatear os sindicatos…” Querem saber??? é para o lado que durmo melhor… Chega de avisos e façam alguma coisa caramba!!!

E agora pergunto-vos… Quem está comigo? ([email protected])