Ritalina | “O doping dos ciclistas nos anos 60/70 é, muitas vezes, prescrito às nossas crianças/jovens de hoje”

A frase é de Filinto Lima e aborda um tema que está na ordem do dia – a Ritalina.


Ritalina, o doping dos estudantes!

Professor do Agrupamento de escolas Dr Costa Matos

A comercialização do “comprimido da inteligência” ministrado a crianças/jovens a quem, pretensamente, foi diagnosticada “perturbação de hiperatividade e défice de atenção” (PHDA) está em alta, sobretudo desde 2010 e, considerando o ano passado, esse valor mais que duplicou…

Reconheço ser um problema, o qual devemos enfrentar com todas as cautelas que uma criança ou um jovem merecem.

Em duas Voltas a Portugal em bicicleta (1969 e 1973), Joaquim Agostinho foi desclassificado, pois foi detetado o consumo de Ritalina que, nessa altura, era tolerada em França, mas proibida em Portugal. Ou seja, o doping dos ciclistas nos anos 60/70 é, muitas vezes, prescrito às nossas crianças/jovens de hoje, sem a devida avaliação em termos de diagnóstico.

Julgo um exagero, salvo algumas justificadas exceções, haver crianças do pré escolar a quem é ministrado este fármaco e existirem turmas nas escolas privadas com 80% dos alunos a seguirem o mesmo caminho. Nas escolas públicas, seguramente que o número em causa deverá também ser preocupante. Tudo por causa da melhoria dos resultados escolares? Nas universidades, em épocas de exames, a Ritalina é utilizada para aumentar a concentração no estudo, o máximo de tempo possível, potencializando os níveis de alerta, acima do normal, quantas vezes traduzindo-se em “diretas”.

No entanto, é sobretudo durante o tempo de aulas a altura de maior recurso a esta estratégia, interrompida aos fins de semana e durante as férias… Dir-me-ão que “no meu tempo”, uma palmada bem dada tratava esta maleita potenciada pela falta de imposição de limites e regras. Na maior parte dos casos, os pais ministram este medicamento pois a consequência da atenção nas aulas vai repercutir-se nos resultados escolares. É fundamental pensar no aluno, não descurando o futuro cidadão, com responsabilidades durante a vida, sustentando os alicerces (não só pedagógicos, mas também ao nível da saúde) que a suportará.

Contudo, já existem pais e encarregados de educação que não ministram o medicamento, apesar de prescrito por médicos, pois discordam deste ato, supondo consequências adversas para o futuro dos seus educandos, levando os especialistas a falar em epidemia de saúde pública. Para muitos educadores o primeiro patamar deve ser o recurso a intervenção psicológica, corrigindo boa parte destes problemas. Dir-se-á tratar-se de uma estratégia mais prolongada, menos imediatista, mas com resultados já comprovados. Seja como for, cada caso é um caso.

Se é verdade que a Ritalina “tem um padrão de eficácia enorme” (com mais de 50 anos de uso, não existe estudo científico que aponte para efeitos negativos), não devemos pactuar com a banalização de uma solução temporária e transitória, pois os alunos de hoje são os cidadãos com plenos direitos e deveres de amanhã, os quais devem ser tratados com todo o carinho, sem experimentalismos e com a cientificidade exigida.

Filinto Lima

Professor, director de escola

In Público


Humberto Bernardo, para o ano apresentas tu os Óscares!

É ao sábado de manhã que partilho convosco um momento de descontração para vos desejar um bom descanso, mas desta vez a atualidade impõe que seja novamente sábado de manhã…

O que aconteceu ontem nos Óscares ficará para sempre registado como uma das maiores gafes de todos os tempos, maior, só mesmo a eleição de Donald Trump… É caso para dizer, volta Humberto, estás perdoado!

As reações ao erro: “O quê, esperem, oh meu Deus!”

(Observador)

Recordando…

Mas isto das Miss até é rotina…


Professores vão ter de trabalhar em conjunto. 4

O título é provocatório e baseia-se numa opinião pessoal que a articulação existente nas escolas é meramente retórica e que permanece num papel muito bonito criado em conselho de turma, muitas vezes em formato copy paste.

A verdade é que os professores estão formatados em disciplinas e conteúdos, numa postura muito umbiguista. É uma característica, não é um defeito, fomos ensinados assim e julgo que o maior desafio para o que aí vem, é a adaptação que os professores terão que fazer para trabalharem e avaliarem em conjunto. Se acredito que estamos à altura, sim acredito, mas se todos estiverem dispostos a alargar horizontes e não considerarem a sua opinião a única opinião…

Este é um ponto importante, a constante oposição a tudo o que chega – seja de um lado ou do outro – impede que muitos vistam a camisola e pouco ou nada se apliquem para implementar novos projetos. E se somarmos a isto as constantes alterações e cortes de carreira, o espírito cooperativo entra em modo hibernação…

Não pensem com isto que considero os professores parte do problema, os professores serão sempre parte da solução, mas precisam, também eles, de serem nutridos de quando em vez.

Hoje o Expresso online fez referência ao regresso da Educação para a Cidadania desde o pré-escolar, algo que já foi testado no passado e que também eu comprovo que não resultou, exatamente pela dificuldade em operacionalizar e por muitos não acreditarem na sua utilidade/eficácia.

Mas a verdade é que estas ideias, ainda que concretizadas de outras formas, já foram defendidas e tentadas antes, recorda Carlinda Leite, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. “Tem muito que ver com o projeto de gestão flexível dos currículos que foi iniciado no final dos anos 90 e se generalizou com a reorganização curricular de 2001. Naquela altura, as escolas também tinham de desenhar projetos curriculares de turma, adaptados à sua população escolar em concreto e ao contexto em que se inseriam e pôr em prática em tempos letivos específicos para o efeito.”

Só que da teoria à prática pode ir um passo de gigante. “Num país habituado a uma educação muito centralizada e um currículo muito prescritivo, este modelo é difícil de concretizar. Porque exige que os professores se tornem decisores curriculares, que trabalhem em conjunto quando estão sobrecarregados com as suas disciplinas e os programas extensos que têm de cumprir —, sobretudo no secundário, que conta ainda com a pressão acrescida dos exames —, porque requer materiais que não estão feitos”, enumera a investigadora. E quando, depois de anos a aprender e a testar esta nova cultura, os processos estavam mais oleados, o modelo começou a ser abandonado, aponta.

O negrito não é por acaso, e tem toda a razão, mas lembro que foi dito que a flexibilização dos currículos é apenas uma definição do que é essencial, dando assim mais tempo a professores e alunos.

No entanto, Paulo Guinote alerta para um caminho interessante e um dos perigos que se avizinha…

Paulo Guinote, professor de Português e História e autor do blogue o “Meu Quintal” recorda-se desses anos e antecipa as mesmas dificuldades. “Num currículo organizado por disciplinas, cada uma com um professor, e as horas repartidas, torna-se muito difícil.” A solução, propõe, passaria por uma alteração profunda da matriz curricular, com a organização por áreas, e não disciplinas, asseguradas por vários professores que trabalhariam em parceria. “Numa manhã os alunos dedicavam-se às ciências sociais e humanas, noutra à Matemática, às Ciências Naturais, Línguas, Expressões Artísticas.”

Mas há mais condições necessárias, diz. “Não vale a pena dizer às escolas para definirem projetos que façam sentindo naquela região, se depois lhes dizem que têm que se limitar aos professores que têm nos seus quadros. Nem mandar embora os docentes que tenham poucas horas atribuídas.” E acima de tudo, há que convencer que esta não é apenas mais uma mudança, num “ziguezague” que se tem repetido e a que a maioria dos professores, que está no sistema há mais de 20 anos, tem assistido. “É inevitável fazermos a pergunta: valerá a pena o esforço?”

A estabilização do corpo docente é seguramente uma mais valia, mas como tudo na educação tem sempre duas faces, lá iríamos assistir aos que defendem a mobilidade constante com concursos todos os anos… Aliás, o que seria a educação sem o “entretenimento” dos concursos…

Aguardemos por mais certezas e menos “ses”.


Ao mudar uma sala de aula, mudamos comportamentos. 1

Todos os dias, hora após hora, milhares de alunos e professores repetem a rotina de entrar numa sala de aula. O espaço físico da aula é algo que raramente se fala, raramente se pensa e raramente se optimiza.

O processo de entrar na aula, sentar em fila e o professor colocar-se à frente, é tão natural como o simples gesto de respirar. Quando se fala que a escola tem de evoluir, quando se fala que a escola não deve ser um mero espaço onde o elemento ativo é apenas o professor, devemos começar por analisar a redefinir o espaço da própria sala de aula. É grátis, é um processo autónomo, não necessita de autorizações, legislações e complicações, necessita apenas de VONTADE!  

Quando entramos em casa, gostamos de nos sentir confortáveis, a temperatura, a luz, as cores, etc, são fundamentais para sentir o espaço da aula como um espaço convidativo. O pré-escolar e o primeiro ciclo, estão a anos luz dos restantes ciclos de ensino e dão grande atenção à decoração da sua “casa”. Personalizar um espaço é seguramente mais fácil se cada turma tiver uma sala sua, onde tenha uma voz ativa na sua decoração/disposição. E mesmo que não seja possível todos usufruírem dessas condições, a evolução pode sempre chegar a alguns…

Existem diferentes estratégias de disposição dos alunos, elas são sobejamente conhecidas, mas também é verdade que são sobejamente ignoradas. A escola impessoal, ao estilo fabril, vigora há demasiado tempo, e por vezes é mesmo o tempo que falta para dedicarmos mais alma a um espaço que é nosso e onde passamos tantas horas da nossa vida.

Sejamos audazes, pensemos fora da caixa e não tenhamos receio de ser olhados como os tipos esquisitos, cheios de tiques e ideologias modernas. A evolução é um passo natural, como é tão natural dar esse passo…

Ficam alguns apontamentos de uma breve pesquisa matinal 😉

Mudando a sala de aula, podem mudar-se comportamentos

(Público)

Quando se juntam as mesas em quadrado, muda-se também a hierarquia entre os alunos. Deixa de existir a divisão entre indisciplinados nos lugares de trás e “marrões” nas filas da frente. Como está agora, a sala de aula é “um espaço antinatural”

O mobiliário de madeira foi substituído por fórmica, os quadros tradicionais estão a dar lugar a outros interactivos, mas, no essencial, a sala de aula é hoje igual ao que era há 100 anos ou mais: um professor com uma mesa, junto a um quadro, de frente para 20 ou 30 alunos, que estão sentados em carteiras alinhadas em filas. Como não existem espaços neutros, há uma mensagem nesta forma de organização – uma hierarquia vertical, em que o professor é o agente e os estudantes o elemento passivo. Estão ali para ouvir, de preferência sentados direitos.

Na prática, já há muito que nada é assim: há quem deite as cadeiras para o chão, quem se levante e passeie pela sala, acabando todos na rua com uma falta disciplinar, ou quem se deixe ficar sentado, mas alheado. Há outras formas de viver a sala de aula, mas, no essencial, esta transformou-se num pesadelo para os professores e numa “seca” para os alunos. Entre os que chegam ao ensino superior, “já são muito poucos aqueles que conseguem ser estimulados”, constata Diogo Teixeira, director do Instituto Superior Autónomo de Estudos Politécnicos (IPA), em Lisboa. Terá que ser assim?

 

Azevedo chama a atenção de que, com esta organização, sabota-se uma hierarquia “clássica” entre os alunos: os mais barulhentos nos lugares de trás, os mais disciplinados e atentos nos da frente. No Inverno, a proximidade dos corpos ajuda também a tornar as salas menos frias. O sentimento de conforto é um redutor de agressividade, lembra o designer, que sobe a uma cadeira e cola um filtro amarelo por cima da luz de néon branca. O ambiente mudou. Mais quente, mais acolhedor, mais calmo.

E por que não alargar a participação, dando aos alunos que geralmente não vão ao quadro a possibilidade de escreverem na parede que está mesmo por detrás deles? Basta pintá-la com uma tinta, agora lançada no mercado, que transforma qualquer parede num quadro de ardósia, onde se pode escrever a giz e apagar depois.

“A cantina da nossa escola é tão deprimente. Se pedíssemos a um grupo de estudantes que a transformasse, talvez conseguíssemos que muitos mais fossem lá almoçar”, diz a psicóloga de uma escola, que acrescenta logo de seguida: “Mas os professores nem tempo têm para pensar.”

João Fiadeiro fala de “pensamento criativo”. Para que uma acção resulte, é necessário identificar quais são os constrangimentos de base, a “falta de tempo” será um deles, mas não para baixar os braços. Ideias de partida: “Parar para pensar”; encarar os problemas como “uma oportunidade”; recusar o lamento habitual do “não há meios”, já que “é sempre possível trabalhar com aquilo que já se tem”.

Disposição de carteiras da sala de aula influencia aprendizagem

(postal costa norte)

A supervisora do IQE lembra ainda que não é só a disposição dos alunos que afeta o aprendizado. A organização do ambiente também é importante para que meninos e meninas queiram permanecer no espaço e não tenham dificuldade para se concentrar. Iluminação e ventilação adequadas, boa conservação de quadro-negro, piso e janelas e quantidade certa de alunos por sala são fatores que, somados, melhoram ou pioram o espaço de estudo.

 

“Padrões de iluminação e ventilação são determinados por critérios de engenharia, que estabelecem as medidas adequadas ao tamanho de cada sala de aula. A obediência a esses critérios deveria ser, no mínimo, obrigatória para qualquer instituição de ensino, pois garante que a saúde não seja prejudicada por más condições”, afirma.

 


Linha da Frente | Crianças XXI (Hiperatividade – Défice de Atenção – Ritalina) 1

De visualização obrigatória. Eis algumas frases que merecem reflexão…

ó Anjo da Guarda, ajuda-me a morrer, sei que sou burro e já desisti de aprender…

Escolas do século XIX, com professores formados no século XX e alunos do século XXI

Eu não vejo problema nenhum em os alunos estarem deitados no chão, sentados no chão, desde que estejam a trabalhar…

os miúdos ficam mais pequenos porque têm perda de apetite, podem ficar inférteis, têm tendências suicidas, depressão, etc… (Ritalina)

há imensas crianças que estão diagnosticadas com hiperatividade e são apenas perfecionistas

Não há crianças com défice de atenção, há crianças com atenção dispersa…

Além das aulas, têm as AEC (que também são aulas), depois ainda têm trabalhos de casa (…) não estamos a criar uma geração com saúde mental – Secretário de Estado João Costa.

Portugal é o 4º país do mundo que mais trabalha – OCDE

As crianças passam em média 45 horas por semana na escola – OCDE

As crianças não dormem o que é essencial

No século XXI precisamos de criadores e não repetidores, precisamos de crianças com capacidade de inovação, com uma grande capacidade de adaptação

Parabéns RTP.


A inactividade física em Portugal custa 900 milhões de euros, 9% do orçamento do Ministério da Saúde para 2017.

Os números são assustadores e a situação agrava a cada dia que passa, por isso só posso louvar as palavras do Secretário de Estado João Costa ontem no parlamento. O endeusamento que é feito ao PISA, quando este está centrado em menos de um terço do currículo é intelectualmente desonesto.

Ainda esta semana dizia a uma colega minha ao olharmos para uma turma de 7º ano.

Já viste isto?

Repara bem que mais de metade da turma está obesa. Repara bem nas limitações que eles têm em mexer-se.

Nunca tive tantas lesões como este ano… os miúdos são de porcelana, caem por qualquer razão, os ligamentos e os músculos não aguentam movimentos básicos… correm 1 minuto e têm de parar…

Como será a vida destes miúdos daqui a 10, 20 anos? Que rendimento profissional vão ter se não tiverem saúde?

É um crime o que se fez a esta geração. É um crime o que fez Nuno Crato. Tenho muitos alunos analfabetos motores… sem destreza, sem velocidade, sem força, sem resistência, sem coordenação, sem equilíbrio, etc… Lidar com regras, lidar com colegas, tomar decisões num curto espaço de tempo com tantas variáveis em movimento, tudo isso lhes foi privado. Tantas luzinhas que precisam de acender naquelas cabeças e continuam apagadas.

Que raiva!!! Que incompetência!!! Que ignorância!!! Que incapacidade para compreender que existem múltiplas inteligências e todas elas são fundamentais para o desenvolvimento transversal e salutar da criança.

Tanta gente Doutora que não consegue entender o be a bá da vida…

Que a mudança seja rápida pois já vem tarde, muito tarde…

Quanto custa a inactividade física em Portugal?

(Público)

A estimativa de 900 milhões de Euros para o custo da inactividade em Portugal não deverá estar longe da realidade. Face ao progressivo aumento dos custos de saúde nos próximos anos, justifica-se mais do que nunca o investimento na prevenção do sedentarismo, com o esperado impacto no bem-estar individual, na prevalência das doenças não-transmissíveis, na mortalidade e na economia.


Haverá sobrediagnóstico dos alunos com Necessidades Educativas Especiais? 1

Nos últimos anos assistimos a um boom da Educação Especial, é cada vez mais raro encontrar turmas sem alunos com necessidades educativas especiais e os colegas professores são cada vez em maior número. A inclusão veio para ficar, mas como já disse no passado, a inclusão foi imposta à escola pública sem que tivessem sido dadas todas as condições que estas necessitavam.

Sobre os alunos, existem sequelas que são por demais evidentes, mas outras como a dislexia, levantam algumas dúvidas. Quem está dentro da escola, já deve ter ouvido falar ou presenciado situações um tanto ou quanto incómodas, tais como:

  • Debates nos conselhos de turma pondo em causa a aplicação da medida “x” ou “y”;
  • Constatar nas aulas que as medidas exigidas não coincidem com as limitações dos alunos;
  • A utilização do argumento do insucesso ou mau comportamento como premissas para a integração na Educação Especial;
  • Pais a solicitar a integração dos seus educandos na Educação Especial, para assim obter “via verde” na transição.

Desta vez é o Júri Nacional de Exames que alerta para eventuais excessos.

Tanto a primeira situação como a segunda, tendo em conta a idade das crianças abrangidas, podem indiciar “uma eventual precocidade em alguns dos diagnósticos”, alerta este organismo, que no caso da dislexia lembra que, estando em causa crianças com seis ou sete anos, “podem não existir dados suficientes que consubstanciem um diagnóstico definitivo desta problemática”.

No que respeita às provas finais do 9.º ano de escolaridade, houve 4483 alunos que solicitaram condições especiais e destes quase metade pediu para realizar provas a nível de escola, um número que o JNE descreve como “muito significativo”. Dos 2079 pedidos apresentados foram indeferidos 245. Mais uma vez, a problemática com maior peso foi a da incapacidade intelectual (82%), seguindo-se-lhe as perturbações ligadas ao autismo (9%).

O número de alunos com Necessidades Educativas Especiais é preocupante. O que me leva a pensar na quantidade de alunos que no passado necessitaram de apoio e não o tiveram.

Uma coisa é certa, não deve demorar muito até que exista um “ajustamento”  na sensibilidade dos diagnósticos, é que as finanças não esticam e noticias como a de hoje são um forte incentivo para o garrote apertar…

 Quase um terço dos alunos com necessidades especiais estão no 1.º ciclo

Disléxicos aos sete anos? Pode existir um problema de sobrediagnóstico

(Público)

O Embate Realístico

Todos nós padecemos com as restrições que são impressas no ensino, desde o desinteresse numa área que nos é querida até ao culminar da não existência de um assunto que nos é diretamente familiar. 

É neste ponto que nos são colocadafortíssimas interrogações . 

Estaremos a entregar o material necessário? O material correto? Estaremos a moldá-lo de forma proveitosa? Estaremos a mastigar competências e a insignificar capacidades? 

A primeira anomalia sistêmica é o fator Especificidade vs. Generalidade. Reconhecendo desde já que cada ser é único e necessário na construção da sociedade, vejamos que a utilidade do mesmo sobe de nível cada vez que a quantidade de informação compatível às suas necessidades que lhe é entregue, aumenta. 

Daqui podemos concluir que o conceito de matéria interessante é diretamente proporcional ao termo aproveitamento escolar. 

Tornando teórico o funcionamento circular educacional onde expelimos mais tarde o que foi antes digerido e, olhando para a pintura geral e caótica que nos é real hoje em dia, estaremos nós a fornecer a “alimentação” correta aos jovens? 

É possível falar acerca da experiência de algo que existe, mas muito complicado falar da não existência de algo neste caso não conhecido. 

Ou seja, quando transmitimos determinado conhecimento, estamos a possibilitar a criação de espaço de manobra no mesmo mas, quando não transmitimos determinados saberes, estamos a impedir qualquer tipo de transformação/melhoria nestes. 

Um jovem que nunca ouviu falar acerca dos malefícios da toma desnecessária de antibióticos nunca irá reduzir em algo que lhe traz conforto imediato, e pior é continuar a transmitir essa não-experiência dando continuidade a um círculo vicioso opaco que beneficia empresas farmacêuticas multinacionais. 

Partindo do princípio que nos são entregues ferramentas não tão carregadas de esperança e portadoras de algum grau de realidade constrangedora, é possível mudar. 

Tratemos de afastar exageros positivos, de lhes dizer que quanto a determinado problema está a ser feito algo, levando à perda de adeptos na disciplina agir, pois existe sempre alguém a tratar de algo já. 

choque de ser de alguma dimensão no início, mas será muito menor do que o arrependimento do “e se …” 

Que de uma vez por todas, seja colocada uma barreira na noção de ensino como máquina fazedora de dinheiro, não sejamos egoístas ao ponto de achar que o alargamento de um problema é desculpa para a sua resolução… Porque todos sabemos que quanto mais plantarmos no fim, mais teremos de colher.

Martha Freitas, aluna.


Vivemos o tempo da desresponsabilização. 1

Estamos num tempo – por certo face ao um passado demasiado “opressivo”- em que passámos para um estádio de total desresponsabilização, e que vai num crescendo imparável.

Hoje a todos os níveis se pratica a desresponsabilização, e esta percorre a cadeia hierárquica, seja nas empresas, seja no desporto, seja no lazer, seja na família. Todos e todas, parece estarmos numa de querermos ter títulos e se forem associados a dinheiro, receber o mais possível, mas de facto e em concreto, passar as responsabilidades “efectivas” para outros, para outro lado, fora e longe de nós, do “eu”! Mas como o outro e o outro lado está na mesma, ninguém “manda” de facto – alegando achar que o termo é ditatorial- quando se pode e deve fazê-lo não pela força e pelo berro, mas pelo respeito, algo que já não se sabe fazer. Mas, se tivermos memória para lá do que se passou na passada semana, nos lembraremos- ou ensinaremos a quem ainda cá não andava/estava –que foi possível entre os anos 80 do século passado e o inícios do actual, assim acontecer, respeito, autoridade assumida, sem medos infligidos. Sendo que, antes – no tempo da ditadura, em que muitos ainda vivemos – era de facto à força, pela opressão, pelo medo, mas agora, hoje, é a balda total. E ninguém quer ter a maçada de saber bem o que está a fazer, de saber bem cumprir, de saber bem obrigar a cumprir. E anda tudo num limbo – parece que religiosamente acabou mas temporalmente estamos nele – em que cada um vagueia pelo mínimo das responsabilidades e das culpas, zero em cada. E claro, tudo se vai adiando, fica-se pelo secundário dado que não se quer assumir o essencial, fala-se muito sem nada dizer. Todos, e então nas profissões em que a “atitude” faz parte intrínseca da mesma, arranjam – arranjamos – sempre uma “desculpa” para não actuar, para não fazer, para ver se passa sem nada acontecer. E de facto assim é, fica tudo no “sofrivelmente”, no “disse-que-disse”, no “não foi comigo”, e não se sabe com quem foi, e vai-se destruindo Instituições, formas de ser estar, numa aparente bonomia.

Claro que se assim continuarmos – e é o mais provável – vamos desconstruindo tudo e mais alguma coisa, e quando nada estiver ordenado, as regras tiverem ido todas pelo esgoto, e ainda pior nos entendermos, virá o tal “salvador” que aos berros, à força, pelo medo, sem respeito, à bruta vai pôr tudo nos eixos, mesmo que sejam quadrados esses eixos. E é pena esta total desresponsabilização a que chegamos ser algo “tão” cultural que nos faz passar por termos sido mandados à força, por sabermos fazê-lo temporária e assumidamente pelo respeito, e para voltar “desresponsabilizadamente” à primeira forma. Seja assim e assim o querermos!

Augusto Küttner de Magalhães


História e Geografia passam a disciplinas semestrais?

O Correio da Manhã dá a notícia na sua 1ª página e como a questão já é pública, posso partilhar que me foi dito pelo Secretário de Estado João Costa que essa opção está claramente em cima da mesa. A minha pergunta imediata foi, “os professores não irão perder horas?”. A resposta foi negativa e o objetivo era que esses professores tivessem menos alunos.

Contactei Filinto Lima, presidente da ANDAEP e também ele confirmou a ideia que “o objetivo não é cortar horas aos professores”, mas que os professores tenham menos alunos.

Gosto de acreditar nas pessoas, é defeito de fabrico… o que para alguns é encarado como uma ingenuidade crónica… o que até compreendo.

Paulo Guinote está firmemente convicto que horas serão cortadas aos professores. Já disse publicamente que considero Paulo Guinote uma das pessoas mais esclarecidas no mundo educativo, e a sua palavra (neste caso contas) não pode, nem deve, ser ignorada…

A Aritmética é um Mistério para Mim

(O Meu Umbigo)

A minha esperança, na minha ingenuidade… é que o objetivo seja efetivamente reduzir o número de alunos por professor e ao mesmo tempo reduzir a carga letiva dos alunos. Sim, é verdade que os alunos terão apenas 6 meses de história/geografia e entendo que existam colegas que não concordem com isso. Não vou entrar no campo da argumentação estéril que a minha disciplina é mais importante que a vossa ou algo desse estilo…

Espero que o caminho a seguir pela tutela seja a simples divisão por turnos/metades, mantendo os professores as mesmas turmas, mas com metade dos alunos na sala de aula, algo que já acontece em algumas disciplinas.

Aguardemos pelos próximos episódios.

História e Geografia podem passar a disciplinas semestrais

(Jornal de Negócios)

A Flexibilização do currículo e o novo perfil do aluno, podem não avançar em 2017/2018 3

Hoje esteve presente a equipa do Ministério de Educação na Assembleia da República. Mais uma vez assistimos a um triste espetáculo entre a esquerda e a direita.

Esquerda e direita acusam-se: quem fez pior à escola pública?

(Público)

Esquecem-se estes senhores, que mais importante que atirar pedras aos seus telhados de vidro, urge estabilizar o setor, a bem de toda a comunidade educativa.

Apesar das “tricas” políticas, ficámos a saber que a flexibilização do currículo e as novas competências podem não entrar em vigor no dia 1 de setembro. A pressa é muitas vezes inimiga da perfeição, espero que desta vez se faça o contrário à norma há muito instituída… reformar primeiro, formar depois… Os tais 19 milhões para formação contínua que incluam as novidades que se avizinham.

Governo não garante flexibilização do currículo e novo perfil do aluno já no próximo ano

(Observador)

O secretário de Estado da Educação, João Costa, disse, esta sexta-feira, que as mudanças relacionadas com o “emagrecimento” do currículo e a sua flexibilização, articuladas com um novo perfil de competências que se pretende que o aluno tenha à saída do ensino obrigatório, podem não ser aplicadas já a partir do próximo ano letivo.

Neste momento o que nos interessa é que o debate aconteça, que se tomem as boas decisões, com a participação de todos” e as alterações “entrarão em vigor quando tivermos esses consensos alargados”, afirmou João Costa no final do debate em plenário sobre a Escola Pública. Isto porque, sublinhou, interessa à equipa ministerial “a qualidade do produto”.

P.S- mais uma vez não se falou na problemática da indisciplina em Portugal, nem mesmo quem está na oposição “aproveitou” o tema para criar dificuldades ao atual ministro… O tema contínua a ser tabu…


O problema não está no Diretor, está na sua eleição. 9

A FENPROF está a tomar as rédeas da alteração ao modelo de gestão. Os resultados apresentados de um inquérito realizado a 25 mil professores, mostram que o problema está principalmente na eleição do diretor.

Alguns exemplos: 22 667 professores, 92% dos que responderam ao inquérito defendem que “o órgão de gestão deve ser colegial (equipa eleita por lista)” e 22 693 que deve ser eleito “por todos os professores/educadores, funcionários e representantes dos encarregados de educação e alunos”. Estas respostas representam uma clara rejeição do modelo atual, que consagra um órgão de gestão unipessoal (diretor que escolhe o subdiretor e os seus adjuntos), selecionado por um Conselho Geral com um máximo de 21 elementos.

Luís Braga, aqui nesta mesma casa, já veio questionar a recondução dos diretores em vez da sua eleição. Algo que concordo, pois reconduzir é algo tão limitador, principalmente quando essa recondução fica à mercê de 21 pessoas. Permitam-me a comparação, mas era a mesma coisa que o Presidente da República ou o Primeiro-Ministro fosse reconduzido sem passar pelo sufrágio dos votos. Afinal, qual é o problema de ir a votos?

 

Mas os próprios diretores, no inquérito realizado pelo ComRegras preferem uma eleição aberta à restante comunidade educativa.

 

Sei que a opinião de Filinto Lima e de Manuel Pereira, presidentes dos associações de diretores, vai ao encontro desta visão mais democrática.

É pacífica a ideia de um líder na escola, alguém que assuma responsabilidades e que esteja acima dos restantes a nível hierárquico. A sociedade funciona assim e é assim que funciona melhor.

Apesar da desvalorização do presidente da CONFAP, esta não é uma questão menor, e afeta indiretamente o desempenho/aproveitamento dos alunos. Lembro que o projeto educativo e todas as questões pedagógicas passam pelas mãos do diretor.

Jorge Ascensão, da Confederação Nacional das Associações de pais, não vê “nenhuma urgência” em mexer no modelo de gestão das escolas. “Urgente é pensar na organização do trabalho, no envolvimento dos alunos. Para nós, os atores principais são as crianças. Só existe a necessidade da escola e da profissão docente porque há crianças e jovens que precisam desse serviço”, avisa.

E já que estamos em época de mudanças, faz todo o sentido não ignorar algo tão importante para o bem estar da comunidade educativa, se a ideia é apenas mexer no conselho geral, conforme se consta por aí… será um tiro dado, mas no alvo errado…

Pais e diretores “chumbam” mudanças na gestão das escolas

(DN)

Olha o Ensino Público a ser privatizado… 1

É preciso chegar a isto???

Pais pagam para ter mais vigilantes nas escolas

Falta de auxiliares motiva reunião entre Ministério e sindicato, que admite organizar mais protestos se a realidade não mudar.

Os pais dos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo estão a cotizar-se para terem mais vigilantes nas escolas, do Norte ao Sul do país. A denúncia é feita pelos diretores e pelas associações, a propósito da falta de auxiliares, que motiva esta sexta-feira uma reunião entre o Ministério da Educação (ME) e o sindicato, que adianta equacionar mais medidas de protesto, incluindo outra greve, “caso o encontro não surta efeito”.