Respire

Aproxima-se o fim de mais um período letivo. O chegar ao fim implica para muitos um respirar de alívio, ufa que está quase, chiça que já acabou. Não é por não se gostar, nem por se estar farto da coisa, por muito que possa parecer incrível, ou contraditório, a muitos. É mesmo porque chega ao fim, porque acaba.

As relações nas escolas, em particular as relações de ensino aprendizagem, aquelas que acontecem privilegiadamente em sala de aula, andam tensas, desgastantes, cansativas. Há mais de uma década a esta parte que o trabalho do professor mudou. E mudou muito, por muito incrível que possa parecer aos civis (àqueles que apenas se limitam a opinar de fora sobre a escola). Por via de políticas educativas registaram-se significativas alterações no trabalho dos professores, organização, objetivos, funções. Com essa alteração, mudaram, por arrasto e como consequência,  comportamentos, relações, modos de ação escolar.

As relações escolares estão muito, mas mesmo muito dependentes da dinâmica, do estado de espírito, da disponibilidade e abertura que qualquer docente concebe, permite, atribuí. É a partir do professor que se instituem dinâmicas de trabalho e de sala de aula. É a partir daquilo que o docente faz ou mostra que se definem gostos, se criam empatias, se promove a disponibilidade tanto para aprender como para ensinar..

Mas têm sido muitos os factores que se intrometeram e condicionaram a disponibilidade de professores. Primeiro grande rombo a diferenciação entre titulares e não titulares, que criou uma clivagem entre professores. Depois a avaliação docente, que promoveu uma espécie de competição entre quem fazia mais e quem era melhor. As agregações foram outro elemento que misturam culturas e sentidos de escola. Ao que se junta o progressivo envelhecimento da classe docente. Não sirvo de exemplo para quase ninguém, mas dou nota da minha impaciência, dos níveis mais baixos de tolerância, de brincar menos com as coisas sérias da escola. A tudo isto se aliam padrões de comportamentos infanto-juvenis diferentes (mais fluídos, menor formalização, regras mais diluídas ou mais intuídas que definidas). Relações familiares que se se reconfiguram, que se instituem e imiscuem por entre filhos, os meus, os teus, os nossos. Perante este conjunto temos as condições reunidas para que se desencadeiem aquilo que este espaço tem dado conta: aumento dos níveis de tensão e conflitualidade, aumento do número de participações disciplinares, aumento do número de ocorrências disciplinares. Acresce que a literatura académica, de igual modo, tem dado destaque quer à recorrência da indisciplina, quer aos fatores de burnout docente.

A notícia que serviu de mote ao texto dá conta de esquemas e estratagemas para colmatar o crescendo de tensão nas escolas. Respire que isso passa. Respire, contenha a respiração, conte até ao milhão e vai ver que isso passa.

Mas não passa. Ou passa momentaneamente. Perante os fatores e as condições que promovem situações de indisciplina, não basta respirar.

Em final de período letivo regista-se, por um lado, um abaixamento das tensões, por outro, um acréscimo de situações de difícil controlo (docente e mesmo parental). Mas e até final do ano, a tensão irá aligeirar para, em setembro, regressar, como se nada tivesse acontecido.

Manuel Dinis P. Cabeça

27 de março, 2017

Coisas das aulas


Setúbal | Professor agredido a soco por pai de uma aluna. 1

Mais um caso de violência contra professores. Em algumas escolas, ser professor é claramente uma profissão de risco…

Estes casos têm de ser punidos sem piedade, com pena de prisão/trabalho comunitário se for preciso, indemnização ao docente e cortes nos apoios sociais caso existam. É excessivo? Não, a banalização da violência contra professores é que é excessiva.

Um professor do 1º Ciclo, com cerca de 40 anos, foi agredido na tarde de sexta-feira pelo pai de uma aluna, em Setúbal. As agressões tiveram lugar à porta da escola EB1/JI de Setúbal, no bairro da Bela Vista, pelas 13h00.

O docente foi sovado em frente a diversos alunos da escola, por um homem que acabou por ser identificado pelos agentes da PSP que se deslocaram até ao local das agressões.

Duas alunas, com cerca de 12 anos, ter-se-ão envolvido numa luta, o que levou o professor a separá-las. À chegada de alguns familiares, o pai de uma das alunas abordou o docente e socou-o na cabeça. As agressões só cessaram com a intervenção de outros familiares presentes. O professor acabou por ser assistido. A PSP investiga o caso.

Agride a soco professor da filha

(Correio da Manhã – João Tavares)

P.S – para aqueles que criticam o estilo sensacionalista do CM e do qual partilho opinião, a verdade é que é dos poucos meios de comunicação social que ainda denuncia os abusos que ocorrem nas escolas, independentemente da proveniência…

Eis mais um exemplo:

Roubos e violência em escola de Odivelas

(Correio da Manhã)

Resultado da Sondagem | Concorda com um pacto de estabilidade para a Educação entre os diferentes partidos políticos?

Diz o bom senso que devemos começar pelo princípio… No mundo da Educação nunca se começa pelo princípio e como nunca se começa pelo princípio a mudança é a regra. A escola está farta de mudanças, os professores estão fartos de brincar às ideologias políticas e serem marionetes dos agentes políticos.  Soubemos na semana passada que em 10 anos ocorreram 40 mudanças curriculares, um absurdo!

Antes de mudarmos o que quer que seja da escola, é importante criarmos as bases para algo consistente no qual as pessoas se identifiquem. Todos ficaríamos a ganhar e quem nos governa conquistaria aquilo que hoje não existe nas escolas… a sensação de que desta vez é que é, e que valerá a pena “vestir a camisola” por um projeto a médio longo prazo…

Entendam-se!

Obrigado a todos os que votaram e partilharam. 😉


Diretores de escolas temem a descentralização. E os professores também…

Filinto Lima, presidente da ANDAEP, mostrou ao CM a sua preocupação quando ao processo de municipalização escolar, chegando mesmo a referir dois exemplos:

“O pessoal não docente passa a pertencer às câmaras em todo o ensino básico e secundário, mas a gestão do dia a dia deve ser feita por nós e temos receio que haja uma imposição ao nível dos horários por parte das autarquias”

 

“Se o presidente for sensível à área da educação, vai colaborar. Se não for, pode levantar problemas e complicar a vida da escola. Ou seja, este processo não pode estar tão dependente da figura do presidente da câmara”

Apesar das autarquias ficarem restritas às infraestruturas, pessoal não docente e apoios sociais, todos sabemos que as escolas são há muito pretendidas pelas Câmaras Municipais. Os dinheiros envolvidos e as influências do meio escolar, são demasiado tentadores e será preciso um Presidente de Câmara com “P” grande para não se meter onde não é chamado, mantendo a escola num mundo à parte, não lhe tirando aquilo que lhe pertence.

Mas não pensem que o dedo das autarquias ficará à parte das questões pedagógicas. Pode não ser a regras, mas é certinho que irá acontecer… A partir do momento que a municipalização escolar imperar, rapidamente os resultados escolares serão analisados e associados a mandatos autárquicos. Um diretor pressionado, pressionará os seus professores e este efeito de bola de neve poderá colocar em causa o ex libris do trabalho do professor – a avaliação dos seus alunos.

Estamos perante um mix que levou a uma queda significativa da Suécia no ranking educativo. Por um lado uma maior autonomia das escolas que consta da reforma “flexibilização pedagógica”, por outro a municipalização escolar. Claro que as realidades são distintas, claro que o perfil do aluno português não tem nada a ver com o aluno sueco, claro que na Suécia chegaram muitos imigrantes que perturbaram os “certinhos” dos seus alunos, mas mesmo assim, convém estar atento ao que se passou por lá, talvez evitemos erros semelhantes…

Diretores de escolas temem descentralização

(Correio da Manhã)

Suécia. Ascensão e queda de uma reforma educativa

(Observador – Alexandre Homem Cristo)

Esclarecimento da DGEstE sobre as ofertas de manuais escolares aos professores.

Continuo a dizer que os professores não se vendem por um livrinho. Esta embrulhada chegou a um ponto impensável e que roça o ridículo. Fica o esclarecimento da DGEstE e que foi enviado às escolas.


Exmos. Senhores Diretores de Escola/Agrupamento de Escolas

Exmos. Senhores Presidentes de CAP

 

Tendo em conta algumas notícias vindas a público e as dúvidas que têm sido dirigidas ao Ministério da Educação esclarece-se o seguinte:

  1. A lei em vigor desde 2006 (Lei n.º 47/2006, de 28 de agosto) não impede ofertas de manuais ou outros recursos didáticos no âmbito do processo adoção de manuais, desde que dirigidas ao órgão competente para a sua adoção;
  2. A lei também não impõe qualquer limite ao número de manuais que pode ser enviado para o órgão competente para efeito do trabalho de análise e decisão sobre a adoção de manuais;
  3. Não existe qualquer norma que proíba que, depois da adoção, os manuais recebidos no âmbito daquele processo fiquem com os professores da disciplina para o desenvolvimento do seu trabalho;
  4. Nas ações de promoção dentro do recinto escolar não podem figurar como promotores qualquer docente, funcionário, agente ou detentor de qualquer outro vínculo laboral com o Ministério da Educação;
  5. O processo de adoção dos manuais deve decorrer, em regra, no âmbito dos Agrupamentos de Escola e Escolas Não Agrupados (AE/ENA), ficando, assim, salvaguardada, através da intervenção dos órgãos de gestão das Escolas e dos professores, a transparência do processo e o uso racional dos recursos;
  6. Tendo em conta que o 3.º período se inicia, este ano, no dia 19 de abril, uma quarta-feira, as ações de promoção dos manuais dentro dos AE/ENA podem ocorrer até ao fim da semana seguinte.

 

Com os melhores cumprimentos,

 

Maria Manuela Pastor Faria

Diretora-Geral dos Estabelecimentos Escolares


Topo e Fundo | Pré-escolar e flexibilização pedagógica.

No Topo: Universalização do pré-escolar a partir dos 3 anos

Não é propriamente uma novidade, pois o alargamento da rede pública de educação pré-escolar, de forma a abranger todas as crianças a partir dos 3 anos de idade, já constava do programa do governo. Mas a aprovação de duas resoluções no Parlamento que não só relembram ao governo o seu compromisso, a cumprir até ao final da legislatura, como lhe dão indicações claras acerca de como o deve fazer, é significativa: mostra que esta medida estruturante para o nosso sistema educativo reúne o mais amplo consenso entre todos os partidos com assento parlamentar.

Universalização não significa frequência obrigatória: o Estado fica obrigado a garantir uma oferta educativa com capacidade para receber todas as crianças entre os 3 e os 5 anos, mas as famílias são livres de inscrever, ou não, os seus filhos. O objectivo é conseguir uma taxa de pré-escolarização próxima dos 100%, o que só se consegue com a gratuitidade da componente educativa e um pagamento da componente de apoio à família ajustado ao rendimento familiar.

A frequência universal da educação pré-escolar é condição fundamental para garantir uma escolarização de sucesso para todos. A base de quase tudo o que precisamos de saber na vida adquire-se no jardim-de-infância: a fazer amigos e a descobrirmo-nos a nós mesmos, a cooperar e a competir saudavelmente, a ouvir os outros, a exprimir opiniões e a fazer escolhas. O infantário é o local onde, brincando, também se aprende, e onde se adquirem competências sociais que irão servir pela vida fora: cumprir regras de sociabilidade e convivência, ser tolerante com as diferenças, compreender e respeitar os outros.

 

No Fundo: A trapalhada da flexibilização pedagógica

Quando, num estudo recente, se contabilizaram cerca de 40 mudanças curriculares nos últimos dez anos, entende-se o sentimento de desconfiança generalizado sempre que se fala em reformas educativas: cada governo quer deixar a sua marca, e o actual não é excepção. Desde cedo se percebeu, sobretudo no secretário de Estado João Costa, um ímpeto reformista que levou a conceber um conjunto de mudanças que passariam pelo reequilíbrio das matrizes curriculares e por mexidas nos programas para os tornar mais exequíveis com um novo “paradigma” educativo: uma organização escolar flexível, com tempos para a articulação interdisciplinar, o trabalho de projecto e maior atenção ao desenvolvimento das competências de cidadania.

Contudo, as mudanças desejadas esbarraram, por um lado, na forma apressada como o ME as quis implantar, e por outro, nas resistências surgidas de vários quadrantes, pelo que a reforma prevista para arrancar no próximo ano vai afinal ser substituída por uma experiência-piloto num conjunto de escolas voluntárias. E a flexibilização já não é “curricular”, mas apenas “pedagógica”, pois entretanto se assumiu que no currículo não se mexe. Pelo meio, tivemos o ensaio de uma vaga de fundo em apoio da reforma educativa, materializada numa inédita carta aberta de 14 associações de professores, que logo suscitou fundadas suspeitas de ter sido concebida no próprio gabinete do secretário de Estado.

No final, voltou-se ao velho e fiel “paradigma” de todas as reformas e contra-reformas educativas em Portugal: quando a confusão é demasiada, empurra-se para as escolas, e a sua autonomia, a resolução dos sarilhos e contradições a que os confrontos e protagonismos.

 

António Duarte, professor e autor do blogue Escola Portuguesa.


Comentários da Semana | Susana Ferreira, Virgínia Pacheco e Carina Marques 2

Os filhos mentem aos pais e a Escola é que se lixa…

Susana Ferreira Mas isto não é novo, pois não?… Já a minha mãe e a minha avó, quando crianças, mentiam aos pais para ocultar/suavizar os disparates que faziam..
É natural nas crianças… O que é , de facto, novo e assustador são estes pais tão pouco preparados e insensatos para fazer a leitura e triagem do discurso dos filhos… Em última instância, as maiores vítimas desta deseducação dos filhos, serão os próprios pais, pois terão que aturar imbecilidades até ao fim da vida…
Virgínia De Assis Pacheco Concordo que seja público e “universal” a partir dos três anos, mas atualmente com um corpo docente cada vez mais envelhecido, com 25 crianças onde temos pouca ajuda e de fraca qualidade, com crianças que mesmo de 5/6 anos não conseguem vestir um casaco e nem para comer e/ou ir à casa de banho tem autonomia, só podem estar a gozar com todos os intervenientes (crianças, pais e docentes). Não podem querer “despejar” crianças de três anos nas escolas, sem primeiro criarem condições para isso!! Quando tudo começar a correr mal, porque nestas condições não vai correr bem, ainda vão ter o descaramento de culpar as educadoras e as escolas!!
Carina Marques Este ano tive um aluno porque insultou um colega dentro da sala e eu ralhei…levantou-se, tentou empurrar-me e levantou-me a mão, dei-lhe uma palmada na mão… Ligou à mãe a dizer que lhe dei uma “chapada” na cara. A mãe chegou e foi primeiro falar com o menino. Chegou ao pé de mim a dizer que eu bati no filho e que lhe marquei a mão. Eu respondi que não vinha para a escola para ser insultada, desrespeitada e muito menos agredida por um aluno. Eu não bati no filho, eu apenas baixei-lhe a mão e sempre que ele ousar levantar a mão para mim eu vou baixar-lhe a mão, ela que fizesse o que entendia. Nunca mais miúdo algum reagiu assim para mim, a má educação é desculpada por ser aluno com NEE. Tenho a dizer que é um aluno do 1º ciclo, que já insultou e bateu em vários colegas e adultos na escola. O ano passado o professor titular assistia a todas as aulas de inglês porque a colega estava grávida e tinham medo da reação do miúdo. Comigo já o avisei, se me toca leva….e resultou …estes miúdos não têm limites e acham que podem fazer o que querem.

Aqui está a solução para a reforma dos professores e população em geral… 1

Aceitam reservas?

Cientistas mais perto de descobrir droga anti-envelhecimento

(SAPO)

Num estudo publicado hoje na revista Science, aponta-se o metabolito NAD+, que está presente em todas as células do corpo, como regulador do processo que controla a reparação do ADN, a composição genética dos seres vivos.

Usando ratos, os investigadores reforçaram a capacidade deste metabolito e melhoraram a capacidade de as células repararem os estragos feitos ao ADN por exposição a radiação ou envelhecimento.

“Nunca estivemos tão perto de uma droga anti-envelhecimento segura e eficaz, que talvez esteja a três ou cinco anos de distância do mercado, se os testes correrem bem” afirmou o principal autor do estudo, David Sinclair, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Nova Gales do Sul e da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos.

Se calhar teríamos professores contratados com 150 anos de serviço… mas mesmo assim era fantástico não acham?


Documentação de apoio para a aplicação da Prova de Aferição de Expressões (2º ano) 1

Provas de Aferição 2017

Documentação de apoio para a aplicação da Prova de Aferição de Expressões Artísticas23 de março

Guião da Prova – Exemplo [pdf] e Ficheiro Áudio [Faixa_1] [Faixa_2] [Faixa_3]

Guião do Aplicador – Exemplo [pdf]

Critérios de Classificação – Exemplo [pdf]

Ficha de Registo da Observação – Exemplo [pdf]

 

Documentação de apoio para a aplicação da Prova de Aferição de Expressões Físico-Motoras23 de março

Guião da Prova – Exemplo [pdf] e Registo Vídeo

Critérios de Classificação – Exemplo [pdf]

Ficha de Registo da Observação – Exemplo [pdf]

 

Informação Expressões Artísticas [pdf] – 27 de fevereiro

Informação Expressões Físico-Motoras [pdf] – 27 de fevereiro

 

Provas de aferição de Expressões do 2.º ano de escolaridade – Informação para Diretores [pdf] – 17 de fevereiro

 

[as Informações-Prova, publicadas em novembro de 2016, podem ser consultadas aqui]

 

Retirado do site do IAVE


Professora mãe de adolescente com deficiência profunda obrigada a fazer 200 km por dia para trabalhar 1

O absurdo é a própria lei fazer a separação entre professores de 1ª e professores de 2ª. Ambos têm vidas pessoais e problemas que não se dissolvem com a sua situação profissional. Somos todos professores! Contratados ou não…

A situação mudou a partir de 2012, com as alterações nos concursos e a falta de vagas no Norte e no Centro do País. Quando as vagas escassearam, a mãe de Rodrigo deparou-se com uma legislação que não a autorizava a pedir destacamento. Ficou impedida de poder ir dormir em casa e de tomar conta do filho.

A lei trata professores contratados e professores de quadro de forma diferente. Sem vínculo permanente ao Ministério da Educação, os professores não têm direito a destacamento. Apenas as gravidezes de risco são exceção. “Consideram que os contratados são funcionários a termo e, por isso, sem direito a destacamento”, avança a responsável pelo Sindicato dos Professores Licenciados (SPL), Grasiela Rodrigues.

Deficiências profundas deveriam ter cotas especiais para os professores poderem ficar perto de casa, até porque a docência é uma profissão diferente das outras. Mas foi sempre assim. O emprego é um bem muito precioso, mas não dá para abdicar de filhos”, critica a responsável pelo sindicato.

 

“Alguém que olhe para nós. Também somos professores”, pede a professora. “Não peço para ficar à porta de casa. Preciso apenas de dar assistência ao meu filho”, desabafa. “É pedir muito?

Segundo Grasiela Rodrigues, do SPL, só há, para já, uma solução. Os professores nessa situação podem recorrer ao Provedor de Justiça e esperar por uma resposta favorável. Mas “há ainda um longo caminho a percorrer para se conseguir justiça e igualdade para os contratados”.

Professora mãe de adolescente com deficiência profunda obrigada fazer 200 km por dia para trabalhar

(Impala)

Pré-Escolar gratuito para todas as crianças com 3 anos de idade em 2019.

O pré-escolar é muitas vezes o parente pobre da Educação, mas é no pré-escolar que se constroem os alicerces onde assentam os restantes ciclos de ensino. Não faz sentido no século XXI, em plena União Europeia, existirem crianças sem acesso a uma educação pré-escolar totalmente gratuita. Lembro-me de pagar 200 € pela minha filha numa IPSS, apesar de estar no 1º escalão da carreira docente… em Portugal alguns ganham como classe média/baixa, mas para as finanças são considerados classe alta…

Além da importância da gratuitidade do ensino pré-escolar, sou apologista da sua frequência obrigatória a partir dos 3/4 anos de idade, os processos de socialização, de conhecimento das regras mais básicas, devem ser adquiridos o quanto antes.

Esta é seguramente uma boa notícia, mesmo que tenhamos que esperar por 2019. Até lá, que se criem as condições e que não aconteça o mesmo que aconteceu com os colégios com contratos de associação…

Alexandre Henriques

Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação (ME) confirmou que a universalidade da educação pré-escolar às crianças com três anos se fará, como previsto no programa do Governo, até ao final da legislatura, em 2019. O que significa que nessa altura todos os meninos com essa idade deverão ter lugar num jardim-de infância.

 

Ao contrário do que se passa na escolaridade obrigatória, a frequência da pré-escolar não é obrigatória. Mas ao estipular a universalidade deste nível de ensino o Estado fica obrigado a “garantir a existência de uma rede de educação pré-escolar que permita a inscrição de todas as crianças por ela abrangidas e de assegurar que essa frequência se efectue em regime de gratuitidade”.

Pré-escolar: acesso universal aos três anos confirmado para 2019

(Público – Clara Viana e Maria Lopes)

Diretores de Escolas não podem acumular cargos, sejam remunerados ou não.

Não se sabe quantos diretores estão a acumular cargos com outras entidades, nomeadamente em autarquias, aliás, o motivo deste parecer da Procuradoria-Geral da República é para esclarecer a viabilidade ou não das acumulações. Naturalmente que estamos perante um conflito de interesses, ainda para mais quando a municipalização escolar avança a todo o vapor, o parecer da PGR vem agora tirar todas as dúvidas.

2.ª – Por força do disposto no artigo 26.º, n.os 2 e 3, do referido decreto- -lei, o diretor de agrupamento de escolas ou de escolas não agrupadas exerce as funções em regime de dedicação exclusiva, o que implica a incompatibilidade de tal cargo com quaisquer outras funções públicas ou privadas, remuneradas ou não, ressalvadas as expressamente referidas no n.º 4 do mesmo artigo.


Pare, Escute, Olhe… e Pense!

Não. Não é o slogan da Prevenção Rodoviária Portuguesa. É mesmo para todos nós, um pequeno alerta sobre aquilo a que se tem assistido na Educação, nos tempos recentes.

Todos nós sabemos que o sucesso de um tratamento médico(exemplo) está dependente da correção com que é efetuado o diagnóstico. Já passámos pela ida ao hospital com uma infeção bacteriana e ser-nos diagnosticada uma virose. Quando isso acontece, bem podemos aguardar em casa, que a febre não baixa e a dor de garganta não desaparece.

No ensino, também nós, professores, verificámos que não bastava a leitura do Processo Individual do Aluno, que nos chega de um ciclo anterior, para aplicar as estratégias que o possam levar ao sucesso- generalizou-se o emprego da avaliação diagnóstico.

Na Educação, mudado o Partido, mudada a política. Normal. Mas existem “diagnósticos” e até corretos, feitos pelos próprios governantes, de que a “Escola precisa de estabilidade, reflexão, avaliação da necessidade de mudança”. Só depois, virá a MUDANÇA- tem sido afirmado.
Os sindicatos promoveram inquéritos aos sócios acerca do que consideram prioritário alterar; o Conselho Nacional de Educação também tem bem feito o seu trabalho de diagnóstico e previsão; os blogs de educação têm dado o seu contributo; as Associações/ Federações de pais não deixaram de comunicar os seus alertas e as suas preocupações.

Como se entende a febre governativa em emanar orientações descoordenadas para a comunicação social, para debate público em que cada um diz o que lhe apetece, esteja ou não, ligado à Educação?? Segue-se o exemplo do futebol em que quem está no campo e quem está na bancada pode ser treinador?
Quem lucra com este estado de coisas? Que desenrolar se aproxima?

Relembrando algo que consensualmente foi diagnosticado como ‘mudança prioritária’:

–  extensão do Currículo;

–  inadequação de conteúdos letivos, à faixa etária dos alunos;

–  existência de turmas mistas, no 1.º ciclo;

–  elevado número de alunos por turma;

–  elevado número de alunos por professor;

–  não respeito pela “quantidade” de alunos com NEE, por turma;

–  clarificação de critérios pedagógicos para elaborar horários;

–  Gestão Escolar e o (não)funcionamento dos Conselhos Gerais;

–  indisciplina;

–  envolvimento/responsabilização parental na vida escolar;

–  formação de gestores;

–  formação de docentes;

–  simplificação da “burocracia” e incremento de boas práticas pedagógicas;

–  existência de psicólogos escolares em rácio adequado;

–  prática da mediação de conflitos;

– … … … … …
Não falo da estrutura física e do funcionamento das instalações escolares, do envelhecimento do corpo docente, da falta de assistentes operacionais…

Haverá alguma relação- é uma simples questão- entre todas as ‘prioridades consensuais’ e a necessidade de VERBAS para as implementar???
A fúria documental inovadora- é uma outra simples questão- será oportunamente concentradora de atenções e fomentadora de debates estéreis?

PARE, ESCUTE, OLHE… e PENSE!

Fátima Ventura Brás